sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Vá em paz Mestre Jonas....


A musica mineira amanheceu de luto nessa sexta feira... Foi-se o nosso querido Mestre Jonas, um dos maiores compositores da nossa musica na atualidade. Ele estava internado desde o início dessa semana devido a um AVC e mesmo com o apoio de amigos e admiradores de todos os cantos, mestre Jonas não resistiu e partiu...

Deixou saudades e suas musicas... Essas sim, por sua força e beleza, são eternas e nos ajudarão a guardar em nosso coração a memória desse grande artista!



Mestre Jonas por Israel do Vale:

Mestre Jonas palmilhou de pés descalços a religiosidade e a sonoridade de matriz africana desde a mais tenra idade, no terreiro de mãe Marli, sua mãe de sangue, no quintal da casa em que cresceu, num dos maiores conjuntos de vilas e favelas de Belo Horizonte, o Aglomerado da Serra. E desenrolou a carreira musical no universo do samba, nas Minas Gerais. Mas seria restritivo supor que isso faria dele um sambista, apenas – por mais vínculos que se tenha, por mais lisonjeiro que fosse.

Presença certeira nos eventos da exuberante cena de samba e choro que floresceria no estado na última década, Mestre Jonas é um dos criadores de projetos que ajudaram a sedimentar o interesse e a movimentação em torno deste repertório. Os mais notáveis são o Samba do Compositor (onde dividiria o palco com baluartes como Nei Lopes e Hermínio Bello de Carvalho) e o Samba da Madrugada (uma concorrida roda de samba idealizada e realizada com alguns de seus principais parceiros, nas madrugadas de sábado para domingo de Santa Tereza e, mais tarde, do bairro Caiçara).

Violonista, cantor e compositor, Mestre Jonas começaria a obter reconhecimento público a partir do projeto Reciclo Geral, importante termômetro de uma geração que começava a entrar em ebulição e reuniria cerca de 70 novos compositores numa série de oito shows, em 2002.

Desde então, sucederiam-se alguns shows no exterior (em 2008, em Paris) e apresentações em diversos estados brasileiros –com destaque para a curiosa turnê “Fuscazul”, que faria com Silvia Gommes a bordo de um Volkswagen azul, por capitais da região sul do país.

A estreia em disco revela um compositor superlativo, não apenas pela obra profícua que enfileira dezenas de composições inéditas, mas pela riqueza de sonoridades e a vastidão de temas e possibilidades estéticas que aborda e sintetiza. Sambêro nasce, desde o título, como busca, mais que um fim em si. Gíria carioca atribuída, pejorativamente, a sambistas de pouca intimidade com o riscado, o termo é, aqui, ressignificado como forma de relativizar os limites que definem e nomeiam um percurso artístico.

Desde cedo, Jonas, conviveu com as manifestações da cultura popular. Filho de mãe-de-santo foi criado vendo e ouvindo as Folias de Reis, as Congadas e festa de Nossa Senhora do Rosário, Rodas de Pagodes e Capoeiras, desafio de Repentistas e nos tempos áureos do carnaval de Belo Horizonte onde era seguidor do Grêmio Recreativo Escola de Samba Canto da Alvorada.


Assista ao show de lançamento do CD "Sambêro":



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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Feliz 2012 + Camiseta Candeia

Pessoal, só tenho a agradecer a todos vocês pelo ótimo ano que foi 2011 para o Receita de Samba. Com a ajuda de vocês conquistamos o segundo lugar do Top Blog 2011 na categoria musica. É um sinal que o bom e velho samba não morreu, nem morrerá... Sinto um grande orgulho de ver um trabalho feito com amor e muita dedicação ser reconhecido dessa forma, em tempos em que a musica popular brasileira tem sido tão maltratada pela mídia. Que em 2012 esse reconhecimento se estenda a todos aqueles que fazem algo pelo verdadeiro samba, seja escrevendo, articulando, compondo, cantando ou apenas apreciando...

Pra fechar o ano com chave de ouro, deixo um presentinho pra vocês. Vou sortear uma camiseta homenageando o grande mestre Candeia. Pra participar basta deixar nessa postagem um comentário com seu nome e e-mail. (clique em comentários na parte de baixo da postagem). Dia 06/01/2012 farei um sorteio e informarei o ganhador!



Um abração e um ótimo 2012 a todos!


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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Boas Festas...

Assis Valente (à direita) ao lado de Dorival Caymmi e Carmem Miranda
Aproveito a véspera de natal para reparar uma injustiça... Esse ano um outro grande compositor completaria seu centenário e eu nem sequer o mencionei aqui: o baiano Assis Valente. Assis escreveu em uma noite de natal, sozinho num quarto de hotel, a marcha "Boas Festas" que acabou virando uma espécie de hino natalino...  Uma canção que, mesmo com versos tão fortes e tristes, tem uma melodia tão alegre que encobre qualquer sinal de tristeza de seus versos.

