terça-feira, 27 de março de 2012

Clementina de Jesus por Walter Firmo

Clementina de Jesus (Walter Firmo)
Em 1979, dois grandes nomes se encontravam nas páginas de VEJA: o fotógrafo Walter Firmo (1937) e a cantora carioca Clementina de Jesus (1901-1987). Firmo, na época com 42 anos, estava no auge de uma carreira brilhante. Clementina, com 78 anos, vivia a dura realidade de uma artista esquecida. Intérprete de samba e partido alto, Clementina é considerada uma das vozes mais marcantes da música brasileira, influenciandora de diversos nomes da MPB.

A reportagem de VEJA se chamava “Essa velha senhora” e foi feita pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, com fotos de Firmo. Os dois acompanharam alguns dias de Dona Quelé, como era chamada Clementina. Foram três páginas na edição 571 de 15 de agosto de 1979. Neste post, recuperamos imagens que não foram usadas na época. O material faz parte do acervo do Dedoc – o Departamento de Documentação da Editora Abril.  O carioca Walter Firmo é um dos maiores nomes da fotografia brasileira. Várias gerações de fotojornalistas tiveram, e ainda têm, em Firmo uma referência.

Texto de Alexandre Belém


Quem quiser conferir a reportagem na íntegra pode baixar em PDF clicando AQUI. Abaixo, as imagens que Walter Firmo fez para a reportagem:


Clementina de Jesus com Xangô da Mangueira (de branco) em show no Clube Recreativo Gigante do Catete, mais conhecido como Forró Forrado, Rio de Janeiro – Julho de 1979

Clementina de Jesus em seu apartamento, Rio de Janeiro, 1979







Clementina de Jesus, Julho de 1979

Clementina de Jesus com Mano Décio da Viola e, ao fundo, João Roberto Kelly, Benito de Paula (pandeiro) e Jamelão (azul) em programa de auditório, Rio de Janeiro – Julho de 1979

Clementina de Jesus em show no Clube Recreativo Gigante do Catete, mais conhecido como Forró Forrado, Rio de Janeiro – Julho de 1979

Clementina de Jesus em show no Clube Recreativo Gigante do Catete, mais conhecido como Forró Forrado, Rio de Janeiro – Julho de 1979

Clementina de Jesus com Xangô da Mangueira (de branco) em show no Clube Recreativo Gigante do Catete, mais conhecido como Forró Forrado, Rio de Janeiro – Julho de 1979.

Clementina de Jesus com Xangô da Mangueira (de branco) em show no Clube Recreativo Gigante do Catete, mais conhecido como Forró Forrado, Rio de Janeiro – Julho de 1979.

Clementina de Jesus em show no Clube Recreativo Gigante do Catete, mais conhecido como Forró Forrado, Rio de Janeiro – Julho de 1979

Clementina de Jesus em seu apartamento no bairro Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro – Julho de 1979






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domingo, 25 de março de 2012

Bambas do Estácio: Nilton Bastos / Download Coletânea 78 rpm

Nilton Bastos foi um dos grandes nomes do Estácio que revolucionaram a maneira como se fazia samba na viradas da década de 1920 para a década de 1930. Cresceu no bairro de São Cristóvão e ainda jovem já frequentava rodas de samba e ranchos carnavalescos, como o Flor de Abacate e o Ameno Resedá. Ao lado de bambas como Ismael Silva, Bide, Baiaco, Mano Edgar, Mano Rubem e outros, foi fundador da primeira escola de samba, a "Deixa Falar", que surgiu no Estácio no final dos anos 20.

Mano Nilton foi um assíduo parceiro de Ismael Silva com quem lançou sambas antológicos, principalmente na voz do Francisco Alves. O Francisco Alves, foi na verdade o grande propulsor dessa turma, gravando os sambas do Estácio e os transformando em sucessos absolutos. Certa vez propôs ao Ismael Silva que gravaria seus sambas desde fosse incluído nas parcerias. 

