quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Especial Paulo da Portela: Parte 8

Paulo, Antônio Caetano e Antônio Rufino, fundadores da Portela

Quando Paulo chegou a Oswaldo Cruz, no início da década de 20, o bairro não era mais que um humilde povoado às margens do Rio das Pedras. As ruas empoeiradas, com as valas correndo a céu aberto, eram o cenário hostil que todos encontravam. Paulo tinha aproximadamente 20 anos quando mudou-se para o subúrbio, vindo da Saúde, região próxima ao centro da cidade. 

As dificuldades comuns eram superadas com união. Os laços de amizade ajudavam a enfrentar a dor, e do sofrimento brotaram canções. Em Oswaldo Cruz encontrávamos a junção das lendas e tradições do campo com os costumes da cidade, e dessa fusão surgem as peculiaridades da produção cultural local. 

A Portela nasce como catalisador desse caldeirão cultural que fervilhava no bairro. Em suas raízes, mesclam-se as culturas rural e urbana, e desse híbrido temos a definição das primeiras características da grande escola. 

Paulo traz consigo os traços da cultura urbana, dos costumes e tradições das regiões periféricas do centro do Rio, onde a população negra formava a "Pequena África". Em Oswaldo Cruz, percebe a riqueza do processo que estava ocorrendo naquela localidade, tornando-se seu principal líder, um dos maiores defensores do subúrbio. 

O estreitamento dos laços sociais era a arma para enfrentar as dificuldades; a união e a amizade, formas de ludibriar os problemas. Organizados por Paulo, os primeiros moradores de Oswaldo Cruz superaram as dificuldades iniciais e o progresso vai a reboque da vizinha Madureira. 

Paulo jamais abandonaria seu bairro. Seu nome artístico, Paulo da Portela, não é uma referência à escola, e sim à principal estrada do bairro onde Paulo morou quando chegou a Oswaldo Cruz. A escola só apareceu mais tarde, numa referência à mesma estrada. 

As valas e as ruas de barro aos poucos foram desaparecendo da paisagem, mas Oswaldo Cruz jamais perderia seu típico ar suburbano. Paulo foi uma espécie de "embaixador" desse pedacinho de terra, recebendo com dignidade e elegância visitantes ilustres de diversas partes do mundo. 

Mesmo sendo uma das figuras mais conhecidas da vida carioca dos anos 30 e 40, Paulo jamais conseguiu converter essa popularidade em dinheiro. Viveu até seus últimos dias numa pequena casa de vila na Rua Carolina Machado, próximo à estação do bairro que o acolheu de braços abertos. 

Hoje, mais de 50 anos após sua morte, o nome de Paulo da Portela ainda permanece muito forte na região. Iniciativas comunitárias surgem inspiradas nos ensinamentos do velho professor. É o caso do Centro de Capacitação Profissional Paulo da Portela, na Rua Cananéia, criado por iniciativa da Associação dos Moradores de Oswaldo Cruz, em que se desenvolvem projetos de pré-vestibular para pessoas carentes, alfabetização para adultos e cursos profissionalizantes, valorizando a cultura negra e preservando a riqueza cultural do bairro. 
Fonte: Portela Web

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

De cara nova...

Em 2013 o Receita de Samba entra em seu quinto ano de vida. Ao longo desses anos aprendi muita coisa postando no blog e com isso meu gosto e mesmo minha concepção sobre o samba mudaram muito. E pra acompanhar essas mudanças resolvi dar uma cara nova ao blog. Talvez essa ainda não seja definitiva, mas já expressa melhor meu gosto pelo samba e os objetivos do Receita de Samba. Espero que gostem!


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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Glória ao Samba - Por Paulo Matias

O samba e suas variadas vertentes desenvolveu-se plenamente no Rio de Janeiro, a partir do começo do século 20 e mais fortemente com o surgimento das primeiras escolas de samba.

Com o nascimento do “Deixa Falar”, primeira escola de samba fundada no Brasil em 1928 uma nova modalidade de samba passou a ser adotada, deixando de lado o ritmo amaxixado, e implementando um novo ritmo, muito mais cadenciado. Os compositores dessas novas e criativas agremiações produziram melodias e um ritmo que logo chegariam à cidade.

Parte dessa produção interessou prontamente as gravadoras que por meio de primorosos interpretes, reproduziram essas obras de inestimável valor musical.
A obra desses geniais compositores foi destaque por anos nos antigos carnavais.

