quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Mano Edgar...



Mano Edgar
(Fernando Paiva e Tuco)


Todo o Estácio quer saber
Ó Edgar, Mano Edgar
Onde é que está você
Todo o Estácio quer saber
Qual será o paradeiro do grande bamba do lugar
Ó Edgar, Mano Edgar
As damas do mangue lamentam
E os bons malandros te representam
Mas sentem sua falta no Deixa Falar

No largo de São João
Bem na Tijuca, por lá se criou
Um sambista de bom coração
E ao lado de Ismael fundou
A primeira escola de samba
Mas logo em seguida partiu
E a Praça Onze de luto chorou
Até o Bar do Apollo fechou


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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Pixinguinha...

Texto publicado no dia 16/02 pelo meu mestre e amigo Walter Firmo lá no Facebook. Transcrevo na íntegra as palavras desse fotógrafo e poeta, que nos brindou com a mais bela e conhecida imagem do gênio Pixinguinha:


É, que amanhã, o autor de Carinhoso faz 40 anos de morto, não choramos mais, apenas sentimos a sua falta física, hoje mais sozinhos neste mundo povoado de fibras óticas e profundamente digitalizado.Ah, se tú soubesses como cada vez somos menos carinhosos, talvez voltasses e, nossas ruas selvagens se tornariam floridas outra vez.

O jornal "O Globo", através de Ancelmo Góis, conseguiram me encontrar nas férias nordestinas e pediram não só a autorização para publicar a foto e, tambem um pequeno texto em que me reportasse a ele.Àqueles que não poderão contemplar outra vez a lírica imagem, vai aí o pequeno texto que serão reproduzidos na edição deste próximo.

"Estava eu, diante de tamanha formosura no quintal de sua casa - no subúrbio de Ramos, no ano de 1968 -debaixo de uma frondosa mangueira, cercada de rosas plantadas e folhas sêcas ao chão, sob uma luz tropical vespertina, que beijava com sua tênue claridade a soberba magestade creoula do maestro Pixinguinha, sentado a meu pedido sobre uma cadeira de balanço daquelas modelo austríaca, trajando pijama azul desfalecido e, ostentando na mão repousada em seu colo o glorioso saxofone dourado.
Ainda me lembro, passado tantos anos, de sua envergadura corporal bonachona, um líder natural por excelencia.Fiz, então, completamente automatizado como se não sentisse nada, inteiramente frio e calculista, um filme em cor de 36 poses circulando em torno dele 360 gráus, área essa reservada naquele momento a uma consciencia artística e reverencia histórica, tinha absoluta certeza disso.
Foi um pressentimento".

Walter Firmo



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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Nélson Cavaquinho no cinema...

Participação de Nélson Cavaquinho no filme "Muito Prazer" de 1979:



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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Portela dos Bons Tempos (Monarco) por Eliana Pittman


Portela onde estão os teus sambistas?
Que Paulo ensinou com perfeição
Aqueles que ainda tenho na lista
Guardada dentro do meu coração
Não deixe o aventureiro vir ao seu terreiro fazer o que fez
Nem deixe que ele venha tomar a vez
E nem tampouco um dia usufruir
O direito daquele que outrora lhe fez sorrir
Meu samba vai servir de mensageiro
Pra dizer que Oswaldo Cruz tem sambista verdadeiro
E também vem em defesa o poeta lá do morro 
Que clamava por socorro sem ninguém lhe ajudar

Mas hoje em dia vejo tudo diferente
Quando lembro de antigamente 
Dá vontade de chorar

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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Samba de Sambar do Estácio: Surgimento do Malandro Capoeira


Uma enorme quantidade de ex-escravos vindos do vale do Paraíba, onde se concentravam as grandes fazendas de café no século XIX, todos mantidos sob forte discriminação racial, juntou-se aos que viviam na cidade do Rio de Janeiro. Trouxeram contribuição musical diferente da dos baianos, particularmente para as rodas de batucada. O jongo, contendo elementos de ligação com o can­domblé e a mesma formação dos sambas de roda do Nordeste, era mais importante para eles que o samba para os baianos. 

Todos se concentraram na Pequena África, situada além do Campo de Santana. Vivenciaram situação bastante pior que a da escravidão. Não havia a menor possibilidade de trabalho. Atingiram miséria absoluta. Muitos, submissos desde pequenos, aceitaram sem rebeldia  outros se rebelaram. Para estes, a solução foi o caminho da capoeiragem, à qual se dedicaram com afinco, e brilharam. As poucas possibilidades de trabalho eventual eram sempre obtidas por imigrantes europeus não discriminados pelo racismo reinante  Os pretos ex-escravos permaneciam como "peças" e tratados como sub-humanos, apesar de toda literatice oficial dizer o contrário. Eram considerados abaixo dos animais de serventia. 

