quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Top Blog 2011 - Receita de Samba é Top 3

É com grande alegria que informo a vocês, meus queridos leitores, que em sua primeira participação no prêmio Top Blog - a maior eleição de blogs do país - o Receita de Samba passou pelo crivo do juri popular, sendo um dos 100 mais votados na categoria musica (graças a vocês) e agora conquistamos os jurados do prêmio. Pelo juri acadêmico o Receita foi classificado entre os três melhores blogs de musica do Brasil.

O samba já subiu no pódio, agora é torcer pra chegar em primeiro. O resultado final será divulgado no dia 17 de dezembro. Torçam bastante! Como diz o mestre Candeia: "ao som da viola e pandeiro, sou mais o samba brasileiro".

Obrigado a todos que votaram, fizeram campanha ou mesmo um pensamento positivo! Fico muito feliz em saber que nesses dois anos e meio de blog tanta gente tenha dedicado um pouquinho do seu tempo para ler as coisas que escrevo, ouvir os sambas que posto. Tenho arquivos do 4Shared com quase 5.000 downloads!!! É sempre um prazer compartilhar a obra dos grandes mestres, ouvir um samba e ficar com vontade de mostrar pra todo mundo, contar uma história sobre algum bamba e aprender... Aprender a cada dia com vocês, com os e-mails que recebo com elogios, sugestões, duvidas que me fazem passar dias vasculhando livros, encartes de discos, sites... Só me resta torcer para que essa minha pequena contribuição continue inspirando essa juventude a se embrenhar pelo vasto mundo desconhecido do samba!

É isso aí rapaziada, tudo pelo samba! Um grande abraço e mais uma vez, obrigado! E não se esqueçam, o blog é de vocês! Quer dar alguma sugestão, comentar, bater papo ou até mesmo mandar um texto bacana? Me escrevam no viniciusterror80@gmail.com

Vinicius Terror 


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Mestre Aniceto: Eu sou raiz...



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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Toniquinho Batuqueiro

Na última quarta feira, dia 23/11 perdemos um grande sambista. Antônio Messias de Campos, mais conhecido como Toniquinho Batuqueiro partiu aos 82 anos e deixou um grande legado, de extrema importância para a identidade do verdadeiro samba paulista. 

Nascido em Piracicaba, mudou-se para São Paulo e trabalhando como engraxate foi descoberto pelo compositor B. Lobo, que logo reconheceu o talento do jovem sambista. Nos anos 70 participou, ao lado de Geraldo Filme e Zeca da Casa Verde, do espetáculo "Nas quebradas do mundaréu" dirigido por Plínio Marcos e que acabou virando LP em 1974. Esse é um dos mais importantes registros ligados ao samba rural paulista. Só em 2009 lançou seu primeiro disco solo, o belissimo "Memórias do Samba Paulista".

Vá em paz mestre!



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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Em barracão de zinco o céu é forro...

Céu é Forro 
(Noel Rosa de Oliveira e Ivan Salvador)


Subi o morro 
Só para ver como é que é
Se homem é mais valente
Se a cabrocha é mais mulher
E constatei 
Que o amor faz sua morada
No meio daquela gente
Se é noite de batucada

Tristeza não tem fim no morro
Em barracão de zinco o céu é forro
Felicidade existe sim
Quando há violão e tamborim


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sábado, 26 de novembro de 2011

Mário Lago 100 anos - Coletânea 78 rpm



Nascido em 26 de novembro de 1911 o ator, compositor, ator e radialista Mário Lago completaria hoje seu centenário. Filho único de Antônio Lago, um jovem compositor, maestro e violinista de sucesso e de Francisca Maria Vicência Croccia Lago, jovem descendente de calabreses, oriunda também de família de músicos, Mário Lago foi criado no bairro da Lapa, no Rio. Formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. Chegou a trabalhar como jornalista e estatístico, mas por pouco tempo. Desde criança, a arte exerceu absoluto fascínio sobre ele; uma atração igualada apenas pela política, pela boemia e pela família. A todas elas se dedicou com igual empenho e paixão.