Boas Festas (Assis Valente)
Intérprete: Carlos Galhardo, 1933


Anoiteceu, o sino gemeu
E a gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
E assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem 

Assis Valente, que contava ter nascido em plena areia quente em uma estrada no interior da Bahia durante uma viagem teve uma vida difícil, a começar pela infância. Era filho de um relacionamento extraconjugal e apesar de ter sido registrado (o nome Valente vem do pai) não conviveu com seu pai. Ainda pequeno, vivendo com a mãe em uma pequena cidade do interior da Bahia, foi raptado e entregue a outra família que o criou até cerca de 10 anos de idade. Depois de algum tempo foi encontrado pela mãe, mas se recusou a viver com ela, indo morar com um tio que era dentista. Foi do tio que herdou a profissão de protético, mudando-se para o Rio de Janeiro em 1927.

Durante a década de 30 tornou-se um grande compositor, incentivado pelo amigo Heitor dos Prazeres. E mostrou que tinha talento compondo sambas históricos como Camisa Listrada e Brasil Pandeiro, este último composto para Carmem Miranda, que não gostou da musica deixando Assis Valente desolado. Acabou sendo gravado pelos Anjos do Inferno e tornou-se um enorme sucesso. Mas sua obra vai muito além. Assis deixou mais de 150 canções, registradas nas vozes de grandes cantores como Aracy de Almeida, Carmem Miranda, Carlos Galhardo, Francisco Alves, Moreira da Silva e muitos outros. Fico devendo a vocês uma coletânea com algumas brasas do Assis!

Alegria 
Assis Valente e Durval Maia
Intérprete: Orlando Silva, 1937


Assis sofria de uma grave depressão e tentou o suicídio três vezes. Da primeira vez surpreendeu a todos jogando-se do alto do Corcovado. Milagrosamente ficou preso a uma árvore e foi salvo eplo corpo de bombeiros. Mas a partir daí nunca mais foi o mesmo. Seu nome foi caindo no esquecimento, já não conseguia mais gravar seus sambas, as dividas iam crescendo...

Na manhã do dia 10 de março de 1958 saiu de casa, sentou-se em um banco da Praia do Russel, junto a um playground onde algumas crianças brincavam. Alí, a uma semana de completar 47 anos, finalmente consegui tirar a própria vida bebendo guaraná com formicida. Em uma carta encontrada em seu bolso, Assis Valente dizia que "morria por sua vontade" pois estava endividado e fazia um pedido para que o amigo Ary Barroso pagasse seu aluguel atrasado. Terminou a carta com a frase "vou parar de escrever pois estou chorando de saudades do todos e de tudo"...

Assistam a um curta metragem feito em homenagem ao centenário de Assis Valente e de Nélson Cavaquinho. 




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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O samba por Walter Firmo


Walter Firmo é um dos maiores nomes da fotografia brasileira. Iniciou suas atividades profissionais ainda nos anos 1950 e durante esses mais de 50 anos de carreira atuou em diversas áreas da fotografia, do fotojornalismo à fotografia publicitária. Recentemente tive a oportunidade de conhecer esse gênio da fotografia, figura sensacional com quem tive o prazer de dividir umas cachacinhas e bater um papo sobre outra paixão que temos em comum: o samba! Walter conheceu de perto uma penca de bambas que registrou em fotos clássicas como a de Pixinguinha na cadeira de balanço que abre essa postagem, ou a capa do disco "Marinheiro Só" de Clementina de Jesus.

Bom, não resisti e organizei uma pequena "exposição" com as fotos que Walter Firmo fez de alguns dos maiores nomes do samba carioca. Entre eles Cartola, Clementina de Jesus, Carlos Cachaça, Padeirinho e mais um monte de bambas!

Clique nas imagens para ampliar

  


  


  


  


  


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Acabaram com a Praça Onze

“...As Tias Baianas eram os grandes esteios da comunidade negra, responsáveis pela nova geração que nascia carioca, pelas frentes do trabalho comunal, pela religião, rainhas negras de um Rio de Janeiro chamado por Heitor dos Prazeres de “Pequena África”, que se estendia da zona do cais do porto até a Cidade Nova, tendo como capital a praça Onze...”
Trecho do livro “Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro” de Roberto Moura


No começo do século 19 a tão cantada Praça Onze era ainda conhecida como Rocio Pequeno, um lugar baldio e desabitado que os moradores costumavam usar como um grande depósito de lixo. Quando D, João VI transferiu sua residência para a Quinta da Boa Vista, na região de São Cristóvão que àquela época ficava bem além dos limites da cidade, o trajeto entre a localidade e o centro do Rio era feito apenas de barco e bastante demorado. D. João mandou então aterrar uma área pantanosa e construiu uma estrada que ligava as duas regiões e diminuia consideravelmente o trajeto. A estrada era inicialmente conhecida como “Caminho do Aterrado”. Logo recebeu iluminação extensiva e vigilância e passou a ser chamada de “Caminho das Lanternas”.

