segunda-feira, 28 de maio de 2012

Júlia Sapeca (Zé da Zilda) Marilú 1943



Ainda me lembro da Júlia Sapeca
Daquela garota levada da breca
Chegava lá em casa de manhã cedinho
Brincava comigo o dia inteirinho
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Papai não gostava, mamãe não queria
Vovô me pegava, vovó me batia
Prendia-me no quarto fechava a janela
Mas eu não deixava de falar com ela
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Garota levada bulia em tudo
Ficava enfezada me dava cascudo
Pulava carniça, jogava peteca
Ninguém suportava a Júlia Sapeca
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Mas eu gostava dela por uma razão
Pela simplicidade do seu coração
Ela ficou doente, morreu de repente
Eu guardei na mente a recordação


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domingo, 27 de maio de 2012

Bambas do Estácio: Mano Edgar...

Mano Edgar
"A Praça Onze anuncia: morreu o malandro mais famoso do Estácio de Sá"...

Assim é anunciado um lindo samba feito pelos meus amigos Tuco e Fernando Paiva em homenagem a um dos mais importantes sambistas do Estácio, o Mano Edgar.

Edgar Marcelino dos Passos, o famoso Mano Edgar era mulato malandro que trabalhava como ajudante de caminhão de entrega da Companhia de Cigarros Souza Cruz, mas na realidade vivia de jogo e das prostitutas do Mangue, zona oficializada no final dos anos 20 como o baixo meretrício. Foi compositor de poucos, porém excelentes sambas. 

Edgar morreu cedo, assassinado na véspera de natal aos 29 anos de idade. Foi um dos grandes responsáveis pela criação do chamado "Samba de Sambar", ou apenas "Samba do Estácio", uma das mais ricas expressões da musica popular brasileira que nasceu com força total no bairro do Estácio de Sá e teve seu auge criativo entre os anos de 1928 e 1931.  

Segundo Bide  (Alcebíades Barcelos, inventor do surdo e um dos mais importantes nomes do Estácio) Mano Edgar foi o primeiro a fazer samba no Estácio. Depois de Mano Edgar e sua turma o samba nunca mais foi o mesmo.

No livro "Samba de Sambar do Estácio" de autoria do pesquisador Humberto Franceschi, a maior autoridade sobre o samba do Estácio ainda viva há uma passagem bastante interessante sobre a morte de Mano Edgar, inclusive com a transcrição de uma nota emitida por um jornal da época noticiando a morte prematura e brutal do sambista:

MORTE DE MANO EDGAR

Edgar Marcelino dos Passos, o Mano Edgar, ostentava elegância pitoresca no trajar, tanto no Mangue como fora dele. Exibia com orgulho fileira de dentes de ouro. Ambas as vaidades só possíveis pelo jogo, pelas mulheres do mangue, jamais pelo emprego modesto de ajudante de caminhão.

A morte de Mano Edgar, em seguida à de Nilton Bastos, determinou o início da morte do próprio Estácio. O desaparecimento de ambos deixou uma lacuna nunca preenchida. Ao lado de Ismael Silva e Alcebíades Barcellos, Edgar pode ser considerado dos mais importantes compositores da primeira fase, ainda como integrante do grupo que produziu música apenas para o desfile do bloco do Estácio no carnaval da praça Onze. Bide afirmou que Edgar foi o primeiro a fazer samba no Estácio.

A circunstância trágica de sua morte não foi fato surpreendente para o meio, mas estabeleceu marco divisório na integridade do conjunto do Estácio. Os jornais a noticiaram com a simplicidade da rotina das seções de polícia, em 25 de dezembro de 1931. Uma das notas mais extensas descrevia:

Pelas costas e de surpresa!

Matou o desafeto com certeiro tiro na nuca e evadiu-se. O autor do crime é um liberado condicional. 

O crime de morte ocorrido ontem à noite na Cidade Nova revolta pela requintada covardia com que foi praticado. Um indivíduo de péssimos precedentes, que há pouco saíra da prisão beneficiado por um imerecido sursis, abateu pelas costas e de surpresa um seu antigo desafeto, evadindo-se depois.

Verificou-se o fato à porta da casa n° 40 da rua Carmo Neto, onde há pouco funcionou uma barbearia de propriedade de Ernestino Mendes de Almeida, que ali ainda reside. Depois de ter fechado, conversava Ernestino à porta da casa com seu amigo Edgard Marcelino dos Passos, de 32 anos, brasileiro, solteiro, ajudante de caminhão da Cia. de Cigarros Souza Cruz, morador à rua Senador Euzébio, 538, quando aproximou-se sorrateiramente o "bicheiro" conhecido pelo vulgo de " Mulatinho ".

Os dois homens não perceberam e o recém-chegado, aproximando-se de Edgard, sacou num gesto rápido de um revólver e alvejou certeiro tiro na nuca, prostrando-o ao solo, moribundo.

Ao que ficou apurado na delegacia do I4° distrito, "Mulatinho", que é bicheiro conforme dissemos linhas acima, tornou-se inimigo da vítima por questões relativas àquele jogo. Ainda ontem à tarde, ambos tiveram forte discussão e Mulatinho, incapaz de enfrentar Edgard, se retirara planejando vingança que mais tarde pôs em prática perversa e covardemente.

O criminoso é Antônio José da Silva.

Edgard é o autor de "Quem eu deixar não quero mais" 

(Recorte não identificado, colação de Humberto Franceschi) 

Fonte: Samba de Sambar do Estácio, 1928 a 1931. Instituto Moreira Salles. 2010.

Quem eu deixar não quero mais (Mano Edgar)
Samba originalmente lançado por Francisco Alves em 1928 sem o nome de Edgar como autor. Nessa gravação consta o nome de João de Oliveira
Intérprete: Francisco Alves e Orquestra Pan American, 1928


Intérprete: Tuco e Batalhão de Sambistas, 2010



Quem eu deixar não quero mais
Não dou meu braço a torcer
Guarda tua beleza, meu bem
Pra quem não conhecer você

Tens um dente de ouro, fui eu que mandei botar
Vou te rogar uma praga para esse dente quebrar
Tu és muito orgulhosa, que riqueza tem você?
Uma saia e uma camisa, fui eu que mandei fazer

Mulher da tua marca tenho tido aos punhados
Eu quero viver sozinho para não ter pecado
Eu não tenho alegria, ando triste sempre assim
Por causa de você andam falando de mim


É o samba de Mano Edgar atravessando o século rapaziada! Salve Tuco e seu Batalhão pela bela homenagem ao Mano Edgar! E as homenagens não param. Segue uma gravação do lindo samba do Tuco e do Fernando Paiva que citei logo no começo da postagem:





Mano Edgar
(Tuco e Fernando Paiva)

Todo o Estácio quer saber
Ó Edgar, Mano Edgar
Onde é que está você
Todo o Estácio quer saber
Qual será o paradeiro do grande bamba do lugar
Ó Edgar, Mano Edgar
As damas do mangue lamentam
E os bons malandros te representam
Mas sentem sua falta no Deixa Falar

No largo de São João
Bem na Tijuca, por lá se criou
Um sambista de bom coração
E ao lado de Ismael fundou
A primeira escola de samba
Mas logo em seguida partiu
E a Praça Onze de luto chorou
Até o Bar do Apollo fechou


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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Vai que depois eu vou (Zé da Zilda)


Vai que depois eu vou
(Zé da Zilda, Zilda Gonçalves, Adolfo Macedo e Airton Borges)
Intérprete: Zilda 1955


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Pela Primeira Vez (Noel Rosa e Cristóvão de Alencar)


Pela primeira vez
(Noel Rosa e Cristovão de Alencar)
Intérprete:  Orlando Silva, 1936


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domingo, 20 de maio de 2012

Dupla Preto e Branco

Clique para ampliar
No início dos anos 30 surgia nos palcos do Rio de Janeiro a Dupla Preto e Branco, formada por Herivelto Martins e Francisco Senna. 

