segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Herivelto Martins 100 anos - Coletânea 78 rpm



Hoje comemoramos o centenário do grande Herivelto Martins. Portanto, posto novamente este texto, agora acompanhado de mais uma das já tradicionais coletâneas em 78 rpm. Dessa vez são 105 sambas de Herivelto e seus parceiros, todos com as letras transcritas em um encarte em pdf:




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Nascido na pequena cidade de Engenheiro Paulo de Frontin, RJ, no dia 30 de janeiro de 1912, Herivelto de Oliveira Martins foi um dos maiores nomes da musica brasileira durante os anos 30 e 40. E o centenário desse grande compositor, autor de clássicos como “Cabelos Brancos”, “Praça Onze”, “Saudosa Mangueira”, entre outros lindos sambas, será o assunto do mês aqui no Receita. Contarei alguns casos interessantes e passearemos pelo Rio antigo, contado nos versos de Herivelto e seus inúmeros parceiros. Pra quem não conhece, começo com uma breve biografia do compositor.

A lapa
Herivelto Martins e Benedito Lacerda
Intérprete: Francisco Alves, 1949

Herivelto conheceu o mundo das artes muito cedo. Seu pai, Félix Bueno Martins, era apaixonado por teatro e tinha o costume de promover grupos teatrais amadores  da cidade, atividade na qual fazia questão de envolver os filhos. Com apenas três anos de idade o pequeno Herivelto já participava dos espetáculos promovidos pelo pai. Usava uma casaca branca e recitava versos como “Nasci pra namorar / Toda moça bonita que eu vejo / Dá vontade de casar”. De 1916 a 1929 a família morou em Barra do Piraí onde o pai de Herivelto, o “seu Bueno” fundou uma espécie de companhia de teatro chamada “Sociedade Dramática Dançante Carnavalesca de Barra do Piraí”. Influenciado pelas atividades artísticas do pai o pequeno Herivelto acabou montando sua própria peça com os irmãos e amigos da vizinhança. Foi um sucesso e chegavam a cobrar ingressos para as apresentações. Aos nove anos de idade compôs seu primeiro samba, chamado “Nunca Mais”

Quando já era adolescente conheceu dois artistas de circo com quem acabou montando um trio e saiu em uma pequena “turnê” apresentando um pequeno espetáculo em cidades vizinhas. O problema é que um de seus parceiros era procurado pela polícia e o trio acabou sendo preso. Pra sorte de Herivelto, o delegado percebeu que o jovem entrou de gaiato nessa confusão e o mandou de volta pra casa. 

Aos dezoito anos, depois de uma breve passagem por São Paulo, Herivelto vai tentar a sorte no Rio de Janeiro. Tinha pouco dinheiro, muita disposição e pra sua sorte, talento de sobra. No início, trabalhou em uma barbearia para garantir o seus sustento. Lá, conheceu o compositor Príncipe Pretinho que gostou muito de Herivelto e o apresentou ao compositor J. B. de Carvalho. Em certa ocasião Herivelto mostrou a J.B. a marcha “Da cor do meu violão” que compôs inspirando em uma antiga namorada que seu pai dizia ser muito escura para ele. J.B. de Carvalho gostou da musica e ofereceu gravá-la para o carnaval se Herivelto lhe desse a parceria. Assim feito, Herivelto Martins tinha sua primeira musica gravada em 1932 em discos Victor pelo conjunto Tupi. Logo passou a atuar no coro de gravações da Victor e caiu nas graças do diretor, Mr. Evans, que gostou muito de seu estilo e de suas inovações.

Da cor do meu violão
Herivelto Martins e J. B. de Carvalho
Intérprete: Conjunto Tupi 1932

Em 1933 formou com Francisco Sena a “Dupla Preto e Branco” e passaram a se apresentar no Cine Odeon substituindo o Conjunto Tupi.  O primeiro disco da dupla foi lançado em 1934 com os sambas “Quatro Horas” de Herivelto e Francisco Sena e “Preto e Branco” de Herivelto. Em 1935 já fazia sucesso nas vozes de grandes nomes do rádio, como Aracy de Almeida, Silvio Caldas e Carlos Galhardo. Mas a carreira da dupla Preto e Branco seria interrompida ainda em 1935 com a morte de Francisco Sena.

Preto e branco
Herivelto Martins
Intérprete: Dupla Preto e Branco, 1934

Herivelto passou a se apresentar no Teatro Pátria que ficava no Largo da Cancela em São Cristóvão. Personificou na ocasião o palhaço "Zé Catinga", que fez bastante sucesso, especialmente entre as crianças. Foi quando conheceu Nilo Chagas e com ele acabou recriando a dupla Preto e Branco que lançou em 1937 um novo disco com o samba “Tamborim”de Herivelto e Jota Soares  e a toada “Última Festa” de Herivelto e Zeca Ivo.

Nilo Chagas, Herivelto e Dalva, o Trio de Ouro

Foi também no Teatro Pátria que conheceu Dalva de Oliveira que logo passou a se apresentar com a dupla e chegou a lançar em 1937 um disco com o nome de Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco. No disco, dois sambas de Príncipe Pretinho: “Itaquari” e “Ceci e Peri”. O disco foi um sucesso e o trio foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga, um grande passo na carreira de Herivelto. A partir de então, o trio passou a ser conhecido como “Trio de Ouro”, nome dado pelo locutor César Ladeira. Em 1939 Herivelto e Dalva oficializam sua união em um ritual de umbanda. Viveram juntos por quase 10 anos.

A partir daí Herivelto tornou-se um sucesso, seja como intérprete, seja como compositor, gravado por Francisco Alves, Carmem Miranda, Silvio Caldas, Linda Batista e uma enorme lista com os maiores cantores da época. Até no cinema fez algumas participações. A formação original do Trio de Ouro se desfez em 1949 quando Herivelto e Dalva se separaram e Dalva de Oliveira deixou o grupo. O trio teve ainda outras formações, mas prefiro deixar essa história pra uma postagem a parte... O Trio de Ouro tem gravações importantíssimas e sua história merece ser contada separadamente.

Em 1987 Herivelto Martins recebeu o Prêmio Shell, na época o mais importante prêmio brasileiro, pelo conjunto de sua obra, com mais de 300 canções. Entre seus parceiros figuram nomes como Benedito Lacerda, Heitor dos Prazeres, David Nasser, Príncipe Pretinho, Ataulfo Alves, Ciro Monteiro e mais uma ou duas dúzias de bambas.

Herivelto faleceu em 1992, aos 80 anos,  no Rio de Janeiro.


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Um comentário:

Lucas Lopes disse...

Obrigado pelas sublimes obras postadas neste blog de inestimável valor.

Receita do Samba é um templo sagrado!