A população era incentivada a construir ao longo da estrada, ganhando isenção de impostos. Quanto maior a construção, que deveria manter os padrões de elegância da cidade, maior o desconto. Assim, grandes casas e sobrados foram sendo construídos, o numero de habitantes cresceu e rapidamente se instalou ali um pequeno distrito urbano, a “Cidade Nova”. E o largo do Rocio Pequeno tornou-se o centro comercial da Cidade Nova. Com a vitória da marinha brasileira na Batalha do Riachuelo em 11 de junho de 1865, o largo do Rocio é rebatizado e passa a se chamar Praça Onze de Junho.

Após a abolição da escravidão em 1988 a população de niveis sociais mais altos abandona a Cidade Nova, mudando-se para a Zona Sul. Como a região era próxima da zona portuária e do centro do Rio, tinha bons transportes coletivos e uma boa estrutura urbana, rapidamente os grandes casarões da Cidade Nova foram tomados por ex-escravos, boa parte deles vindos da Bahia e das fazendas do Vale do Paraíba. Essas comunidades se estabeleceram ao redor da Praça Onze, transformando aquela região no que se pode chamar de primeiro gueto negro no Rio de Janeiro, que mais tarde seria batizado por Heitor dos Prazeres como a “Pequena África”.

Samba na Praça Onze
Antônio Fontes Soares
Intérprete: Jamelão, 1958


Praça Onze, 
Tens um passado de glória
Canto em memória dos sambistas de outrora
Quando ouço o toque dos tamborins nas favelas
Lembro do grande sambista, nosso Paulo da Portela
Em memória vou cantando relembrando o bacharel
Que é o nosso saudoso Noel
Já estão glorificados, todos cobertos de glória
Os sambistas falecidos que no cenário do samba 
Tem seu nome na história


A Praça Onze foi um dos maiores e mais importantes redutos que o samba carioca já teve. Alí viveram as famosas “Tias Baianas”, que cediam suas casas para que o samba, mal visto pela sociedade e perseguido pelo polícia, pudesse ser cantado ao som de prato e faca por bambas como Pixinguinha, Donga, João da Baiana... O próprio João da Baiana fala sobre a época:

As nossas festas duravam dias, com comida e bebida, samba e batucada. A festa era feita em dias especiais, para comemorar algum acontecimento, mas também para reunir os moços e o  povo “de origem”. Tia Ciata, por exemplo fazia festa para os sobrinhos dela se divertirem. A festa era assim: baile na sala de visitas, samba de partido alto nos fundos da casa e batucada no terreiro. A festa era de preto, mas branco também ia lá se divertir. No samba só entravam os bons no sapateado, só a “elite”. Quem ia pro samba, já sabia que era da nata. Naquele tempo eu era carpina (carpinteiro). Chegava do serviço em casa e dizia: mãe, vou pra casa da Tia Ciata. A mãe já sabia que não precisava se preocupar, pois lá tinha de tudo e a gente ficava lá morando, dias e dias, se divertindo. Eu sempre fui responsável pelo ritmo, fui pandeirista. Participei de vários conjuntos, mas era apenas para me divertir. Naquele tempo, não se ganhava dinheiro com samba. Ele era muito mal visto. 

Foi na Praça Onze que o carnaval ganhou forças e se tornou uma festa dos Ranchos e mais tarde das Escolas de Samba. Durante dez anos a Praça Onze foi palco dos desfiles das escolas cariocas. Lá se encontravam os bambas do Estácio, da Favela, Mangueira, Salgueiro, Oswaldo Cruz...  

Nessa época ninguém podia imaginar as proporções que essa festa alcançaria. Era quando se desfilava no cordão, com não mais que trezentas pessoas (quando a escola era muito grande) todas cantando em coro o samba e os versadores da escola mostravam como se improvisava, só no gogó. 
Tempos de Paulo da Portela, Ismael Silva e outros grandes líderes que dava a vida por suas escolas e faziam samba por amor, bem diferente dos dias de hoje.

Em 1942 a Praça Onze foi demolida, dando lugar à Avenida Presidente Vargas. Foi-se o berço do samba, mas sua história ficou eternizada em dezenas de sambas compostos nos anos 40 e 50. Reuni alguns deles pra vocês ouvirem e relembrarem os tempos de ouro das escolas de samba e do carnaval carioca!



