sábado, 28 de abril de 2012

Batalhão de Sambistas e Tia Surica...

Semana passada tive o prazer de acompanhar a apresentação do meu amigo Tuco e seu Batalhão de Sambistas, que tinham como convidada a Tia Surica, pastora da Velha Guarda, conhecedora das brasas e das histórias da velha Portela. Só pedrada... Reuni alguns momentos em um vídeo pra mostrar pra vocês e dizer pra quem não foi que na próxima é bom tratar de comparecer, coisa fina... Afinal de contas, Peso é Peso!





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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Laurindo...

Clique para baixar coletânea Laurindo e encarte com as letras

Quem nunca ouviu um samba falando do Laurindo? Nome recorrente como personagem de sambas dos anos 30 e 40, sua história é um grande mistério. Uns dizem que ele até existiu, mas como a maioria, acredito que tenha sido apenas um personagem... Aliás, vários personagens pois o "Laurindo" aparece na obra de diversos compositores, sempre com uma história diferente. Com a ajuda do meu amigo Sérgio Moraleida, reuni um pequeno histórico sobre o tema:

O primeiro Laurindo que temos notícia é um tocador de cuíca, o "gostoso da Zizica" do samba Triste Cuíca, de Noel Rosa. O Laurindo de Noel era apenas um malandro sambista que trocou a mulher sem dar a menor satisfação:

Triste Cuíca
Noel Rosa e Hervê Cordovil
Intérprete: Aracy de Almeida, 1934

Oito anos depois o nome de Laurindo surge num samba de Geraldo Augusto e João Antônio Pessanha gravado em 1942 pela Linda Batista. Numa clara referência ao Laurindo de "Triste Cuíca" (Quando ouvia a cuíca na mão do Laurindo mugindo), os compositores matam o personagem de Noel...

Sem cuíca não há samba
Geraldo Augusto e João Antônio Pessanha
Intérprete: Linda Batista, 1942

Ainda em 1942 surge um outro Laurindo, dessa vez nas canções de Herivelto Martins. Lançado pelo Trio de Ouro, o samba "Laurindo" foi um grande sucesso em 1942 e nos apresentava um sambista de glórias, diretor de sua escola e que não se conformava com o fim da Praça Onze.

Laurindo
Herivelto Martins
Intérprete: Trio de Ouro, 1942

Em 1943 Herivelto Martins aproveita o personagem e lança mais um samba falando do Laurindo. Em "Quem vem descendo", Laurindo arrebanha sua gente, ainda a lamentar o fim da Praça Onze:

Quem vem descendo
Herivelto Martins e Principe Pretinho
Intérprete: Trio de Ouro, 1943

Há ainda mais duas menções ao personagem que consegui encontra em sambas de Herivelto Martins, que já mostravam a decadência do personagem:  Em "Desperta Dodô", Laurindo cometeu erros que acabaram custando sua cabeça na Escola de Samba - "Laurindo, os erros vão te derrubar". Em "Carnaval com quem", Herivelto acaba terminando de vez com a história de seu personagem. Laurindo morreu de causa desconhecida... - "Fazer carnaval com quem? / olho e não vejo ninguém / Dodô desapareceu / Claudionor foi em cana / e o Laurindo morreu".  


No samba "Laurinda", de Ari Monteiro, Arnaldo Passos e Newton Teixeira há na segunda parte uma referência que parece ser ao Laurindo do Herivelto Martins. Digo isso pela referência à Praça Onze na primeira parte e pela data de lançamento, que antecede a maioria das cancões de Wilson Batista sobre o cabo Laurindo.

