segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Orlando Silva - Programa Ensaio

Alguns trechos do programa Ensaio da TV Cultura com o grande Orlando Silva, o cantor das multidões, gravado em 1973, acompanhado por Miranda e seu Regional.

A Primeira Vez 
(Bide e Marçal)




Meu Consolo é Você
(Roberto Martins e Nássara)



Atire a Primeira Pedra
(Ataulfo Alves)




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domingo, 30 de outubro de 2011

Perdão, meu bem (Cartola)


Francisco Alves e Mário Reis interpretam em dupla o samba "Perdão, meu bem" do Cartola. Muitos devem conhecer esse samba através da gravação feita pelo Terreiro Grande no primeiro disco deles e que você pode ouvir na sequência.

Intérprete: Francisco Alves e Mário Reis
Data: 1932


Mário Reis:
Perdão, meu bem, atacou meu coração
Falei demais, sou bom rapaz
No modo de proceder
Perdão porque
Se acabar nossa amizade
Perdão, meu bem
Sinto dores de saudade

Às vezes, cheio de ódio
Fala-se o que não se deve
São palavras de amor ofendido
Que não se escreve

Francisco Alves:
Perdão, meu bem, atacou meu coração
Falei demais, sou bom rapaz
No modo de proceder
Perdão porque
Se acabar nossa amizade
Perdão, meu bem
Sinto dores de saudade

Se você não reconhece
O meu arrependimento
Pois, podes crer, meu amor que
O que eu digo é sem fingimento

Intérprete: Terreiro Grande e Cristina Buarque
Data: 2007


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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Nélson Cavaquinho 100 anos - Obra Completa* para Download




Quando eu me chamar saudade
Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito

Sei que amanhã quando eu morrer / os meus amigos vão dizer / que eu tinha um bom coração / alguns até hão de chorar / e querer me homenagear / fazendo de ouro um violão / mas depois que o tempo passar / sei que ninguém vai se lembrar / que eu fui embora / por isso é que eu penso assim / se alguém quiser fazer por mim / que faça agora / me dê as flores em vida / o carinho, a mão amiga / para aliviar meus ais / depois que eu me chamar saudade / não preciso de vaidade / quero preces e nada mais

Hoje, 28 de outubro, Nélson Cavaquinho completaria seus 100 anos de vida. Ele, que achava que depois de sua morte ninguém mais se lembraria dele, ficaria orgulhoso em descobrir que errou feio quando profetizou seu ostracismo no belo "Quando eu me chamar saudade". Hoje é lembrado e cultuado como um dos maiores artistas da nossa musica.  Seu nome é referência quando se fala de samba, ou melhor, de musica brasileira. Não há quem goste de samba e nunca tenha ouvido clássicos como "A Flor e o Espinho", "Folhas Secas" "Juízo Final"ou "Pranto de Poeta". Canções que estão até hoje na boca do povo, na rodas de sambas, nos teatros... Mas sua obra vai muito além. Esses sambas são apenas uma porta de entrada para um universo de melodias e temas  únicos. Uma obra vasta, embora pouco conhecida, talvez abafada pelo sucesso estrondoso de algumas poucas canções.


Além do seu carisma, com sua voz e seu jeito de tocar violão inimitáveis, Nélson tinha sacadas geniais. Falava de tudo, conseguia colocar poesia em qualquer coisa. 

Tinha um senso de humor notável ao falar da morte, como em "Eu e as flores" onde cantou: "Quando eu passo perto das flores quase elas dizem assim, vai que amanhã enfeitaremos o seu fim". Mas também temia sua hora. A velhice e o fim da vida eram temas recorrentes, sempre com letras dramáticas e cheias de poesia.  Dizia que vivia muito perto da fatalidade e por isso sempre recorria a temas como Deus, a morte e claro, a boa e velha dor de cotovelo.

Nélson Antônio da Silva, nasceu no Rio de Janeiro no dia 28 de outubro de 1911. muitos dizem que a data correta é 29/10, porém o próprio Nélson confirma no depoimento abaixo a data de seu nascimento, contando ainda por que acabou sendo registrado como sendo um ano mais velho:


Crescido num ambiente bastante musical, Nélson teve uma forte ligação como o choro. Aliás, sua primeira composição foi um choro chamado "Queda" que compôs por volta dos quinze anos, quando ainda tinha que tocar com cavaquinho emprestado pois não tinha dinheiro pra comprar o seu. Certa vez, quando frequentava uma roda de choro no centro do Rio, um português se comoveu com a situação do garoto de deu-lhe de presente seu primeiro cavaquinho.

Aos vinte anos, casou-se obrigado pelo pai da moça, que o arrastou até a delegacia e acabou indo trabalhar  na cavalaria da Polícia Militar. Assim ele ia endireitar... O problema é que ele fazia patrulha no morro da Mangueira. Subia com seu cavalo, o "Vovô", e lá ficava batendo papo e tomando umas com os malandros do lugar. É claro que essa história não deu muito certo. Ele mesmo conta um dos casos dessa época:

"Resolvi parar numa tendinha e deixei amarrado na porta o cavalo, (...) fiquei tanto tempo conversando com o Cartola, que quando saí da birosca, cadê o animal? Tinha sumido. Fiquei apavorado. E resolvi, assim mesmo, voltar para o quartel. Não é que quando chego lá dou de cara com o cavalo na estrebaria? O danado parecia que sorria pra mim pela peça que me pregou.” e completa "Eu ia tantas vezes em cana que já estava até me acostumado com o xadrex. Era tranqüilo, ficava lá compondo. Entre as músicas que fiz no xadrex está Entre a Cruz e a Espada ". 



Entre a cruz e a Espada 
(Nélson Cavaquinho)

É claro que a profissão não foi levada muito a sério, muito menos o casamento. No final da década de 30, Nélson da baixa na polícia, deixou a mulher e os filhos, passando a se dedicar de corpo e alma à sua musica e, claro, `boemia desvairada... Contam que certa vez, depois de três dias e três noites na rua, tocando cavaquinho, quando voltou para casa, descobriu que sua mãe havia morrido e fora enterrada dias antes.