Mesmo com essa aceitação muito do que era produzido no “morro” era ali consumido, pela localidade, sendo feito espontaneamente, aprendido e cantado no “terreiro da escola”, gerando o amplamente falado “samba de terreiro”.

Esse denominado “Samba de Terreiro” não é um gênero de samba, embora hoje adotemos como tal, mas sim um modo de como o samba era produzido, sem pretensões comerciais e de maneira pura, resultando em melodias e letras únicas.

Antigamente sem os adventos tecnológicos de amplificação, microfone e outros, o samba era “passado” através de prospectos ou na sua maioria pela transmissão oral, onde o compositor munido de cavaquinho e violão, “lançava” seu samba no terreiro ou quadra, e com a exaustiva repetição, os presentes passavam a ter conhecimento e aprendiam o determinado samba, sendo bem aceito, logo tomava corpo, entusiasmando a todos.

O mestre Monarco da Portela descreve com perfeição, esse acontecimento: “O samba quando era bom, as pastoras aprendiam ali na hora, entrava a bateria e todos saiam cantando.” Ressaltando que tudo de maneira simples e acústica. 

Até o meio da década de 60 essa modalidade era ainda praticada nas escolas de samba, caracterizando uma maneira toda especial de se tratar o samba. Escolas como Portela, Mangueira, Império Serrano, Salgueiro, Unidos da Capela, Aprendizes de Lucas e outras que deixaram de existir, tiveram em suas fileiras numerosos compositores que produziram vastíssimo repertório, muito desse material acabou perdido ou vive vagamente na memória de seus contemporâneos.

O “Glória ao Samba” tem por intuito resgatar esse material, somos um grupamento de pessoas dedicadas à manutenção, divulgação e preservação do samba .

Dedicando-se com afinco na recuperação dessas melodias perdidas, quer sejam inéditas ou desconhecidas.
Dadas as proporções tentamos de maneira honesta reproduzir a sonoridade da época, tudo aos moldes tradicionais, atentando para instrumentação e vocalização de como foi produzido pelos precursores .
Tendo em vista o atual cenário musical brasileiro, ingressamos na fileira de pessoas que tentam a valorização desse patrimônio musical brasileiro.

Embora grande parte de nossos combatentes já desenvolviam individualmente algum trabalho com o samba, nosso ajuntamento ocorreu há 5 anos, e o termo combatente aqui não expressa aspirações revolucionarias, mas não podemos dizer que não se trata de uma luta desigual informar as pessoas sobre todos esses grandes personagens de nossa cultura, em meio a grande alienação musical que sofre nossa sociedade. 
Sem sede fixa ou subsídios externos, sem conotação política partidária, o “Glória ao Samba” reúne pessoas com o mesmo ideal, preservar e difundir nosso amado ritmo nacional.

Nosso convite é sincero e será um prazer compactuar com você que também acredita no poder restaurador de uma de nossas mais verdadeiras expressões culturais. Seja Bem Vindo.

Glória ao Samba 
Dia 24 Novembro a partir das 17 horas
Local: Clube Anhanguera 
Rua dos Italianos, 1261 - Bom Retiro
Esquina com Marginal Tietê.
Entrada Franca


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Homenagem ao mestre Casquinha. Portelinha, Osvaldo Cruz. 15/11/2012


Dia 15 de novembro foi o dia em que pisei pela primeira vez no altar da minha querida Portela. Fui à Portelinha com um dos mais nobres motivos: homenagear um dos maiores portelenses ainda vivos, o mestre Casquinha, que completa 90 anos dia 01 de dezembro. Dia lindo, cheio de encontros e emoções. Ali onde pisaram alguns dos maiores nomes do samba, de frente ao busto do professor Paulo da Portela o samba se refez... No mesmo local e com a mesma alegria com que era feito pelos antigos portelenses.... Ah, quantas lágrimas eu derramei!!!

Um grande abraço à rapaziada do Samba da Pedreira que tá começando uma bela história lá no Rio. Aos irmãos do Terra Brasileira e do Terreiro de Mauá e à Áurea que armaram esse maravilhoso encontro! É disso que o mestre Casquinha precisava. Dava pra ver a alegria em seus olhos vendo a mocidade cantar seus sambas e louvar a velha Portela, todos com os olhos rasos d'água....

Fotos: Vinicius Terror
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Clique nas imagens para ampliar

  


   


  


  




  


  


  


   


   



  
  

  


    


  


  


   


  




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