Laurinda
Ari Monteiro, Arnaldo Passos e Newton Teixeira
Intérprete: Carlos Galhardo, 1944

Em 1943, mais um Laurindo. Dessa vez o personagem passa a figurar alguns sambas de Wilson Batista (e pode muito bem ter sido inspirado pelo Laurindo do Herivelto Martins) onde também aparecia como um diretor de bateria com grande influência sobre sua escola. Só que esse Laurindo acabou indo lutar pelo Brasil na guerra e voltou cheio de glórias, fazendo comícios e levando o morro de Mangueira às lágrimas:

No primeiro samba de Wilson Batista todos sentem a falta de Laurindo no comando da bateria durante o carnaval e descobrem que ele não desceu com a Escola por que foi pra guerra:

Lá vem Mangueira
Wilson Batista, Haroldo Lobo e Jorge de Castro
Intérprete: Déo, 1943

A volta de Laurindo da guerra rendeu dois belos sambas a Wilson Batista, ambos lançados em 1945. No primeiro, o Cabo Laurindo volta coberto de glórias e se prepara para receber uma grande homenagem dos grandes redutos do samba carioca:

Cabo Laurindo
Wilson Batista e Haroldo Lobo
Intérprete: Jorge Veiga, 1945

Ainda em 1945, Wilson Batista descreve em parceria com Germano Augusto a grande festa oferecida ao Cabo Laurindo, mencionada no samba anterior:

Comício em Mangueira
Wilson Batista e Germano Augusto
Intérprete: Carlos Galhardo, 1945

Herivelto novamente faz referência a Laurindo em um samba seu, mas dessa vez sem citar seu nome e com uma clara referência ao Laurindo de Wilson Batista, que foi pracinha e voltou cheio de glórias, mas que queria ter tomado parte na vitória com sua Escola:

Às três da manhã
Herivelto Martins
Intérprete: Aracy de Almeida, 1946

Houve quem duvidasse do heroísmo do cabo Laurindo na guerra... Zé da Zilda e Ari Monteiro alfinetaram o colega Wilson Batista com um samba chamado "Conversa, Laurindo" onde diziam que o camarada Laurindo nem havia saído de Niterói...

Conversa, Laurindo
Zé da Zilda e Ari Monteiro
Intérprete: Zé e Zilda, 1945


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terça-feira, 17 de abril de 2012

Programa "É Batucada"


Desde 2010 no ar pela internet, o programa É Batucada veio pra somar na nossa incansável luta pela memória do verdadeiro samba brasileiro. Produzido por Marcelo Lourenço e apresentado pelo Edinho do Terreiro de Mauá, o programa conta com roteiro de André Carvalho e edição de Isaura Almondes

Não podia dar em outra: um programa de entrevistas caprichado, por onde já passaram nomes consagrados como Delegado da Mangueira, Waldir 59 e José Ramos Tinhorão bem como a rapaziada nova, mas que já faz samba feito gente grande como o Tuco e o Rafael Lo Ré. E com certeza, muitos outros ainda virão...

Portanto, fiquem de olho na aba "É Batucada" no menu alí de cima... Sempre que tiver novidade no "É Batucada" vou colocar um link. E parabéns ao Edinho e a equipe do programa pelo ótimo trabalho!


Enfim, chega de papo e vamos à batucada!





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Puxando Conversa com Catone

Sebastião Vitorino Teixeira dos Santos, o Catone, nasceu em Ouro Preto, MG no dia 13 de maio de 1930. Ganhou seu apelido de uma familia italiana que quase o levou pra morar na Europa, ainda menino...

Da infância em Ouro Preto, Catoni levou as lembranças do trabalho duro, das festas animadas pelo calango... E partiu para o Rio, onde se tornou um grande sambista, compositor de sambas enredo que pertenceu à ala de compositores de Portela e, em parceria com Jabolô e Waltemir, foi autor do samba "Lendas e Mistérios da Amazônia", levando a escola ao título em 1970. Partideiro de primeira linha, Catoni aparece em gravações memoráveis da história do samba, seja como intérprete, improvisador ou compositor.

"Um preto velho chamado Catone" foi lançado em maio de 1998 e é o segundo vídeo realizado pelo projeto Puxando Conversa e nos mostra um pouco desse grande compositor. Esse tinha história pra contar!