Como vocês verão nas informações das musicas postadas abaixo, praticamento todas as musicas de Nilton Bastos e Ismael Silva são também assinadas pelo Francisco Alves, apesar de na maioria das vezes o cantor não ter participado na composição. Mas esse era um fato conhecido de todos e acabou se tornando uma pratica comum naquela época. Dizem que o Francisco Alves vez ou outra se arriscava em algumas composições, mas fica difícil determinar onde ele realmente ajudou e onde apenas negociou a parceria em troca da gravação. Nilton também integrou o grupo "Bambas do Estácio" que participou de muitas gravações acompanhando o Francisco Alves.

Mano Nilton foi um desses bambas que tiveram uma passagem rápida por esse mundo... Morreu aos 32 anos em 1931, vítima da tuberculose. Deixou uma obra relativamente pequena (ao menos o que se conhece... muita coisa deve ter se perdido) mas sua contribuição ao samba é indiscutível.

Dizem que o samba "Adeus", parceria entre Ismael Silva e Noel Rosa (com quem Ismael passou a compor com frequência depois da morte de Nilton) é uma homenagem dos amigos ao Mano Nilton.

Adeus
(Ismael Silva e Noel Rosa)
Intérprete: Jonjoca e Castro Barbosa
Data: 1931


Adeus, adeus, adeus...
Palavra que faz chorar
Adeus, adeus, adeus...
Não há quem possa suportar

Adeus é bem triste
Que não se resiste
Ninguém, jamais,
Com adeus pode viver em paz
Foi o último adeus

Pra que foste embora?
Por ti tudo chora!
Sem teu amor
Esta vida não tem mais valor


Abaixo uma coletânea com 20 sambas do Nilton Bastos, lançados em discos 78 rpm:

(Acompanha encarte com informações e letras)




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terça-feira, 20 de março de 2012

Centenário do mestre Aniceto do Império

O ano de 2012 é um ano de grandes comemorações... Grandes mestres do samba chegariam ao centenário se estivessem vivos. Em janeiro, o genial Herivelto Martins; em agosto o grande Aniceto da Portela e agora em março, Aniceto do Império, um dos maiores partideiros de que se tem notícia...

Nascido no Estácio em 11/03/1912, Aniceto de Menezes e Silva Junior foi um dos maiores versadores que já frequentaram as rodas de bambas no Rio de Janeiro. Conhecido por sua luta em favor da tradição do partido alto, Aniceto só cantava em quadras (enquanto os partideiros "modernos" versam em sextetos) e se orgulhava em dizer que nunca se amparava em versos tradicionais, na hora de versar um partido... nunca repetia um verso. Como dizia Clementina de Jesus: "O sujeito pra versar de improviso com o Aniceto, tem que rebolar". Já Martinho da Vila proclamou: "Quando vejo o Aniceto, sinto que estou olhando para a cultura negra do Brasil".

Criado no jongo e no candomblé, Aniceto retrata como ninguém a vida do negro no Brasil de sua época e mesmo em tempos remotos da escravidão. Cantava as tradições e costumes do negro africano... Tinha um espírito nato de liderança e uma bela oratória, o que o levou a se tornar uma espécie de lider dos estivadores do Cais do Porto, onde trabalhou a vida todo e lutou por melhores condições de trabalho para sua gente.

Ao lado de outros bambas como Silas de Oliveira, Sebastião Molequinho, Tio Hélio e Mestre Fuleiro foi fundador do Império Serrano em 1947. Apesar de estar intimamente ligado à escola, não gostava de compor sambas enredo... Gostava mesmo era de um bom partido alto.