A dupla aparecia como uma grande novidade devido aos arranjos que Herivelto Martins preparava para suas interpretações resultando, segundo o próprio Herivelto, na primeira dupla a cantar em duetos na história do disco, fugindo do esquema de "pergunta e resposta" já utilizado há algum tempo em algumas gravações de Francisco Alves e Mário Reis. 

A dupla atingiria sucesso absoluto culminando com a incorporação da cantora Dalva de Oliveira e o surgimento do Trio de Ouro, um dos conjuntos vocais de maior sucesso da história da musica brasileira e que revelou de vez a genialidade de Herivelto Martins, que além de excelente compositor criava todos os arranjos vocais e ensaiava o Trio até que tudo saísse a seu gosto.

Tudo começou quando o compositor Herivelto Martins (naquela época nem podia ser chamado de compositor ainda, segundo o próprio Herivelto) foi convidado pelo amigo Príncipe Pretinho - também excelente compositor, já com o nome consagrado na praça àquela época - a assistir a um ensaio do Conjunto Tupy, dirigido por J.B. de Carvalho.

No ensaio - conta Herivelto - o Principe me deu uma caxeta para tocar. Dei um baile com a caxeta, impressionando J. B. de Carvalho, conhecido macumbeiro na época e com alguns discos de pontos de macumba já gravados. Assim que ele me ouviu, comentou: "Esse menino toca bem". Diante do elogio do J.B., Prlncipe Pretinho, muitoesperto, emendou: "Ele também canta bem e é compositor, "seu" João. Na verdade eu não era compositor ainda, isto é, não tinha nada na praça. Somente umas coisinhas feitas no interior, mas sem pretensões de me tornar compositor profissional. 

Herivelto conta que, com o passar dos ensaios, procurou convencer J,B. de Carvalho a aproveitar as vozes do grupo: - Ele cantava um negócio e eu sugeria: "Seu João, que tal se a gente cantasse também, depois do senhor, é claro, fazendo um corinho?" - Ele não entendeu bem a proposta e pediu uma demonstração. Foi engraçadissimo, porque o João era desafinado, tinha uma voz muito grave e destoava bastante do grupo. Mas isso era o de menos. Importava que ele estava se rendendo às minhas ideias. Como eu tinha mania de dueto, foi uma barbada convencê-lo a adotar minha proposta para enriquecer o padrão musical do conjunto, que só tinha um saxofone e um banjo no acompanhamento.

Dos duetos propostas para o Conjunto Tupy, Herivelto passou a ensaiá-los exclusivamente com Francisco Sena, durante os intervalos dos ensaios do próprio Conjunto, em geral na casa de J.B. de Carvalho. Sena havia gravado um disco na RCA Victor, com a música Quem está de ronda, de Principe Pretinho, posteriormente gravada pelo Trio de Ouro. 


De acordo com Herivelto Martins, "a Dupla Preto e Branco nasceu naturalmente como fruto dos duetos que eu e o Sena faziamos nos ensaios do Conjunto Tupy. Havia uma lei que obrigava os cinemas na época a apresentar, no intervalo da uma sessa para outra, um espetáculo com música brasileira". O compositor relata que o Conjunto Tupy foi se apresentar no Cine Odeon, na Cinelandia, ocasião em que J.B. de Carvalho, "um ignorantão", durante a audição ficava dando ordens ao gnupo na frente da platéia. Coisas assim: "Olha esse baixo ai está muito forte; o saxofone tem que me obedecer só entra quando eu fizer um sinal. Quem manda aqui sou eu ". Herivelto acentua que essas intervenções grosseiras e em cima do show repercutiam muito mal, como não poderia deixar de ser. O dono do cinema, o empresário Vicente Marzullo, achou aquilo um horror. Nos bastidores, reclamou e perguntou se não havia outro número para oferecer ao público. Chegou pro Herivelto e quis saber detalhes dos duetos que ele organizava com o Sena, de que ouvira falar, e pediu demonstração. Herivelto Martins já havia até composto um samba para cantar com o Sena chamado Preto e Branco, que dizia:

"Eu sou o branco / eu sou o preto / tu és o preto / tu és o branco / sei que somos amigos leais / preto na cor / branco na alma a natureza não nos fez iguais".

Alguém pegou uma caxeta, outro um tamborim, o banjo fez o contraponto e Herivelto e Sena começaram a cantar. Mas o número não ficou apenas no canto, como frisa Herivelto: "Passei a sapatear e o Sena ensaiou uma rasteira contra mim, eu ensaiei outra pra cima dele, pintamos os canecos. Marzullo ficou encantado e decretou a estreia da dupla para a segunda-feira seguinte. Como o número meu e do Sena não tinha nome próprio Marzulo decidiu: Vai se chamar a Dupla do Preto e do Branco!

A repercussão da Dupla foi imediata. No dia imediato ao da apresentação no Cine Odeon, as noticias e comentários foram generosos para com Herivelto e Sena e a partir dai a Dupla Preto e Branco começou a ganhar espaços. Era o ano de 1933. No ano de 1934 a Dupla gravou seu primeiro disco. Foi na Odeon, tendo de um lado a música Quatro Horas  (Herivelto Martins e Francisco Sena) e do outro Preto e Branco (Herivelto Martins). 

Quatro Horas
(Herivelto Martins e Francisco Sena)
Intérprete: Dupla Preto e Branco, 1934


Preto e Branco
(Herivelto Martins)
Intérprete: Dupla Preto e Branco, 1934


Ainda em 1934 a Dupla Preto e Branco gravou mais um disco na Odeon com Vamos soltar balão (Francisco Sena e Herivelto Martins) e Como é Belo (Gastão Viana e Pereira Filho).  

Entretanto a primeira fase da Dupla foi curta. Em 1935 o parceiro Francisco Sena adoece e acaba falecendo. Herivelto sempre teve muito carinho pelo amigo e deplora sua morte prematura, causada provavelmente pela alimentação deficiente que lhe acarretou graves problemas de saúde, penúria e outras dificuldades advindas dos tempos adversos que encarou.