Começou na musica compondo marchinhas de carnaval, mas ganhou o gosto do público com a canção "Nada além", gravada em 1938 por Orlando Silva. A partir daí, começou uma história de parcerias com grandes nomes do samba como Ataulfo Alves, Roberto Martins, Roberto Roberti, entre outros... Ainda em 1938 seu samba "Covardia", com Ataulfo Alves, foi gravado por Nuno Roland na Odeon. Também na Odeon, Almirante gravou o samba "Você pensa", com Roberto Martins, e na Victor, Sílvio Caldas lançou o samba "Na mão direita", parceria de Mário Lago com com Nássara.

Covardia
(Mário Lago e Ataulfo Alves)


Em 1939, Francisco Alves gravou o samba "Que tem você", com Roberto Martins e Almirante o samba "Não quero chorar", com Roberto Martins, na Odeon. Também em 1939 fez sucesso com o fox "Dá-me tuas mãos", com Roberto Martins, gravado por Orlando Silva.

Em 1940 compôs com Roberto Roberti a marcha carnavalesca "Aurora", sucesso absoluto no carnaval de 1941. Gravada originalmente por Joel e Gaúcho, Carmem Miranda a inseriu em seu repertório divulgando-a com tamanho sucesso nos Estrados Unidos onde chegou a ter 17 gravações e até letra em inglês.

Em 1942, lançou um de seus maiores sucessos, o samba "Ai que saudades da Amélia", composta em parceria com Ataulfo Alves. Para divulgá-lo, recorreu a uma dupla famosa de disc-jóqueis da época - Júlio Lousada e Xavier - que em 24 horas tornaram a música um sucesso em toda a cidade do Rio de Janeiro. Gravado pelo próprio Ataulfo Alves e suas pastoras na Odeon, esse samba acabou criando uma neologismo da língua portuguesa: amélia, que figura como verbete do dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, significando mulher paciente, submissa, escravizada. A personagem que inspirou o samba existiu e foi lavadeira da família de Aracy de Almeida. A idéia do samba surgiu em uma brincadeira do irmão de Aracy, o Almeidinha, que costumava dizer: "Qual nada. Amélia é que era mulher de verdade...". O samba foi aclamado vencedor do carnaval de 1942, no campo do Fluminense, juntamente com outro samba, "Praça Onze", de Herivelto Martins e Grande Otelo.

Outro grande sucesso da dupla Mário Lago e Ataulfo Alves foi o samba "Atire a primeira pedra", lançado por Orlando Silva para o carnaval de 1944. Este samba foi, segundo o autor, o responsável pelo único pileque da vida de Ataulfo Alves. Ao chegar no Café Nice depois de constatar o sucesso do samba, encontrou o parceiro 'meio alto', que foi logo lhe dizendo: "Parceiro, estamos outra vez na boca do povo...".

Seus sambas foram gravados pelas maiores vozes do Rádio durante os anos 30, 40 e 50. Segue abaixo uma coletânea com 38 sambas de Mário Lago e seus parceiros. Vale a pena conferir e constatar que este foi um dos grandes sambistas de sua época, embora pouco lembrado como tal...



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Zilda Do Zé e Grupo Chapéu de Palha cantam Zé da Zilda

A dica foi do pessoal do Terreiro de Mauá lá no facebook: 

Zilda Gonçalves, a "Zilda do Zé", canta algumas brasas do seu marido Zé da Zilda, acompanhada do grupo Chapéu de Palha, comr Zé da Velha no trombone, Josias na flauta, Rubens no piston, Valdir 7 cordas, Pedrinho no violão, Toco Preto no cavaquinho, Parada no surdo e Jayme no pandeiro. 

