domingo, 30 de dezembro de 2012

Ajuda...

Pessoal, permitam-me uma rápida fuga do tema do site... Sou fotógrafo e tenho uma image concorrendo em um concurso sobre fotografias de Minas Gerais. Quem puder dar uma forcinha e deixar um voto por lá, ficarei agradecido! A imagem é esta abaixo e pra votar basta CLICAR AQUI.


Um grande abraço a todos e um ótimo 2013!


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

E o mundo não se acabou (Assis Valente) Marlene 1956

É amanhã pessoal! Um ótimo fim do mundo pra vocês!


Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disto a minha gente lá em casa começou a rezar
Até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disto nesta noite lá no morro não se fez batucada

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar

Beijei a boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou

Peguei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Ih, vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou



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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Samba de Sambar do Estácio: Pequena África


No final do século XIX, um quadrilátero localizado no limite norte da cidade do Rio de Janeiro formou o que veio a se chamar Pequena África, devido à grande concentração de ex-escravos ali surgida logo após a abolição da escravatura. Esse enorme retângulo partia das margens do Campo de Santana, ultrapassava a rua das Flores (atual de Santana), onde começava a Cidade Nova, e terminava nos limites do bairro do Estácio.

Os ângulos desse quadrilátero continham, na parte mais próxima ao Campo de Santana, o principal dos dois impérios do Divino existentes na cidade. Este, permanente, constituído por vasta varanda de pedra e cal na lateral da Igreja de Santana, pertencia Irmandade do Divino Espírito Santo, então existente onde hoje se ergue a Estação D. Pedro II da Estrada de ferro Central do Brasil. O outro, localizado próximo à igreja da Lapa do Desterro, originalmente também de pedra e cal, foi posteriormente demolido e substituído por uma varanda de madeira, montada e desmontada a cada ano, na lateral da igreja.

Segundo descrição de Câmara Cascudo, o imperador do Divino era um menino de dez a 12 anos, vestido de casaca de veludo verde e manto escarlate, calção, meias de seda, sapatos afivelados, com coroa e cetro, tendo ao peito o refulgente emblema do Espírito Santo. A tradição dava como prerrogativa ao imperador-menino o poder de soltar um preso da cadeia pública.

Em determinadas ocasiões, o imperador podia ser um adulto, geralmente uma pessoa abastada da localidade, "fazendo prodigalidades para eclipsar o antecessor". Câmara Cascudo ainda se refere à popularidade da folia do Divino, ao afirmar:

De sua popularidade basta lembrar que o título de "Imperador" foi escolhido pelo ministro José Bonifácio, porque o povo estava mais habituado a aclamar o imperador do Divino que o nome do rei. (CASCUDO, Luiz da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: INL, 1954, p. 236)

Na direção contrária ao Campo, vindo desde a base do morro da Providência até o final da Rua Senador Pompeu, ou popularmente Rua do Peu (antiga Príncipe dos Cajueiros), onde atualmente começa o túnel João Ricardo, encontrava-se o Cabeça de Porco, o maior cortiço da cidade. O nome devia-se à imagem de uma cabeça de porco, esculpida em relevo, encimada na entrada. O Cabeça de Porco abrigava, em centenas de cubículos, uma população de mais de 4 mil pessoas vivendo em extrema miséria.

Em 1893, sob a alegação de ter entre seus moradores perigosos malandros e capoeiras o Cabeça de Porco foi arrasado sob o comando pessoal do então prefeito, o "general" Barata Ribeiro, à frente de unidades de artilharia do exército. Sob a mesma alegação também foram arrasados cortiços menores na rua Barão de São Félix (antiga Princesa dos Cajueiros), no Mangue e na Saúde.

No local onde existiu o Cabeça de Porco, bem próximo de onde hoje está a gare D. Pedro II da Estrada de Ferro Central do Brasil, foi armado o circo de João Apóstolo. Logo transformado em Circo Spinelli, em seguida transferiu-se para as proximidades do largo do Matadouro (hoje, praça da Bandeira), onde se exibia o palhaço e cantor Eduardo das Neves. Nas suas apresentações, cantava com o coro dos meninos chefiados por João Machado Queres, o futuro João da Baiana, e Ernesto Maria dos Santos, desde essa época o Donga. João da Baiana, em depoimento, explicou sua participação:

Em 1902, nós acompanhávamos Eduardo das Neves no Circo Spinelli. Eduardo era o palhaço e eu era o chefe dos garotos que respondiam ao "hoje tem marmelada?" com o "tem, sim, senhor". (Depoimento a José Ramos Tinhorão em 17/07/1971). Ao ser perguntado se ganhava por mês, respondeu:

Não era por mês, era por dia. Dava, só para mim, cerca de 1.100 OU 1.200 réis. Para os outros garotos, nós dávamos 300 ou 400 réis. (Idem)

O coração da Pequena África estava na Praça Onze. Um retângulo entre as ruas Visconde de Atina e Senador Euzébio, fechado pelas ruas de Santana e Marquês de Pombal. O centro da praça, cercado de casuarinas, ostentava um chafariz projetado por Grandjean de Montigny, atualmente no Alto da Boa Vista. Os alagados, em sua volta, já não mais existiam desde a segunda metade do século XIX. Nesse aterrado, em 1859, o barão de Mauá abriu e estruturou o canal do Mangue para atender à sua fábrica de gás recentemente montada.

O retorno das tropas sobreviventes do vergonhoso e humilhante episódio da chamada revolta de Canudos, somado ao remanescente das de outras escaramuças do início da República, obrigou o governo a um "gesto de gratidão a esses heróis": cada um receberia um lote de terra no tempo devido. Por muito tempo esses "heróis" permaneceram acampados na encosta do morro da Providência, próximo aos fundos do quartel-general da Praça da República. A promessa jamais foi cumprida. 

Coincidindo com a era do "Rio civiliza-se" e seu conseqüente bota - abaixo, esses ex-soldados-heróis e suas mulheres trazidas do Arraial de Canudos tiveram que se valer dos restos da demolição de casarões do centro da cidade para construir barracos feitos de madeira e cobertos de zinco, que os abrigavam nas encostas dos morros do Castelo, de Santo Antônio e, principalmente, no reduto de todos eles, o da Providência.

O morro da Providência ficou conhecido como morro da Favela. Preito de homenagem e lembrança das mulheres desses "heróis" ao seu local de origem na região de Canudos, onde existia grande quantidade de arbustos com essa denominação. Esses "heróis" supunham-se garantidos quanto à estabilidade de suas precárias moradias pelo decreto do prefeito Pereira Passos, em 1903, de que não eram permitidos barracos, "salvo nos morros que ainda não tiveram habitações". O decreto soava como um convite para que se desestimulasse a manutenção dos cortiços. O termo favela generalizou-se para todos os casebres de madeira e zinco que, com a miséria crescente, alastraram-se pelos morros da cidade.

Com a destruição da economia do Império, decorrente do endividamento externo do governo ao capital inglês, originado em razão da Guerra do Paraguai, e pelo desequilíbrio da economia interna resultante da Abolição da escravatura, houve forte transformação no padrão de serviço doméstico estruturado no braço escravo. Tornou-se impossível manter os enormes casarões existentes na cidade, nem sempre residência principal. A maioria deles era usada apenas para temporada anual, fosse por necessidade da política ou simplesmente para recreio.

Grande parte da nobreza brasileira estava, direta ou indiretamente, ligada ao lucro do tráfico negreiro. Os bancos eram poucos e inseguros. Tradicionalmente, a forma prudente de entesourar riqueza, além de objetos de prata, era a compra de terreno e de imóvel urbano. Havia ruas inteiras nas mãos de poucas pessoas, todas com algum título de nobreza. A perda do braço escravo e a decorrente mudança de situação financeira obrigaram a que muitas dessas pessoas a se desfazer de seus casarões.

A nova estrutura da bolsa de valores, criada no início da República, e a febre de especulação financeira, gerando o que veio a se chamar de encilhamento, encarregaram-se de destruir o resto. Mentirosa alegação oficial atribuía, como razão para essas pessoas se desfazerem de suas propriedades, o fato de estarem sendo construídas habitações populares nas proximidades e o convívio tornar-se progressivamente insustentável.

Casarões das ruas Barão de São Félix, Camerino, General Pedra e do bairro da Saúde, os mais próximos do porto, foram sendo adquiridos por exploradores de casas de cômodos e transformados em cortiços. 



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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Caco Velho (Ary Barroso)

Um dos mais belos sambas do Ary Barroso. Escolhi a versão cantada pela Aracy de Almeida, de 1958, mas esse samba foi gravado originalmente por Orlando Silva em 1934. Também foi gravado por Ataulfo Alves em 1966, pelo Paulinho da Viola e por Elisinha Coelho.