Herivelto conta um fato interessante ocorrido pouco antes da morte de Francisco Sena: "Um dia, Sena apareceu com bócio. Impossibilitado de trabalhar, ficou em casa acamado, sob tratamento, me obrigando a cancelar compromissos da Dupla e rejeitar novas of ertas para shows. Fiquei, literalmente, em palpos de aranha. Na Rádio Tupy, porém, consegui quebrar o galho, e foi até engraçado" - conta Herivelto. "A Rádio Tupy, inaugurada em 1935 e funcionando em um barracão em Santo Cristo, tinha alguns artistas permanentes, caso da Dupla Preto e Branco. Com o Sena afastado, Falei com o diretor da emissora sobre a sua doença e ele, num gesto nobre, decidiu manter o nosso pagamento até que o meu parceiro se recuperasse".

Herivelto ficou agradecido, mas esclareceu que continuaria o número da Dupla assim mesmo, argumentando que no rádio o ouvinte não vê quem está cantando, como hoje acontece na televisão. Chamou então o seu amigo João Soares, careca e branco, e passou a se apresentar com ele na Tupy. Infelizmente, logo depois Sena faleceu e a Dupla se desfez.

INOVAÇÕES TRAZIDAS PELA DUPLA PRETO E BRANCO

Herivelto faz questão de ressaltar que a Dupla Preto e Branco foi um dos os marcos na MPB em matéria de vocalização quando surgiu, inaugurando um novo estilo de cantar. conforme diálogo extraido do livro "Herivelto Martins, Uma Escola de Samba":

(Herivelto Martins) - Na época fui considerado génio pela idealização da Dupla Preto e Branco pois ninguém, até então, tinha aparecido fazendo dueto.

- Mas a dupla Francisco Alves/Mário Réis não foi anterior à Preto e Branco, Herivelto?

- Foi sim, porém os dois não faziam dueto. Era uma dupla de perguntas e respostas, sem vozes alterando a melodia. O Chico com aquele vozeirão e o Mário com a voz pequenininha. O Chico cantava "Deixa essa mulher chorar" e o Mário se limitava a repetir "Deixa essa mulher chorar", e assim por diante. Não era dueto. Nem Chico e nem Mário sabiam fazer terças. Já na Dupla Preto e Branco o Sena fazia a melodia e eu as vozes, geralmente as chamadas terças. Não era a mesma coisa com o Chico e o Mário. Depois, no nosso rastro surgiram outras duplas como Castro Barbosa e Jonjoca, Joel e Gaúcho...

 A primeira dupla Preto e Branco durou pouco mais de dois anos, desde sua formação em 1933, até a morte de Francisco Sena, em 1935. Com a morte do parceiro, Herivelto Martins frisa que sua situação profissional na época ficou muito desarticulada, pois a Dupla vinha se firmando e ele sozinho não representava quase nada como cantor.

A SEGUNDA DUPLA PRETO E BRANCO: NILO CHAGAS

Nilo Chagas e Herivelto Martins
Com  a morte do parceiro Francisco Sena, Herivelto Martins passou a se empenhar em encontrar um novo cantor com quem pudesse ensaiar seus duetos:

"Tentei arranjar um substituto para Sena mas não havia nada igual. Assisti a tudo que era espetáculo, porém ninguém me agradava. Sem parceiro para atuar, pintei a cara e fui trabalhar em circos. Ao mesmo tempo procurei a Empresa Paschoal Segreto e me ofereci como ator". 


-Escolhi o papel de palhaço e criei um tipo que logo se popularizou, sobretudo no meio da garotada, o Zé Catinga. Nos sábados e domingos o teatro lotava para ver o Zé Catinga, principalmente as crianças, um público certo. Foi no Teatro Pátria que apareceu o Nilo Chagas na minha vida. Ele não fazia nada. Eu "inventei"o Nilo, que era uma pessoa inútil. 

Herivelto explica como foi que o Nilo Chagas chegou até ele: "O irmão do Nilo um dia me procurou no teatro para fazer uma sondagem e me disse que o Nilo cantava direitinho e que eu poderia com ele refazer a Dupla Preto e Branco. Realmente, o Nilo cantava bem, mas carregava um defeito: andava curvado para a frente devido uma queimadura que sofrera no lado direito da barriga. A ferida já estava cicatrizada, porém ele adquirira o hábito de andar tombado para a frente com medo da pele arrebentar".

Herivelto não se dobrou ao fato, e fez a cabeça de Nilo, convencendo-o de que não tinha mais nada: "Graças aos meus esforços o Nilo mudou de postura, voltando a andar ereto, elegante, assim aparecendo nos palcos. Gravamos o primeiro disco em 1937 com Tamborim (Herivelto Martins e J. Soares) de um lado e do outro, Ultima Festa (Herivelto Martins e Zeca Ivo)".

A segunda Dupla Preto e Branco gravou mais quatro discos, até 1938 quando desapareceu de vez, dando lugar ao Trio de Ouro.  Mas já em 1937 grava também o primeiro disco com Dalva de Oliveira, iniciando a partir dai o processo de extinção da Dupla e nascimento do Trio de Ouro. Portanto, a dupla Preto e Branco atravessou quase toda a década, sofrendo um breve intervalo entre a morte de Sena e o aparecimento de Nilo Chagas, e desapareceu em 1938, quando gravou o seu último disco.

DISCOGRAFIA DA DUPLA PRETO E BRANCO

PRIMEIRA FASE: HERIVELTO MARTINS E FRANCISCO SENA

Quatro horas (Herivelto Martins e Francisco Sena) 1934
Preto e branco (Herivelto Martins) 1934
Vamos soltar balão (Herivelto Martins e Francisco Sena) 1934
Como é belo (Gastão Viana e Pereira Filho) 1934
Um pouquinho só (Príncipe Pretinho) 1935
Bela morena (Príncipe Pretinho) 1935
Bronzeada (Moisés Friedman e P. Paraguaçu) 1935 (lançada em 1936)
Passado, presente, futuro (Herivelto Martins e Francisco Sena) 1935 (lançada em 1936)

SEGUNDA FASE: HERIVELTO MARTINS E NILO CHAGAS

Tamborim (Herivelto Martins e J. Soares) 1937
Última Festa (Herivelto Martins e Zeca Ivo) 1937
Bate Palmas (Príncipe Pretinho e D. Guedes) 1937
Pra galinha descansar (Zé Pretinho e O. Lavado) 1937
Palavra de rei (Príncipe Pretinho) 1938
Maria Sapeca (Herivelto Martins e Sebastião Rodrigues) 1938
Vou me esborrachar (D. Oliveira e F. Martins) 1938
Estou triste com você (Herivelto Martins e D. Oliveira)

Separei em uma coletânea algumas das gravações que relacionei acima marcadas com *. Infelizmente não consegui encontrar todas.

BAIXAR COLETÂNEA DUPLA PRETO E BRANCO
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A partir de 1937 a Dupla Preto e Branco começa a gravar em companhia da cantora Dalva de Oliveira. Em 1938 a Dupla grava o último disco apenas com os dois cantores. A partir daí os selos dos discos registravam as gravações hora com o nome de "Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco", hora com o nome de "Trio de Ouro", que foi adotado definitivamente em 1943, data do último disco lançado com o nome da Dupla Preto e Branco no selo.