Em 1939 teve seu primeiro samba gravado pelo Alcides Gerardi, "Não faça a vontade a ela", mas não teve grande sucesso. Começou a ser notado a partir da década de 40, quando sambas teve quatro sambas em parceria com Augusto Garcês gravados pelo Ciro Monteiro: "Apresenta-me Àquela Mulher", "Não te dói a Consciência", "Aquele Bilhetinho" e "Rugas".

Na década de 50 mudou-se para a Mangueira. Foi nessa época também que conheceu Guilherme de Brito, seu principal parceiro, com quem acabou fazendo um pacto de só fazerem sambas juntos. Juntos fizeram verdadeiras obras primas. O próprio Guilherme conta como conheceu Nélson:

“Conheci o Nelson Cavaquinho no Café São Jorge. Nelson já era um sucesso. Quando passava de manhã no botequim, estava aquele aglomerado de gente em volta de uma mesa. Às vezes eu voltava de noite, trabalhava o dia inteiro, e lá estava o Nelson com o seu violão. Até que um dia eu me atrevi e cheguei perto dele com a primeira parte de um samba, que foi "Garça", e falei: "Ô Nelson, vê se você gosta aqui...". Ele disse que estava ótimo e fez a segunda parte. Dali em diante seguimos até o fim da vida e fizemos um trato de compormos juntos, só eu e ele. Foi muito boa a parceria e fomos leais até o fim da vida dele. Se bem que ele pulou fora duas vezes durante esse período e compôs com outro cara, mas foi muito bom. Se ele estivesse vivo, estaríamos com certeza até hoje ligados um ao outro”.

Garça 
Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito

Creio que o auge de sua carreira tenha ocorrido nas décadas de 60 e 70. Começou a se apresntar no Zicartola no início dos anos 60, tornando-se cada vez mais conhecido no meio musical. No ano de 1966 a cantora Thelma soares gravou um disco inteiro com canções de Nélson, com arranjos de Radamés Gnattali, onde Nélson participou cantando três sambas. Em 1968 participou do disco "Fala Mangueira" ao lado de Cartola, Carlos Cachaça, Clementina de Jesus e Odete Amaral. Um belo registro em homenagem à Estação Primeira. 

Nos anos 70 gravou seu primeiro LP (vejam vocês, mesmo antes de lançar o próprio disco, outros intérpretes já lançavam discos inteiros com suas canções), chamado "Depoimento do Poeta", onde foi registrado também um depoimento de Nélson a Sérgio Cabral. Em seguida vieram mais dois discos: "Série Documento" de 1972 e "Nélson Cavaquinho" de 1973. Além disso, Nélson Cavaquinho foi gravado por inúmeros intérpretes. 

Nélson sempre foi um amante da farra, da bebida, do cigarro e das mulheres. Não fosse assim não seria o Nélson Cavaquinho. Sem a boemia, sem o amor, suas letras não seria as mesmas. Faleceu em fevereiro de 1986, com problemas no pulmão... Que ele descanse em paz e que sua obra continue viva eternamente em nossos corações! Continuamos dando-lhe flores e nunca vamos nos esquecer e deixar de lamentar que foste embora!

Se eu for pensar muito na vida morro cedo, amor...
Nélson Cavaquinho

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Mais uma vez o Receita de Samba recebe a valorosa contribuição do amigo Sérgio Moraleida, grande colecionador de brasas aqui de BH. Há tempos ele me passou um DVD com tudo o que ele conseguiu juntar do Nélson Cavaquinho. Mais de um giga de sambas, tudo organizado, com informações sobre compositores, intérpretes... Quando ele me passou falando em "obra completa gravada" achei meio pretensioso, mas fui ver e realmente é difícil achar uma gravação que não se encontre nos arquivos dele. Brasa Sérgio!

Desse acervo enorme, ouvi tudo e escolhi uma gravação de cada samba, sempre que possível com a voz do próprio Nélson. Consegui encontrar ainda mais umas duas ou três gravações que, talvez por descuido na hora de me passar os arquivos, não encontrei no acervo do Sérgio. Digitei as letras em um encarte em PDF e tá aí pra vocês essa brasa: 122 sambas do mestre Nélson Cavaquinho. 

Além disso, em um certo "Baú Mágico" encontrei mais sete sambas inéditos do Nélson (alguns sem nome) e que trancrevo apenas as letras no encarte em pdf. Por questões éticas decidi por não colocar os áudios, que são gravações caseiras gentilmente cedidas por um amigo.

* Todos sabemos que a obra do mestre vai muito além desses 122 sambas, mas é praticamente impossível reunir toda sua obra. Existem canções que foram vendidas e registradas em nomes de outros autores, obras inéditas e ainda aquelas que se perderam para sempre, sem nenhum registro. Acredito porém, que essa seja praticamente a obra registrada em áudio. Com certeza o Sérgio gastou um bom tempo vasculhando os quatro cantos atrás de brasas do Nélson e eu também passei alguns meses procurando.


BAIXAR NÉLSON CAVAQUINHO - OBRA COMPLETA


(incluindo sete sambas inéditos)


ATENÇÃO: 
Caso o 4Shared peça para fazer login para liberar o download use:
Login: blogreceitadesamba@yahoo.com.br
Senha: samba2012




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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Gosto mais do Salgueiro (Wilson Batista e Germano Augusto)



Gosto mais do Salgueiro
Wilson Batista e Germano Augusto
Intérprete: Aracy de Almeida 
Data: 1943

Não posso sair do Salgueiro, estamos em fevereiro
Você quer me levar pra Copacabana
Quer me ver toda bacana, mas já tenho pandeiro

Samba primeiro, samba primeiro
Gosto muito de você mas tenho amor ao meu Salgueiro

Eu sou lá no morro a porta-estandarte
Já ganhei medalha, sambar é uma arte
Já me batizaram o Samba em Pessoa
Mas não deixo o Salgueiro assim à toa

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Aurora Miranda canta "Molha o Pano" com Bide na cuíca

Lá no blog Cuíqueiros encontrei um vídeo interessante. Em uma cena do filme "Alô, alô, carnaval" de 1936, a cantora Aurora Miranda, irmã de Carmem Miranda, canta o samba Molha o Pano de Getúlio Marinho e Cândido Vasconcelos, acompanhada pelo regional de Benedito Lacerda e Alcebíades Barcelos, o Bide do Estácio, na cuíca:


Molha o pano, pega na cuica
Puxa certo e com cadência
Veja o samba como fica

Fui num pagode
A família deu um não
Aqui não se quer cuica
Porque não é barracão

Fiquei sentida
Coragem! Gritou meu mano
Quem é rico paga orquestra
E quem é pobre molha o pano

É um abuso
E por demais autoridade
Fazer pouco em quem é pobre
Só por ter felicidade

Não fiz barulho
Porque me julgo decente
Tratei de molhar o pano
E gritei “vamos em frente"

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Zé da Zilda / Zé Com Fome

De seus três nomes, José Gonçalves era o menos conhecido. Passaria por um Zé qualquer entre tantos... Mas esse Zé foi, nas palavras de Candeia, um sambista de renome, literalmente. Contam que ganhou seu primeiro apelido ao representar um personagem chamado Zé Com Fome na Casa de Caboclo (um teatro popular, fundado e dirigido por Antônio Lopes de Amorim durante a década de 30).

Amigo de infância de Cartola, cresceu na Mangueira e desde menino já tocava cavaquinho. Foi crescendo e aprendeu a fazer samba com maestria... Foi integrante da ala de compositores da Mangueira, parceiro de Cartola, Carlos Cachaça, e outros grandes sambistas, compondo belos sambas de terreiro como “Quem se muda pra Mangueira”  interpretado abaixo por Dona Zica e Nélson Sargento:

Quem se muda pra Mangueira (Zé da Zilda)
Intérprete: Dona Zica e Nélson Sargento

Mangueira, foste tu sempre a primeira
És a única bandeira sem orgulho e sem maldade

Quem se muda pra Mangueira é verdade
Leva a vida cheia de felicidade
Quem se muda de Mangueira tem saudade
E voltará ou mais cedo ou mais tarde..

Em 1940, Zé com Fome, a convite do maestro Villa-Lobos, participou ao lado de Cartola, Pixinguinha, João da Bahiana, Jararaca, Zé Espinguela, Donga e Luiz Americano, da gravação dos famosos discos de Leopold Stokowski, registrados no navio Uruguai. Confira abaixo duas faixas na voz de Zé da Zilda:

Seu Mané Luis (Donga) - Cantam Zé da Zilda e Janir Martins



Passarinho Bateu Asas (Donga)- Canta Zé da Zilda


Esses discos foram editados pela gravadora Columbia nos Estados Unidos, com o nome de Native Brazilian Music e você pode baixá-lo aquí.

 A dupla Zé da Zilda e Zilda do Zé


Mas foi em dupla que o Zé brilhou. Ele foi convidado por um amigo a ingressar na Rádio Educadora, onde trabalhou formando dupla com Claudionor Cruz, conhecido na época como Pente Fino. Anos mais tarde, já como chefe de um regional e com programa próprio, passou para a Rádio Transmissora. Foi quando conheceu e se casou com a cantora Zilda, com quem formou a Dupla da Harmonia, de grande sucesso no Rádio durante os anos 40 e 50.

"Paulo da Portela" (Aníbal Silva e Éden Silva)
Intérprete: Zé e Zilda



Porém, por uma falseta do destino, no dia 10 de outubro de 1954, Zé com fome nos deixou, deixou sua Zilda... Com apenas 46 anos, não resistiu a um derrame cerebral... Com o fim da dupla, tomada pela tristeza, Zilda homenageou o companheiro em forma de samba:


Meu Zé (Zilda Gonçalves e Ricardo Galeano)
Intérprete: Zilda gonçalves, 1955


Zé,
Onde estás que não respondes,
Onde é que tu te escondes,
Que eu não ouço o teu cantar
Zé,
Eu não sei viver sozinha,
Vida triste esta minha
Meu consolo é choroar sem parar
Como é possivel Zé, cantar agora?
Se sofro tanto,
Se a minha alma chora
Vê zé,
Que a minha vida tem sido ruim
Se não fossem as crianças, meu Deus
Eu nem sei o que seria de mim...


Segue o link para uma coletânea com 32 musicas de Zé da Zilda em 78 rpm:


 
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Aluízio Machado

Com vocês Sr. Aluízio Machado, grande compositor do Império Serrano, autor de lindos sambas como esses que ele interpreta abaixo:

Obrigado Meu Deus
Aluízio Machado


Obrigado meu Deus, obrigado meu Deus
Obrigado meu Deus, obrigado meu Deus

Obrigado meu deus por eu estar aqui
Pelo dia de hoje, pelo que eu já vivi
Por me acostumar com as coisas do mundo
Aprendi a nadar e por isso eu vou fundo

Por eu ver o que vejo, muita gente não vê
Por eu crer no que creio, muita gente não crê
Fazer parte do meio quando bem entender
E por tudo que sou, ser um ser uu não ser

E por tudo que tenho, muita gente não tem
Eles vão, eu já venho e por isso amém
Pelo ar que eu respiro, por eu poder cantar
E até por aquilo que eu não devo falar
Pelos dias de festa, pelos dias de paz
E até pelos ais, os problemas são meus
Pelo sol, pela chuva, pelo vento que passa
Pelo dia de graça, obrigado meu Deus


Pisa como eu pisei
(Aluízio Machado e Beto sem Braço)


Chega como eu cheguei
Pisa como eu pisei
No chão que me consagrou
Olha que lei é lei
Lei que eu nunca burlei
Pois Deus me designou

Ao me ver já diz que me conhece
Sem saber bem quem eu sou
Conhece mas desconhece meu real interior
Conhece mas desconhece meu real interior

Eu só verso e sou reverso
Sou partícula do universo
Sou prazer, também sou dor
Eu sou caldo, eu sou efeito
Eu sou torto, eu sou direito
Enfim, eu sou o que sou

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sinto que a hora é de resgatar!

