sábado, 25 de fevereiro de 2012

Herivelto Martins no programa Ensaio

Mais uma postagem em homenagem ao centenário do grande Herivelto Martins. No vídeo abaixo o compositor relembra alguns de seus grandes sucessos nos carnavais dos anos 40:


Pra quem se interessar em ouvir as gravações originais dos sambas cantados pelo Herivelto no vídeo:

Que Rei Sou Eu
(Herivelto Martins e Valdemar Ressurreição)
Intérprete: Francisco Alves - 1944


Que rei sou eu? / Sem reinado e sem coroa / Sem castelo e sem rainha / Afinal que rei sou eu? / O meu reinado / É pequeno e é restrito / Só mando no meu distrito / Por que o rei de lá morreu / 

Não tenho criado de libré / Carruagem sem mordomo / E ninguém beija meus pés 
Meu sangue azul / Nada tem de realeza / O samba é minha nobreza / Afinal que rei sou eu?



Praça Onze 
(Herivelto Martins e Grande Otelo)
Intérprete: Trio de Ouro, 1941


Vão acabar com a Praça Onze / Não vai haver mais Escola de Samba, não vai / Chora o tamborim, chora o morro inteiro / Favela, Salgueiro, Mangueira, Estação Primeira / Guardai os vossos pandeiros, guardai
Porque a Escola de Samba não sai

Adeus, minha Praça Onze, adeus / Já sabemos que vais desaparecer / Leva contigo a nossa recordação / Mas ficarás eternamente em nosso coração / E algum dia nova praça nós teremos / E o teu passado cantaremos


Laurindo
(Herivelto Martins)
Intérprete: Trio de Ouro, 1942


Laurindo sobe o morro gritando / Não acabou a Praça Onze, não acabou / Vamos esquentar os nossos tamborins / Procure a porta-bandeira / E põe a turma em fileira / E marca ensaio pra quarta-feira

E quando a escola de samba chegou / Na Praça Onze não encontrou / Mais ninguém, não sambou / Laurindo pega o apito / Apita a evolução / Mas toda a escola de samba / Largou bateria no chão / E foi-se embora cantando / E daí a pirâmide / Foi aumentando, aumentando


Bom Dia Avenida
(Herivelto Martins e Grande Otelo)
Intérprete: Trio de Ouro, 1943


Lá vem a nova avenida / Remodelando a cidade / Rompendo prédios e ruas / Os nossos patrimônios da saudade / É o progresso! / E o progresso é natural / Lá vem a nova avenida / Dizer à sua rival / Bom dia Avenida Central!

A União das Escolas de Samba / Respeitosamente faz o seu apelo / Três e duzentos de selo / Requereu e quer saber / Se quem viu a Praça Onze acabar / Tem direito à Avenida / Em primeiro lugar / Nem que seja depois de inaugurar / Nem que seja depois de inaugurar




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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Alberto Lonato e Velha Guarda da Portela - 1975

Alberto Lonato foi um grande sambista portelense, autor de lindos sambas como "Não Pode Ser Verdade" e "Sofrimento de quem ama" sucessos nas vozes de Cristina Buarque e Clara Nunes, respectivamente e interpretados no vídeo abaixo pelo próprio Lonato e a Velha Guarda da Portela. A gravação é de 1975.

Lonato (e não Nonato, como aparece no vídeo abaixo), chegou a passar rapidamente pela Mangueira e Unidos de Rocha Miranda, mas acabou fincando suas raízes na Portela onde chegou no início dos anos 30. 

Sempre elegante, com seu chapéu, calça vincada e paletó engomado, Alberto Lonato foi um grande pandeirista, formando com Argemiro uma dupla que ainda mantinha aquela levada tradicional da Portela. Participou da gravação do antológico "Portela Passado de Glória", disco que lançou a Velha Guarda da Portela produzido pelo Paulinho da Viola em 1970. Com a Velha Guarda, compôs e gravou até 1994, quando sofreu um derrame e não pôde mais tocar seu pandeiro.




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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Marchinhas de Alberto Ribeiro

Alberto Ribeiro foi um grande compositor de marchinhas de carnaval. Há uns tempos fiz uma postagem sobre ele onde reuni algumas:


01 - Dois amores (Alberto Ribeiro e Nássara)
02 - Tipo sete (Alberto Ribeiro e Nássara)
03 - Nem que chova canivete (Alberto Ribeiro)
04 - Deixa a lua sossegada (Braguinha e Alberto Ribeiro)
05 - Maria Acorda que é dia (Alberto Ribeiro e Braguinha)
06 - Yes, nós temos bananas (Alberto Ribeiro e Braguinha)
07 - Chiquita Bacana (Alberto Ribeiro e Braguinha)
08 – Vírgula (Alberto Ribeiro e E. Frazão)
09 – Pirulito (Alberto Ribeiro e Braguinha)
10 - A flor e o vento (Alberto Ribeiro e Braguinha)



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É carnaval, então vamos de marchinhas!