Portanto, as gravações abaixo relacionadas, apesar de apresentarem o nome da Dupla Preto e Branco no selo, não foram realizadas em dupla e sim com a formação original do Trio de Ouro, com Herivelto Martins, Nilo Chagas e Dalva de Oliveira, com o nome de "Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco":

Itaquari (Príncipe Pretinho) 1937
Ceci e Peri (Príncipe Pretinho) 1937
Iaá baianinha (Humberto Porto) 1938
Batuque no morro (Herivelto Martins, Humberto Porto e Ozon) 1938
Quem mora na lua ((Príncipe Pretinho) 1939
Madalena se zangou (Sinval Silva e Santos) 1939
Negro está sambando (Hervê Cordovil e Humberto Porto) 1939
Alvorada (Príncipe Pretinho e E. J. Moreira) 1939
Deixa a baiana sambar (César Brasil e Manuel Ferreira) 1939
Japonesinha (Herivelto Martins) 1939
África (Castro Barbosa) 1939
Quem é que não chora (Dunga e Castro Barbosa) 1939
Onde Margarida mora (Dunga e Castro Barbosa) 1940
Na Turquia (Príncipe Pretinho) 1940
Pedro, Antônio, João (Benedito Lacerda e Osvaldo Santiago) 1943
Noites de junho (João de Barro e Alberto Ribeiro) 1943

Fonte:
Herivelto Martins: Uma Escola de Samba
Jonas Vieira e Natalício Norberto
Editora Ensaio, 1992



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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Brasas do Baiaco...

Vejo Lágrimas
Baiaco e Ventura
Intérprete: Moreira da Silva, 1932



Fita meus olhos
Baiaco e Cartola
Intérprete: Arnaldo Amaral, 1933




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terça-feira, 15 de maio de 2012

Quando a Idade Chegar (Herivelto Martins e Benedito Lacerda)


Quando a idade chegar
Herivelto Martins e Benedito Lacerda
Trio de Ouro, 1950


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Brasa do Alvaiade...



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Sexta tem Batalhão de Sambistas e Noca da Portela!



Alegria Continua 
(Mauro Duarte e Noca da Portela)
Voz e Violão: Noca da Portela
Voz e tamborim: Mauro Duarte


O samba tem feitiço, o samba tem magia
Não há quem possa resistir ao som de uma bateria
É lindo a gente ver o samba amanhecer cheio de poesia

Com o sol aparecendo e a lua indo embora
E a lida tão sofrida vem pra rua
Mas enquanto houver samba alegria continua
Alegria continua, alegria continua


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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Nélson Cavaquinho - Obra Completa* para download

Mais uma vez o Receita de Samba recebe a valorosa contribuição do amigo Sérgio Moraleida, grande colecionador de brasas aqui de BH. Há tempos ele me passou um DVD com tudo o que ele conseguiu juntar do Nélson Cavaquinho. Mais de um giga de sambas, tudo organizado, com informações sobre compositores, intérpretes... Quando ele me passou falando em "obra completa gravada" achei meio pretensioso, mas fui ver e realmente é difícil achar uma gravação que não se encontre nos arquivos dele. Brasa Sérgio!

Desse acervo enorme, ouvi tudo e escolhi uma gravação de cada samba, sempre que possível com a voz do próprio Nélson. Consegui encontrar ainda mais umas duas ou três gravações que, talvez por descuido na hora de me passar os arquivos, não encontrei no acervo do Sérgio. Digitei as letras em um encarte em PDF e tá aí pra vocês essa brasa: 122 sambas do mestre Nélson Cavaquinho. 

Além disso, em um certo "Baú Mágico" encontrei mais sete sambas inéditos do Nélson (alguns sem nome) e que trancrevo apenas as letras no encarte em pdf. Por questões éticas decidi por não colocar os áudios, que são gravações caseiras gentilmente cedidas por um amigo.

* Todos sabemos que a obra do mestre vai muito além desses 122 sambas, mas é praticamente impossível reunir toda sua obra. Existem canções que foram vendidas e registradas em nomes de outros autores, obras inéditas e ainda aquelas que se perderam para sempre, sem nenhum registro. Acredito porém, que essa seja praticamente a obra registrada em áudio. Com certeza o Sérgio gastou um bom tempo vasculhando os quatro cantos atrás de brasas do Nélson e eu também passei alguns meses procurando.


BAIXAR NÉLSON CAVAQUINHO - OBRA COMPLETA


(incluindo sete sambas inéditos)


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sábado, 5 de maio de 2012

Kazinho...

Há uns tempos meu amigo Tiago Novato me questionou sobre um sambista paulista chamado Kazinho. Nunca tinha ouvido falar dele, mas prometi que is buscar algumas coisas.

Passados alguns meses, apesar de descobrir que ele na verdade é Paraense de Belém e que além de sambista é um baita forrozeiro, continuo não sabendo muito coisa mas consegui reunir um material interessante sobre ele.

Segue abaixo uma coletânea com 15 sambas, baiões e etc. que consegui reunir pela internet. Sei que ele tem muito mais coisas, principalmente composições feitas para sua Escola, a Mocidade Alegre:



01 - A Volta (Kazinho)
02 - As coisas lindas do Pará (Kazinho)
03 - Como é que pode? (Kazinho)
04 - Consciente (Kazinho)
05 - Deu a louca na nêga (Kazinho)
06 - Ei de ver (Kazinho)
07 - Eu e a saudade pela rua (Kazinho)
08 - Forrozão (Kazinho)
09 - Idealizando (Kazinho)
10 - Isto é São Paulo (Kazinho)
11 - Meu viver (Kazinho)
12 - O samba tá ficando bom (Kazinho)
13 - Pressão baixa (Kazinho)
14 - Saudade do Pará (Kazinho)
15 - Saudade Junina (Kazinho)

Vou postar também uma entrevista com o Kazinho feita pelo jornalista Matheus Trunk. A entrevista foi publicada num blog chamado "Boteco Sujo" que parece não existir mais, pelo menos no antigo endereço.

“Sempre fui boêmio. Mas sempre me cuidei. Por isso, vou chegar aos 120 anos”, brinca Oscar Azevedo dos Santos, o Kazinho, 81 anos. Natural de Belém, capital do Pará, ele chegou em São Paulo em 1963 e se tornou um dos grandes nomes das noites paulistanas, sendo um artista muito conhecido nos fins de noite da capital paulista. Além do samba, Kazinho ganhou a vida como técnico contábil.

Como compositor, Kazinho foi gravado por artistas de renome nacional como Germano Mathias, Ciro Monteiro, Noite Ilustrada, Demônios da Garoa, entre outros. Nos anos 60, gravou seu único disco como cantor (O Samba Como Ele É). Para entrevistar este eterno boêmio, me desloquei até o Engenho Velho, extrema zona leste de São Paulo. Neste relato, Kazinho fala sobre os bons tempos da maior metrópole do país, de como fez suas músicas e faz um balanço de sua vida e carreira.



Como o senhor começou a se interessar por música?
 Kazinho - Eu nasci em Belém do Pará. Comecei a gostar por causa de papai e mamãe. Os dois eram cantores e violonistas. Quando eu tinha quatro, cinco anos eles formaram um bloco carnavalesco. Papai chutava umas boas, mas mamãe não gostava disso (risos). Ela dizia: “Olha aí Oscar. Seu pai já vem dançando foxtrote rápido”. Depois que ele morreu, ela passou a beber também.