(Acompanha arquivo com as letras)

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Blog do Batalhão de Sambistas

Pessoal, recentemente criei um blog para o Batalhão de Sambistas a pedido do amigo Tuco. Sempre postaremos por lá algumas novidades, datas das apresentações, fotos, videos, curiosidades sobre o samba e claro, muita musica boa pra vocês aprenderem e engrossarem o coro nas rodas do Batalhão!


Aproveito a ocasião pra deixar por aqui também a letra de uma antigo samba enredo da Aprendizes de Lucas, comnposto por Élton Medeiros e Austeclinio Silva nos anos 50, chamado Caprichos da Natureza.

Caprichos da Natureza
(Élton Medeiros e Austeclínio Silva)


Morro és feliz todo mundo diz:
Tu não tens luxo nem riqueza
Mas foi a própria natureza quem quiz
Dado o sambista poeta é que fala mais alto, 
A melodia do samba, das cabrochas
Das cuicas entre outras mil que tambem entram 
Nas paginas heroicas do brasil

A tua gente é feliz a cantar
sorridentemente a melodia do samba
que faz o nosso corpo bambolear
morro tu és redutos de bambas
com estas frases quero te resumir
terminando a melodia que fiz
muito padeces porem ninguem diz
pois tu sorris morro tu és feliz



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dircinha Batista

Dircinha Batista canta o samba "Meio Mundo" (Dora Lopes, J. Piedade e J. Mascarenhas) em cena do filme "Entrei de Gaiato", 1959.


A felicidade
Anda rondando a minha porta
Se você voltar, meu grande amor
Pode contar que ela volta.

Meio mundo faz agora
Que eu não te vejo ao meu lado
Volta, Volta
Vem reviver o passado


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domingo, 11 de dezembro de 2011

Os quintais da velha guarda

Quando a Velha Guarda da Portela gravou seu primeiro disco e passou a fazer apresentações cada vez mais constantes logo veio a necessidade de ensaios e eles acabaram escolhendo os quintais de Oswaldo Cruz como os locais ideais para essas reuniões. Quatro quintais abrigaram a Velha Guarda ao longo desses 40 anos: os quintais do Manacéa, da Doca, do Argemiro e da Surica. Sobre os dois primeiros, João Batista Vargens escreve em seu livro sobre a Velha Guarda da Portela:

O quintal do Manacéa:

[...] Os primeiros ensaios realizavam-se ali. Eram encontros privados dos quais, além dos componentes do conjunto, participavam poucos amigos íntimos e vizinhos espiando sobre o muro. O samba começava depois de uma partida de sueca e não tinha hora para terminar. Após ter cumprido o que havia sido planejado para o ensaio a turma caía na gandaia e o partido alto tomava conta de tudo e de todos. Casquinha, Chico, Manacéa e Argemiro desafiavam-se no verso e Alberto exibia com elegância os passos do miudinho, suspendendo a bainha da calça branca, que deixava transparecer o sapato branco de bico fino [...]

No documentário "Partido Alto" de Leon Hirszman (assista na íntegra), vemos uma amostra de como era a festa no quintal do mestre Manacéa e de Dona Neném:



O quintal da Doca

Se o ponto de encontro da Velha Guarda no início dos anos 1970 era o quintal do Manacéa, na segunda metade da década passou a ser o quintal da Doca. Lá havia um espaçoso terreno onde nas tardes de domingo se reuniam os integrantes da Velha Guarda da Portela. O samba corria solto sobre o chão de terra, que era umedecido pra não levantar muita poeira. Em torno de algumas mesas os compositores apresentavam suas obras, acompanhados de couros, de cordas e das palmas dos presentes [...] Azul e branco eram, naturalmente, as cores da indumentária da maioria e o naipe de pandeiros, Argemiro e Alberto, sobressaíam em contraponto às cordas das dupla Osmar, no cavaquinho e Jorge, no violão. Muitos fãs apareciam. Queriam ver de perto seus ídolos. Roberto Ribeiro, Beth Carvalho e Jovelina Pérola Negra eram presenças constantes. O pagode tornava-se cada vez mais concorrido. Já não era possível o ensaio da Velha Guarda naquele local [...] Era preciso outro espaço.

Nesse vídeo gravado no quintal da Doca, Alvaiade canta com a Velha Guarda o samba "Vida de Fidalga" de sua autoria em parceria com Chico Santana, autor da segunda parte.



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sábado, 10 de dezembro de 2011

Três sambas de Monsueto Menezes...

