terça-feira, 20 de março de 2012

Centenário do mestre Aniceto do Império

O ano de 2012 é um ano de grandes comemorações... Grandes mestres do samba chegariam ao centenário se estivessem vivos. Em janeiro, o genial Herivelto Martins; em agosto o grande Aniceto da Portela e agora em março, Aniceto do Império, um dos maiores partideiros de que se tem notícia...

Nascido no Estácio em 11/03/1912, Aniceto de Menezes e Silva Junior foi um dos maiores versadores que já frequentaram as rodas de bambas no Rio de Janeiro. Conhecido por sua luta em favor da tradição do partido alto, Aniceto só cantava em quadras (enquanto os partideiros "modernos" versam em sextetos) e se orgulhava em dizer que nunca se amparava em versos tradicionais, na hora de versar um partido... nunca repetia um verso. Como dizia Clementina de Jesus: "O sujeito pra versar de improviso com o Aniceto, tem que rebolar". Já Martinho da Vila proclamou: "Quando vejo o Aniceto, sinto que estou olhando para a cultura negra do Brasil".

Criado no jongo e no candomblé, Aniceto retrata como ninguém a vida do negro no Brasil de sua época e mesmo em tempos remotos da escravidão. Cantava as tradições e costumes do negro africano... Tinha um espírito nato de liderança e uma bela oratória, o que o levou a se tornar uma espécie de lider dos estivadores do Cais do Porto, onde trabalhou a vida todo e lutou por melhores condições de trabalho para sua gente.

Ao lado de outros bambas como Silas de Oliveira, Sebastião Molequinho, Tio Hélio e Mestre Fuleiro foi fundador do Império Serrano em 1947. Apesar de estar intimamente ligado à escola, não gostava de compor sambas enredo... Gostava mesmo era de um bom partido alto.

Era tanta a genialidade de Aniceto que ele acabou criando uma nova maneira de se cantar o partido. Em um esquema de pergunta e resposta, travava um diálogo com a platéia... Ia repetindo a pergunta em forma de verso caso os espectadores não acertassem a resposta. Vejam um exemplo nesse vídeo de 1986, onde Aniceto já bastante debilitado mostra a Sérgio Cabral o partido "Dora":



Segue abaixo o documentário "Em dia de alforria" de 1981, dirigido por Zózimo Bulbul, contando a trajetória do velho Aniceto:



Abaixo, Aniceto canta "Eu sou raiz" em programa de televisão, provavelmente na década de 1980:



Quem quiser conhecer um pouco mais da obra desse grande sambista é só clicar nas imagens abaixo pra baixar seus dois discos:

 






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