O senhor já torcia pro Paysandu?
Kazinho - Sempre fui torcedor do Paysandu. Fiz parte do juvenil do time quando eu tinha dezesseis, dezessete anos. Eu tinha uma fama de ter a testa dura. Quando eu pulava, os outros jogadores tinham medo de pular comigo com medo que eu desse testada neles. Por isso, o pessoal me respeitava bastante. Eu sempre gostei de jogar nas extremas, seja no ataque ou na defesa. Nunca gostei de jogar no meio.

Quais cantores o senhor tinha como ídolos?
Kazinho- Eu sempre fui fã do Ciro Monteiro. Outro que eu admirava era o Dilermando Pinheiro. O Dilermando cantava acompanhado por um chapéu de palha dele. Ele bebia muito, morreu muito novo.

O senhor chegou a conhecê-lo?
 Kazinho- Sim.

Ele usava o chapéu de palha como o Luiz Barbosa.
Sim, ele era uma espécie de discípulo do Luiz Barbosa.

Como ele era?
Kazinho - Meio calvo, bem carioca. Quando a gente saia era um sarro. Ele falava: “Ei, Kazinho, não precisa vir me bater, não”. Ele com aquele chapéu de palha era um negócio. Ele ia gravar um samba meu, mas ele morreu. O Dilermando chegou a aprender a letra toda, mas depois o samba acabou não sendo gravado.

O Ciro o senhor também conheceu? Quando foi isso?
Kazinho - Eu cheguei ao Rio em 1950. O Ciro eu conheci em 52, por aí. Ele me chamava de sobrinho, porque eu usava o cabelo igual ao dele. Chegava na roda de samba, ele falava: “Olha, chegou agora o meu sobrinho”. Ele era bom de porrada, mas quando ele ficou com idade me falou: “Meu sobrinho, estou ficando triste porque eu não agüento mais uma briga” (risos). Eu sabia todo repertório dele.

O Geraldo Pereira o senhor chegou a conhecer?
Kazinho - Cheguei. Ele também era um cara bom pra xuxu. Como as pessoas morrem assim? Pelo que eu ouvi contar ele foi desafiar o Madame Satã. Parece que ele tomou umas a mais e desafiou ele. Como é que pode? O Madame....O cara era bicha mas era bom de porrada (risos).

Como era a Lapa do Rio nos anos 50?
Kazinho - Era lugar de boêmio. Tinham os caras bons de porrada, mas a maioria eram boêmios somente. Eu cantei no Cabaré Brasil durante muito tempo. Tinha muita mulherada e eu gostava de ver elas trocando de roupa. O diretor da boate me falava: “Kazinho, avisa a Lu que tá na hora dela entrar”. Eu chegava e a moça ainda estava nua (risos). Graças a Deus, eu tive muita mulher na vida (risos). A minha história na noite tem várias passagens interessantes.

Por que o senhor veio pra São Paulo?
Kazinho - Naquele tempo, eu vivia indo de um emprego pra outro. Boêmia né? Nessa época, eu já trabalhava com contabilidade. Aí eu falei: “Eu vou pra São Paulo, não vou mais ficar aqui”. Os outros músicos da noite falaram pra mim: “Kazinho, não vai que os paulistas são fechados. Você é não vai conseguir se adaptar”. Não me queixo de São Paulo. Logo eu arranjei emprego. Eu vim aqui como representante comercial e depois ia pro samba.

O senhor me falou que os compositores Venâncio e o Corumba ajudaram muito você quando você chegou em São Paulo. Fale sobre eles.
Kazinho - Eles me orientavam muito. Foram os meus pais quando eu cheguei aqui. Gostavam de ver que eu estava na linha, usando roupas finas. Antigamente, todo mundo pra sair tinha que usar terno, gravata, essas coisas. O Venâncio era mais mão aberta.

Como o senhor ganhou o apelido de Kazinho?
Kazinho - Gozado. Como o meu nome é Oscar, o pessoal me chamava de Kazo. Então com o tempo acabou ficando Kazinho.

O senhor acha que teria mais chance de aparecer como cantor e compositor no Rio?
Kazinho - Não, eu tive mais chance em São Paulo mesmo. No Rio, eu gravei somente um compacto com uma canção chamada Mulher de Compromisso. O José Messias não queria trabalhar o meu disco porque dizia que eu estava fazendo apologia ao cara que ficava com a mulher dos outros. O Zé Messias gostava muito das minhas coisas.

Em São Paulo, em que lugares o senhor cantou?
Kazinho - Hoje, todos esses lugares não existem mais. Cantei muito no Brás. Lá tinham várias casas noturnas. Cantei em bares, boates, cabarés.

Como era o Caco Velho?
Kazinho - Ah, eu conheci ele no final de vida. Ele tinha um escritório na rua Barão de Itapetininga. Eu conversei várias vezes com ele. Eu queria passar uma música minha pra ele gravar. Ele me falava: “É complicado, meu filho, mas eu já tenho um repertório anotado”. Ele era um cara bom e não era metido a besta. Tem cara que tem um nomezinho e já sobe em pedestal.

Como o senhor conheceu o Germano Mathias?
Kazinho - Foi no ambiente noturno. Depois, ele ouviu as minhas músicas, gostou e acabou gravando cinco. Ficou muito meu amigo e me ajudava muito. O Germano nunca foi um cara metido a besta, também. O pessoal fala que ele era de porrada, mas ele nunca foi. Sempre foi um grande gozador.

Como o senhor fez Eu e a Saudade Pela Rua?
Kazinho - Isso eu fiz quando eu me separei da minha primeira esposa. Eu gostava muito dela. Mas eu vivia com outras mulheres, na rua, no samba, mas sempre lembrava dela. Por isso, acabei fazendo esta canção.

As músicas românticas do senhor sempre foram inspiradas em musas?
Kazinho - Sempre. Inclusive eu estive recentemente no Rio visitando a minha filha. E encontrei com a minha primeira esposa. A gente se dá bem. Ela está com outro cidadão, mas a gente se respeita muito. Maura é o nome dela. Ela continua bonita, até hoje.

Ela sabe que essa música foi feita pra ela?
Kazinho - Sabe.

Deu a Loca na Nega também foi pra uma mulher?
Kazinho - Sim, foi pra Lúcia, minha segunda esposa. Infelizmente, ela já faleceu. Como eu te disse, eu era muito boêmio. A nega coitadinha, sofreu muito com a minha boêmia. Eu não maltratava ela, mas de vez em quando eu sumia (risos). Eu ficava dois ou três dias longe de casa (risos). Um dia ela ficou tão louca que chegou a ir na polícia para procurar por mim. Ela foi no IML porque diziam que tinha um Oscar lá. Parece que o camarada era realmente parecido comigo e ela pensou que era eu. O Jorge Costa gozava muito ela: “Estão pedindo pro Kazinho cantar o Deu a Louca na Nega”. No fim, ela mesmo incentivou eu a cantar a música. O Jorge Costa era um gozador...

O senhor conheceu ele aqui em São Paulo?
Kazinho - Sim. Com o Jorge Costa a gente fazia uma gozação com ele. A gente falava que ele tinha uma rola que não era brincadeira. Ele ficava puto: “Porra, vocês estão me estragando”. Eu falava pras namoradas dele: “O Jorge Costa tem uma rola que vai rasgar você no meio” (risos). As mulheres ficavam loucas e ele mais puto ainda: “Porra, a mulher queria dar pra mim, agora não quer mais” (gargalhadas). São passagens da noite que a gente não esquece.