Reside no subúrbio do Encantado
Num barracão abandonado
João de tal, cabra falado.
Dizem que viveu fora da lei, foi um rei
Que zombava da morte e tinha um santo forte
No meio da gente bamba o seu prazer era tirar um samba
Pulava, dava rasteira, levava a vida de qualquer maneira

Mas hoje é um caco velho que não vale nada
Tem a cabeça branca e a pele encarquilhada
Faz até pena ver o seu estado, pobre coitado
A vida é essa, é um segundo que se esvai depressa
Todos nós temos o nosso momento
E depois dele só o esquecimento


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domingo, 16 de dezembro de 2012

É só vergonha (Nélson Cavaquinho e Ermínio do Vale) Gilberto Alves


É só vergonha
Nélson Cavaquinho e Ermínio do Vale
Intérprete: Gilberto Alves

É só vergonha que essa mulher me dá e nada mais
Pra que viver, se nesse mundo eu não fico e paz
Sorrindo escondo os males que me acompanham noite e dia
Se eu chorar os meus amigos vão dizer que é covardia

A água lava as nossas mãos e nosso rosto
Só não lava a vergonha e o desgosto
Bem sei que só vivendo longe da humanidade
Eu poderei gozar de tranquilidade



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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A carta-poema de Noel Rosa...

Noel Rosa ainda criança
Em Janeiro de 1935, Noel Rosa seguiu para Belo Horizonte, obedecendo à recomendação de seu médico e amigo, Dr. Edgar Graça Mello. A tuberculose já lhe avançara sobre um pulmão e dava indícios de querer tomar também o outro. Noel estava pesando 45 quilos. Ao final do primeiro mês na capital mineira, escreve a “sua carta mais original”, como afirmam com razão seus biógrafos, João Maximo e Carlos Didier. A carta é uma extensão de sua obra, contendo os mesmos procedimentos identificáveis em suas canções. Se ele antes transformara um samba em carta (na canção Cordiais Saudações, agora transforma uma carta em poesia. Aqui estão as mesmas rimas improváveis, os versas de duplo sentido, a fina ironia a habilidade notável com a língua. 

“Meu dedicado médico e paciente amigo Edgar, um abraço. Se tomo a liberdade de roubar mais uma vez seu precioso tempo é porque tenho certeza de que você se interessa por mim muito mais do que mereço. Assim sendo, vou passar a resumir as noticias que se referem à marcha do meu tratamento. E para amenizar as agruras que tal leitura oferece resolvi fazer uso das quadras que se seguem: 

Já apresento melhoras pois levanto muito cedo
E deitar as nove horas pra mim já é um brinquedo
A injeção me tortura e muito medo me mete
Mas minha temperatura não passa de 37 

Nessas balanças mineiras de variados estilos
Trepei de varias maneiras e pesei 50 quilos 
Deu resultado comum o meu exame de urina
Meu sangue noventa e um por cento de hemoglobina 

Creio que fiz muito mal em desprezar o cigarro
Pois não há material pro meu exame de escarro
Ate' agora só isto para o bem dos meus pulmões
E nem brincando desisto de seguir as instruções
Que o meu amigo Edgard arranque desse papel
O abraço que vai mandar o seu amigo Noel"






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102 anos de Noel Rosa: Noel, o Poeta da Vila (completo)

Filme que conta a vida do genial Noel Rosa, grande compositor de vida breve e obra imortal. Noel nasceu em 11 de dezembro de 1910 e faleceu aos 26 anos em 4 de maio de 1937. Embora tenha morrido ainda garoto, Noel de Medeiros Rosa foi um dos grandes nomes de sua época (talvez o mais lembrado deles, possivelmente por sua morte precoce), ao lado de bambas como Ismael Silva, Nilton Bastos, Principe Pretinho, Zé Pretinho, Wilson Batista, Cartola e muitos outros.