Era tanta a genialidade de Aniceto que ele acabou criando uma nova maneira de se cantar o partido. Em um esquema de pergunta e resposta, travava um diálogo com a platéia... Ia repetindo a pergunta em forma de verso caso os espectadores não acertassem a resposta. Vejam um exemplo nesse vídeo de 1986, onde Aniceto já bastante debilitado mostra a Sérgio Cabral o partido "Dora":



Segue abaixo o documentário "Em dia de alforria" de 1981, dirigido por Zózimo Bulbul, contando a trajetória do velho Aniceto:



Abaixo, Aniceto canta "Eu sou raiz" em programa de televisão, provavelmente na década de 1980:



Quem quiser conhecer um pouco mais da obra desse grande sambista é só clicar nas imagens abaixo pra baixar seus dois discos:

 






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segunda-feira, 19 de março de 2012

Velha Guarda da Portela


Homenagem à Velha Guarda
Monarco


Um dia, tu fostes à Lapa ver a malandragem
Perdeste o tempo e a viagem
Como teu samba diz
Eu fui à Portela ver os meus sambistas
Mas consultando a minha lista
Também não fui feliz

Lá falaram-me sobre um terreiro
Onde eles passam o dia inteiro
Num lugar qualquer de Oswaldo Cruz
Fica lá perto de Bento Ribeiro
Aonde Paulo e seus companheiros
Faziam sambas que até hoje seduz

Procurando na localidade
Encontrei mano Alvaiade
Nosso antigo diretor de harmonia
Deu-me a sua dica valiosa
É uma casa formosa
Que reúne paz, amor e alegria

Ali, vi os sambistas de fato
Manacéa e Lonato e outros mais
Juro que fiquei boquiaberto
Nunca me senti tão perto
Da Portela dos tempos atrás


(Nesse samba Monarco faz uma brincadeira, citando o samba "Homenagem ao Malandro" do Chico Buarque...)



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sábado, 17 de março de 2012

Eden Silva, o Caxiné...

Três sambas do Caxiné, grande bamba do Salgueiro, interpretados pela dupla Zé e Zilda.


Vem me consolar
(Caxiné e Aníbal Silva)
Data: 1949

Vem para me consolar meu bem
Eu te quero como ninguém
Meu grande amor longe de ti
Em meu lar tudo emudeceu
Oh, vem querida
Quem te chama sou eu

Sem o teu amor
Vivo a penar
Por isso eu imploro
Vem para me consolar


Paulo da Portela
(Caxiné e Aníbal Silba)
Data: 1949

Paulo da Portela não morreu
Apenas desapareceu
Viverá para sempre em nosso coração
Como prova de gratidão

Ele nasceu no samba
E no samba se criou
Por isso o mundo inteiro canta
Esse poema em seu louvor


Falam de Mim
(Caxiné e Anibal Silva)
Data: 1949

Falam de mim
Mas eu não ligo
Todo mundo sabe 
Que eu sempre fui amigo
Um rapaz como eu 
Não merece essa ingratidão
Falam de mim
Mas quem fala não tem razão

Por ciúme ou por despeito
Falam de mim
Não está direito
Procederem assim
Meu coração 
Não merece essa ingratidão
Falam de mim
Mas quem fala não tem razão




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sexta-feira, 16 de março de 2012

Devia ser condenada (Nélson Cavaquinho e Cartola)


Esse samba tem uma história interessante. O samba foi feito em parceria por Nélson Cavaquinho e Cartola. Certa vez, o Cartola encontrou uma camarada que pediu: "Cartola, deixa eu mostrar um samba pra você"... Quando terminou de cantar o samba, o Cartola logo falou: "Opa, essa segunda parte é minha!" e o camarada: "Comprei do Nélson, resolve com ele".

Quando o Cartola foi tirar satisfações com o Nélson, o malandro já lançou essa: "Calma Cartola, fica tranquilo que eu vendi só a minha parte. Tava duro e vendi... Se quiser vender a tua também..." - Esse era o velho Nélson!

Devia ser condenada
(Nélson Cavaquinho e Cartola)


Devia ser condenada ou crucificada,
Pois juraste falso, beijaste a cruz do Senhor
E disseste que me tinha amor

Quando eu ouço as badaladas
Do sino daquela igrejinha,
Julgo-me ainda feliz
E que és toda minha

E quando vejo a torre bem alta,
Daquela linda catedral,
Fujo da tua amizade infernal

Eu vivo tão magoado,
Não sei viver mais ao teu lado,
Só peço à Deus que me dê coragem,
Eu preciso esquecer a tua grande mentira
Que me faz sofrer, me faz sofrer


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quinta-feira, 15 de março de 2012

Depoimento do mestre Cartola

Um pouquinho de história... Cartola conta histórias em uma gravação feita no estúdio da Eldorado em 1979 por José Luis Costa e Aluísio Falcão. Esse áudio faz parte da série Documento Inédito, lançado pela Eldorado em 1979.