É verdade que o Jorge era um cara politizado? De esquerda?
Kazinho - Era, sim. Mas não era um cara metido. Só tinha pose. Você chegava nele e ele te atendia na hora. Ele era dono de vários sucessos como compositor. O Jair Rodrigues gravou as coisas dele. O Jorge Costa me tornou bastante conhecido na noite. Ele cantava O Samba Como Ele É nos shows dele. Ele e o Guaracy do Pandeiro me tornaram mais conhecidos. Quando eu cheguei do Rio, eu ainda não era conhecido. Ele tornou a minha música muito conhecida na noite de São Paulo. Quando eu cheguei, já estava feito por eles. Infelizmente, os dois já foram embora.

O Jorge teve problemas no final de vida dele?
Kazinho - Não, ele estava bem. Mas depois ele adoeceu e não sei o que deu nele. Fui visitá-lo no hospital e ele não conseguia me reconhecer. Estava enrolado na cama. Eu falei pra enfermeira: “Agora ele vai me reconhecer”. Comecei a cantar O Samba Como Ele É e no mesmo instante ele me falou: “O Kazinho....”. Como uma música marca as pessoas...

E o Noite Ilustrada? Como o senhor conheceu ele?
Kazinho - O Noite foi meu companheiro de vida boêmia. Primeiro eu fazia a contabilidade dele. Ali nos conhecemos e foi outra pessoa que me deu um empurrão na noite. Ele também era boêmio, safado. Chegava aquela mulherada, duas, três mulheres. Ele falava: “Olha, menina, o Kazinho está sem mulher nenhuma. Fica com ele lá” (risos). Uma vez eu saí com o Noite e ficamos bêbados. Ele voltou dirigindo. De repente, quando eu me dou por mim nós estávamos fora de São Paulo. Eu falei pro Noite: “Mas porra, quem disse que eu moro aqui?”. Ele ficou me sacaneando: “Porra Kazinho, você nem sabe mais onde mora” (risos).

Como era o relacionamento do Noite com o Ataulfo?
Kazinho - Era como eu e o Ciro Monteiro. Ele tentava ter o mesmo estilo do Ataulfo. O artista do passado era boêmio, o artista de hoje é profissional. Isso é bem diferente.

O senhor chegou a cantar na Boate Meninão? Era na Alameda Nothmann...
Kazinho - Eu cantei muito ali. Numa boate atrás da Igreja de Santa Cecília. Alameda Nothmann. Agora acabou, né?

Acabou.
Kazinho - Mas era gostoso. Você andava na noite e não tinha medo de ninguém, não era assaltado. Hoje, o cara te assalta de dia.

O senhor chegou a conhecer Mauricy Moura?
Kazinho - Claro. Bebi muito com Mauricy Moura. Ele era muito boêmio e bom cantor também. Acompanhei ele tocando pandeiro várias vezes. Uma vez, estávamos em um bar tocando samba e ele cantando as músicas bonitas que ele cantava. Chegou um policial e falou: “Vamos lá pra delegacia”. Quando foi a minha vez, eu dei o meu nome e tudo. Me perguntaram o que eu fazia. Respondi: “Eu estava tocando com o Mauricy Moura”. O policial me falou: “Mauricy Moura? O que esse cara faz aqui. Se está com Mauricy não tem problema" (risos). Ele era conhecido até pela polícia. Ele já morreu, né?

Sim. E dizem que ele morreu com pouca grana.
Kazinho - Ah, Mauricy era boêmio. Como eu, sempre fui um cara boêmio. Hoje, não tenho nada, graças a Deus (risos). Eu tenho somente meus utensílios, um toca discos e algumas coisinhas. Tenho uma máquina de escrever. Mas eu sempre tive roupas bonitas, sapatos caprichados...

Estou vendo. O senhor usa relógio, corrente...
Kazinho - O boêmio sempre anda bonito. Eu era um cara metido a comedor. Então, tinha que andar bonito pras meninas me pegarem (risos). Por isso, eu acho que cheguei aos 81 anos e estou assim. Muita gente não acredita que eu estou com essa idade. O Germano Mathias que me enche o saco: “Kazinho, você mete ainda?”. Respondo pra ele: “Agora. pra fazer isso, eu tenho que fazer oração” (risos). Germano é um sarro.

O senhor chegou a conhecer o Moraes Sarmento? Ele ajudava muito os cantores da noite de São Paulo.
Kazinho - Esse era meu fã. Moraes Sarmento tinha um programa e eu fui lá cantar. Ele me falou: “Kazinho, não é esse ritmo de samba que você tem que cantar. Você tem que cantar com regional". Quando eu dei o disco pra ele, eu estava cantando acompanhado com piano, baixo e bateria. Depois, eu passei a cantar com conjunto e batendo no pandeiro. Eu não era Bossa Nova, eu sempre fui do samba autêntico, antigo, dos boêmios.

Outro cantor da noite de São Paulo muito importante foi o Lúcio Cardim. O senhor chegou a travar contato com ele?
Kazinho - Foi muito meu amigo. Eu estava numa boate no centro cantando. Tinha lá um delegado, uns políticos e a moça me falou: “Está na hora de outro rapaz entrar”. O delegado falou: “Se o Kazinho sair de cena eu prendo todo mundo aqui e não tem mais boate. O Kazinho tem que cantar”. Esse garoto que ele não deixou entrar era o Lúcio Cardim.

Uma música de autoria do senhor, Isto É São Paulo, foi gravada pelos Demônios da Garoa. Como o senhor fez esta canção?
Kazinho - Todo ano eles tocam essa música no 25 de janeiro, quando é aniversário da cidade. Eu estava cantando na noite, numa boate que o Jorge Costa tinha. De repente, eu cantei este samba. Os caras do Demônios da Garoa estavam observando a minha apresentação. Eles gostaram da canção e chegaram em mim: “Kazinho, vai lá que nós vamos gravar o seu samba”. Eles gravaram e é a música que mais me deu direito autoral. Infelizmente, a imprensa só destaca as músicas do Demônios que foram feitas pelo Adoniran. E os outros compositores, como ficam?

O senhor chegou a conhecer o Adoniran?
Kazinho - Sim. Conheci logo quando eu cheguei em São Paulo. Um amigo me apresentou: “Esse aqui é o Kazinho, um cantor de boates e cabarés do Rio”. Ele mandou eu cantar. Aí eu cantei Saudosa Maloca. O Adoniran me elogiou: “Gostei, menino, gostei. Você tem a voz bonita”. Depois, o colega que me trouxe do Rio sabia que eu tinha uma letra de putaria, uma paródia da música do Adoniran. Quando eu saia do cabaré do Rio, as putas me levavam para um bar que elas tinham e falavam: “Kazinho, canta aquela música sua, Saudosa Xoxota” (risos). Nesse dia com o Adoniran eu cantei essa paródia e ele ficou bravo: “Eu gostei de você. Você cantou bonito, mas depois que você cantou isso e esculhambou o meu samba”. Depois ficamos amigos e ele acabou me quebrando o galho várias vezes.