Império do Samba  (Zé e Zilda) 
Foi uma jura (Zé da Zilda e Adelino Moreira) 
Vai que depois eu vou (Zé da Zilda, Adolfo Macedo e Airton Borges) 
Saca rolha (Zé e Zilda e Valdir Machado)




Aos pés da Santa Cruz (Zé da Zilda e Marinho Pinto)




Se eu pudesse (Zé da Zilda e Germano Augusto)





Só pra chatear (Príncipe Pretinho)




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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Dorival Caymmi em 78 rpm


Preparei uma coletânea com a obra do mestre Dorival Caymmi em 78 rpm, bem como as respectivas letras em um encarte. E pra falar um pouco desse gênio da nossa musica, peguei emprestado um texto do site oficial do compositor:

“Os negros e os mulatos que têm suas vidas amarradas ao mar têm sido a minha mais permanente inspiração. Não sei de drama mais poderoso do que o das mulheres que esperam a volta, sempre incerta, dos maridos que partem todas as manhãs para o mar no bojo dos leves saveiros ou das milagrosas jangadas. (...) Tratei desses motivos porque nada mais sou que um homem do cais da Bahia, devoto eu também de Yemanjá, certo eu também que estamos todos nós nas suas mãos, rogando-lhe que não envie os ventos da tempestade, que seja de bonança o mar da minha vida”.

- Dorival Caymmi, na introdução de Cancioneiro da Bahia - 

Iemanjá não negou a seu filho mais devotado um mar de bonança em sua vida. Deu-lhe a sorte de nascer no seio de uma família que estimulou o florescimento de seus múltiplos dons artísticos, não demorou a alcançar o merecido sucesso por seu talento, colecionou fiéis amigos e admiradores, foi correspondido no amor pela cantora Stella Maris, sua estrela-do-mar, com quem construiu uma verdadeira dinastia de músicos talentosos.

O fiscal da alfândega Durval Caymmi e a dona-de-casa Aurelina Cândida Soares Caymmi sempre tiveram a música muito presente em suas vidas: enquanto ele tocava piano, bandolim, violão e promovia saraus, ela cantava. Ainda criança, Dorival já pegava escondido o violão do pai para experimentar as cordas e tentar reproduzir os sons que ouvia nas festas e na vitrola. Durval não demorou a descobrir a travessura, e tentou corrigir o que o filho fazia de “errado” com o instrumento. Mas o menino resolveu insistir em alguns desses “erros”, como a inversão de acordes, que acabariam marcando seu estilo.

O companheiro de toda a vida, José Rodrigues de Oliveira, o Zezinho, embarcou na paixão do amigo. Foi com ele que Dorival descobriu os pescadores, quando veraneavam em Itapuã, e foi com ele também que entrou por curiosidade na Rádio Clube da Bahia, onde arriscou uma canção no ar pela primeira vez. “Sua voz é igual à do Francisco Alves”, estimulou Zezinho. Animados, os amigos resolveram formar um conjunto musical, o Três e Meio. Dorival, responsável pelo violão chamou o irmão Deraldo para tocar tambor, e Zezinho, que assumiu o cavaquinho, trouxe o irmão menor Luiz – o “meio” do grupo – para fazer o ritmo com o pandeiro. O conjunto cantava sucessos dos cantores que ouviam no rádio, como Noel Rosa e Carmem Miranda.

Caymmi chegou a compor algumas canções nesta época, ganhou alguns cachês para apresentar-se com o conjunto, mas não via a música como atividade profissional. Serviu o exército, prestou um concurso, mas não vendo muito futuro no mercado de trabalho baiano, o rapaz resolveu tentar a sorte no Rio de Janeiro. Sua intenção era cursar Direito, e pretendia arrumar algum emprego na imprensa para bancar os estudos. Na bagagem que partiu com ele a bordo do navio Itapé no dia 1º de abril de 1938, foi seu violão, bem disfarçado no embrulho.

Tem Dó
Dorival Caymmi,  Alberto Ribeiro, Antônio Almeida e Bragunha
Intérprete: Anjos do Inferno
Data: 1942 



Mas, tão logo tirado da mala, o instrumento provou que não seria coadjuvante nessa história. Já no seu primeiro ano no Rio de Janeiro, Dorival Caymmi começou a integrar a elite artística da então capital. Logo fez amizade com outro baiano, o escritor Jorge Amado, com quem chegou inclusive a compor algumas canções, como É doce morrer no mar. Caymmi apresentou suas composições nas rádios Tupi, Nacional e Transmissora, conheceu Assis Chateaubriand e foi apresentado a Carmem Miranda – que daria projeção internacional a suas canções, como O que é que a baiana tem?.