Aurora (Mário Lago)
Carnaval de 1941




Deixa a lua sossegada (Alberto Ribeiro e João de Barro)
Carnaval de 1934



História antiga (J. Cascata e Nássara)
Carnaval de 1939




Balancê (Alberto Ribeiro e João de Barro)
Carnaval de 1936






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Trabalhar só obrigado, por gosto ninguém vai lá...

Samba de Ismael Silva e Nilton Bastos interpretado pela dupla Mário Reis e Francisco Alves, o Chico Viola... Gravação de 1931:


O que será de mim
(Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves)

Se eu precisar algum dia 
De ir pro batente
Não sei o que será
Pois vivo na malandragem 
E vida melhor não há

Minha malandragem é fina
Não desfazendo de ninguém
Deus é quem nos dá a sina
E o valor dá-se a quem tem
Também dou a minha bola
Golpe errado ainda não dei
Eu vou chamar Chico Viola
Que no samba ele é rei

- Dá licença seu Mário

Se eu precisar algum dia 
De ir pro batente
Não sei o que será
Pois vivo na malandragem 
E vida melhor não há

Oi, não há vida melhor
Que vida melhor não há
Deixa falar quem quiser
Deixa quem quiser falar
O trabalho não é bom
Ninguém pode duvidar
Oi, trabalhar só obrigado
Por gosto ninguém vai lá


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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Baú do Receita: Grandes Sambas Enredos


Desfile do Salgueiro 1963 - Chica da Silva

Carnaval chegando, é hora de relembrar os tempos em que essa era a festa do samba e do povo. Quando havia Escolas de Samba e não apenas fábricas de alegorias e estas desfilavam para o povo. Tempos onde o samba enredo era composto por verdadeiros sambistas que dedicavam-se integralmente e tinham amor a suas escolas... Quando os sambas enredo realmente falavam sobre alguma coisa, tinham belas melodias, eram cadenciados... Não soavam em nossos ouvidos como bombas e metralhadoras frenéticas disparando na avenida...


É bom lembrar que isso não é uma lista dos melhores sambas da história ou algo do tipo... São apenas alguns sambas enredo que gosto muito e que julgo um tanto quanto esquecidos... Sambas dos tempos áureos das escolas em interpretações marcantes de Jamelão, Roberto Ribeiro, Geraldo Babão e outros bambas... Um tira gosto pra vocês:



(Acompanha encarte com as letras)


01 – AO POVO EM FORMA DE ARTE
G.R.A.N.E.S. Quilombo 1978
Compositor: Nei Lopes e Wilson Moreira
Intérprete: Roberto Ribeiro

02 – QUILOMBO DOS PALMARES 
Salgueiro 1960
Compositor: Noel Rosa de Oliveira e Anescar Rodrigues
Inérprete: Dinalva

03 - RECORDAÇÕES DO RIO ANTIGO
Mangueira 1961
Compositor: Hélio turco, Pelado e Cícero
Intérprete: Jurandir da Mangueira

04 - BRASIL GLORIOSO
Portela 1945
Compositor: Ventura
Intérprete: Escola de Samba Portela

05 - CHICO REI
Salgueiro 1964
Compositor: Geraldo Babão, Djalma Sabiá e Binha
Intérprete: Geraldo Babão

06 - BRASIL PANTHEON DE GLÓRIAS
Portela 1959
Compositor: Candeia e Waldir 59
Intérprete: Terreiro Grande

RIQUEZAS DO BRASIL
Portela 1956
Compositor: Candeia e Waldir 59
Intérprete: Terreiro Grande

07 - GANGA ZUMBA 
Canário das Laranjeiras 1970
Compositor: Carlinhos Sideral e Colid Filho
Intérprete: Bloco Canários de Laranjeiras

08 - QUATRO ESTAÇÕES DO ANO (CÂNTICO À NATUREZA)
Mangueira 1955
Compositor: Nélson Sargento, Alfredo Português e Jamelão
Intérprete: Jamelão

09 - MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS
Portela 1966
Compositor: Paulinho da Viola
Intérprete: Martinho da Vila

10 - HERÓIS DA LIBERDADE
Império Serrano 1969
Compositor: Silas de Oliveira, Mano Décio e Manoel Ferreira
Intérprete: Roberto Ribeiro

11 – SAMBA FESTA DE UM POVO
Mangueira 1968
Compositor:
Intérprete: Carlos Cachaça

12 - RIO CAPITAL ETERNA DO SAMBA
Portela 1960
Compositor: Walter Rosa
Intérprete: Monarco e Velha Guarda da Portela

13 - BRASIL DE ONTEM
Portela 1952
Compositor: Manacéa
Intérprete: Velha Guarda da Portela e Cristina Buarque

14 - O SABER POÉTICO DA LITERATURA DE CORDEL 
Em Cima da Hora 1973
Compositor: Baianinho
Intérprete:

15 - ILU AYÊ
Portela 1972
Compositor: Norival Reis e Cabana
Intérprete: Silvinho do Pandeiro