O Noite se dava bem com ele?
Kazinho - Sim. O Noite se dava bem com todo mundo. Ele também jogava futebol e bem. Mas ele era boêmio, como eu. Agora estou aposentado. O Noite gravou com todo mundo.

Por que o Noite assinava as músicas como compositor como Marques Filho?
Kazinho - Com o tempo, ele passou a usar o nome verdadeiro como compositor e como cantor usava o pseudônimo de Noite Ilustrada. Ele falava que ficava chato samba do Noite Ilustrada cantado pelo Noite Ilustrada.

Tinha uma casa noturna bastante importante aqui em São Paulo chamada Jogral. O senhor chegou a se apresentar lá?
Kazinho - Meu filho, ali era um local que só iam as feras. Só os melhores.Fiquei lá poucas vezes. Nunca fui contratado pelo Jogral, mas algumas vezes me apresentei lá.

O senhor chegou a conhecer o Nelson Gonçalves?
Kazinho - O Nelson eu conheci aqui em São Paulo mesmo. Numa noite, eu contei pra ele uma passagem que eu tive com dezenove anos em Belém do Pará. Um camarada naquela época me deu cinqüenta mil réis pra eu fazer uma serenata pra namorada dele. Ele só não me disse que a mulher era casada (risos). Eu estava todo contente cantando a música e o marido dela deu três tiros. Ele não me acertou, mas deu pra assustar. Fiquei atrás de uma mangueira. Em Belém, sempre teve muita mangueira. O Nelson ficava me gozando: “Pô, Kazinho vais cantar pra uma mulher casada? Queria ser recebido com flores? Tinha que ser recebido com bala, mesmo”(risos).

A Cláudia Barroso foi uma cantora muito famosa aqui na noite de São Paulo. O senhor teve muito contato com ela?
Kazinho - Claro. A Cláudia era uma boêmia formidável. Bonitona, amiga e muito boêmia. Eu também parei com a noite, não sei como ela anda. Aquela turma daquela época parece que era tudo uma grande irmandade.

O senhor acha que havia menos concorrência entre os artistas?
Kazinho - Não havia isso. E não existia maldade entre os cantores. Se você estava duro, o cara chegava pra você: “Olha, Kazinho, está aqui, fica com esse dinheiro”. Muitas vezes você nem precisava pagar. Uma vez eu me vi perdido com um bando de chineses e todos queriam me dar porrada (risos). Essa menina, a Cláudia Barroso, chegou e falou com eles: “O Kazinho é meu amigo. O que aconteceu?”. Falei que eu não queria confusão. Mas eles me botaram na roda e queriam me prejudicar (risos). Hoje, os cantores querem tomar um o lugar do outro. Não se respeitam tanto.

O senhor tem outras dessas histórias da noite de São Paulo?
Kazinho - Bastante. Tive um grande amigo que era violonista. Ele sempre andava bem vestido, com gravata borboleta e tudo. O nome dele era Geraldino. Ele tocava bem, cantava e brigava muito bem. Bebia legal e mexeu com tóxico. Uma vez ele estava fora de circulação e entrou numa igreja. O padre estava fazendo o sermão e ele ficou gritando: “Muito bem seu padre! Muito bem!” (risos). É a droga. A bebida faz você ficar mandrake, mas depois o efeito passa. A droga marca as pessoas...

O senhor chegou a fumar cigarro?
Kazinho - Uma vez somente. Quando eu tinha treze anos, aquela meninada escondida de pai e mãe. Eu me engasguei três vezes e nunca mais quis saber de cigarro. Durante um tempo de onda, eu usei um cachimbinho. Teve um episódio meu com outro amigo cantor. Nós estávamos ali perto da Praça da República. Tinha uma boate muito famosa que a gente freqüentava muito. Estávamos com um pessoal grande e eu cochilando. O cara ficou me zoando: “Porra Kazinho, todo mundo aqui alegre e você cochilando. Toma uma dessa que você fica esperto”. Ele me deu uma bolota e eu tomei aquela porra. Mas fiquei esperto mesmo (risos). Fiquei tão esperto que quando acabou eu saí, atravessei a 24 de Maio e fui embora. Nessa época, eu morava no edifício Martinelli, mas não conseguia chegar lá. Pensei: “Puta merda, eu nunca mais vou ficar esperto e não vou tomar essa porra nunca mais”. Poxa, fiquei tão esperto que eu não sabia onde morava. Todo mundo que mexeu com tóxico acabou se dando mal. Como o Elvis Presley, o rei do rock. O cara morreu com 45 anos. Poxa, um cara boa-pinta, cantava bem, tinha toda mulherada na mão dele. Uma bebidinha tudo bem, mas tóxico te faz um mal danado.

O Vinícius de Moraes falava que São Paulo era o túmulo do samba. O senhor acredita nisso?
Kazinho - Eu nunca acreditei nisso. Eu pelo menos vim a me apresentar mais aqui em São Paulo. No Rio, eu tive poucas chances. Comecei a cantar na mesma época que o Miltinho. A minha voz sempre foi muito parecida com a dele. Quando eu estava gravando o Mulher de Compromisso, o pessoal me perguntava: “Poxa, qual é o seu nome?”. Eu falava: “Kazinho”. Eles respondiam: “Mas sua voz parece muito com a do Miltinho”. É a voz nasal, muito parecida. Eles pensavam que era o Miltinho, mas era o Kazinho.

O senhor casou quantas vezes?
Kazinho - Duas vezes. A primeira foi com a mãe da minha filha e a segunda eu fiquei mais tempo. Com a primeira foi aquela coisa de criança, mas eu gostei dela e gosto muito. Foi muito legal. Ninguém tem raiva um do outro.

Pra quem o senhor fez "Como é que pode?"
Kazinho - Ah, essa canção foi pra falecida. Ela me incentivava muito. Muitas vezes eu ficava dois dias e três noites fora de casa, mas ela continuava gostando de mim.

O senhor conheceu o Plínio Marcos?
Kazinho - Sim. O Plínio gostava muito de mim. Ele fazia reunião na casa dele, e ia um grande pessoal de samba, eu, Talismã. Infelizmente, ele morreu também. Eu devo muitos favores ao Plínio. Ele também me emprestou muito dinheiro e nunca precisei pagar. Falava: “Não precisa, Kazinho, não precisa”, aquele jeito dele. Durante um período aí eu estive em baixa e ele me ajudou muito. Por isso, eu não me queixo da vida. Aos 81 anos, eu ando sozinho pela cidade, sem problemas, não tenho doença e não uso bengala. Deus é muito bom pra mim. Eu só tenho labirintite, tomo remédio e pronto.

O senhor ainda bebe álcool?
Kazinho - De vez em quando. Quando tomo, fico três dias sem tomar remédio. Estou com 81 anos. Os colegas me perguntam: “Kazinho, tu ainda mete?”. Eu respondo: “De vez em quando sim”. Eles ficam nas gargalhadas. Comigo é assim: ficou duro tá bom, não ficou também está tudo bem. Eu falo com as moças: “Tenha paciência. Se custar a ficar duro, você tem que fazer uma oraçãozinha” (risos). Tem gente que toma remédio pra isso, mas eu não tomo.