Foi no rádio também que Caymmi conheceu Adelaide Tostes, num programa de calouros. A bela moça loura e alta o cativou com sua interpretação do Último desejo, de Noel Rosa. Adelaide, que gostava de ser chamada de Stella, logo ganhou a alcunha de Stella Maris (do latim, estrela-do-mar) do radialista César Ladeira. E não demoraria para se tornar Stella Caymmi.

Em 1941 nascia a primeira filha do casal, batizada de Dinahir, em homenagem à irmã caçula do compositor, mas que ficaria conhecida como Nana. O sucesso estava só começando. Caymmi circulou à vontade por todo o cenário artístico e intelectual brasileiro. Além da música, chegou a aventurar-se pelas artes plásticas. “Dorival é um grande pintor, não é negócio de brincadeira, não”, elogia o amigo Carybé. Criou raízes no Rio de Janeiro, onde cresceram seus três filhos – além de Nana, Dorival e Stella tiveram Dori, em 1943, e Danilo, em 1948 – ambos músicos de talento também.

Certa vez o compositor declarou a um jornalista: “Sou o mesmo de quando me casei. Meus filhos são maiores de idade e já seguiram seus caminhos, mas eu continuo no mesmo ambiente de violão e livros”. Com seu jeito manso, Caymmi revolucionou a canção brasileira e influenciou as gerações seguintes de músicos, como João Gilberto, Caetano Veloso, Tom Zé e muitos outros, abrindo a porta para movimentos como a Bossa Nova e a Tropicália. Mas, a despeito de toda essa reverência, o baiano não deixou que o sucesso atrapalhasse sua vida familiar, seus hábitos do dia-a-dia, seu papo com os amigos.

Dorival Caymmi morreu em 2008, em decorrência de um câncer renal que já tratava havia nove anos. Sua Copacabana ostenta hoje uma estátua de bronze inspirada em uma famosa foto de Evandro Teixeira, com o compositor saindo da praia carregando seu violão, enquanto acena para algum conhecido. Da mesma forma que suas canções soam quase como repertório popular, tamanha a familiaridade dos brasileiros com seus ritmos e letras, sua própria imagem, cantando suas poesias do mar, também transita confortável pelo imaginário de sua gente.



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Abre a roda moçada que o samba é pesado!

Batuqueiro (Candeia)
Intérprete: Paulinho da Viola


Abre a roda moçada que o samba é pesado
Sim meu senhor
Batuqueiro que é bamba não é derrubado
Sim meu senhor
Se cair se levanta de bico calado
Sim meu senhor
Batuqueiro de roda não fica sentado

Quem sai com chuva vai se molhar
Quem vai pro samba vai pra sambar
A batucada já começou
O samba é duro, mas sambar eu vou

Abre a roda moçada que eu vim da favela
Sim meu senhor
Sai da porta menino e não abre a janela
Sim meu senhor
Esse samba é pra homem, não é pra donzela
Sim meu senhor
O Marçal está pensando, esperando por ela

Abre a roda moçada que eu vim da favela
Sim meu senhor
Levo para a comadre uma rosa amarela
Sim meu senhor
Venho lá de Mangueira, ainda vou na Portela
Sim meu senhor
E o nêgo comendo farofa amarela
Sim meu senhor
Quero ver a comida que tem na panela
Sim meu senhor


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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Receita de Samba entre os top 100 - Conto com seu voto

Pessoal, como muitos já sabem, o Receita de Samba foi classificado entre os 100 melhores blogs de musica. O voto de vocês foi essencial. Quero deixar aqui meus sinceros agradecimentos... É muito bom saber que o que faço vem contribuindo para que as pessoas conheçam um pouco mais sobre o nosso samba e seus compositores, muitas vezes esquecidos pela grande mídia. Saber que vocês acompanham o blog só me dá mais vontade de vir aqui e colocar um monte de brasas pra vocês ouvirem!

