quinta-feira, 27 de junho de 2013

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Renata Lu - Sandália de Prata 1975


Ele voltou! E voltou com tudo. Depois de algum tempo sumidas da praça, as Brasas do Alvarenga estão de volta. E eu como um bom militante da causa me esqueci de avisar pra vocês, rsrs. Pra me redimir vou colocar sempre alguns links lá do Prato e Faca, esse tesouro que nosso amigo Alvarenga do Morro do Chapelão disponibiliza pra gente! É isso aí meu querido "Alvarenga", se precisar, que venha o Prato e Faca e, 4, 5...como diz o PCP:

Você corta um verso, eu escrevo outro / Você me prende vivo, eu escapo morto / De repente olha eu de novo...

Pra começar, um disco da pesada: Renata Lu - Sandália de Prata. Lançado em 1976, vem com uma seleção de sambas de primeira, só gente bamba: Candeia, Casquinha, Heitors dos Prazeres, Cartola, Carlos Cachaça, Nélson Cavaquinho, Alvarenga, Ismael Silva, Padeirinho....É só clicar na capa do disco pra baixar no Prato e Faca:


Ah, acreditem, não é a Clara Nunes, rsrs



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Ataulfo Alves em 78 rpm


Nascido em 1909 no interior de Minas Gerais, numa fazenda do município de Miraí, o pequeno Ataulfo Alves de Sousa deu seus primeiros passos na musica ainda pequeno. Seu pai, Severino de Sousa, tinha o apelido de Capitão (mas nunca foi militar) e era repentista, além de um exímio tocador de sanfona e viola. Capitão era conhecido em toda a região e o pequeno Ataulfo lá pelos seus oito anos de idade já andava improvisando junto com ele. O Capitão partiu cedo, quando Ataulfo tinha ainda 10 anos de idade, mas a referência musical foi herdada pelo garoto que viria a se tornar um dos maiores compositores da era de ouro da musica brasileira.

Sem a ajuda do pai, Ataulfo fez de tudo pra colaborar com o sustento da família, sem nunca abandonar os estudos no grupo escolar Dr. Justino Pereira. Em 1927, com 18 anos, deixou a pequena Miraí e foi morar no Rio de Janeiro, acompanhando um médico amigo da família que se transferia para o Distrito Federal. Por um tempo trabalhou em seu consultório durante o dia e à noite fazia faxina na casa do médico.

Com o tempo, arranjou um emprego em uma farmácia, onde era limpador de vidros e acabou aprendendo o ofício de prático de farmácia. Foi nessa época que começou também a frequentar rodas de samba. O próprio Ataulfo conta em entrevista:

"Eu organizei um conjunto, um grupo. Já tocava violão, já tinha meu cavaquinho, meu bandolinzinho, já fazia meu dó maior acertadinho, direitinho. Conforme eu manipulava as pílulas, manipulava também o samba"

Foi também nessa época que conheceu uma jovem chamada Maria do Carmo, amiga das filhas do patrão, que vivia dizendo que Ataulfo um dia seria um grande artista. Ataulfo achava graça sem saber que essa moça fazia uma profecia que não tardaria a se concretizar. Ah, a moça, a tal Maria do Carmo, também seria artista e ficaria conhecida pelo nome de Carmem Miranda!

Em 1929, já compunha seus sambas e era diretor de harmonia do bloco "Fale quem Quiser", no bairro Catumbi. Alguns anos depois, em 1933, recebeu uma ajuda fundamental para o sucesso de sua carreira como compositor e cantor. O compositor Alcebíades Barcelos, o Bide do Estácio, ouviu alguns de seus sambas, gostou e o levou para um encontro com Mr. Evans, o famoso americano diretor da RCA Victor.

Mr. Evans gostou do que ouviu e entusiasmado chamou uma de suas cantoras contratadas. E não é que de repente adentra a sala onde estavam, ninguém menos que Carmem Miranda que bateu os olhos e logo reconheceu Ataulfo: 

"Mas você não é aquele moço lá da farmácia?". "Perfeitamente" respondeu ele. "Mas você não era compositor!", exclamou Carmen. "Você também não era cantora!", disse em resposta. Os dois riram muito e explicaram para Mr. Evans que se conheceram quando ela ainda se chamava Maria do Carmo e ele era apenas um prático de farmácia. Carmem Miranda escolheu e lançou no mesmo ano o samba "Tempo perdido".


Ataulfo passou a ser apadrinhado por Bide e também pelo cantor Almirante, que gravou seu samba "Sexta Feira". Seu primeiro sucesso foi o samba "Saudades do meu Barracão", gravado em 1935 pelo cantor Floriano Belham na RCA Victor. E o dinheiro já começou a entrar desde o primeiro sucesso, ele conta:

"Naquela época um disco fazia sucesso quando vendia mil ou mais de mil cópias. Os outros compositores ganhavam $100 (cem réis) por face, mas eu, não sei porque, já comecei ganhando $200 (duzentos réis)".