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quarta-feira, 14 de março de 2012

Salve Dona Ivone Lara, Délcio Carvalho e Dorival Caymmi

Dois lindos sambas na gloriosa voz de Dona Ivone Lara... Na primeira ela canta um samba de sua autoria em parceria com Délcio Carvalho. "Candeeiro de Vovó" é um dos sambas da dupla que mais gosto! Na sequência ela canta em parceria com Danilo Caymmi uma canção do velho Dorival, "Oração de mãe menininha", que foi gravada também pela Clementina de Jesus, outra grande dama do samba!


Candeeiro do Vovó
(Ivone Lara e Délcio Carvalho)

Vige, minha Nossa Senhora
Cadê o candeeiro de vovó
Seu troféu lá de Angola
Cadê o candeeiro de vovó
Era lindo e iluminava
Os caminhos de vovó
Sua luz sempre firmava
Os pontos de vovó

Quando veio de Angola
Era livre na Bahia
Escondia o candeeiro
Dia, noite, noite e dia
Mas um golpe traiçoeiro
Do destino a envolveu
Ninguém sabe até hoje
Como o candeeiro desapareceu

Vovó chorou, de cortar o coração
Não tem mais o candeeiro
Pra enfrentar a solidão
Vovó chorou, chorou
Como há tempos não se via
Com saudades de Angola 
E sua mocidade na Bahia


Oração de Mãe Menininha
(Dorival Caymmi)

Ai, minha mãe
Minha mãe Menininha
Ai, minha mãe
Menininha do Gantuá

A estrela mais linda, hein
Tá no  Gantuá 
E o sol mais brilhante, hein
Tá no  Gantuá 
A beleza do mundo, hein
Tá no  Gantuá 
E a mão da doçura, hein
Tá no  Gantuá 
O consolo da gente, ai
Tá no  Gantuá 
E a Oxum mais bonita hein
Tá no Gantuá


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É lua que brilha no céu...

  


Vem é lua
(Candeia)


Vem é lua, vem é lua

Mas vem iluminar o terreiro
Ao som da cuíca e pandeiro
E o pagode continua
Mas vem que o samba vai pra rua

É lua que brilha no céu
É lua que brilha no mar
E o samba não vai acabar
E vai até o sol raiar

Clareia no quarto minguante
Clareia no quarto crescente
Clareia que é lua nova
Clareia que é lua cheia, é lua



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sexta-feira, 9 de março de 2012

Século do Progresso

Noel era um letrista genial... E esse samba é uma prova disso. Que facilidade de contar histórias... Além disso, lá no finalzinho tem uma frase que ficou famosa, foi citada até pelo Nélson Cavaquinho que no seu samba História de um Valente canta: "Quando fui lá pra Mangueira Noel Dizia / Que o revólver veio pra acabar com a valentia"....

O Século do Progresso (Noel Rosa)
Araci de Almeida, 1937


A noite estava estrelada
Quando a roda se formou
A lua veio atrasada
E o samba começou

Um tiro a pouca distância
No espaço forte ecoou
Mas ninguém deu importância
E o samba continuou

Entretanto ali bem perto
Morria de um tiro certo
Um valente muito sério
Professor dos desacatos
Que ensinava aos pacatos
O rumo do cemitério

Chegou alguém apressado
Naquele samba animado
Que cantando dizia assim:
No século do progresso
O revólver teve ingresso
Pra acabar com a valentia



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quinta-feira, 8 de março de 2012

Nélson Cavaquinho




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Dia internacional da mulher

A todas as mulheres desse nosso Brasil, um samba de Nélson Cavaquinho, Guilherme de Brito e José Ribeiro.