Agora, nessa segunda fase os votos foram zerados. Quero pedir novamente a colaboração de vocês para que o Receita de Samba chegue entre os três mais votados. Imaginem que honra termos um blog sobre samba entre os melhores do Brasil. Quem ainda não votou, é só clicar no link abaixo e registrar seu voto. É rápido e fácil! Depois não esqueçam de acessar o e-mail pra confirmar o voto!


Conto com vocês! Ajudem a divulgar entre seus amigos, peçam pra votarem!

Abraços e mais uma vez muito obrigado!


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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

domingo, 13 de novembro de 2011

Ministério da Economia (Geraldo Pereira)

Esse samba foi composto por Geraldo Pereira e Arnaldo Passos e lançado em 1951. Portanto, a referência seria o presidente Getúlio Vargas, que acabava de voltar ao poder, dessa vez eleito pelo voto dos brasileiros.

É seu Geraldo, parece que os tempos mudaram... Acho que a nêga teria que meter os peitos na cozinha de madame de novo... Ruim para os gatos, que já não estão dando tanta gargalhada assim...



Ministério da Economia
Geraldo Pereira e Arnaldo Passos 
Intérprete: Geraldo Pereira 
Data: 1951 


Seu Presidente, 
Sua Excelência mostrou que é de fato 
Agora tudo vai ficar barato 
Agora o pobre já pode comer 

Seu Presidente, 
Pois era isso que o povo queria 
O Ministério da Economia 
Parece que vai resolver 

Seu Presidente 
Graças a Deus não vou comer mais gato 
Carne de vaca no açougue é mato 
Com meu amor eu já posso viver 

Eu vou buscar 
A minha nega pra morar comigo 
Porque já vi que não há mais perigo 
Ela de fome já não vai morrer 

A vida estava tão difícil que eu mandei 
A minha nega bacana meter os peitos 
Na cozinha da madame em Copacabana 
Agora vou buscar a nega 
Porque gosto dela pra cachorro 
Os gatos é que vão dar gargalhada 
De alegria lá no morro


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O cachorro vira-lata (Alberto Ribeiro)

O cachorro vira lata
Autor: Alberto Ribeiro
Intérprete: Carmem Miranda e Regional Benedito Lacerda
Data: 1937


Eu gosto muito 
De cachorro vagabundo
Que anda sozinho no mundo
Sem coleira e sem patrão
Gosto de cachorro de sarjeta
Que quando escuta corneta 
Sai atrás do batalhão

E por falar em cachorro
Sei que existe lá no morro um exemplar
Que muito embora não sambe
Os pés dos malandros lambe 
Quando eles vão sambar
E quando o samba já está findo
O vira lata está latindo a soluçar
Saudoso da batucada fica até de madrugada
Cheirando o pó do lugar

E até mesmo entre os caninos
Diferentes os destinos costumam ser
Uns tem jantar e almoço
E outros nem sequer um osso
De lambuja pra roer
E quando passa a carrocinha
A gente logo adivinha a confusão
O vira lata coitado 
Que não foi matriculado
Dessa vez virou sabão


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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Zé Pretinho (Manuel do Espírito Santo) 78 rpm

Zé Pretinho nasceu na cidade de Capela, no estado de Sergipe. Apesar da origem humilde e camponesa, estudou desde pequeno e acabou ingressando na Marinha aos 16 anos... De mala e cuia, partiu para o Rio de Janeiro, onde iria conhecer o samba e a malandragem carioca...

Alguns anos depois, teve sua primeira composição gravada. O samba "Tenho Raiva de Quem Sabe", parceria de Zé Pretinho com Noel Rosa e Kid Pepe, foi gravado em 1934, na voz do grande Mário Reis. Pelos nomes, já dava pra ter uma idéia do prestígio que Zé Pretinho já tinha entre os bambas da época. Foi gravado por diversos nomes da era do rádio, como Orlando Silva, Arací de Almeida, Dircinha Batista, Ciro Monteiro, Linda Batista, entre outros tantos.