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Sempre Mangueira (Wilson Batista, Nássara e Jorge de Castro) Jorge Goulart 1957


Mangueira é sempre Mangueira
Vale a pena lembrar
Quem bebe da água da torneira
Nunca mais vai querer se mudar

Quem vive no morro é feliz sim senhor
Arrume um barraco, arranje um amor
Eu fui beber da água da torneira
E nunca mais saí de Mangueira



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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Especial Paulo da Portela: Parte 8

Paulo, Antônio Caetano e Antônio Rufino, fundadores da Portela

Quando Paulo chegou a Oswaldo Cruz, no início da década de 20, o bairro não era mais que um humilde povoado às margens do Rio das Pedras. As ruas empoeiradas, com as valas correndo a céu aberto, eram o cenário hostil que todos encontravam. Paulo tinha aproximadamente 20 anos quando mudou-se para o subúrbio, vindo da Saúde, região próxima ao centro da cidade. 

As dificuldades comuns eram superadas com união. Os laços de amizade ajudavam a enfrentar a dor, e do sofrimento brotaram canções. Em Oswaldo Cruz encontrávamos a junção das lendas e tradições do campo com os costumes da cidade, e dessa fusão surgem as peculiaridades da produção cultural local. 

A Portela nasce como catalisador desse caldeirão cultural que fervilhava no bairro. Em suas raízes, mesclam-se as culturas rural e urbana, e desse híbrido temos a definição das primeiras características da grande escola. 

Paulo traz consigo os traços da cultura urbana, dos costumes e tradições das regiões periféricas do centro do Rio, onde a população negra formava a "Pequena África". Em Oswaldo Cruz, percebe a riqueza do processo que estava ocorrendo naquela localidade, tornando-se seu principal líder, um dos maiores defensores do subúrbio. 

O estreitamento dos laços sociais era a arma para enfrentar as dificuldades; a união e a amizade, formas de ludibriar os problemas. Organizados por Paulo, os primeiros moradores de Oswaldo Cruz superaram as dificuldades iniciais e o progresso vai a reboque da vizinha Madureira. 

Paulo jamais abandonaria seu bairro. Seu nome artístico, Paulo da Portela, não é uma referência à escola, e sim à principal estrada do bairro onde Paulo morou quando chegou a Oswaldo Cruz. A escola só apareceu mais tarde, numa referência à mesma estrada. 

As valas e as ruas de barro aos poucos foram desaparecendo da paisagem, mas Oswaldo Cruz jamais perderia seu típico ar suburbano. Paulo foi uma espécie de "embaixador" desse pedacinho de terra, recebendo com dignidade e elegância visitantes ilustres de diversas partes do mundo. 

Mesmo sendo uma das figuras mais conhecidas da vida carioca dos anos 30 e 40, Paulo jamais conseguiu converter essa popularidade em dinheiro. Viveu até seus últimos dias numa pequena casa de vila na Rua Carolina Machado, próximo à estação do bairro que o acolheu de braços abertos. 

Hoje, mais de 50 anos após sua morte, o nome de Paulo da Portela ainda permanece muito forte na região. Iniciativas comunitárias surgem inspiradas nos ensinamentos do velho professor. É o caso do Centro de Capacitação Profissional Paulo da Portela, na Rua Cananéia, criado por iniciativa da Associação dos Moradores de Oswaldo Cruz, em que se desenvolvem projetos de pré-vestibular para pessoas carentes, alfabetização para adultos e cursos profissionalizantes, valorizando a cultura negra e preservando a riqueza cultural do bairro. 
Fonte: Portela Web

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

De cara nova...

Em 2013 o Receita de Samba entra em seu quinto ano de vida. Ao longo desses anos aprendi muita coisa postando no blog e com isso meu gosto e mesmo minha concepção sobre o samba mudaram muito. E pra acompanhar essas mudanças resolvi dar uma cara nova ao blog. Talvez essa ainda não seja definitiva, mas já expressa melhor meu gosto pelo samba e os objetivos do Receita de Samba. Espero que gostem!


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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Glória ao Samba - Por Paulo Matias

O samba e suas variadas vertentes desenvolveu-se plenamente no Rio de Janeiro, a partir do começo do século 20 e mais fortemente com o surgimento das primeiras escolas de samba.

Com o nascimento do “Deixa Falar”, primeira escola de samba fundada no Brasil em 1928 uma nova modalidade de samba passou a ser adotada, deixando de lado o ritmo amaxixado, e implementando um novo ritmo, muito mais cadenciado. Os compositores dessas novas e criativas agremiações produziram melodias e um ritmo que logo chegariam à cidade.

Parte dessa produção interessou prontamente as gravadoras que por meio de primorosos interpretes, reproduziram essas obras de inestimável valor musical.
A obra desses geniais compositores foi destaque por anos nos antigos carnavais.