Resgate 
(Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte)


Revendo os mais belos sambas da nossa história
Quantos compositores morreram sem glória
Foram esquecidos em seu mundo de ilusões
Muitos sempre exerceram outras profissões
Mas o dom maior acho que foi o samba nos seus corações
Alguns poetas não viram nada ser gravado
Mas seus versos vão de boca em boca
Porém com o tempo serão apagados
Deles nada restará nem mesmo o seu passado (2x)

Sinto que a hora é de resgatar
Vamos dar valor a arte popular
Que ela sempre foi quem fez a festa
Mas jamais se manifesta
Quando tem que desfrutar

Salve os poetas, salve os bons compositores
Que não puderam realizar sua vontade
Salve os humildes, artesãos, trabalhadores
Salve os que guardam consigo sua vã felicidade
Salve o talento dos anônimos autores
Que não puderam demonstrar sua vaidade
Salve os artistas esquecidos, sonhadores
Que escreveram pelas ruas a história da cidade

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Caboclo Africano

José Gonçalves (Zé Com Fome) e Zilda Gonçalves - A dupla Zé da Zilda e Zilda do Zé

Caboclo Africano 
José Gonçalves e Zilda Gonçalves
Intérprete: Jorge Veiga
Data: 1946 


Eu nasci no morro do Salgueiro
Num batuque no terreiro, numa noite de luar
Minha mãezinha no dia que eu nasci
Me levou lá na tendinha e me deu um parati
Depois do samba, com três dias de nascido
Me levaram na igreja, mandaram me batizar
E o seu vigário disse logo isso eu não faço
Vá primeiro na macumba pra Xangô lhe abençoar
O macumbeiro começou a macumba
Deu na pedra, deu na faca, néris do santo chegar
Daí a pouco depois que o galo cantou
Veio Ogum, veio Xangô, Arranca Toco e Oxalá
O feiticeiro que estava manifestado
Ficou muito admirado em ver tanta cortesia
Depois da cerimônia terminada 
É que chegou me protetor que é o Caboclo Ventania
Que me protege hoje em dia

Toda esta gente que não crê na lei de umbanda
Que ainda quer botar demanda 
Perde sempre na questão
Vive sempre com a vida atrapalhada
Está sempre castigada sem saber qual a razão
Antigamente eu fui descrente, até zombava
Porque não acreditava já sofri muito também
Porque o Caboclo Africano verdadeiro
Quando baixa no terreiro
Não faz graça pra ninguém
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Puxando conversa com Monarco


Gravado em março de 2004, "Um Senhor de Respeito" é o vigésimo programa da série Puxando Conversa. Desta vez o homenageado é o Mestre Monarco, compositor portelense, membro da Velha Guarda da Portela desde sua criação em 1970. Vale a pena ouvir as histórias que ele tem pra contar!


MUSICAS

Quitandeiro (Monarco e Paulo da Portela)
Liga da Defesa Nacional (Monarco) 
Passado da Portela (Monarco)
Amor de Malandro (Monarco e Alcides Dias Lopes)
Vida de Rainha (Monarco e Alvaiade)
Lenço (Monarco e Chico Santana)
Tudo Menos Amor (Monarco e Valter Rosa)
Tristes Venturas (Monarco e Mauro Diniz)
Falso Pai de Santo  (Monarco e Betinho da Balança)
Rabo de Saia  (Monarco e Betinho da Balança)
Triste Desventura (Monarco e José Mauro)
Beijo na Boca  (Monarco e Ratinho) Canta Juliana Diniz
Coração em Desalinho  (Monarco e Ratinho)

Direção: Valter Filé
Produção: Shirley Martins
Realização: Imagem na Ação


RODA DE LANÇAMENTO


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sábado, 15 de outubro de 2011

Toniquinho Batuqueiro: Memória do Samba Paulista

Clique para baixar
Toniquinho Batuqueiro é um dos maiores nomes do samba paulista. Em 2009 lançou seu primeiro disco solo, intitulado "Memória do Samba Paulista". O disco é simplesmente uma obra prima, daqueles que você ouve, ouve e não cansa nunca. Pra baixa o disco é só clicar na imagem ao lado.

Kolombolo 
(Toniquinho, Renato Dias e T-Kaçula)



Atravessei mata fechada
Rio eu cruzei de canoa
Eu venho de Kolombolo
Não cheguei aqui atôa

Bem dizia minha avó
Procure vida melhor
desse lado tá ruim
Do outro lado tá pior

Mulheres contra maridos
Filhos contra os próprios pais
Irmão desconhece irmão
Os homens nào se entendem mais

Pra quem nào conhece o Toniquinho Batuqueiro, deixo um belo texto escrito por Marcelo Benedito Abruzzini do Movimento Cultural Projeto Mosso Samba de Osasco:

A vida de Toniquinho Batuqueiro, nascido a 25 de fevereiro de 1929 em Pau Queimado - Piracicaba, compõe um verdadeiro quadro da história do samba paulistano.

Instalando-se a princípio no Parque Peruche, na capital, local de importante fixação de negros vindos das chamadas zonas batuqueiras do oeste paulista (onde ocorre o "Batuque de umbigada" ou "Tambu" pelos seus dançadores, e também o "Samba Rural Paulista" assim denominado por Mário de Andrade) circulou por todos os pontos de samba e tiririca (espécie de capoeira de sotaque paulista) na cidade, como a Vila Maria, a Vila Santa Maria, Casa Verde, Largo da Banana, Largo das Perdizes, área sul da Sé.Ainda no tempo do bonde, veio trabalhar como engraxate na Praça da Sé onde conviveu com bambas como Geraldo Filme, Synval e Germano Mathias.

O ponto, naquele tempo, era bom para engraxates, como dizia Toniquinho, pois todos os bondes vinham para a Praça da Sé trazendo o povo com o pé todo cheio de lama, já que eram poucas as ruas asfaltadas naquele São Paulo antigo.

Todo final de expediente terminava em batucada na lata de graxa e em uma ou outra roda de tiririca, sempre com muita atenção contra a rigorosa perseguição policial. Após uma estada no Rio, onde morou na Lapa trabalhando como entregador de pão, retorna à São Paulo, onde participa da formação da Unidos do Peruche e da Unidos da Vila Maria. Nesse período instala-se em Osasco, na grande São Paulo, na qual desenvolveu alguns projetos como a desativada Praça do Samba, espaço para o cultivo de velhos e apresentação de novos talentos.