Tenho Raiva de quem sabe
Zé Pretinho, Kid Pepe e Noel Rosa
Intérprete: Mário Reis - 1934 


Não sei, nem quero saber / Tenho raiva de quem sabe / O seu modo de viver / Eu pago pra ninguém me incomodar / E não me perguntar por você / Depois de tanta briga / Hoje em dia eu suspeito / Que talvez você me diga / Te odeio por despeito / Tanto me sacrificava / Sem ter o menor direito / Juro que não esperava / Levar fama sem proveito / Rasguei o seu retrato / Suas cartas eu queimei / Dessa vez briguei de fato / De você já enjoei / Para evitar perigo / Eu imploro a você / Quando encontrar comigo / Simular que não me vê


Segue então uma coletânea com 25 sambas do Zé Pretinho, em parcerias com grandes sambistas... São gravações em 78 rpm feitas entre 1934 e 1951.





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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Cachaça com Arnica lança CD nessa sexta em BH


O disco consolida a trajetória de 12 anos do grupo

Grupo de samba e choro, o Cachaça com Arnica apresenta para o público o primeiro trabalho autoral, na sexta-feira, 11 de novembro, no Gamboa, na Savassi. O show terá início às 21h, com ingressos a R$ 15,00 (feminino) e R$25,00 (masculino). Além das músicas de própria autoria, no cardápio do espetáculo, músicas de João Nogueira, Cartola, Noel Rosa, Dona Ivone Lara, Adoniran Barbosa, Pixinguinha, entre outros.

Para o vocalista, flautista e violonista Márcio Lima, a contribuição dos ex-integrantes foi essencial para o grupo alcançar o sucesso de hoje. “Tenho plena consciência que nada na vida se constrói sozinho. E a maior prova disso, para mim, é a imensa contribuição da família Cachaça com Arnica, no propósito de levar ao público um trabalho musical sincero e que nos orgulha de ser mineiros”, declara Márcio. Para Pirulito da Vila, compositor e percussionista, o Cachaça com Arnica é uma escola: “Um grupo que se mantém há 12 anos com um nível musical e cultural como este não pode ser considerado um grupo qualquer”.

Samba da Roça

O disco, patrocinado pela VDL Siderurgia por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, foi gravado em abril deste ano e tem 11 faixas que abordam vários temas. Entre as músicas, estão: O tombo da tia Lilia, primeira música de trabalho do grupo; Breque do Péia, que conta o causo dos carros do pandeirista e que vai ganhar videoclipe; Samba dentro de mim, que é parte da paixão pelo samba; Firvi de raiva, uma sátira ao caso do empresário Thales Emanuelle Maioline, o Madoff mineiro, que, em julho de 2010, desapareceu com R$86,1 milhões de um clube de investimentos, intitulado FIRV; Mercearia Paraopeba, que fala sobre um empório minério que vende de tudo; Cachaça com Arnica, chorinho com participação especial de Francisco Bastos tocando violão tenor – instrumento pouco conhecido, por não ser usual a sua utilização. “Um CD é o cartão postal de qualquer artista e nós do Cachaça com Arnica tivemos um cuidado especial, pois ele conta uma história de 12 anos”, comenta Pirulito da Vila.

O projeto tem a direção musical de Francisco Bastos, arranjos de Márcio Lima, produção de Gilson Fernandes Antunes Martins, arte gráfica de Rafael Bastos e Fernando César, como técnico de gravação, mixagem e masterização.




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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Três sambas de Herivelto Martins...


Vaidosa
Herivelto Martins e Artur Morais 
Intérprete: Francisco Alves 


Tens razão, tens razão 
De ser assim vaidosa 
És de fato formosa 
Não há quem possa negar 
Tens prazer 
De maltratar o coração de alguém 
Mas poderás um dia achar também 
Alguém que não te queira mais 

A formosura na mulher 
É um defeito 
Quando ela pensa 
Que a beleza é um direito 
Mulher bonita 
É vitrine de avenida 
Sempre bonita, sempre fingida 


Venderam o morro
Herivelto Martins 
Intérprete: Trio de Ouro - 1945 


Eu soube que venderam 
O morro da mangueira 
Que bobagem, que asneira 
Ficou sem teto 
A gente lá do barracão 
Não respeitaram 
Nem a velha tradição 