Me deixe em paz
Monsueto e Airton Amorim
Intérprete: Linda Batista 1951


Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar

Evitar a dor
É impossível
Evitar esse amor
É muito mais

Você arruinou a minha vida
"Ora vai mulher"
Me deixa em paz



O couro do falecido
Jorge de Castro e Monsueto
Intérprete: Marlene 1955


Um minuto de silêncio
Para o cabrito que morreu
Se hoje a gente samba
É que o couro ele nos deu

Castigue o couro do falecido
Bate o bumbo com vontade
Que a moçada quer sambar
Castigue o couro do falecido
Morre um para bem de outros
A verdade é essa, não se pode negar



Mora na filosofia
Arnaldo Passos e Monsueto
Intérprete: Marlene, 1955


Eu vou te dar a decisão
Botei na balança
E você não pesou
Botei na peneira
E você não passou
Mora na filosofia
Pra que rimar amor e dor

Se seu corpo ficasse marcado
Por lábios ou mãos carinhosas
Eu saberia, ora vai mulher,
A quantos você pertencia
Não vou me preocupar em ver
Seu caso não é de ver pra crer
Tá na cara





sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Monarco e Neide Santana em BH


No dia 19 de novembro tive o privilégio de assistir a uma apresentação do mestre Monarco e Neide Santana em homenagem ao grande Chico Santana, compositor portelense do mais alto calibre e que completaria esse ano seu centenário. Monarco deu um show de simpatia, contando histórias da velha Portela, de seus companheiros, botando a platéia pra cantar e mostrando sua indignação com a atual situação de sua Escola. 


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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Partideiros - Documentário

Também do Diretor Carlos Tourinho, o documentário "Partideiros" foi produzido em 1978 e reúne grandes partideiros como Padeirinho, Geraldo Babão, Aniceto, Campolino, Clementina de Jesus, Xangô da Mangueira e outros bambas de peso. O roteiro é de Clóvis Scarpino, Nei Lopes e Rubem Confeti. Direção de Carlos Tourinho.




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Escola de Samba S/A - Documentário

Documentário muito legal contando a "evolução" das escolas de samba cariocas. Dirigido por Carlos Tourinho, com depoimentos de Sérgio Cabral e Candeia, o curta mostra cenas interessantes, como uma reunião da ala de compositores do Salgueiro e o primeiro desfile do G.R.A.N.E.S. Quilombo, narrando a trajetória das escolas desde seu surgimento a partir de pequenos blocos e ranchos carnavalescos até o que veio a se tornar esse evento milionário que pouco ou nada tem a ver com o samba. Sem deixar de mencionar a luta dos verdadeiros compositores e sambistas em busca da preservação da identidade cultural do samba carioca.

O filme termina com um samba sensacional do sambista Marimbondo, que transcrevo abaixo:


Era um terreno baldio / Que eu mesmo capinei / Com um surdo mal feito de lata / Uma escola de samba fundei / Usei corda na avenida / No desfile principal / Esquentava a bateria / Com pedaço de jornal / A minha escola cresceu / E o terreiro hoje tem cobertura / Quem ficou pequenino fui eu / Diante da nova estrutura / Eu quem fundou a escola / Entre trancos e barrancos / Na galeria de sócios / No lugar do meu nome tem um branco / E vou contar a minha mágoa, minha minha dor / Fui barrado na porta da escola que sou fundador


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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Native Brazilian Music: Disco e Documentário

Villa Lobos e Stokowski

No verão de 1940 chegava ao Rio de Janeiro o maestro Leopold Stokowski que contando com a ajuda do amigo e também maestro Heitor Villa Lobos, tinha a missão de reunir a nata dos compositores cariocas para a gravação de um disco que deveria reunir amostras da "mais legitima musica popular brasileira" e que levaria o samba de Cartola, Zé da Zilda, Donga e outros compositores para além das terras brasileiras. Era inclusive, a primeira vez que a voz de Cartola aparecia em disco.

O disco foi gravado a bordo do navio Uruguai. Leia uma reportagem publicada no Jornal "A Noite" de 8 de agosto de 1940 e extraido do livro "Todo o tempo que eu viver" de Roberto Moura:

[...] O salão de música do Uruguai em toda sua existência talvez não tenha abrigado tantas celebridades como o fez ontem à noite. [...] Às 22 horas, começou a concentração dos conjuntos, escolas de samba, orquestra, gente que ia cantar e gente que ia ouvir. Nesse último grupo, o próprio comandante do navio, que logo tomou lugar em uma cômoda poltrona, de onde acompanhou todo o desfile. Pixinguinha, Jararaca, Ratinho, Luís Americano, Augusto Calheiros, Donga, Zé Espinguela, Mauro César, João da Baiana, Janir Martins, Uma ala do Saudade do Cordão [sic], que tanto sucesso alcançou no último carnaval, a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, o compositor David Nasser, toda essa gente fala, comenta, discute, até que tem início a trabalho das gravações. 