A vivência musical de Toniquinho, mesclando informações do Tambu vivido na infância com influências das marchinhas do carnaval carioca e paulista, todas remexidas no caudilho musical negro que eram as Festas de Bom Jesus do Pirapora, fizeram de Toniquinho um dos maiores ritmistas do país, talento reconhecido por nomes como Mestre Fuleiro do Império Serrano, e também por sua profunda vivência como juri de bateria nos diversos concursos carnavalescos pelo país.

Sua convivência com Plínio Marcos também se destaca, personalidade que ainda lhe inspira profunda devoção. Nos anos de chumbo da ditadura, Toniquinho, Geraldo e Zeca da Casa Verde gravam o antológico "Plínio Marcos em Prosa e Samba- Nas quebradas do mundaréu", hoje objeto de colecionadores, onde contam e cantam suas histórias. Esse mesmo grupo participa de várias peças teatrais criadas pelo Plínio, compondo ou interpretando a si mesmos, como na peça Barrela, que mostra o cotidiano de uma típica cela de prisão.

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Tuco, Batalhão de Sambistas e Wilson Moreira no Anahguera

Noite imperdível no Anhangüera essa sexta. Tuco e Batalhão de Sambistas recebem mestre Wilson Moreira. Um dos maiores compositores do Brasil, Wilson Moreira detém os segredos do batuque ancestral. Sua música é mais que samba: é jongo, calango, xiba, lundu, forró e congada.

Além de participar dos históricos discos Partido em 5 e Olé do Partido Alto, gravou 6 discos. Foi gravado por todos os grandes intérpretes brasileiros e é considerado um melodista da linha de frente. Segundo Nei Lopes, com quem fundou - junto também com Candeia - a Escola de Samba Quilombo, Wilson Moreira é capaz de fazer melodias até para bulas de remédio.

Entre suas inúmeras composições, podemos citar alguns estrondosos sucessos: Goiabada Cascão, Morrendo de Saudade, Senhora Liberdade, Coisa da Antiga, Gostoso Veneno, Judia de Mim e Banho de Felicidade.

Abaixo uma de suas músicas, cantada por ele mesmo e que diz muito do que representa Wilson Moreira para a música brasileira: é Peso na Balança!

Peso na Balança (Wilson Moreira)

O meu nome pesa na balança
Eu tenho que estar presente
Se eu não estiver o povo sente
É a hora da cobrança

A minha presença é um equilíbrio
E não há motivos pra tanto mistério
Todo mundo sabe disso
Sou um samba popular, estou falando sério

É no morro, é lá no asfalto
Entro na sociedade e não me deixo elitizar
Venho de grandes terreiros e caio no mundo
O meu lugar já é certo, posso chegar e sentar

Nunca fui de me afobar
Onde eu me apresento o povo vai me ver
E depois vai me acompanhando
Até você, até você, vai acabar sambando

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

João da Gente

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"Uma das mais belas vozes da Portela. Um verdadeiro versador, capaz de segurar um partido durante muito tempo" - Assim, Paulinho da Viola definiu João da Gente, na contracapa do histórico LP "Portela Passado de Glória". Nascido João Rodrigues de Souza, João da Gente é considerado um dos grandes responsáveis pela manutenção da tradição oral do partido alto. Em seu livro "Partido Alto Samba de Bamba", Nei lopes nos apresenta alguns exemplos de gravações onde João da Gente recorre a versos tradicionais:

No LP Clementina de Jesus, de 1966, João aparece versando em resposta a Clementina na faixa "Barracão é Seu" usando, entre outras, as seguintes quadras:


(A)
Eu queria ser balaio
Da colheita de café
Pra andar dependurado
Na cintura da mulher

Essa primeira quadra é tradicional da zona cafeeira do nordeste do Estado de São Paulo. Esses versos podem ser ouvidos no samba "Braço de Cera", de Nestor Brandão, lançado na Festa da Penha de 1926, com gravação de Frederico Rocha em disco 76 rpm (aos 2:26):



(B)
Da Bahia me mandaram
Um presente num balaio
Era um corpo de gente
Cabeça de papagaio

Essa segunda quadra inicia-se a partir de um "pé-de-cantiga" - verso inicial padronizado - muito comum em várias regiões do Brasil, como no Rio Grande do Norte (colhido por Mário de Andrade):

Da Bahia me mandaram
Uma camisa bordada
Na abertura da camisa
Tinha o nome da safada


(C)
Eu sou o João da Gente
Não nego o meu natural
Eu defendo a Portela
No dia de carnaval

Essa quadra começa com dois versos muito usados para que o versador possa se apresentar. Mário de Andrade, em seu ensaio "O Samba Rural Paulista", de 1937, os descreve da segunite maneira:

Eu me chamo Branco e Verde
Não nego meu natural

Um ano antes do registro de João da Gente no disco de Clementina, Jair do Cavaquinho registra a seguinte quadra no disco "Rosa de Ouro Vol. 1":


Eu sou o Jair da Portela
Não nego meu natural
Eu visto azul e branco
No dia de carnaval


Clique para baixar
Outro importante registro deixado por João da Gente é sua participação no primeiro disco da Velha Guarda da Portela, pouco antes de seu falecimento. Na faixa "A tristeza me persegue" ele nos apresenta uma quadra que começa com um pé-de-cantiga dos mais tradicionais, seguido por um verso ouvido por Mário de andrade num coco do Rio grande do Norte:

Vou-me embora, vou-me embora
Bela mandou me chamar
Eu mandei dizer a ela 
Tô doente, não vou lá

No mesmo disco, João da Gente versa ainda em duas faixas: Em "Levanta Cedo" improvisa sozinho, tirando versos dignos de um partideiro da mais alta estirpe. Em "Alegria Tu Terás" versa em resposta a Ventura.