Mesmo com essa aceitação muito do que era produzido no “morro” era ali consumido, pela localidade, sendo feito espontaneamente, aprendido e cantado no “terreiro da escola”, gerando o amplamente falado “samba de terreiro”.

Esse denominado “Samba de Terreiro” não é um gênero de samba, embora hoje adotemos como tal, mas sim um modo de como o samba era produzido, sem pretensões comerciais e de maneira pura, resultando em melodias e letras únicas.

Antigamente sem os adventos tecnológicos de amplificação, microfone e outros, o samba era “passado” através de prospectos ou na sua maioria pela transmissão oral, onde o compositor munido de cavaquinho e violão, “lançava” seu samba no terreiro ou quadra, e com a exaustiva repetição, os presentes passavam a ter conhecimento e aprendiam o determinado samba, sendo bem aceito, logo tomava corpo, entusiasmando a todos.

O mestre Monarco da Portela descreve com perfeição, esse acontecimento: “O samba quando era bom, as pastoras aprendiam ali na hora, entrava a bateria e todos saiam cantando.” Ressaltando que tudo de maneira simples e acústica. 

Até o meio da década de 60 essa modalidade era ainda praticada nas escolas de samba, caracterizando uma maneira toda especial de se tratar o samba. Escolas como Portela, Mangueira, Império Serrano, Salgueiro, Unidos da Capela, Aprendizes de Lucas e outras que deixaram de existir, tiveram em suas fileiras numerosos compositores que produziram vastíssimo repertório, muito desse material acabou perdido ou vive vagamente na memória de seus contemporâneos.

O “Glória ao Samba” tem por intuito resgatar esse material, somos um grupamento de pessoas dedicadas à manutenção, divulgação e preservação do samba .

Dedicando-se com afinco na recuperação dessas melodias perdidas, quer sejam inéditas ou desconhecidas.
Dadas as proporções tentamos de maneira honesta reproduzir a sonoridade da época, tudo aos moldes tradicionais, atentando para instrumentação e vocalização de como foi produzido pelos precursores .
Tendo em vista o atual cenário musical brasileiro, ingressamos na fileira de pessoas que tentam a valorização desse patrimônio musical brasileiro.

Embora grande parte de nossos combatentes já desenvolviam individualmente algum trabalho com o samba, nosso ajuntamento ocorreu há 5 anos, e o termo combatente aqui não expressa aspirações revolucionarias, mas não podemos dizer que não se trata de uma luta desigual informar as pessoas sobre todos esses grandes personagens de nossa cultura, em meio a grande alienação musical que sofre nossa sociedade. 
Sem sede fixa ou subsídios externos, sem conotação política partidária, o “Glória ao Samba” reúne pessoas com o mesmo ideal, preservar e difundir nosso amado ritmo nacional.

Nosso convite é sincero e será um prazer compactuar com você que também acredita no poder restaurador de uma de nossas mais verdadeiras expressões culturais. Seja Bem Vindo.

Glória ao Samba 
Dia 24 Novembro a partir das 17 horas
Local: Clube Anhanguera 
Rua dos Italianos, 1261 - Bom Retiro
Esquina com Marginal Tietê.
Entrada Franca


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Homenagem ao mestre Casquinha. Portelinha, Osvaldo Cruz. 15/11/2012


Dia 15 de novembro foi o dia em que pisei pela primeira vez no altar da minha querida Portela. Fui à Portelinha com um dos mais nobres motivos: homenagear um dos maiores portelenses ainda vivos, o mestre Casquinha, que completa 90 anos dia 01 de dezembro. Dia lindo, cheio de encontros e emoções. Ali onde pisaram alguns dos maiores nomes do samba, de frente ao busto do professor Paulo da Portela o samba se refez... No mesmo local e com a mesma alegria com que era feito pelos antigos portelenses.... Ah, quantas lágrimas eu derramei!!!

Um grande abraço à rapaziada do Samba da Pedreira que tá começando uma bela história lá no Rio. Aos irmãos do Terra Brasileira e do Terreiro de Mauá e à Áurea que armaram esse maravilhoso encontro! É disso que o mestre Casquinha precisava. Dava pra ver a alegria em seus olhos vendo a mocidade cantar seus sambas e louvar a velha Portela, todos com os olhos rasos d'água....

Fotos: Vinicius Terror
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Clique nas imagens para ampliar

  


   


  


  




  


  


  


   


   



  
  

  


    


  


  


   


  




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