quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mangueira (Assis Valente - Zequinha Reis) Bando da Lua - 1936


Não há nem pode haver
Não há nem pode haver
Como a Mangueira não há
O samba vem de lá, alegria também
Morena faceira só Mangueira tem

Mangueira está sempre em primeiro lugar
Aonde a cadência do samba rompeu
Deixa São Carlos falar
Deixa o Salgueiro dizer

Morena que até nem é bom se falar
Na qualidade ela é superior
É carinhosa no amor
Filha do samba e do amor

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Ai Favela (Brasinha e Paulo Medeiros)



Ai Favela 
(Brasinha e Paulo Medeiros)
Trio de Ouro - 1956

Ai Favela,
Favela abandonada por aí
Ai Favela, 
Somente o samba se lembra de ti

Favela, tão pequena é a distânica
De ti para a cidade feiticeira
Favela onde não sobe ambulância
Favela sofredora a vida inteira


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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Adeus Estácio (Benedito Lacerda e Gastão Viana)


Adeus Estácio 
(Benedito Lacerda e Gastão Viana)
Trio de Ouro - 1938

Adeus Estácio, adeus eu vou partir
Adeus Mangueira, adeus Catumbi
Adeus Salgueiro, adeus minha Favela
Vai dizer à minha amada
Que eu parto pensando nela

Vou pra cidade, vou bancar o granfino
Trocar o samba pelo tango do Cassino
Se algum dia o ambiente não me agradar
Vocês tenham paciência, mas eu tenho que voltar





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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Glória ao Samba, Cartola, Manacéa e Chico Santana...


Dia 24 de novembro de 2012, uma das melhores rodas do ano passado. Alí no Anhanguera de tantos sambas a tarde foi especial... Além de conhecer a roda do Glória ao Samba que já povoava minha imaginação há uns 3 anos quando vi o primeiro video deles, tive a honra de sentar na roda, tocar meu pandeiro e cantar como se o mundo fosse acabar naquele dia! Cada samba da pesada...

Nesse trechinho do video, três pedradas: O primeiro samba de nome incerto, chamado por nós (Glória ao Samba) de "Levanta Gigante" é uma parceria de Cartola com o Aluísio Dias. O segundo de autoria do Manacéa é o Samba predileto da querida dona Neném, viúva do Mestre. O Terceiro é de autoria do Chico Santana, fez em ocasião da separação da mãe da Neide. Quem ensinou foi o Monarco. 

Levanta Gigante
(Cartola e Aluisio Dias)

Levanta gigante adormecido
Vamos para o alto que nem tudo está perdido
Põe a tua frente os velhos generais
E eles mostrarão do que serás capaz
O teu valor ninguém pode tirar
Levanta-te Mangueira e vem lutar

Vamos apertar mais o ferrolho
Vai ser dente por dente, olho por olho
Vamos demonstrar com harmonia
Que a Mangueira ainda é a Academia


Tantas mulheres amei
(Manacéa)

Tantas mulheres amei depois que lhe abandonei
Mas não sei porque meu coração não lhe esqueceu
Sempre bateu por você
Sonhar, até sonhei
Que estava nos meus braços outra vez
Mas quando acordei não lhe encontrei, não, não
A saudade ficou no meu coração

Foi um deslize na vida que cometeste querida
Eu lhe abandonei, mas meu coração sempre sentiu uma dor
Igual quando se perde um grande amor


Foi um drama que passou
(Chico Santana)

Foi um drama que passou
E neste vou lembrar daquele falso amor
Que sorriu quando me viu chorar
Sem compadecer da minha dor
Hoje o remorso me acolheu
Rolaram lágrimas dos olhos seus

Tanto padeceu meu coração
Para enfrentar essa ilusão, a esperança perdida
Naquela que já foi e não é mais minha querida
Mas essa vida é mesmo assim
Quem me fez chorar hoje chora por mim...



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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Cidadão Samba 2013: De Paulo da Portela a Monarco

Pessoal, o jornal Extra lançou um concurso para eleger o Cidadão Samba 2013. Gostaria de pedir a vocês que votem no mestre Monarco, por tudo o que ele já fez e ainda faz pelo samba. Monarco é um dos maiores nomes da Portela, fez parte da primeira Velha Guarda ao lado de Manacéa, Chico Santana, Ventura e outros mais.

É uma verdadeira lenda viva do samba. Com uma memória impressionante relembra sambas inéditos de seus companheiros e não tem a menor cerimônia em compartilhar seu conhecimento com os mais novos. Mestre Monarco está sempre nas rodas, cantando com a gente, ensinando sambas...

E por isso o mestre Monarco merece ser reconhecido com um título que já foi dado a Paulo da Portela, o maior Portelense que já existiu! Votem quantas vezes quiserem, todos os dias, vamos proporcionar essa alegria a quem fez tanta musica binita pra gente cantar!

Pode votar várias vezes!