Levanta Cedo (Antônio Rufino)
Voz: João da Gente


Alegria Tu Terás (Antônio Caetano)
Voz: Ventura e João da Gente



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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Falso Pai de Santo / Rabo de Saia (Monarco e Betinho da Balança)


Falso Pai de Santo
(Monarco e Betinho da Balança)

Não vou me embora 
Nem que o meu patrão me mande
Só depois da hora grande eu vou subir
Dizia o moço vestido de branco
Se dizendo pai de santo
No terreiro do Seu Tiriri

No terreiro do Seu Tiriri se errar o coro come
Tiriri levou o homem lá pro fundo do quintal
Apanhou uma garrafa de marafo
Misturou com azeite de dendê
Um pedaço de fumo e pimenta
Botou na panela pra ferver
E mandou o crioulo ajoelhar
E beber tudo aquilo de uma vez

Disse: Nêgo tu vai me pagar a vergonha que me fez
Tiriri deu gargalhada, olhou pro clarão da lua e disse:
Moleque tu vai aprender a respeitar povo de rua

Rabo de Saia
(Monarco e Betinho da Balança)

Quem quiser rabo de saia
Vai buscar noutro lugar
No terreiro da vovó
Esse nêgo não vai se criar

Quando uma moça balança
O nêgo avança e vai segurar
Mas se for perna de calça
Ele nem sai do lugar

Vovó só tá espiando
Esse nêgo aproveitador
Qualquer dia ele toma um surreiro
E sai do terreiro naquela de horror

Vovó veio do cativeiro pra fazer caridade
Mas não quer filho da terra
Abusando da sua bondade
Ela é de Bahia, ela é feiticeira
Ela vence a demanda
Respeitada na mesa de umbanda
E em todo lugar
Vovó falou que vai dar
Um coro nesse fim de feira

Eu só sei que de qualquer maneira
Esse nêgo vai ter que pagar
Ele tem que pagar, esse nêgo vai ter que pagar
Ele tem que pagar, esse nêgo vai ter que pagar

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Trio de Ouro - Adeus Mangueira

O Trio de Ouro canta o samba "Adeus Mangueira" de Herivelto Martins e Grande Otelo, em uma cena do filme "É de Chuá", de 1958. O Trio de Ouro - cuja formação original contava com Herivelto Martins, Nilo Chagas e Dalva de Oliveira - aparece nesse vídeo em sua terceira e penúltima foração, com Herivelto, Raul Sampaio e Lourdes Bittencourt.



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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia



01 - Samba da antiga (Candeia) 
Viver (Candeia) 
Canção da liberdade (Candeia)

02 - Nova escola (Candeia)
Dia de graça (Candeia)
Falsa inspiração (Candeia)

03 - Vem pra Portela (Candeia e Coringa)
O ideal é competir (Candeia e Casquinha)
Portela é uma família reunida (Candeia e Monarco)

04 - Brasil panteão de glórias (Bubú da Portela, Candeia, Casquinha, Picolino e Waldir 59)
Riquezas do Brasil (Candeia e Waldir 59)

05 - Saudade (Arthur Poerner e Candeia)
Peso dos anos (Candeia e Walter Rosa)
Os lírios (Candeia)

06 - Samba na tendinha (Candeia)
Que me dão pra beber (Candeia)
Meu dinheiro não dá (Candeia e Catoni)

07 - Miragens do deserto (Candeia)
Ilusão perdida (Candeia)
Já sou feliz (Candeia e Casquinha)
Não é bem assim (Candeia)

08 - Magna beleza (Candeia)
Amor oculto (Candeia)
Não se vive só de orgia (Candeia)
Deixa de zanga (Candeia)

09 - Prece ao sol (Candeia)
A hora e a vez do samba (Candeia)

10 - Brinde ao cansaço (Candeia)


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domingo, 9 de outubro de 2011

Nélson Cavaquinho (Wilson Batista)


Nélson Cavaquinho 
(Wilson Batista)

Quem é esse sambista de cabelos brancos
Que nas madrugadas esbanja melodias
De violão nos braços, arranjando rimas
Que só vai pra casa quando vier o dia
Boêmios noturnos aplaudem o artista
Eu também tomo parte nos salgadinhos
É mais uma cerveja, é mais um conhaque
Na mesa do Nelson Cavaquinho

Não podia esquece-lo no meu álbum
Com sua simplicidade e seu grande valor
Essa figura da noite 
Que alegrou tantos bares do Rio
Aos que carregavam uma dor






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sábado, 8 de outubro de 2011

A Ciência do Bamba - Paulo Vanzolini

Eu que sou biólogo, sou fã em dobro. Paulo Vanzolini, além de um grande compositor, é um dos maiores pesquisadores brasileiros.



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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Capoeira de Besouro

Clique para Baixar
"Capoeira de Besouro" é uma obra prima do Paulo César Pinheiro. São 15 faixas, compostas originalmente para o musical "Besouro Cordão de Ouro" e que pra nossa felicidade acabaram reunidas nesse maravilhoso cd, lançado em 2010. 

Paulo César Pinheiro é poeta dos melhores e seu dom com as palavras dispensa maiores apresentações. Vale ressaltar a participação do Mestre Camisa, um dos maiores capoeiristas do Brasil, que toca berimbau no disco e ainda dá uma bela contribuição descrevendo cada toque no encarte do disco. Deixo aqui de aperitivo a faixa 4,  "Toque de São Bento Grande de Angola", enquanto vocês dão uma lida no texto de divulgação escrito pela Luciana Rabello:

"Besouro, nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira por esse Brasil inteiro. Metido em política, impunha respeito e temor aos poderosos daquele princípio de século XX na velha Bahia. Sua vida virou lenda. Além de capoeirista, também tocava violão e compunha sambas-de-roda e chulas. 



Existe um samba, chamado Canto do Besouro, cujos versos de sua autoria "Quando eu morrer/não quero choro nem vela/ quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela" fazem parte do samba conhecido de Noel Rosa, no qual nosso poeta escreveu a segunda parte. Outro refrão deste Canto do Besouro também foi usado por Paulo César Pinheiro em Lapinha (com Baden Powell) - sua primeira música gravada e sucesso na voz de Elis Regina - com a qual venceu um dos mais concorridos festivais de música popular, a Bienal do Samba, da TV Record, em 68, hoje um clássico da MPB.