Barracão é sinônimo de pobreza 
Barracão é antônimo de tristeza 
Quem tira de um sambista o barracão 
Ou não gosta de samba 
Ou não tem coração


Fala Claudionor
Grande Otelo e Herivelto Martins 
Intérprete: Trio de Ouro 


Porque será que em toda historia 
Existe sempre uma mulher 
Porque será, não és capaz de responder 

Fala Claudionor e chora no meu ombro a tua dor 
Fala Claudionor e chora no meu ombro a tua dor 

Claudionor era um rapaz inteligente 
Vivia a vida como vive tanta gente 
Uma mulher na sua vida atravessou 
Fingindo amiga, fingindo amor 

Fez do rapaz um outro Claudionor 
Fez do rapaz um outro Claudionor 

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Pra que pedir perdão (Moacyr Luz e Aldir Blanc)



Se é pra recordar dessa maneira
Sempre causando desprazer
Jogando fora a vida em mais uma bebedeira
Oh, sinceramente é preferível me esquecer

Eu te prometi mundos e fundos
Mas não queria te magoar
Eu não resisto aos botequins mais vagabundos
Mas não pretendia te envergonhar

Vi muitas vezes o destino
Ir na direção errada
E a bondade virar completo desatino
A carícia se transformando em bofetada

Eu sou rolimã numa ladeira
Não tenho o vício da ilusão
Hoje eu vejo as coisas como são
Estrela é só um incêndio na solidão
Se eu feri teu sonho em pleno voo
Pra que pedir perdão se eu não me perdoo?



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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Velha Guarda da Portela - Programa Ensaio 1975 (Parte 1)

Pra quem ainda não viu, vale a pena conferir essa preciosidade. A Velha Guarda da Portela em sua verdadeira essência. Manacéa, Alvaiade, Armando Santos, Chico Santana, Monarco, Alberto Lonato, todo mundo lá... Só faltaram João da Gente e Ventura pra completar a formação original desse grupo que representa a fina flor do samba. Com vocês, os bambas de Oswaldo Cruz:

Obs: Essa é apenas a primeira parte do programa. Depois posto a segunda, com mais uma hora de Velha Guarda.


Conteúdo:

Doce Melodia (Bubu e Jamelão)
Quantas Lágrimas (Manacéa)
Manhã Brasileira (Manacéa) 
Quando Quiseres (Manacéa) 
Carro de Boi (Manacéa)
Desengano (Aniceto da Portela) 
Eu perdi você (Aniceto da Portela)
Chega de Padecer (Mijinha)
Sentimento (Mijinha) 
Muito embora abandonado (Mijinha e Chico Santana)
A maldade não tem fim (Armando Santos) 
Quitandeiro (Paulo da Portela e Monarco) 
A tristeza me persegue (Heitor dos Prazeres e João da Gente)
Vida de Fidalga (Alvaiade e Chico Santana)
Embrulho que eu carrego (Alvaiade e Djalma Mafra) 
O mundo é assim (Alvaiade) 
Samba da Traição (Chico Santana) 
O Lenço (Monarco e Chico Santana)
Hino da Velha Guarda (Chico Santana)

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Velho Batuqueiro (Xangô da Mangueira)



Olha o meu pagode aí
O meu pagode é de um velho batuqueiro
Que já cantou muito samba
Frequentou vários terreiros

Quando eu pego na minha viola
Cantando meu samba eu falo o que sinto
Meus companheiros de bar
Sabem que a verdade eu falo e não minto

Olha o meu pagode aí...

Já morei lá no catete
Fui vizinho do presidente
Hoje canto em mangueira
Lugar que tem boa gente

Olha o meu pagode aí...

Outro dia eu fui ao samba
Lá na casa do turi-turé
O pagode tava bom
Tinha pouco homem e muita mulher

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Se você me ouvisse (Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito)

Olha que bonito essa versão de "Se você me ouvisse" (Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito) que o grupo Sururu na Roda nos apresenta nesse vídeo. Belo trabalho rapaziada!