À medida que os ponteiros dos relógios correm, os passageiros do Uruguai voltam dos seus passeios pela cidade e vão tomando lugar no vasto salão. E os grupos se sucedem diante do microfone na tarefa das gravações. Já passava muito da meia-noite quando chegaram os maestros Stokowski e Villa-Lobos. Os fotógrafos se movimentam, na ânsia de colher os melhores flagrantes, mas o famoso régisseur de Filadélfia foge discretamente das objetivas. Por fim, desaparece de vez do salão. Mas em seu lugar fica Pixinguinha, que absorve a atenção geral com seu famoso “Urubu Malandro”.

E, assim, de número em número, passa a noite e já é a madrugada que surge. O salão de música do Uruguai ainda cheio. Agora, a maior parte da platéia é constituída dos elementos da All American Youth Orchestra, que, curiosos, procuram conhecer os instrumentos típicos. Pela manhã, o homem do controle podia contar mais de uma centena de gravações. Aquilo é o trabalho de uma noite e é, também, a música brasileira na sua expressão mais típica, que vai para os outros países do Continente servir à política pan-americana de aproximação dos povos deste hemisfério."

Na sexta-feira, 9 de agosto, com pelo menos quarenta músicas gravadas (alguns dizem uma centena), Stokowski deu adeus ao Rio de Janeiro e partiu para São Paulo. 

CLIQUE PARA BAIXAR O DISCO
A Columbia Records lançou as gravações de Stokowski feitas no Uruguay no inicio de 1942 sob o título Native Brazilian Music. Das quarenta músicas gravadas, apenas dezessete aparecem em dois álbuns, cada um contendo quatro discos 78-RPM. As notas na contracapa anunciavam:

Aqui neste álbum da Columbia Records você tem a música autêntica do Brasil... tocada primorosamente por músicos nativos... selecionada e gravada sob a supervisão pessoal de Leopold Stokowski.

Estas gravações significantes foram feitas durante a turnê do Maestro Stokowski pela América do Sul com a All-American Orchestra. Nas várias paradas da turnê, Dr. Stokowski ouviu a música nativa popular e folclórica do modo como é interpretada pelos músicos de nossos estados Bons Vizinhos. Para a gravação ele escolheu o que achava ser melhor e o mais típico.

A Columbia nunca lançou Native Brazilian Music no Brasil, e por quarenta e sete anos as únicas cópias conhecias poderiam ser contadas nos dedos de uma mão. A maioria dos músicos morreu sem nunca ter ouvido as gravações. Poucos foram pagos por elas. Cartola recebeu uns míseros 1.500 réis, o suficiente para comprar três maços de cigarro baratos, um ano e meio depois das gravações. Em uma entrevista dada a Sérgio Cabral em 1974, Cartola disse que finalmente ouviu “Quem Me Vê Sorrir”—sua primeira gravação cantando—na casa de Lúcio Rangel uns bons vinte anos depois das sessões no Uruguay. 

Nem o governo do Brasil nem qualquer outra entidade brasileira fez algum esforço para recuperar estes gravações. Em 1987, durante o centenário de Villa-Lobos, o Museu Villa-Lobos (MVL) no Rio de Janeiro lançou os 16 áudios de Native Brazilian Music em um LP. A música foi transferida não a partir das matrizes originais, cujo paradeiro (se sobreviveram) continuou desconhecido, mas a partir de discos 78 rpm doados pelo colecionador Flávio Silva.


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Segue uma lista das musicas gravadas com algumas notas sobre cada um:


Macumba de Oxóssi (Donga/José Espinguela)
Intérprete: Zé Espinguela e Grupo do Pai Alufá
Uma macumba em louvor de Oxóssi, orixá da floresta e da caça, sincretizado como São Sebastião no Rio de Janeiro, e como São Jorge na Bahia. Pequenas frases de chamada e resposta em Yoruba, cantadas por solista masculino e coro feminino acompanhados por uma batucada potente.

Macumba de Iansã (Donga/José Espinguela)
Intérprete:Zé Espinguela e Grupo do Pai Alufá
Uma macumba em louvor de Iansã, orixá feminino da espada de fogo, sincretizada como Santa Bárbara. Solista masculino e coro feminino acompanhados de batucada (chamada “Camandauê”.

Ranchinho Desfeito (Donga/De Castro e Souza/David Nasser)
Intérprete:Mauro César
Um Samba-canção simples, cantado no estilo vocal de Orlando Silva e acompanhado pelo conjunto regional de Donga e a excelente flauta de Pixinguinha.

Caboclo do Mato (Getúlio Marinho da Silva “Amor”)
Intérprete: João da Bahiana, Janir Martins e Jararaca
Corima contendo frases curtas de chamadas (João) e respostas (Janir e Jararaca), improvisos de flauta por Pixinguinha, e o famoso pandeiro de João.