O nome de mulher é tão sagrado 
Mulher é nome pra ser respeitado 
A cobra não morde uma mulher gestante 
Porque respeita seu estado interessante 

Minha mãe também tem nome de mulher 
Tenho que defender 
Eu choro quando vejo ela sofrer 
Deus Nosso Senhor, devia castigar 
O infeliz que faz uma mulher chorar 



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quarta-feira, 7 de março de 2012

Monarco no IMS

Show/entrevista com mestre Monarco em comemoração aos 25 35 anos de lançamento de seu primeiro disco. Muito bem apresentado e conduzido por Sérgio Cabral. Muita brasa e muita história boa. Não deixem de assistir!




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segunda-feira, 5 de março de 2012

Trio de Ouro


DOWNLOAD COLETÂNEA TRIO DE OURO 78 rpm



Em meio às homenagens do Receita de Samba ao centenário do compositor Herivelto Martins não dá pra deixar de falar sobre o Trio de Ouro, um dos grupos vocais mais importantes da musica brasileira, principalmente em se tratando dos anos 30 e 40.

E pra falar do Trio de Ouro, tenho que voltar um pouco. No começo dos anos 30, Herivelto Martins trabalhava no Conjunto Tupy e em um dos ensaios conheceu o cantor Francisco Sena com quem passou a cantar em dupla. A dupla, batizada pelo empresário Vicente Marzullo como "Dupla Preto e Branco" gravou seu primeiro disco em 1934. De um lado o samba "Quatro Horas" e de outro o samba "Preto e Branco", parcerias entre os dois cantores. Entretanto, a morte de Francisco Sena em 1935 dava um fim prematuro à dupla. Prematuro, mas felizmente temporário.

Francisco Sena e Herivelto Martins, primeira formação da Dupla Preto e Branco 


A segunda formação da Dupla Preto e Branco, com Nilo Chagas e Herivelto Martins 

Tempos depois Herivelto conheceu o cantor Nilo Chagas com quem resolveu reviver a Dupla Branco e Preto. Em 1937 a nova dupla lançou seu primeiro disco. Ainda em 1937 conheceram a cantora Dalva de Oliveira e por intermédio do compositor Príncipe Pretinho gravaram na RCA a marcha Ceci e Peri e o batuque Itaquari, ambas de Príncipe Pretinho. O disco saiu com o nome de "Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco" e seria o primeiro suspiro do que viria a ser o "Trio de Ouro".

Itaquari, de Príncipe Pretinho, primeiro registro do trio Dalva, Herivelto e Nilo, que viria a ser conhecido como o Trio de Ouro:


A dupla Preto e Branco ainda lançou uma série de gravações, entre sambas, toadas e marchas. A última gravação só da dupla foi a marcha "Vou me esborrachar" de Felisberto Martins e Darci de Oliveira. A partir daí gravariam sempre ao lado de Dalva de Oliveira. Certa vez, durante uma apresentação na Rádio Mayrink Veiga, o locutor César Ladeira se referiu ao trio como "O Trio de Ouro", nome adotado definitivamente apenas no começo doas anos 40. Até então alguns discos saiam com a referência a "Trio de Ouro" e e outros como "Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco".


Adeus Estácio (Benedito Lacerda e Gastão Viana), samba gravado em disco 78 rpm pela Odeon em 1938 trazendo pela primeira vez a referência ao "Trio de Ouro":



Com essa formação o Trio de Ouro gravou grandes clássicos da nossa musica. Sambas como "Praça Onze" (Herivelto Martins e Grande Otelo), "Lá em Mangueira" (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres) e "Ave Maria no Morro" (Herivelto Martins) conferiram ao Trio um grande sucesso e mostravam que Herivelto era um dos grandes compositores do seu tempo.

Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas
Em 1949 o trio lança três discos e com a separação conturbada entre Herivelto Martins e Dalva de Oliveira (que tinham se casado em 1938) a formação original do Trio de Ouro se desfaz. 