MUSICAS:
Linha do Horizonte (Catoni)
Quiriê (Catoni)
Cicatrizes (Catoni)
Isso não são horas (Catoni, Xangô da Mangueira, Zagaia e Chiquinho)
Lanternagem (Catoni e Jabolô)
Zambelê (Catoni e Toninho Nascimento)
Vertigem (Catoni e Sérgio Fonseca)
Lendas e mistérios do Amazonas (Catoni, Jabolô e Valtenir)
Cataclisma (Catoni e Valquir)


MUSICOS:
Evandro Lima

Direção: Walter Filé
Realização: TV Maxambomba


RODA DE LANÇAMENTO





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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Que rei sou eu?


QUE REI SOU EU? 
Herivelto Martins e Valdemar Ressurreição 
Intérprete: Francisco Alves - 1944 


Que rei sou eu? 
Sem reinado e sem coroa 
Sem castelo e sem rainha 
Afinal que rei sou eu? 
O meu reinado 
É pequeno e é restrito 
Só mando no meu distrito 
Por que o rei de lá morreu 

Não tenho criado de libré 
Carruagem sem mordomo 
E ninguém beija meus pés 
Meu sangue azul 
Nada tem de realeza 
O samba é minha nobreza 
Afinal que rei sou eu?


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sábado, 14 de abril de 2012

Velha Guarda da Portela: Muito Embora Abandonado

Achei essa brasa lá no youtube do mano Edinho e surrupiei, rsrs. Olha a turma aí, mandando uns versos da pesada:



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Não ria do mal do seu vizinho...


Eu vou sorrir
(Iracy Serra)
Intérprete: Iracy Serra


Eu vou sorrir
Porque zombaste de mim
Hoje chegou a sua vez de sofrer
Ri melhor é quem ri no fim

Jamais poderia lhe esquecer
Te avisei e não quisestes crer
Não ria do mal do teu vizinho
Porque teu mal está a caminho



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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Chico e Caetano: Grandes nomes da MPB


Muito bom! Parabéns a quem teve essa bela sacada...



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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Walter Rosa - Coletânea para donwload

Walter Rosa nasceu em 1925, mas começou cedo no samba e aos oito anos de idade já frequentava uma pequena escola de samba do bairro de Lins de Vasconcelos, a "Filhos do Deserto" (Citado por ele em seu samba Confraternização e que mais tarde deu origem à Lins Imperial).

Mas Walter Rosa fez história foi na Portela, onde ingressou na década de 1950 como membro da Ala dos Compositores. Deixou lindos sambas de terreiro exaltando sua escola, além de maravilhosos sambas enredo como o "Rio, eterna capital do samba" que ajudou a Portela a levar o carnaval de 1960.

Reuni alguns sambas desse grande compositor, é só clicar e baixar!

O 4 shared está pedindo para fazer login antes de baixar os arquivos:
Login: blogreceitadesamba@yahoo.com.br
Senha: samba2012





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domingo, 8 de abril de 2012

Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro...

Mauro Duarte
Eis algumas brasas de uma das duplas de compositores que mais gosto: Mauro Duarte (o Bolacha) e Paulo César Pinheiro. Só que essas musicas foram feitas de maneira um pouco fora do convencional. São parcerias póstumas. As canções foram letradas e terminadas por Paulo César Pinheiro em 2006, quase vinte anos depois da morte de Muro Duarte com base em gravações caseiras do compositor que faleceu em 1989.

E só prova que Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte formavam uma das maiores parcerias do samba, mesmo depois da morte do Bolacha. É preciso muita intimidade e experiência, muito tempo compondo juntos pra chegar ao ponto de, tanto tempo depois, a parceria continuar dando certo...