Há um livro nessa literatice oficial, espantosamente fictício, editado em 1901, intitulado Por que me ufano do meu país, do conde Afonso Celso, que capitula vários "motivos da superioridade do Brasil", dentre eles a escravidão negra. Sobre o cativeiro, consta: 

O Brasil não o amou ou defendeu; apenas o tolerava. Condenava-se universalmente entre nós a propriedade servil. Os denominados escravocratas jamais se opuseram radicalmente à libertação; queriam só que ela se efetuasse em prazo longo, e mediante uma indenização, destinada à reorganização do serviço agrícola. Nunca pegaram em armas para preservar o triste regime, herdado dos antepassados. Raros os senhores cruéis. No geral, tratavam os negros como cristãos, não lhes recusando o consolo da religião, permitindo que fundassem irmandades só deles: São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. Mitigavam a sorte desses infelizes a caridade, a filantropia e belos costumes da população, quais o apadrinhamento, as alforrias na pia. Com alforrias se comemorava qualquer fato importante ou festa de família. Os libertos adotavam, não raro, o sobrenome dos antigos senhores. Cargos e posições lhes ficavam acessíveis, sem separação social.  Ultimado o triunfo, incorporaram-se os ex-escravos à população  em perfeito pé de igualdade. A eles mesmos e aos seus descendentes desvendaram-se os vastos horizontes abertos a todos os habitantes do Brasil, (celso, Conde Afonso. Por que me ufano do meu país. Rio de Janeiro: Laemmert & Cia., 1901, p. 237) 

Na virada do século XX, dentre a densa camada de ex-escravos concentrada em volta da praça Onze, sobressaía o tipo singular do capoeira. Esse personagem aos poucos foi se consolidando até ocupar lugar de destaque entre a classe mais baixa da população e diferente da figura do capadócio, já conhecida desde a segunda metade do século XIX. 

A forma de viver estabelecia a diferença entre eles. O capadócio  em geral mulato forro de maneiras rudes sem violência, era afeito ao violão e às modinhas seresteiros  Já o capoeira, muito agressivo, provinha, em sua maioria, da transformação do soldado ex-escravo que dera baixa, oriundo das revoltas do início da República, em integrante civil dessa subclasse. A capoeira  arte de luta angolana caracterizada pela violência, fazia seus praticantes serem temidos pela população. 

Manipulados por políticos profissionais, os melhores capoeiras tornaram-se cabos eleitorais. Os índices para aceitação eram fama comprovada de valentia e habilidade em tumultuar qualquer aglomeração de natureza política, fosse ela na boca das urnas ou na hora da contagem dos votos. Muita urna desapareceu nas mãos desses capoeiras exercendo função de cabo eleitoral. 

A situação social desses ex-escravos, tanto como cabos eleitorais ou apenas como hábeis capoeiras, mudou completamente: ganharam prestígio e até certo poder de mando nas comunidades de que participavam. Passaram a comandar manifestações populares, desde a Festa da Penha até o carnaval dos cordões e, especialmente, o carnaval dos blocos da praça Onze. Em pouco tempo, reinaram na zona do baixo meretrício. Os cabos eleitorais recebiam compensações pelos serviços prestados aos políticos vitoriosos. Eram nomeados servidores públicos como funcionários da Prefeitura do antigo Distrito Federal. 

Uma outra geração formada 20 anos depois, toda descendente de ex-escravos e mantida na mesma condição social, cultuando a imagem da geração dos cabos eleitorais do início do século XX, conduzia-se por conta própria sem mais depender exclusivamente dos políticos locais. Dessa geração surgiu o malandro carioca. Esse novo personagem dedicava-se à capoeiragem como os outros. Muitos eram, ou tinham sido, empregados em algum lugar; outros nunca trabalharam. Conscientes de seus dotes pessoais, logo perceberam que não valia a pena trabalhar nas oportunidades que se ofereciam. Preferiam viver de jogo ou de exploração das mulheres do Mangue. Opção bastante clara para quem já se dera conta da pouca perspectiva do trabalho mal remunerado. Muitos mantinham emprego somente para acobertar o verdadeiro meio de vida. 

Os malandros adeptos dos jogos de baralho ou chapinha eram quase sempre tranquilos, normalmente não faziam uso de força física. Valiam-se de suas habilidades de manipulação, de inteligência e de atenção. Os malandros capoeiras, espalhados por toda a cidade, não mais se alinhavam com os capoeiras do princípio do século. Na nova estruturação urbana do Rio de Janeiro, a capoeira exibicionista dos cabos eleitorais estava sendo praticada apenas nas rodas de batucada, cujas grandes demonstrações coletivas concentravam-se na Festa da Penha. 

Não era mais apenas a luta corporal vinda de Angola; outros elementos foram incorporados. Além de novos passos ou movimentos, alguns mais violentos, foi introduzido o verdadeiramente mortal: o jogo com a navalha. Arma que todo verdadeiro malandro manejava com destreza.

Fonte: Samba de Sambar do Estácio - 1928 a 1931. Humberto Franchesci. Editora IMS. 2010.

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Coitado do Raimundo (Casquinha e Argemiro) Partido em 6



Com um time desses só podia dar numa bela farra!

Coitado do Raimundo (Casquinha e Argemiro)
Partido em 6

É bom acabar com isso, eu não quero confusão
Você diz a todo mundo que eu sou um vagabundo
Vagabundo não sou não, que vou parar no galpão

De fato eu tenho encontrado barreira pela frente
Por mais que procuro não encontro um batente
E você ao invés de me incentivar só abre a boca pra dizer:
Raimundo não quer trabalhar. Só pretendes me prejudicar

Já fiz até uma promessa ao meu São Jorge guerreiro
Me chamo Raimundo, mas não sou vagabundo
Parece até que fizeram macumba pra ver o meu fim
Quando falo em trabalho dói tudo dentro de mim
Sou Raimundo e não sou Serafim

Já tenho até medo de ir ao samba
Quando vejo um camburão minhas pernas ficam bambas.
E você que quer ver o meu azar, pergunta o cigarro que fumo
Pra na cadeia ir levar. Mas em cana eu não vou entrar

Entrei num flagrante, fiquei calado
Quando cheguei no distrito eu fui logo dispensado
Seu doutor ficou com pena de mim
Disse: “esse não é o Raimundo, é moleque Serafim”.
Passei por moleque, mas foi bom pra mim



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