Seu Mané Luiz (Donga)
Intérprete: José Gonçalves (aka Zé da Zilda) e Janir Martins
Samba humorístico em um dueto de casal, acompanhado pelo regional de Donga com solo de flauta de Pixinguinha e percussão.

Bambo do Bambu (Donga)
Intérprete: Jararaca e Ratinho
Embolada tipicamente rápida, trava-língua, acompanhada por um regional com o violão de Laurindo de Almeida.

Sapo no Saco (Jararaca)
Intérprete: Jararaca e Ratinho
Uma clássica embolada veloz, cantada em dueto e acompanhada por um regional, esta foi uma das poucas músicas contidas nos álbuns da Columbia que foram gravadas anteriormente.

Que Quere Que Quê (João da Bahiana/Donga/ Pixinguinha)
Intérprete: João da Bahiana e Janir Martins
Macumba carnavalesca contendo chamadas masculinas e respostas femininas, com o pandeiro de João e os improvisos de Pixinguinha na flauta. Previamente gravada em 1932 como “Que Querê” com autoria atribuída aos três músicos, esta música provavelmente foi composta apenas por João.

Zé Barbino (Pixinguinha/Jararaca)
Intérprete: Pixinguinha e Jararaca
Um maracatu com metais e percussão intercalados por duos vocais masculinos. Uma gravação rara de Pixinguinha cantando. 

Tocando pra Você (Luiz Americano)
Intérprete: Luiz Americano
Um choro de três partes [estrutura a-b-a-c-a] com solo de clarineta acompanhado por um regional com João da Bahiana tocando pandeiro.

Passarinho Bateu Asas (Donga)
Intérprete: José Gonçalves (aka Zé da Zilda)
Samba com solo masculino e refrão cantado por um casal, acompanhados pela flauta de Pixinguinha e o regional de Donga. Esta famosa composição havia sido gravada por Francisco Alves em 1928.

Pelo Telefone (Donga/Mauro de Almeida)
Intérprete: José Gonçalves (aka Zé da Zilda)
O famoso samba, com solo masculino e coro feminino, a flauta brilhante de Pixinguinha, e o regional de Donga.

Quem Me Vê Sorrir (Cartola/Carlos Cachaça)
Intérprete: Cartola e coro da Mangueira
Outro clássico do samba cantado por Cartola com as vozes agudas das pastoras da Mangueira, com grunhidos expressivos de cuíca, Aluísio Dias no violão, e a potente batucada dos percussionistas da Mangueira. Primeira gravação com a voz de Cartola.

Teiru/Nozani-Ná (Traditional/Heitor Villa-Lobos)
Intérprete: Quarteto do Coral Orfeão Villa-Lobos
Dois cantos ameríndios, entoadas devagar e deliberadamente por quatro professores do Orfeão Villa-Lobos. “Teiru” é um canto fúnebre para a morte de um cacique, recolhido por Roquete Pinto em 1912. Em 1926, Villa-Lobos tornou-o o segundo de seus Três Poemas Indígenas. “Nozani-Ná” está incluída nas Canções Típicas Brasileiras (1919) de Villa-Lobos.

Cantiga de Festa (Donga/José Espinguela)
Intérprete: Zé Espinguela e Grupo do Pai Alufá
Corima contendo solo masculino e coro feminino, batucada e palmas.

Canidé Ioune (Traditional/Heitor Villa-Lobos)
Intérprete: Quarteto do Coral Orfeão Villa-Lobos
Este canto ameríndio, recolhido pelo viajante Jean de Léry em 1553, é o primeiro dos Três Poemas Indígenas, de Villa-Lobos, publicado em 1926. É cantado por quatro professores do Orfeão Villa-Lobos.


Assista "De Batutas e Batucadas"

O documentário registra o trabalho do compositor Heitor Villa-Lobos, buscando uma aproximação da música erudita com as manifestações culturais brasileiras. O programa relembra a passagem do maestro Leopold Stokowski e sua orquestra pelo Brasil.

Parte 1



Parte 2  -  Parte 3  -  Parte 4 


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Essa dupla não é moleza não...

Samba de primeira composto pelo professor Paulo da Portela e gravado por Clementina de Jesus em seu primeiro disco solo, de 1968. Na segunda parte Clementina "improvisa" recorrendo a alguns versos tradicionais

Coleção de Passarinhos
Paulo da Portela


Quiseram me comprar
Eu não vendi
Uma linda coleção de passarinhos
Bernardo é Gaturama
Aurélio é Rouxinol
Lino é o Canário
Mano Rubens Curió

Quatro malandros chamados Bamba-querer
Eles não comem e não bebem
E não deixam ninguém comer
Amanhã que vou me embora
Que me dão para levar
Levo penas e saudades
No caminho vou chorar


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domingo, 4 de dezembro de 2011

Geraldo Fime e o Samba Paulista...