Os sambas foram lançados no excelente disco "O Samba Informal de Mauro Duarte"- (mais informações sobre o disco) -  lançado pela Cristina Buarque e a turma do Samba de Fato. O CD duplo traz 30 musicas do compositor, entre inéditas e algumas raridades:



Sublime Primavera 
(Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Tem um dia que a gente sempre espera
A chegada da sublime primavera
Só não pode é desistir nem blasfemar
Que vai chegar 
Tem momentos em que a gente desespera
Pois parece uma ilusão, uma quimera
Mas também não custa nada se sonhar
Que vai chegar 

Por pior que seja a vida
Eu não vou viver tristonho
Pois a única saída
É acreditar no sonho
De uma árvore caída
Tem raiz que ainda teima no chão se agarrar
Que a esperança não duvida
Da sublime primavera perdida que vai chegar


Acerto de Contas 
(Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

A dor que hoje tu sentes ser injusta
É simplesmente alguma dívida que Deus vem te cobrar
Não tem como escapar do que fizeste
A moeda que não deste é o penhor que vais pagar
Quem pegou sem ganhar
Quem guardou sem gastar
Quem lucrou sem doar
Vai ver que não fez bom negócio

Fez o irmão recuar
Fez o amor duvidar
Fez o bem se afastar
E o mal foi virando seu sócio
Só que o mal dá com a mão
Mas com a outra vem buscar
E é no acerto de contas que tu vais chorar


Mineiro Pau 
(Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Êê, mineiro velho, êê, mineiro pau
É dança de cativeiro dentro do canavial

O cativo trabalhava a chicote e a punhal
Sob uma soleira brava, ou debaixo de aguaçal
Mas também não se entregava, sua dança era um sinal
E essa dança que dançava foi virando um ritual

Trabalhava na cadência vigiado pelo mal
Mas manteve a sua essência e uniu seu pessoal
Não foi subseviência nessa luta desigual
Foi a sua resistência contra a coroa real

É preciso ter memória pra mudar o principal
Pra lutar contra essa escória do poder colonial
Não é pra cantar vitória, negro ainda é marginal
E o enredo dessa história ainda não tem um final


Falou Demais 
(Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro / João Nogueira)

Eu devo lhe dizer que o nosso amor jamais
Vai ter a paz que já gozou há poco tempo atrás
Devo reconhecer que eu mudei demais
Mas o que você fez comigo não se faz

Andou falando por aí da nossa vida
Fez o que pôde pra rasgar o meu cartaz
Disse pro povo que o meu mal era a bebida
Que nem de dar casa e comida eu fui capaz
E agora vem você querendo aquela velha paz
Pode esperar que eu não volto mais


Samba de Botequim 
(Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Pra mim um verso de poeta
E a melodia de um compositor
É sempre a minha forma mais direta
De combater a força de uma dor
Pra mim o papo de um amigo
E um copo de um bom vinho ou de um licor
Já é o que eu preciso ter comigo
Pra enfrentar qualquer perigo de desilusão no amor

Foi isso que aprendi no chão da rua
Foi isso que aprendi no botequim
Por isso é que saio buscando nas noites de lua
Alguém que na mesa de um bar cante um samba pra mim


Compaixão 
(Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Eu vou pedir a Deus pra te perdoar
Pois tenho compaixão de ti
Inclusive eu vou pedir pra nem te cobrar
Por tudo aquilo que eu sofri

Apesar dessa lembrança de tristeza e dor
Eu não desejei vingança nem guardei rancor
Tenho dó nesse momento dos pedidos teus
Mas teu arrependimento eu entrego a Deus


Engano 
(Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

O amor que acumulei na vida
Foi mais que eu pude dar de mim
Por isso a dor foi mais sentida
Quando eu fiquei sozinho assim

Porque que o amor tem esse lado de ironia (2x)
Que nos enche de alegria pra chorar no fim
Eu fiquei triste porque o amor foi meu engano
E eu não sabia como dói uma ilusão
Contra a tristeza eu faço um esforço sobre-humano
Mas ela agora mora no meu coração


