domingo, 30 de setembro de 2012

Chorou Madureira (Paulo da Portela) - Haroldo Lobo e Milton de Oliveira


Chorou Madureira (Paulo da Portela)
Haroldo Lobo e Milton de Oliveira
Araci de almeida, 1949

Chorou Madureira, chorou Irajá 
Salgueiro, Mangueira, Favela 
Portela e Estácio de Sá 
Chorou Risoleta e o Mano Edgar 
Quando Paulo foi pra nunca mais voltar

Toda a cidade sentiu 
O tamborim parou 
Quando Paulo da Portela foi embora 
A União das Escolas 
Luto fechado votou 
E Oswaldo Cruz ainda hoje 
Chora, chora


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Samba de Sambar do Estácio: 1928 a 1931

Em 2010 o pesquisador Humberto Franceschi publicou pelo IMS um dos mais importantes livros sobre a história do samba carioca. "Samba de Sambar do Estácio: 1928 a 1931" conta como os compositores do Estácio de Sá transformaram o maxixe de Pixinguinha, Donga e sua turma em Samba, dando uma nova roupagem às melodias, letras e ao rítmo de forma tão espontânea e natural que é difícil acreditar que o que aqueles rapazes (isso mesmo, praticamente todos na época tinham seus vinte e poucos anos) criaram mudaria definitivamente os rumos da musica brasileira. 

O livro conta também como o Estácio se desfez em apenas 3 anos de existência e os motivos políticos que levaram ao triste desfecho, que culminou com o fim da primeira escola de samba fundada no Rio de Janeiro. Tudo tão bem contextualizado no Rio antigo que às vezes nos sentimos andando pela zona do Mangue, pelo Largo do Estácio, nas rodas de batucadas na antiga balança da Praça Onze... 

Infelizmente o livro se esgotou rapidamente e não terá um segunda edição. O que é um grande pecado, pois quem gosta do bom samba não pode deixar de ler as histórias que o Humberto nos conta. Sendo assim, resolvi ir postando pequenos trechos do livro pra vocês, sempre acompanhados de algumas gravações e fotos da época. Não é a mesma coisa que ler o livro, mas acho que já é um jeito dessas informações chegarem a quem não conseguiu comprar o livro!

Esses trechos poderão ser acessados pelo menu acima, na aba "Samba de Sambar" e espero que lhes sejam muito úteis!

Pra começar, deixo o prefácio escrito por José Ramos Tinhorão:

"Este livro sobre a música produzida no bairro carioca do Estácio de fins da década de 1920 aos primeiros anos da revolução, que em 1930 abriria o longo período da era Vargas, antes de representar apenas o resultado de pesquisa histórica, constitui talvez o mais interessante exemplo de vida do seu multifacetado autor.

Ele é representante de uma tradicional família brasileira do século XVIII, que ancorada no título de marquês de Olinda atribuído por D. Pedro II no século XIX a um ativo político pernambucano chamado Pedro de Araújo Lima, passaria a produzir sob a nova linhagem de Mellos e Moraes, uma sucessão de intelectuais, como o dicionarista Antonio de Moraes e Silva, o historiador Alexandre de Mulo Moraes, o folclorista Mello Moraes Filho, o requintado intérprete de modinhas, dublê de delegado de polícia, Henrique de Mello Moraes, o poeta e diplomata Vinicius de Moraes e, finalmente, o fotógrafo, pesquisados e historiador dos primórdios da indústria do disco no Brasil- e agora da música malandra do Estácio - Humberto Moraes Franceschi.

Pois foi, talvez, para fugir um pouco a essa tradição familiar de nomes sempre ligados ao poder ou ao saber das elites, que o futuro autor de livros sobre música popular começaria mais rasamente desde a década de 1940 pela simples colação de discos e aproximação pessoal com os artistas populares responsáveis pela nova forma de encanto, não mais dirigida aos poucos Araújo Lima, Moraes e Silva e Mello Moraes, mas às grandes camadas fascinadas por cantores de rádio e pela produção de compositores saídos de seu próprio meio.

Para tornar realidade esse exercício de gozo mais íntimo do que a moderna música popular de então transformava em paixão geral, o jovem Humberto Franceschi transformou sua casa do bairro de Botafogo - rua da Passagem, 130 - numa espécie de centro anárquico de discussões sobre política, literatura, futebol e mulheres em clima de piada e, naturalmente, sobre temas de música popular, partindo neste ponto de que não havia melhor voz e interpretação do que a de Orlando Silva.