Documentário bem interessante sobre a história de Geraldo Filme, que a caba se misturando com a própria história do sampa paulista. Depoimentos de Toniquinho Batuqueiro, Osvaldinho da Cuíca, Plínio Marcos e outros bambas, além do próprio Geraldo Filme.

O documentário foi dividido em 8 partes no youtube, mas tá bem bagunçado... de uma parte pra outra sempre repete um trecho da anterior. Postarei a segunda parte (a primeira é só enrolação) e os links para as restantes pra vocês irem catando os pedaços...


Parte 3  -  Parte 4  -  Parte 5  -  Parte 6  -  Parte 7  -  Parte 8  -  Parte 9


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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Aniceto, Mijinha e Manacéa: O samba em família

Aniceto
Durante os anos de glória da Portela, um trio da pesada fez história por lá. Os irmãos Aniceto, Mijinha e Manacéa são hoje lembrados por suas melodias e seus belos versos que ficaram gravados na memória do samba, enchendo de glória a história de Oswaldo Cruz.

Aniceto José de Andrade era o mais velho. Nasceu em Pedra de Guaratiba, RJ em agosto de 1912. Foi casado com Dona Zizi, com quem teve três filhos e trabalhou como fundidor até se aposentar. Quando se casou afastou-se da Portela por alguns anos, voltando a frequentar a escola a partir da formação da Velha Guarda da Portela em 1970. Nesse ano gravou com a Velha Guarda o antológico Portela Passado de Glória, disco de estréia do grupo produzido por Paulinho da Viola. Na ocasião interpretou seu samba "Desengano". 

Também participou da gravação do programa Ensaio da TV cultura gravado com a Velha Guarda da Portela em 1975. "Quem me ouvir cantar", "Madrugada" e "Eu perdi você" são outros sambas de sucesso de Aniceto. Aniceto da Portela faleceu em julho de 1982.

Mijinha
O irmão do meio era Bonifácio José de Andrade, que não gostava do nome de batismo e passou a se apresentar com o nome de José Augusto de Andrade, nome usado para se registrar na União Brasileira de Compositores. Mas era conhecido mesmo como Mijinha. Era grande amigo de Alberto Lonato com quem andava pelos bons redutos de samba do Rio de Janeiro. Dizem que era um grande boêmio e chegou a vender alguns sambas pra sustentar a farra... É autor de "Chega de padecer", samba interpretado por Armando Santos no disco de estréia da Velha Guarda e "Sentimento", talvez seu samba mais conhecido, gravado por Paulinho da Viola.

O caçula Manacé José de Andrade, o Manacéa, era talvez o mais conhecido dos três irmãos. Nasceu em 1921 e com cinco anos de idade chegou a Oswaldo Cruz, onde viveu até falecer em 1995. Compôs grandes sambas enredo para a portela nos anos 40 e 50, como "Brasil de Ontem", samba de 1952, seu ultimo ano como compositor de sambas enredo, quando passou o bastão a Candeia e Altair Prego. Mas não se afastou-se da escola, sempre frequentando as reuniões de amigos, compondo sambas de terreiro... Em 1970, com a criação da Velha Guarda passou a exercer, de maneira informal, uma função de lider do grupo. Era o grande conselheiro dos amigos, fiscalizava as bebedeiras antes das apresentações, chegando até a suspender alguns integrantes que abusassem da bebida. Era uma espécie de 'Ministro da Justiça' do grupo. Foi pela voz de Cristina Buarque que Manacéa nos foi apresentado. 

Manacéa
Em 1957 teve sua primeira musica gravada. O samba "Minha querida" foi lançado no LP 'A vitoriosa Escola de Samba Portela'. Foi pela voz de Cristina Buarque que Manacéa se tornou mais conhecido. Em 1974 ela gravou o samba "Quantas lágrimas" que logo se tornou um grande sucesso. Dois anos depois Cristina gravou mais dois sambas de Manacéa: "Carro de Boi" e "Sempre teu amor". Em 1994, Cristina grava no disco "Resgate" uma sequência com os sambas "Amor Proibido" (Manacéa), "Eu perdi você" (Aniceto da Portela) e "Adeus eu vou partir" (Mijinha e Chico Santana), um samba de cada irmão. 

Manacéa participou de todos os discos da Velha Guarda: "Portela, passado de glória" (1970), "Doce Recordação" (1986), "Homenagem a Paulo da Portela" (1988) e "Tudo Azul" (2000). Também participou do Programa Ensaio produzido pela TV Cultura em 1974 e do disco "História das Escolas de Samba - Portela" produzido pela Marcus Pereira em 1974.

Abaixo, segue o link para uma coletânea com aproximadamente 40 sambas desse trio portelense que fez história! É só clicar e baixar!

Acompanha encarte com as letras




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