Se você me ouvisse não estaria chorando agora / Chora, chora / Vou-me embora / Vou deixar a saudade como lembrança / Adeus linda criança / Se ficar vou sofrer muito mais do que já sofri / Vou com Deus / Vou sair daqui / O nosso sonho chegou ao fim / Não adianta chorar por mim / O amor quando nasce é bonito a gente ver / Que bom se não chegasse o momento do amor morrer / É por isso que eu sinto o meu peito tão magoado / Quando venho dizer que está tudo acabado

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Osvaldo Caetano Vasques, o Baiaco em 78 rpm

Oswaldo Caetano Vasques nasceu em 1913 no Rio de Janeiro. Conhecido como Baiaco pelos amigos, foi um grande bamba do Estácio. Ao lado de uma turma da pesada que incluía Ismael Silva, Nilton Bastos, Bide, Brancura, Mano Rubem e Mano Edgar, revolucionou o modo como se fazia samba entre o final dos anos 20 e o início dos anos 30 e ajudou a fundar a primeira escola de samba do Rio de Janeiro, a "Deixa Falar" em 1928.

Dizem que era malandro barra pesada, sempre se metendo em brigas, geralmente ao lado de Silvio Fernandes, o Brancura. Eram os "valentes" do lugar. Uns dizem que ele não era compositor e sim "ladrão de sambas". Transcrevo um trecho do livro Geografia Carioca do Samba, onde o autor diz que Brancura e Baiaco "eram mais malandros que compositores, usando de esperteza e coerção para se apropriarem de sambas alheios". Já o cantor Moreira da Silva, que gravou "Arrasta a Sandália" de Baiaco e Aurélio Gomes, diz que isso não passa de história. A obra de Oswaldo Vasques não é muito extensa pois o compositor morreu cedo, em 1935. Mas vale a pena dar uma conferida nesses sambas em 78 rpm que separei lá do IMS:


Vejo lágrimas 
(Osvaldo Vasques e Ventura) 
Intérprete: Moreira da Silva e Gente do Morro 
Data: 1932 


Vejo lágrimas e eu não sei se é 
Sentimento ou fingimento teu 
Traz os olhos rasos d'água 
Eu não sei se isso é mágoa 
Ou alguém que te enganou, confessa oh flor 
Se choras por alguém que te enganou 
Te conformas, pois Jesus também se conformou 
Mas se o teu pranto é falsidade 
Hás de chorar toda a vida 
E não terás felicidade



Baixar apenas encarte com as letras


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Faixas:

Arrasta a sandália
(Aurélio Gomes - Osvaldo Vasques) 
Intérprete: Moreira da Silva e Gente do Morro 
Data: 1932 

Vejo lágrimas 
(Osvaldo Vasques - Ventura) 
Intérprete: Moreira da Silva e Gente do Morro 
Data: 1932 

Fita meus olhos 
(Cartola e Oswaldo Vasques) 
Intérprete: Arnaldo Amaral 
Data: 1933 

Tenho uma nêga 
(Osvaldo Vasques - Benedito Lacerda) 
Intérprete: Patrício Teixeira 
Data: 1932 

Se passar da hora 
(Osvaldo Vasques - Boaventura dos Santos) 
Intérprete: Leo Vilar e Arnaldo Amaral 
Data: 1933 

Rindo e chorando 
(Osvaldo Vasques - Benedito Lacerda) 
Intérprete: Leo Vilar e Arnaldo Amaral 
Data: 1933 

Quem mandou Iaiá 
(Osvaldo Vasques - Benedito Lacerda) 
Intérprete: Arnaldo Amaral e Gente do Morro 
Data: 1934 

Conversa puxa conversa 
(Osvaldo Vasques - João dos Santos) 
Intérprete: Almirante 
Data: 1934

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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Serra de Bamba (Manoel Bonfim e Nina Rodrigues)


Serra de Bamba
Manoel Bonfim e Nina Rodrigues

No meu bairro-cidade há uma serra
Onde tem muita gente bamba
Lá com naturalidade nasceu
Uma potência do samba

Lindas cores da bandeira
Que orgulha e envaidece
O povo humilde de madureira
A branca simboliza a paz
A verde a esperança 
Que o tempo não desfaz
A coroa faz lembrar
Os tempos imperiais

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