Favorecido pelo falo de serem três órfãos (os gêmeos Humberto e Zezinho e o irmão mais novo Fernando) dividindo o senhorio na desordem de uma casa que contava com a conivência de uma velha tia solteira conhecida por Dondon, o então fotógrafo de publicidade Humberto Franceschi oferecia o 130 da rua da Passagem a colegas de faculdade e amigos em geral mais do que como um local de encontro, uma autêntica pensão, beneficiada pela convidativa característica de nunca fechar (havia sempre arroz sobrando na panela e ovos na dispensa para fritar).

Pois foi pelas facilidades desse clima que, pelos 20 anos que mediaram entre inícios da década de 1940 e fins da década de 1950, começaram a aparecer, como dá passagem - não fora a casa dos Moraes Franceschi exatamente na rua desse nome -, muitos dos compositores e cantores até então conhecidos apenas pelos discos da coleção do dono da casa A partir desse momento, a visita mais constante ao 130 passou a ser a do personagem apontado exatamente como criador da primeira escola de samba no Estácio: o elegante e maneiroso compositor Isrnael Silva, sempre fiel à sua principal característica de chegar por acaso, invariavelmente, na hora exata do jantar. E, com ele, outros contemporâneos, a exemplo de Heitor dos Prazeres, Getúlio Marinho, Nelson Cavaquinho, Cartola, Mozart de Araújo e Bororó. Figuras que o dono da casa ouvia, atento, devidamente alertado por Lúcio Rangel sobre sua importância para uma história da música popular ainda por conhecer.

Assim, foram as conversas com estes pioneiros do samba carioca, e particularmente do Estácio, que ofereceram ao autor do presente livro mais do que as informações factuais necessárias à sua escrita, a compreensão do verdadeiro espírito do tempo, este, sim, indispensável para situar os dados e imagens obtidas no nível do que verdadeiramente se deve entender por História."

Fonte: Samba de Sambar do Estácio (Humberto Franceschi) IMS 2010




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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Contramão do Progresso (Tuco e Daniel Capu)



Samba do Tuco e do Daniel Capu, gravado pela rapaziada em Atibaia, 2012

Na contramão do progresso
O bonde vai descendo
Ah, seu condutor
Ele que é patrimônio histórico dessa cidade
Hoje não existe mais, que saudade

As ruas ganharam uma nova condução
Tiraram o bonde de linha, findaram a velha estação
E nessa trajetória veio a minha memória o 56
Do qual Wilson Batista um samba fez
Era o transporte principal,
Agora é mera memória num cartão postal


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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Encontro de sambistas em Uberlândia, MG

 

Fim de semana histórico aqui nas Minas Gerais! Sob o calor infernal de Uberlândia a roda pegou fogo com a presença de um verdadeiro batalhão de batuqueiros! Tinha gente de Mauá, São Paulo, Florianópolis, Belo Horizonte, todos muito bem recebidos pela turma da casa, os amigos Fernando Paiva, Galego, Carica, Rodrigo e Fabrício. Não podia dar em outra: brasa em cima de brasa... pena que o calor era tanto que fez a turma secar a cerveja do lugar, senão o samba entrava pela a madrugada, fácil, fácil...

Um salve pra toda a rapaziada e aos novos amigos... Aliás, como já disse aqui, uma das melhores coisas do samba é a capacidade que tem de unir as pessoas! Acho que vendo o vídeo dá pra entender quando a gente diz que vai viajar mais de 1.200 km em dois dias "só" pra participar de uma roda de samba... É isso aí, que venha o próximo!


Clique nas fotos para ampliar

    

  

  
  
  




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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Geraldo Pereira, O Rei do Samba

Filme contando a vida do compositor Geraldo Pereira. O filme em si é bem fraquinho, mas vale pela curiosidade e algumas brasas do Geraldo!


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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Especial Paulo da Portela: Parte 5



Paulo custou a se recuperar de seu complicado afastamento da Portela. De volta aos principais redutos de samba, percebeu que seu sucesso continuaria independentemente de estar ou não ligado à escola. A imprensa continuou dando um imenso destaque a Paulo, que sem dúvida nenhuma foi uma das personalidades mais conhecidas do Rio de Janeiro nas décadas de 30 e 40.  

Ainda em 1941, Paulo ingressou na Lira do Amor, cuja sede ficava na Rua Pacheco da Rocha, em Bento Ribeiro. Paulo assumia o difícil desafio de transformar a pequena escola de Bento Ribeiro, bairro vizinho a Oswaldo Cruz, numa grande escola de samba. Apostava em seu carisma, na sua capacidade, e nos amigos que construíra ao longo da vida. Alguns portelenses, como a pastora Eunice, atual integrante do conjunto da velha guarda show da Portela, acompanharam Paulo em sua difícil empreitada.  