16 - EXALTAÇÃO A CÂNDIDO PORTINARI
Império da Tijuca 1968
Compositor: Aílton Furtado e Mário Pereira
Intérprete: Marinho da Muda

17 - GLÓRIA E GRAÇAS DA BAHIA
Império Serrano 1967
Compositor: Silas de Oliveira, Mano Décio e Manuel Ferreira
Intérprete: Roberto Ribeiro

18 - CIÊNCIA E ARTE
Mangueira 1947
Compositor: Cartola e Carlos Cachaça
Intérprete: Carlos Cachaça

19 - SEIS DATAS MAGNAS
Portela 1953
Compositor: Candeia e Altair Prego
Intérprete: Velha Guarda da Portela

20 - ROMARIA À BAHIA
Salgueiro 1954
Compositor: Abelardo Silva, Duduca e Ernesto José Aguiar
Intérprete: Romário do Salgueiro

21 - LEGADOS DE D. JOÃO VI
Portela 1957
Compositor: Candeia, Waldir 59 e Picolino
Intérprete: Escola de Samba Portela

22 - TRADIÇÕES E FESTAS DE PIRAPORA
Unidos do Peruche (SP) 1971
Compositor: Geraldo Filme
Intérprete: Geraldo Filme


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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Disco da Semana: Nas quebradas do mundaréu, 1974

   O disco "Plínio Marcos em Prosa e Samba: Nas Quebradas do Mundaréu" é uma preciosidade. Coisa linda de se ouvir, simplesmente uma escola pra quem ainda acha quem ainda acha que o samba de Adoniran Barbosa é o melhor exemplo do samba paulista. Explico: Adoniran foi um sambista genial, mas chego a ficar irritado quando citam sua obra como referência sobre o samba de São Paulo. Até porque não gosto nada desse rótulos, mas algumas vezes são inevitáveis e devem ser bem esclarecidos.

   O samba de Adoniram fala sobre São Paulo, mas em sua estrutura rítmica, melódica e principalmente no aspecto cultural nada lembra o samba feito há muito tempo no interior de São Paulo e que conquistou a capital e criou seu reduto lá na Barra Funda, no Largo da Banana e em outras "quebradas do mundaréu" paulistano. O samba de Adoniran é essencialmente "urbano" em sua temática enquanto o samba paulista tradicionalmente sempre teve suas raízes calcadas no meio rural e na cultura negra, o que leva a um resultado final completamente distinto. Adoniran é Adoniran e ponto. Canta crônicas sobre a cidade de São Paulo de uma forma tão perfeita que torna-se inimitável e inconfundível. Reconhece-se uma musica de Adoniran de forma quase automática... Ouve-se um trechinho da melodia, um pedacinho da letra e pronto: "isso é do Adoniran!". Mas a musica feita por ele não é "Samba Paulista".

   Voltemos ao disco. A gravação tem um formato bastante interessante, transformando o registro em uma espécie de documentário, narrado pelo escritor Plínio Marcos que conta com maestria a história de três dos maiores nomes do samba paulista: Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro e Zeca da Casa Verde. As histórias contadas por Plínio são ilustradas pelos sambistas com sambas de sua autoria.

"Com licença dos mais velhos, vamos de samba..."


Plínio Marcos em prosa e samba: Nas quebradas do mundaréu




Faixas

01 - Tiririca (Geraldo Filme)
02 - Vou sambar n'outro lugar (Geraldo Filme)
03 - Tradições e Festas de Pirapora (Geraldo Filme)
04 - Silêncio no Bixiga (Geraldo Filme)
05 - Tebas "O escravo" (Praça da Sé) (Geraldo Filme)
06 - Brasil recebe o mundo de braços abertos (Zeca da Casa Verde)
07 - Congada (Zeca da Casa Verde)
08 - Linda manhã (Zeca da Casa Verde)
09 - Noite encantada (Zeca da Casa Verde)
10 - De Pirapora a Barueri (Tradicional) Música tradicional paulista
11 - Ditado antigo (Toniquinho Batuqueiro)
12 - Bloco do Chora Galo (Toniquinho Batuqueiro)
13 - Samba de lei (Ritmo) Com Batuqueiros de Vila Isabel


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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pato Donald e Zé Carioca no Samba...

Trecho do filme "Os três cavaleiros", de 1945, com a participação de Aurora Miranda cantando "Os quindins de Iaiá" de Ary Barroso. Acho que já postei isso aqui, mas como faz muito tempo não faz mal...



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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Aquele Mundo de Zinco que é Mangueira...

Jorge Goulart e Regional Dante Santoro interpretam "Mundo de Zinco", samba de Wilson Batista e Nássara, em cena do filme "Tudo Azul", de Moacyr Fenelon, lançado em 1952.



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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ando Sofrendo (Mano Rubens)

A Velha Guarda da Portela canta um belo samba do Mano Rubens, grande sambista do Estácio de Sá. De quebra, o velho Malandro Histórico mandando alguns versos.





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