E pra não ficar só no pedido, deixo um texto excelente explicando sobre a origem do título de "Cidadão Samba" retirado do livro Paulo da Portela: Traço de Uião Entre Duas Culturas":

Para baixar, clique no ícone verde no canto superior direito

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Especial Paulo da Portela: Última Parte + Coletânea para Download


Pra começar 2013 com o pé direito, uma postagem sobre o maior sambista de todos os tempos, o professor Paulo da Portela. Acompanhando o último texto da série sobre o compositor preparei uma coletânea com 26 sambas do mestre Paulo, além do documentário "O seu nome não caiu no esquecimento".

Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 1949. Um sábado comum, a poucos dias do carnaval. Pela manhã, Paulo teria finalmente concordado em voltar para a Portela, após 8 anos de afastamento. A declaração, informalmente feita para o jovem amigo Alvaiade na estação de trem, traria novamente alegria para todos em Oswaldo Cruz.

Paulo seguia, apressado como sempre, para Jacarepaguá. Na volta, desceria na estação de Bento Ribeiro, uma após Oswaldo Cruz, onde habitualmente saltava. Andou até a Rua Tácito de Esmeris, onde ficava a pequena escola Paz e Amor. Lá, encontrou vários amigos, e depois de um tempo atravessava a linha do trem para chegar à Lira do Amor, escola da qual fez parte nos últimos anos.

Mais tarde, faria uma apresentação em um circo. Ali, pertinho, na esquina das ruas Carolina Machado e Frei Bento. Próximo à Estrada do Portela, pára num bar e, esquecendo-se dos conselhos do médico, começa a beber. Seu compadre Cláudio Bernardo percebe que o amigo não estava bem e chama sua atenção para o excesso.

No circo, Paulo é aclamado e se emociona; foi o último reconhecimento que o mestre receberia ainda em vida. Durante a madrugada, Paulo morreria. Colapso cardíaco, segundo um médico amigo atestou.

O enterro de Paulo foi, talvez, o momento mais marcante da história do subúrbio de Oswaldo Cruz. Quinze mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre, que seguiu de sua pequena casa, na Rua Carolina Machado, até o cemitério de Irajá, atravessando todo o bairro de Madureira. Sua esposa, Maria Elisa, não permitiu que Natal cobrisse o caixão com a bandeira da Portela. Dizia que "se ele não voltou em vida, também não voltará depois de morto". Infelizmente, a promessa feita ao jovem Alvaiade não pôde ser cumprida. Paulo jamais voltaria a ser da Portela.

Esse relato, segundo o que está escrito no livro "Paulo da Portela - traço de união entre duas culturas", de Marília Barboza e Lígia Santos, mostra os últimos momentos do homem Paulo da Portela. A partir daí, entrava em cena o mito, o exemplo a ser seguido. Os homens morrem, mas suas obras são eternas, permanecem para sempre imortalizando ideais e sonhos. E nós, cem anos depois, contemplamos seus ensinamentos, escrevendo nossas histórias com a fé em seus conselhos.

Príncipe Paulo, elegantemente vestido. "Pés e pescoço ocupados". Buscamos assim a valorização da raça negra. Sonhamos com uma revolução pacífica, uma conscientização de toda a sociedade, respeitando, finalmente, a diversidade de uma população de formação especial.

Buscamos o reconhecimento de que o Rio se estende para além das fronteiras da mídia. O Rio também é Oswaldo Cruz, também é Madureira. O Rio também é quente e de ruas empoeiradas. Aprendemos que é preciso superar os preconceitos, estereótipos discriminatórios que precisam ser vencidos. O subúrbio também canta, também dança. E a riqueza da produção cultural do subúrbio responde por uma nome reconhecido internacionalmente: Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela.

A Portela, maior obra de Paulo, prova concreta do que o subúrbio é capaz, foi o legado maior deixado pelo professor. Se os ensinamentos de Paulo orientam nossos caminhos, a Portela é a personificação de seus sonhos. Sonhos pintados nas cores azul e branca, batendo asas na forma de uma Águia, embalados na perfeita harmonia entre a inconfundível cadência de uma bateria e as belas letras de uma produção musical peculiar.

Portela que une passado e presente. Na magia do amor que desperta, estende um facho de luz para a eternidade, unindo nossos sonhos aos de Paulo, tornando viva sua presença ao nosso lado. Somos todos iguais diante da sombra de suas asas, sentimento que atravessa o tempo e as gerações.

E lá estará Paulo, onipresente mais uma vez no carnaval. Estará na lágrima da baiana, no orgulho do passista ou na emoção do ritmista, não importa. As mesmas lágrimas dos olhos de Paulo já rolaram, o mesmo orgulho e a mesma emoção já foram por ele sentidos.
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Como não podia deixar de ser, segue o link para uma seleção de sambas do mestre Paulo da Portela que preparei pra vocês:

(clique no link que diz: "Click here to start download from sendspace")

Assista também ao documentário "O Seu Nome Não Caiu no Esquecimento", uma excelente fonte de informações sobre Paulo da portela:





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