Rapidamente Herivelto refez o Trio de Ouro que teve ainda mais três formações, além da original. Durante o início dos anos 60 o grupo entrou em decadência e praticamente parou de gravar. Chegaram a fazer algumas apresentações esporádicas durante os anos 70, mas sem grande repercussão.


Formações do Trio de Ouro:

Primeira Formação (até 1949): Herivelto Martins, Nilo Chagas e Dalva de Oliveira
Segunda Formação (1950 a 1952): Herivelto Martins, Nilo Chagas e Noemi Cavalcante
Terceira Formação (1952 a 1964): Herivelto Martins, Raul Sampaio e Lourdes Bittencourt
Quarta Formação (Década de 1970): Herivelto Martins, Raul Sampaio e Shirley Dom

 

À esquerda, Nilo Chagas, Noemi Cavalcante e Herivelto Martins na segunda formação do Trio de Ouro que durou apenas um ano. À direita a terceira formação do Trio com Raul Sampaio, Lourdes Bittencourt e Herivelto


Segue o link para um coletânea com 33 sambas gravados em 78 rpm pelo Trio de Ouro. Acompanha encarte com as letras e informações sobre as gravações:



O 4 shared está pedindo para fazer login antes de baixar os arquivos:
Login: blogreceitadesamba@yahoo.com.br
Senha: samba2012







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domingo, 4 de março de 2012

Brasas do Youtube...

Velha Guarda da Portela, 1986. A nata da Velha Guarda reunida: Manacéa, Chico Santana, Alberto Lonato, Casquinha, Monarco... Mas já faltava muita gente!




Homenagem a Cartola no Fantástico, poucos dias após sua morte. Paulinho da Viola e Cartola cantam "Acontece", um dos sambas mais bonitos do mestre e na sequencia, um punhado de bambas cantam "Um Samba Para Cartola" de Nei Lopes e Wilson Moreira




Esse aqui é uma preciosidade... Nunca vi tanto nêgo bamba reunido! Geraldo Babão, Mano Décio, Aniceto do Império, Noel Rosa de Oliveira, Xangô da Mangueira, Élton Medeiros, Manacéa, Alvaiade, Dona Ivone Lara, Dona Neuma, Cartola, Clementina, Wilson Moreira, Monarco e mais uns que eu nem consegui identificar...





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sábado, 3 de março de 2012

Riquezas do Brasil (Candeia e Waldir 59)

Samba enredo apresentado pela Portela no carnaval de 1956... Candeia e Waldir formaram uma dupla imbatível nos anos 50!


Brasil tu és uma dádiva divina
Cacau, cana de açúcar e algodão
Borracha. mate e café
Produtos dessa imensa nação
Tens os campos tão férteis em matérias-primas
E as tuas riquezas invejam o mundo
Jazidas tais e tamanhas
Em teu solo tão fecundo
Há em tuas entranhas ouro e manganês
E outros minerais
És forte. belo e varonil
Brasil. Brasil, Brasil

Tuas gloriosas forças armadas
Com desvelo zelam pelo teu tesouro
Em tua história consagrada
Escreveram páginas de ouro
Guias defensores do amanhã
Futuros doutorandos do Brasil
Estejam sempre alertas
Tragam na lembrança o conselho do poeta
Criança, não verás pais nenhum como este
Imita na grandeza a terra em que nasceste 




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sexta-feira, 2 de março de 2012

Vai mulher da orgia


Vai mulher da orgia 
(Miguel Guarnieri e Roberto Martins)
Intérprete: Orlando Silva
Data: 1936


Vai, vai, vai
Eu não sou culpado de você me abandonar
O destino de toda mulher da orgia
É penar, é penar

Foi você a flor que quis roubar minha alegria
E no meu coração deixou a nostalgia
Se o fogo da vida desfolhar sua beleza
Você há de sentir a lei da natureza

Em todo caminho perfumado e venturoso
Há sempre um abismo profundo e perigoso
Nesse mar da vida o destino é traiçoeiro
às vezes sem querer o azar chega primeiro



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