Nesses 81 anos, o senhor se arrepende de alguma coisa?
Kazinho - Tenho arrependimento de algumas coisas erradas que eu fiz. Fiquei uma vez com raiva de um cara que ficou sem me pagar. Teve uma mulher de idade no Rio de Janeiro que me emprestou muito dinheiro e eu nunca paguei ela. São alguns arrependimentos.

O senhor chegou a fazer parte de alguma escola de samba?
Kazinho - Sim, eu fui compositor da Mocidade Alegre. Faziam parte da escola eu e o Jangada, compositor da antiga também. Ele era muito gozador e falava: “O único aqui que tem capacidade pra falar comigo é o Kazinho”. Também passei pela Imperador do Ipiranga. Desfilei pelas duas e vim cantando o samba na avenida. Eu puxava o samba antes da escola entrar.

Das músicas que o senhor fez tem alguma preferida?
Kazinho - Olha...Deu a Loca na Nega é a preferida. Outra que eu gosto muito é Meu Estranho Eu. Essas duas músicas foram para a minha falecida esposa. Ela era manicure, cabeleireira, enfermeira, qualquer coisa que precisasse na vizinhança ela resolvia. Mas teve três derrames e acabou indo embora.

Foi a grande mulher da vida do senhor?
Kazinho - Foi a grande mulher. Muito amiga, me dava muito conselho inclusive. Amiga, mulher e conselheira. Ela falava pra mim: “Você precisa se cuidar mais”. Isso porque eu vivia na farra (risos). Mas ela também bebia, tomava uns negócios. Antes de eu conhecer ela, ela dormia com uma garrafa de uísque debaixo do travesseiro.

O senhor foi próximo ao Nerino Silva?
Kazinho - Nerino! Com ele tenho algumas histórias engraçadas. Era um malandreco, malandro brigão pra burro. Mas depois ele parou com tudo isso e levou uma vida certa, sem confusão. Eu gostei muito de conhecê-lo. Principalmente na época das loucuras dele.

Ele era muito boêmio?
Kazinho - Bastante. Ele era um bom boêmio e bom de briga. Como o meu amigo Geraldino, muito forte na briga também. Eu bebo também. Mas tem que ter hora. Muitos não tinham. Eu sempre soube e por isso cheguei aos 81 anos.

O senhor tem irmãos?
Kazinho - Eu tive três irmãs. Duas estão vivas: a segunda e a caçula. Eu sou o mais velho. A segunda é formada em psicologia, é psicóloga. Outro dia ela me ligou nove horas da manhã: “Maninho, sabe o que eu estou fazendo agora?”. Eu falei: “Não sei, meu telefone ainda não tem mostrador”. Ela respondeu: “Eu estou saboreando uma Brahminha” (risos). Poxa! Bebendo ás nove da manhã. Como pode isso? Ela mora no Rio de Janeiro. A Diná, a do meio, já morreu. Ela sempre que vinha pra São Paulo ficava na minha casa. Ela gostava muito de mim, parecia muito comigo. O câncer acabou com ela. Ela e o papai morreram de câncer. Todos foram pro Rio, somente eu fui pra São Paulo.

Como o senhor compõe suas músicas?
Kazinho - Isso acontece quando eu sinto alguma coisa. Por exemplo, se alguém arma alguma coisa comigo e eu fico chateado, eu faço um samba dentro desse tema. Eu não forço, porque não vivo disso. Mas eu tenho a impressão que a partir deste ano eu vou voltar a me apresentar.

Faz muito tempo que o senhor não se apresenta?
Kazinho - Muito. No carnaval mesmo, eu poderia ganhar uma nota boa cantando. Sempre fiz muito carnaval. Teve um dia, quando eu estava com 55 anos que aconteceu um caso interessante. Um cantor, garoto de 20 anos, pifou no meio do salão. A garganta dele não funcionava mais. Disse pra ele: “Canta as músicas leves e deixa as pesadas comigo”. Eu agüentei o carnaval inteiro e ele pifou. Vinham os copos de bebida, cachaça com limão e ele bebendo bastante. Eu não bebi nada durante a apresentação. Gosto de beber, mas tudo tem hora. Profissional tem que se cuidar. Tem uma coisa: quando vou fazer carnaval, por exemplo, eu tomo uns fortificantes, injeção na veia. Só bebo quando termina tudo.

Faz muito tempo que o senhor não volta pra Belém?
Kazinho - Eu saí do Pará em 1950. Desde lá eu não voltei para a minha terra. Em 1963, cheguei em São Paulo. Eu gostava de ser representante comercial, usava máquina de escrever e tudo. Outro dia eu estava usando ela pra redigir algumas canções antigas minhas. A minha vizinha veio e me perguntou: “Puxa seu Oscar, o senhor está escrevendo algum livro?” (risos).

Como o senhor fez Consciente pro Noite Ilustrada?
Kazinho - Isso foi quando eu passei para a maturidade, não era mais criança. É bonita essa música: “Meus cabelos brancos chegaram/ Minha mocidade já passou/ Minhas ilusões passaram/ Hoje vivo aquilo que eu sou/ Mas não sou um velho decadente/ Mas sim um homem adulto consciente”.

A Volta o senhor fez nesse estilo também?
Kazinho - Sim. O Noite fez uma gravação muito bonita desta canção. Me deixou muito feliz como compositor. Ele tinha uma voz muito bonita, depois teve câncer. Quando ele me falou que o cabelo dele estava caindo, eu fiquei muito triste. Ele me falou: “Fica calmo, Kazinho. Eu estou me recuperando”. Vixi...quando começa a cair o cabelo, acabou.

O Ary Lobo foi muito amigo do senhor?
Kazinho - Foi sim. Ele gravou o Saudades do Meu Pará. O balanço dele era fantástico...

Ele era um cara muito famoso?
Kazinho - Ele tinha nome, mas era muito boêmio. Ganhou dinheiro, foi três vezes rico e morreu no banco da praça. Como pode isso? Ele vendia muito disco, era um cara muito bom.

O senhor tem alguma mágoa de não ser um artista tão conhecido?
Kazinho - Não. Primeiro: se eu não sou famoso é porque eu sempre fui relaxado. Nunca liguei pra isso. Eu ia nas boates, cantava, fazia sucesso e depois não aparecia mais. Quando eu cantava na noite, eu era mais conhecido porque ficava a noite toda numa mesma boate. Todos me viam lá. Quando eu parei, ninguém me viu mais. Muitos pensam até que eu morri.


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Cartola: Musica para os Olhos

Pra quem ainda não viu, tem muita coisa interessante nesse filme sobre o mestre Angenor de Oliveira:





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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Desce com toda tua gente, Favela...




Desce Favela
Bide e Sebastião Gomes
Blackout e Orquestra Tabajara, 1949



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Apaguei o nome dela...

Apaguei o nome dela
Haroldo Lobo, Jorge de Castro e Wilson Batista
Arnaldo Amaral e Regional Benedito Lacerda, 1944




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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Isaura Garcia

Programa Mosaicos da TV Cultura em homenagem à cantora Isaura Garcia, grande voz da Era do Rádio:








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