Para os componentes da Lira do Amor, o reforço de Paulo representava a oportunidade de a escola disputar de igual para igual com as principais agremiações do carnaval carioca. Entretanto, até os mais otimistas sabiam que mesmo Paulo da Portela teria muito trabalho para alcançar esse objetivo.
Logo no primeiro carnaval após a chegada de Paulo, em 1942, a pequena Lira não desfilou. Paulo não resistiu, e foi assistir ao desfile de sua escola. Diante da Portela, Paulo bebeu mais do que era de costume. Estava aos prantos, como se fosse uma criança, alguns amigos queriam levá-lo para casa. Paulo não deixava, queria permanecer ali, estático, chorando, lembrando como tudo começou.

Nos anos de 1943, 44 e 45, a Guerra que era travada na Europa começou a apresentar seus reflexos no carnaval carioca. Muitos não viam motivos para folia diante do momento por que o mundo estava passando. Das manifestações carnavalescas, apenas as escolas de samba continuaram em atividade nesses três anos. Mesmo assim, poucas escolas se apresentaram nos desfiles, ocorridos no Estádio do Clube de Regatas Vasco da Gama. A Lira do Amor, assim como muitas escolas nesse período, teve suas subvenções retidas pela prefeitura, o que impediu que a escola desfilasse.

Finalmente, em 1946, Paulo, na condição de presidente da escola, pôde desfilar pela Lira do Amor. Desde que Paulo se afastara, a Portela tinha vencido em todos os anos. Já naquela época se transformava na maior campeã do carnaval carioca. Com Paulo, a Lira do Amor obteve a sexta colocação, seu melhor resultado em todos os tempos. A campeã, mais uma vez, foi a Portela. Essas colocações voltariam a se repetir em 1947, último ano dos famosos "sete anos de glória" da Portela.
Em 15 de novembro de 1946, em um desfile organizado pela UGES, no Campo de São Cristovão, a Lira do Amor fez uma emocionante homenagem ao senador Luiz Carlos Prestes, do Partido Comunista Brasileiro. O samba foi "Cavaleiro da Esperança", que, apesar de ter sido assinado por José Brito, teve sua autoria creditada, anos mais tarde, a Paulo da Portela:

Cavaleiro da esperança
Paulo Benjamim de Oliveira (Paulo da Portela)

 Prestes, Cavaleiro da Esperança
 Foi o homem que pelo povo relutou
 Seu nome foi disputado dentro das urnas
 Oh! Carlos Prestes
 Foi bem merecida a cadeira de senador
 És o cavaleiro que sonhamos
 De ti tudo esperamos
 Com todo amor febril
 Para amenizar nossas dores
 E levar bem alto as cores
 Da bandeira do Brasil"

No palanque, Paulo assisitia ao desfile ao lado do ministro da Polônia e do próprio senador Prestes, em quem deu um caloroso abraço na hora do desfile de sua escola. Paulo era, definitivamente, muito mais que um simples sambista.

Em 1948, a morte trágica de um de seus principais integrantes impediu que a escola desfilasse. E no ano seguinte, 1949,  quando todos tinham esperança no sucesso da Lira do Amor, foi a morte do próprio Paulo que interrompeu o sonho dos sambistas de Bento Ribeiro.

Fonte: Portela Web


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domingo, 9 de setembro de 2012

Roberto Silva 09/04/1920 - 09/09/2012


"Hoje não tem ensaio não, 
Na escola de samba
O morro está triste, 
O pandeiro calado..."

Mas hoje não é por causa da Maria da Penha, eternizada nesse lindo samba do Wilson Batista. É que hoje perdemos o grande Roberto Silva, um dos maiores cantores brasileiros, que cantou com grande beleza esses versos que acabo de citar. Roberto faleceu aos 92 anos de vida e como ele mesmo conta no vídeo abaixo, com 74 anos dedicados ao samba! Vá em paz mestre, e que sua voz seja fonte de inspiração pra muitos cantores!



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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Briga entre as flores (Taú Silva e João Laurindo)


Briga entre as flores 
(Taú Silva e João Laurindo)
Intérprete: Abílio Martins

Houve uma briga entre as flores
O Cravo brigou com o Jasmim
A Rosa num canto chorava toda desfolhada
Em seu socorro correu a Margarida
Mas a Rosa já estava sem vida

O profeta Girassol então profetizou
Ao nascer do sol a Rosa terá uma nova vida
O Copo de Leite, chefe da orquestra
Então ordenou: amanhã será dia de festa
Esse foi o sonho de um poeta

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Babaú da Mangueira para Download


"A Mangueira dava um negócio na gente, que ninguém precisava saber ler para compor. Já vinha de berço. Era só beber a água do registro de lá para ter inspiração à vontade."