O Samba Que Eu lhe Fiz 
(Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

O samba que eu lhe fiz já é bem popular
Ouvi no Bar Luiz, na mesa do Alcazar
No Sobrenatural, até no Chico´s Bar
Só não vi foi você cantar

O samba que eu lhe fiz me deu muito cartaz
Cantado por garis, baleiros e babás
Garçons e camelôs, feirantes e fiscais
Só você não aguenta mais

O samba que eu lhe fiz fala da sua ingratidão
Quando a separação me fez chora, me fez sofrer
Por onde você passa agora o povo ri e diz
Que o samba que eu fiz foi pra você


Começo Errado
(Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Eu mesmo sem conhecer o amor
Mesmo sem ver o seu valor
Não merecia tanta dor assim
Não, eu já nem sei o que é pior
Se é o sofrimento de estar só
Ou se é não ter quem tenha dó de mim
O amor, eu não sabia que ia ser ruim
Conheci pelo avesso, seu começo foi meu fim

Agora que conheço seu desfecho
Posso tentar outra vez
Porque toda essa dor de que me queixo
Não foi o amor que me fez
Fui eu mesmo o culpado de ter sido indiferente
Não quero amar errado novamente


Lamento Negro 
(Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Ôôôô Ôôô Ôô
Me livra dessa corrente senhor
Ôôôô Ôôô Ôô
Rebenta o açoite da mão do feitor

Quando Ogum quebrou o tronco a revolta começou
Moçambique, Angola e Congo no chão do Brasil se juntou
Foi benguela, catunda, catanga, mandinga no bloco do Babalaô
Foi malê, foi zulu, negro mina, ioruba, foi banto, foi jeje nagô

Ôôôô Ôôô Ôô
Escuta o toque do balacotô
Ôôôô Ôôô Ôô
Acaba com esse lamento de dor

Cativeiro foi demanda, capoeira libertou
De Arueira e de Aruanda o povo que manda chegou
Foi ao som de atabaque, marimba, de congo, carimba, ijexá e agogô
Berimbau, caxixi, urucum, macumba, cabaça e tambor

Ôôôô Ôôô Ôô
O grito do povo negro ecoou
Ôôôô Ôôô Ôô
Me livra dessa corrente senhor



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sábado, 7 de abril de 2012

Fala baixo Maria...

Maria Cinco Horas
(Chatim, Josias e Pernambuco)
Intérprete: Xangô da Mangueira


Apelidaram a minha mulher de cinco horas
Depois que levanta, os vizinhos não dormem depois dessa hora
Até a conversa que tem lá em casa em particular
Todo mundo sabe não é preciso ninguém me contar

Fala baixo Maria, cinco horas não é meio dia
Fala baixo Maria, cinco horas não é meio dia

A Maria quando fala acorda quem tá dormindo
Faz chorar quem tá sorrindo, veja a vida como é
Se a Maria não falasse era uma grande mulher


Fala baixo Maria, cinco horas não é meio dia
Fala baixo Maria, cinco horas não é meio dia

Cinco horas não é meio dia, silêncio Maria tem que respeitar
Fizeram um abaixo assinado e levaram ao doutor pra você se mudar



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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mutia água já rolou...

A Água Rolou
(Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)


Muita água já rolou
Depois que o nosso amor passou
Muito orvalho já desceu
Depois que o nosso amor morreu

Desceu, rolou e o que tinha pela frente carregou
Morreu, passou, foi levado na corrente o nosso amor

O orvalho que desceu caiu na fonte
Rolou no monte fez o rio e transbordou
O rio passou por baixo da ponte
E no horizonte essa tristeza o mar levou

Todo pranto que correu, toda mágoa que ficou
Teve um vento que bateu e carregou
E esse rio que rompeu, e esse vento que soprou
Sepultaram para sempre o nosso amor


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quinta-feira, 5 de abril de 2012

A arte negra de Nei Lopes e Wilson Moreira

Trechos do show produzido pelo Instituto Moreira Sales em comemoração aos 30 anos do disco "A arte negra de Nei Lopes e Wilson Moreira". Nei e Wilson contam histórias, batem papo e cantam suas brasas... Duas figuraças!


