segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Preto Rico

Preto Rico
Nascido em 1923 na região de Madureira, o carioca Jorge Henrique dos Santos, mais conhecido como Preto Rico, começou a compor no início da década de 1950, quando residia no bairro Estácio de Sá. Uma de suas primeiras composições, o samba "O crime da enfermeira",  fez muito sucesso na Filhos do Deserto, escola que ficava no suburbio de Lins.

Mudou-se para o morro da Mangueira na década de 1950 e em 1957 passou a integrar a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e seu samba "Velha Baiana" (parceria com Moacir Silva) foi classificado como um dos cinco melhores da escola naquele ano. Em 1959 entrou oficialmente para a ala de compositores da escola e chegou inclusive a presidir a ala no final da década de 1960. Compôs dois sambas enredo que deram o carnaval à Mangueira: "Lendas do Abaeté", campeão na avenida em 1973 e "Mangueira em tempos de folclore" (1974), ambas em parceria com Jajá e Manoel.

No final da década de 1970 participou da gravação do disco "Os bambas do partido alto" ao lado de Aniceto do Império, Baiano do Cabral, Nelson Cebola, Arielson da Bahia, Luiz Grande e Dedé da Portela. Na ocasião interpretou interpretou de sua autoria "Zebra no lar", em parceria com Moacyr da Silva.

Segue um seleção de sambas do Preto Rico, pra vocês conhecerem um pouco mais desse bamba e, quem sabe, adicionar algum ao repertório!



Velha Baiana (Preto Rico e Moacir)
Intérprete: Preto Rico

Fiquei com pena dela 
Que olhava da janela
Vendo a escola passar
Com os olhos rasos d'água
Não suportando a mágoa
Do que acabava de avistar
Era uma veterana
Que na ala das baianas
Era sempre a primeira
Tem recordação de bronze
Que ganhou na Praça Onze
Defendendo a Mangueira

Hoje em seu rosto
Vejo lágrimas a derramar
Está marcado
Seu destino é penar
Em seu peito já não há voz pra cantar
As cadeiras da velha baiana
Não têm mais ginga pra sambar


 
Eu vi quem foi (Preto Rico)
Intérprete: Preto Rico

Baixar

Eu vi quem foi, mas não sei quem é
O cara que apanhou da mulher

Viajando no carango, vi um cara andando a pé
Quando olhei era o cara que apanhou da mulher

Outro dia no pagode na casa da Tia Fé
Quando olhei eu vi o cara que apanhou da mulher

Em uma tribo de índio quando olhei vi o pajé
Justamente era o cara, que apanhou da mulher



Mangueira em tempos de folclore (Preto Rico, Jajá e Manoel)
Intérprete: Jamelão

Baixar

Hoje venho falar de tradições
Das regiões do meu país, do seu costume popular
Canto a magia do ritual das lendas encantadas
Mostro as lindas festas das noites enluaradas
E ainda em figuras tradicionais
Caio no bloco danço o frevo
Enlevo dos nossos carnavais

A congada, boi bumbá
Ô meu santo, saravá
Ô rendeira, mulher rendá
Ô baiana, ô sinha
É o zé pereira com seu bumbo original
Eis a mangueira com seu carnaval



Zebra no Lar (Preto Rico)
Intérprete: Preto Rico

Baixar

Eu ando com a vida atrapalhada
Tenho uma zebra parada na coluna do meu lar
A Nêga, comigo não quer mais nada
Está de mala arrumada e diz que vai me abandonar

Olê, olê, olá...
Tá dando zebra na coluna do meu lar

Culpada é uma vizinha fofoqueira
Que me flagrou na Mangueira
E foi lá em casa contar
Por isso que meu teste está furado
Eu estou atrapalhado com a zebra no meu lar



Mulher comprometida (Preto Rico)
Intérprete: Tantinho da Mangueira e Preto Rico

Baixar

Porque, quando passas por mim
Tu me olhas assim, porque?
Se é que nào compreendes
Ou finges não compreender
És mulher comprometida
Vais arruinar tua vida por querer

Nada tenho para te dar
Nem sequer casa e comida
És mulher de luxo,
tens bangalô com repuxo
Perderás a boa vida que tens
Vá se mirar no espelho
E segue o meu conselho
É para o seu bem



Lendas do Abaeté (Preto rico, Jajá e Manoel)
Intérprete: Genaro da Bahia

Baixar

Iaiá mandou ir a bahia
No abaeté para ver sua magia
Sua lagoa, sua história sobrenatural
Que a mangueira traz pra este carnaval
Janaína agô agoiá
Janaína agô agoiá
Samba corima, com a força de iemanjá

Oh! que linda noite de luar
Oh! que poesia e sedução
Branca areia água escura
Tanta ternura no batuque e na canção
Lá no fundo da lagoa
Com seu rito e sua comemoração
Foi assim que eu vi Iara cantar
Eu vi alguém mergulhar
Para nunca mais voltar



Falso jogador de sueca (Preto Rico)
Intérprete: Preto Rico

Baixar

Você anda dizendo que é o tal na sueca
Mas quando você joga apanha mais do que peteca
Não há parceiro que queira com você jogar
No final da partida, seja o que for terá que pagar


Quando você dá carta
O seu parceiro já fica zangado
Porque quase sempre, se ouve dizer
Tem jogo furado
Parce brincadeira
Só leva bandeira e perde o cartaz
E o parceiro se zanga
Com tanta renúncia que você faz
Deixa disso rapaz...



Baile das Flores (Preto Rico)
Intérprete: Preto Rico e Carlos Cachaça
Cartola ao violão

Baixar

Me lembro do baile das flores
O jardim era o salão dos amores
O cravo que regia uma orquestra
Abrilhantava a festa com suas ????
As rosas, as mais lindas debutantes
Que sorrindo a todo instante
Conquistavam os corações (de milhões)

Margarida lá estava tão formosa
Bailando com o jasmim
Hortências e violetas
Espalhavam perfumes pelo salão
E causavam ciúmes a mal-me-quer e ???
Outras flores com seu perfil de beleza
O baile foi o orgulho da natureza



Exaltação a Villa Lobos (Preto Rico)
Samba concorrente ao enredo da mangueira de 1966


A letra eu não consegui transcrever devido à qualidade da gravação, se alguém tiver e quiser mandar eu posto aqui!



.

Um comentário:

Firmeza Total disse...

Samba Enredo 1966 - Exaltação a Villa-Lobos
G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira (RJ)


Relembrando as sublimes melodias
Que o poeta escrevia
Em lindas canções divinais
Surgiram...
Os acordes musicais
De sonoras sinfonias
Na beleza de poemas imortais
Todo lirismo que a arte gravou
Com poesia e esplendor
Resplandecia
Como um sonho em fantasia
Ô... ô... ô... o samba vibrou !
Com as glórias que villa-lobos alcançou
E as platéias do mundo inteiro deslumbrou

Da natureza verdejante
Ao som da brisa murmurante
Nasceram com angelical fulgor
As trovas que o poeta inspirou
A alma sonora e vibrante da terra febril
O grito da dança nascido na selva
Do nosso brasil
Fascínio colorido...
Em sua alma cantou
E nas noites de festas
Em lindas serestas pintou

Sentiu ritmar em seu peito
Com grande emoção
Bis
A história lendária do nosso sertão

Brilham... com os astros no céu!
Ao descortinar o véu
Iluminando as passarelas universais
As mais lindas notas musicais