Desta canção, Paulinho usou o refrão “Quando eu morrer me enterrem na Lapinha, calça-culote, paletó-almofadinha” para o Samba de Roda, ao qual acrescentou oito novos versos. Entraram também no musical mais dez canções, feitas para cada toque do berimbau: Jogo de Dentro, Jogo de Fora, São Bento Grande, Angola Dobrada, Amazonas, Benguela, Barravento, Iúna, Santa Maria e São Bento Pequeno. 

Este CD trás, além do samba de roda e destes 10 toques, mais quatro inéditos, também feitos origalmente para o musical, mas que ficaram de fora da montagem: de Tico-Tico, Idalina, Angola e de Cavalaria. 

Capoeira de Besouro é uma linda homenagem ao Mestre dos mestres da capoeira, Besouro Mangangá, à capoeira, à Bahia, ao Brasil. Nada mais natural e bonito que seja abraçado e apresentado ao mundo através do olhar e das bênçãos de Maria Bethânia - esta legítima e fiel filha de Santo Amaro da Purificação, terra onde também nasceu o homenageado, diz o povo que em 1895 ou 1897, batizado Manoel Henrique Pereira. 

Paulinho Pinheiro faz aqui um resgate emotivo da sua própria história que, misteriosamente, teve inicio com Besouro, quando o poeta e Baden Powell venceram a Bienal do Samba com “Lapinha” - samba imortalizado na voz de Elis Regina, composto sobre refrão de Mestre Besouro Preto. Sim, são do capoeirista os versos “Quando eu morrer me enterrem na Lapinha/Calça-culote, paletó-almofadinha.” Assim, sem ter idéia da carreira que iniciava e da grandeza do que iria construir na nossa música, Paulinho adentrava os portais da música e da poesia, aos 16 anos, conduzido pelas mãos de Mangangá.

Em 2006, foi montado o musical “Besouro Cordão de Ouro”, também escrito pelo poeta, com direção de João das Neves e direção musical minha. Essas são as músicas dessa peça. Recebemos o Prêmio Shell de Teatro por esse trabalho, na categoria Melhor Música e Direção Musical! E o Besouro continua seu voo. 

Discípulo direto do Mestre, aluno do também lendário Mestre Bimba e hoje forte referência da capoeira em todo mundo, Mestre Camisa não só participa das gravações tocando o berimbau gunga, como generosamente conduz nossos passos por essas veredas cheias de fundamentos, mistérios e verdades da capoeira. São dele os textos descritivos dos toques, imprescindíveis para o mergulho do ouvinte e leitor nessa arte. 

Mas esse trabalho não pretende ser um tratado sobre a capoeira. Carece ser recebido com a suavidade e a liberdade que o olhar da poesia de Paulinho vislumbra. Então, deixe a emoção comandar e venha bater palma com a gente nessa roda de capoeira!"


Toque de São Bento Grande de Angola
Paulo César Pinheiro
Nesse mundo camará,
Mas não há, mas não há
Mas não há quem me mande
Eu só sei obedecer
Se mandar, se mandar
 São Bento Grande

É de angola, é de Angola, é de Angola
De Angola, de Angola, de Angola 

Meu avô já foi escravo
Mas viveu com valentia
Discumpria ordem dada
Agitava a escravaria
Vergalhão, corrente e tronco
Era quase todo dia
Quanto mais ele apanhava
Menos ele obedecia

É de angola, é de Angola, é de Angola
De Angola, de Angola, de Angola 

Nesse mundo camará,
Mas não há, mas não há
Mas não há quem me mande
Eu só sei obedecer
Se mandar, se mandar
 São Bento Grande

É de angola, é de Angola, é de Angola
De Angola, de Angola, de Angola 

Quando eu era ainda menindo
O meu pai me disse um dia
A balança da justiça
Nunca pesa o que devia
Não me curvo além dos homens
é a razão é que me guia
Nem que seu avô mandasse
Eu não obeceria

É de angola, é de Angola, é de Angola
De Angola, de Angola, de Angola 

Nesse mundo camará,
Mas não há, mas não há
Mas não há quem me mande
Eu só sei obedecer
Se mandar, se mandar
 São Bento Grande

É de angola, é de Angola, é de Angola
De Angola, de Angola, de Angola 

Esse mundo não tem dono
E quem me ensinou sabia
Se tivesse dono o mundo
Nele o dono moraria
Mundo é mundo sem dono
Não aceito hierarquia
Eu não mando nesse mundo
Nem no meu vai ter chefia

É de angola, é de Angola, é de Angola
De Angola, de Angola, de Angola 

Nesse mundo camará,
Mas não há, mas não há
Mas não há quem me mande
Aprendi com Mangangá
Respeitar só se for 
São Bento Grande

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Não deixa o coração amolecer

Herivelto Martins
Duro, Nêga
Herivelto Martins 
Intérprete: Isaura Garcia - 1945 


Duro nêga, isso mesmo 
Não deixa o coração amolecer 
Porque senão ele pode estragar 
Sua vida seu viver 
Não faça como eu 
Não perca nunca a razão 
O silêncio de um coração 
Vale um milhão 

Falei de mais 
Disse tudo o que sentia 
Ele não compreendeu 
Do meu mal se aproveitou 
Aceita amigo um conselho 
De um coração que falhou


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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Geraldo Pereira

Geraldo Pereira
Essa é uma postagem antiga do blog. Os arquivos de áudio foram trocados e não apresentam mais o defeito que tinham na coletânea antiga. Também foi acrescentado um arquivo pdf com todas as letras das musicas da coletânea.

Nascido em Juiz de Fora (MG), no dia 23 de abril de 1918, o menino Geraldo Theodoro Pereira mudou-se para o Rio de Janeio aos 12 anos de idade, para ajudar seu irmão Mané Araújo (sanfoneiro) que tinha uma vendinha no morro da Mangueira. E foi na mangueira que Geraldo Pereira começou a conhecer o samba. Frequentando a casa de Alfredo Português, conheceu sambistas como Carlos Cachaça, Nélson Cavaquinho e Cartola... Aliás, dizem que foi o Cartola que o ensinou a tocar violão. Foi assim que Geraldo Pereira se tornou um dos maiores sambistas brasileiros!