Barão das Cabrochas...


Barão das Cabrochas
(Bide e Marçal)
Intérprete: Quatro Ases e um Coringa, 1945


Controlo a escola
No surdo eu dou bola
Lá em cima o rei pequeno sou eu
Barão da cabrochas, luminoso cartaz
Se eu não estiver na escola
Nada se faz

No dia em que faltei
Tudo correu bem mal
E só ficou provado
Que eu sou mesmo o tal
Entreguei o comando ao José
Nesse dia ninguém ensaiou
Porque o josé no comando fracassou



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terça-feira, 3 de abril de 2012

Bambas do Estácio: Ismael Silva 78 rpm

Ismael Silva. Foto: Walter Firmo
Nascido em Niterói em 14/09/1905, Ismael Silva é um dos nomes mais conhecidos daquela turma que fez miséria no bairro do Estácio de Sá entre o final dos anos 20 e início dos anos 30. Ao lado de bambas como Bide, Marçal, Mano Edgar e Mano Rubens fundou a primeira Escola de Samba e foi um senhor compositor. Compunha com o parceiro Nilton Bastos e logo o cantor Francisco Alves se interessou em gravar seus sambas, mas com a condição de seu nome entrar nas parcerias.  Bom pro Chico Viola e bom pra Turma do Estácio, que ganhou espaço nas rádios. Daí foi sucesso atrás de sucesso: "Me faz carinhos", "Amor de Malandro", "Se você jurar", "Nem é bom falar"...

Com a morte do parceiro Nilton Bastos e de Mano Edgar e Deixa Falar se desfaz (aliás, nunca chegou a desfilar como Escola de Samba) e Ismael se mudou pro centro do Rio. Manteve a parceria com Francisco Alves e começou a compor com Noel Rosa. Seus sambas já ganhavam o gosto popular e eram gravados por uma legião de cantores, como Patrício Teixeira, Mário Reis, Ciro Monteiro... Em 1935 rompeu definitivamente seu acordo com Francisco Alves.


Também em 1935, deu dois tiros em um outro malandro que desrespeitou sua irmã... Acabou preso em flagrante e cumpriu 3 anos de cadeia. E mesmo assim, seus sambas continuavam sendo gravados e fazendo sucesso. Enquanto estava preso, Mário Reis gravou "Você merece muito mais" e Aurora Miranda gravou "Não apoiado".

Ismael passou a década de 1940 afastado da musica e em 1950 voltou com um grande sucesso, o samba "Antonico", inspirado em uma carta de Pixinguinha que pedia a um amigo influente um emprego para um sambista em dificuldade. Participou de diversos espetáculos como "O samba nasce no coração" (1955) ao lado de João da Baiana, Pixinguinha, Ataulfo Alves, Donga e J. Cascata;  o clássico "O Samba Pede Passagem" (1965) ao lado de Aracy de Almeida e do show "Se você jurar" (1975), apresentado ao lado de Carmem Costa.

J. Cascata, Donga, Ataulfo Alves, Pixinguinha, João da Baiana e Alfredinho - "O Samba Nasce no Coração"

Ismael morreu em 1978 e deixou uma obra de mais de uma centena de sambas e marchas. Reuni em uma coletânea alguns desses sambas, 44 ao todo:


Acompanha encarte com letras e informações sobre as musicas
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Login: blogreceitadesamba@yahoo.com.br
Senha: samba2012




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Batuque memorável, com Toniquinho Batuqueiro

Pequeno documentário onde o mestre Toniquinho Batuqueiro, que nos deixou há pouco tempo, conta histórias do antigo samba paulista e canta algumas brasas:




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domingo, 1 de abril de 2012

Esse moreira é um artista genial...

Hoje seria o aniversário de 110 anos do grande Morengueira!




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