Nascido Waldemiro José da Rocha em 23 de janeiro de 1914, Babaú passou a mocidade brincando nas ruas do Buraco Quente, localidade do Morro da Mangueira em que nasceu (na casa de número 24 da Travessa Sayão Lobato). Integrante desde os 12 anos do Bloco dos Arengueiros (núcleo que resultaria na fundação da Estação Primeira de Mangueira), aproximou-se da vida musical da comunidade por meio da observação de mestres mais velhos como Cartola, Carlos Cachaça, Gradim e Aluísio Dias - que foram também a principal motivação para que, aos 16 anos, aprendesse a tocar o instrumento que o acompanharia por toda a vida: o cavaquinho.

Por essa época, começou a participar das rodas dos baluartes nos botequins da Mangueira, com pausas apenas para os momentos em que a polícia chegava. "A gente corria", contava Babaú. "Quando eles iam embora, tornávamos a fazer samba. Assim vivemos por muito tempo."

Foi também desde cedo que se dividiu entre o trabalho - como carregador de sacos e chaveiro dos bondes da Light - e o samba, iniciando sua atividade de compositor no início dos anos 1930. Em 1937, numa visita de artistas do asfalto à Mangueira, o compositor Ciro de Souza gostou da primeira parte de um samba de Babaú já popular na comunidade e completou a composição. O resultado do encontro foi o samba Tenha pena de mim, lançado em 1937 por Aracy de Almeida, que mais tarde diria ao programa Ensaio, da TV Cultura: "Conheço, por exemplo, Saturnino, o Cartola, o Casaca, Padeirinho, e conheço um também que realmente me deu o primeiro sucesso, onde eu me tornei popular, que era um crioulo que se chamava Babaú." A composição atravessaria as décadas seguintes, sendo gravada ainda por Carolina Cardoso de Menezes, Jacob do Bandolim, pelo quarteto americano New Brothers e pelas cantoras Elza Soares, Beth Carvalho e Olívia Byington. Na década de 1940, Aracy gravaria um outro samba de Babaú: Eu dei.

Além de integrante da Mangueira (na Ala de Compositores e em antigas formações da Velha Guarda), participou ativamente de outras escolas, colaborando com sambas para a Unidos do Tuiuti, União de Jacarepaguá, Unidos do Outeiro (depois Arranco do Engenho de Dentro), Unidos do Cabuçu e Unidos de Vila Valqueire - tendo participado da fundação das últimas três.

Afastado do samba por algum tempo entre as décadas de 1950 e 60, retomou as atividades artísticas em 1972 para se apresentar no Teatro Opinião de São Paulo. No mesmo ano gravou os sambas Tenha pena de mim e Estou vivendo na floresta no LP Raízes da Mangueira (Discos Copacabana). Em 1975, teve o samba Brincadeira tem hora lançado por Xangô da Mangueira (no LP Velho batuqueiro), que em 1982 gravou também Por que você não foi?, no LP Chão da Mangueira. Participou em 1989 do disco Mangueira chegou, da Velha Guarda verde e rosa, cantando o samba Vou viver minha vida (gravado originalmente em 1980, por Adelinha). Lançado no Japão pelo selo Bomba Records, o disco chegaria ao mercado brasileiro no ano 2000, pelo selo Nikita Music, já no formato de CD.

Sofrendo de glaucoma, ficou cego em seus últimos anos de vida, vindo a falecer em 3 de julho de 1993, um ano após ter sido personagem central do documentário Babaú na casa do Cachaça - Verde e Rosa Blues (de Luiz Guimarães de Castro), de onde foram retiradas as aspas de Babaú transctiras neste verbete. Em 1994, teve sua vida contada no livro Tempos de outrora - vida e obra de Babaú da Mangueira (Funarj/Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro), de Andréa Ribeiro Alves.

Fonte: Samba-Choro






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domingo, 2 de setembro de 2012

Mágoa de Sambista (Zé Kéti) Grande Otelo 1957

Grande Otelo canta "Mágoa de Sambista" de Zé Keti, no filme "Rio Zona Norte" produção de Nelson Pereira dos Santos, de 1957 com participação de Jece Valadão e Paulo Goulart:



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