Foi capaz de assimilar o samba dos bambas da década de 20 e 30, acrescentando algumas alterações rítmicas na melodia e criando assim o que se conhece como "samba sincopado", estilo amplamente difundido durante a década de 40 por Ciro Monteiro, que gostava de chamar esse jeito de se cantar samba de "samba de teleco teco". Segundo Nei Lopes, "o samba sincopado é uma variante do samba-choro, de fraseado sinuoso, rico em notas. Estilo que influênciou a obra de compositores como Jota Cascata, Padeirinho, Luiz Grande e João Nogueira". Seu primeiro samba gravado foi Se você sair chorando, na voz de Roberto Paiva, em 1939:


Inscrito num concurso de musicas carnavalescas, o samba não foi um sucesso estrondoso, mas chegou a preocupar o "papa" do samba na época, Wilson Batista. Preocupação essa que terminou em uma das mais famosas parcerias da dupla, "Acertei no Milhar", gravada pelo Moreira da Silva, em 1940.

A partir daí, Geraldo Pereira pôde ser ouvido nos mais diversos timbres, interpretado por grandes nomes do samba, como Ciro Monteiro, Moreira da Silva, Aracy de Almeida, Orlando Silva, entre outros. Ciro Monteiro foi um grande amigo além de seu principal intérprete. Imortalizou clássicos como Falsa Baiana e Escurinho. A primeira música de Geraldo que Ciro gravou foi "Acabou a sopa" em 1940:


Geraldo Pereira era um boêmio e malandro, jogador de capoeira... Quando tomava umas já ficava com "mania de brigão"... E foi por causa da mania de brigão, ironicamente mencionada em seu último samba, que Geraldo Pereira morreu cedo, deixando em 15 anos de carreira uma obra de mais de 300 músicas, sendo a maioria, ainda inéditas. Apesar de contar com um time de intépretes de peso, Geraldo também arriscava no gogó. Interpretava suas músicas e de outros sambistas, além de jingles publicitários, na Rádio Tamoio do Rio de Janeiro. Ouça o samba "Juracy", na voz do próprio Geraldo Pereira:


A noite estava tranquila na Lapa quando, de repente, Geraldo Pereira e Madame Satã começam um bate boca e acabam saindo na pancada... Dizem que depois de levar um certeiro, Geraldo caiu e bateu a cabeça no meio fio... foi levado ao hospital, mas não resistiu, falecendo tempos depois.

Geraldo Pereira em seus 37 anos de vida, não pode vivenciar a consagração, a valorização de sua obra e do samba do morro, que tanto buscou durante sua vida. Hoje é tido com um dos grande mestres do samba, gravado pelos mais diversos cantores e grupos. Pouco tempo após sua morte, artistas ligados ao incipiente mundo da Bossa Nova, como João Gilberto, Chico Buarque e Gal Costa, fizeram boas releituras de sua obra, apresentando assim o nome de Geraldo Pereira às novas gerações...

PRA OUVIR

Segue abaixo uma coletânea com 49 sambas de Geraldo Pereira gravados a partir do final da década de 30, em discos de 78 rpm (A maioria desses áudios são disponibilizados no site do IMS). 




O 4 shared está pedindo para fazer login antes de baixar os arquivos:
Login: blogreceitadesamba@yahoo.com.br
Senha: samba2012



01 - SE VOCÊ SAIR CHORANDO
02 - ACABOU A SOPA
03 - ACERTEI NO MILHAR
04 - ELA NÃO TEVE PACIÊNCIA
05 - PODE SER?
06 - FALTA DE SORTE
07 - LEMBRA-TE DAQUELA ZINHA?
08 - ADEUS
09 - AI QUE SAUDADE DELA
10 - SINHÁ ROSINHA
11 - LEMBRANÇAS DA BAHIA
12 - TENHA SANTA PACIÊNCIA
13 - VOZ DO MORRO
14 - RESIGNAÇÃO
15 - SAMBA PRO CONCURSO
16 - VOCÊS ESTÁ SUMINDO
17 - JÁ TENHO OUTRA
18 - JAMAIS ACONTECERÁ
19 - CARTA FATAL
20 - FALSA BAIANA
21 - VOLTEI, MAS ERA TARDE
22 - SEM COMPROMISSO
23 - BOLINHA DE PAPEL
24 - JUREI
25 – GOLPE ERRADO
26 - VAI QUE DEPOIS EU VOU
27 - AI MÃEZINHA
28 - ATÉ HOJE NÃO VOLTOU
29 - SÓ QUIS MEU NOME
30 - AINDA SOU SEU AMIGO
31 - PISEI NUM DESPACHO
32 - LIBERTA MEU CORAÇÃO
33 - CHEGOU A BONITONA
34 - QUE SAMBA BOM
35 - MINHA COMPANHEIRA
36 - BRIGARAM PRA VALER
37 - BOCA RICA
38 - PERDI MEU LAR
39 - FUGINDO DE MIM
40 - AQUELE AMOR
41 - MINISTÉRIO DA ECONOMIA
42 - PEDRO DO PEDREGULHO
43 - PROMESSA DE UM CABOCLO
44 - NÃO CONSIGO ESQUECER
45 - CABRITADA MAL SUCEDIDA
46 - JURACI
47 - MAIOR DESACERTO
48 - VAI

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sábado, 1 de outubro de 2011

Estácio, Mangueira


Samba de domínio público e cheio de versos tradicionais, muito comuns nos terreiros das antigas escolas cariocas. Gravação retirada do disco Gente da Antiga, de 1968, com interpretação de Clementina de Jesus.


Estácio, Mangueira
Se for à Lapa, tu me faças um favor 
E leve um telegrama ao Bernardo 
Pra ir a Dona Clara, pra falar com Mano Heitor

O rei mandou me chamar pra cantar com o Malaquias
Cantei sexta, cantei sábado e domingo todo o dia
Cantei sexta, cantei sábado e domingo todo o dia
Quando foi segunda-feira perguntei se ainda queria

Estrela no céu que brilha no azul do firmamento
O nome daquele ingrato não me sai do pensamento
Se passares em Mangueira diga adeus e vai andando
Vai dizer aquele ingrato saudade ta me matando

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