E aí foi embora, um sucesso atrás do outro. Fez sambas com Bide, Marçal, Wilson Baptista, Roberto Martins, Benedito Lacerda, Assis Valente, Herivelto Martins, Alberto Ribeiro, Zé Pretinho, Claudionor cruz, Mário Lago e até com Jacob do Bandolim, com quem fez o belo "Meu Lamento", gravado por Nora Ney em 1955.


Aliás, Jacob do Bandolim faz ainda uma aparição com seu bandolim na introdução da gravação original de "Amélia", parceria com Mário Lago. Ataulfo conta a história desse samba que talvez seja seu maior sucesso. O samba foi sucesso no carnaval. Inspirado na lavadeira Amélia, que trabalhava para Aracy de Almeida e que, segundo o baterista e irmão da cantora, Almeidinha, "...lavava, cozinhava, passava, e o dinheiro que ela ganhava a gente bebia. Aquilo é que era mulher...".


Ao compor a melodia para a letra de Mário Lago, modificou tanto os versos que o parceiro se mostrou descontente com o resultado. O desentendimento durou pouco, e, em 1944, os dois compuseram outro sucesso, "Atire a primeira pedra", gravado nesse mesmo ano por Orlando Silva na Odeon com tanto sucesso que foi o responsável pela única ocasião em que Mário Lago viu o parceiro de pileque no Café Nice dizendo: "Parceiro, estamos outra vez na boca do povo...".


Outra história interessante é a do "Bonde São Januário", feita com o parceiro Wilso Baptista que acabou deixando o Ataulfo em maus lençóis com a censura na época:


Em 1944, decidido a lançar suas próprias músicas, organizou o conjunto chamado "Ataulfo Alves e suas pastoras" por sugestão de Pedro Caetano. O grupo era formado por Olga, Marilu e Alda e lançou no mesmo ano, de sua autoria, os sambas "Escravo da saudade", "Laura" e "Não irei lhe buscar".


Bom, pra quem não conhece a obra desse grande compositor, separei uma coletânea de sambas em 78 rpm. Aproveitem sem moderação!


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sábado, 8 de junho de 2013

Wilson Baptista, por Rodrigo Alzuguir

Esse ano comemoramos o centenário de nascimento de um dos maiores sambistas brasileiros, o grande Wilson Baptista. Estou preparando um material bem legal sobre ele e enquanto não fica pronto deixo esse video pra irmos entrando no clima:




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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Homenagem a Carlos Cachaça

Homenagem ao compositor Carlos Cachaça, com o pessoal do Terreiro de Mauá... um samba mais que honesto!



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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Seleção do Receita 01

De vez em quando postarei aqui pequenas seleções de 10 sambas. São coletâneas pequenas, pra ficar mais fácil de apreciar cada samba, aprender as letras... às vezes baixamos tanta musica que nem as ouvimos direito não é mesmo?

Aproveitem essas receitas rápidas.




A mulher dos sonhos meus - Samba de Ataulfo Alves e Orlando Monello, gravado pelo Nélson Gonçalves em 1941.

Amanhece o dia - Samba do Império Serrano, parceria entre os compositores Mano Décio, Miquinha e Motorzinho.

Casa Modesta - Samba que conheci com o saudoso Terreiro Grande. Esse vem lá dos lados da Aprendizes de Lucas, por um dos maiores compositores da escola: Antônio Fontes, o Colher.

Chorou madureira - Homenagem de Haroldo lobo e Milton de Oliveira ao mestre Paulo da Portela, gravado em 1949, logo após sua morte, na voz da grande Aracy de Almeida.

Como se faz uma cuíca - Mais um samba de Haroldo Lobo, dessa vez em parceria com Wilson Batista. Uma exaltação à cuíca, com dicas sobre o preparo e o modo de tocar. "O piano é de nobre, instrumento de pobre é a cuíca"

Meu Salgueiro - Lindo samba do Anescar do Salgueiro, cantado aqui pelo também salgueirense Noel Rosa de Oliveira.

O Pior é saber - Interpretação impecável do cantor Abílio Martins para esse lindo samba do Walter Rosa.

Quem me ouvir cantar - Uma pintura em forma de versos do mestre Anicet José de Andrade, o Aniceto da Portela, irmão mais velho de Mijinha e Manacéa. Ainda mais bonito na voz da Clara Nunes.

Tristeza - Samba do Cartola em parceria com Orlando Batista, gravado inicialmente nos anos 40. Aqui quem faz as honras é o pessoal do Terreiro Grande.

Você não é a tal mulher - Pra terminar um samba do grande Alcides Lopes, o Malandro histórico da Portela. Esse samba foi gravado nos anos 80 pela Velha guarda da Portela no disco Doce Recordação.


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