quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Bonde São Januário

Lá pelo início da década de 40, com a forte repressão exercida pelo Estado Novo, os compositores passaram a evitar a velha temática da malandragem em seus sambas. O samba deixava de ser coisa de malandro, do morro e era enlatado pela censura, que buscava enaltecer o trabalho, exaltando o trabalhor mais preocupado com o progresso da nação do que com a boemia...

Bonde São Januário em 1941
Wilson Batista não perdeu tempo e com o parceiro Ataulfo Alves compôs o samba O Bonde de São Januário, que já começa com os versos "quem trabalha é quem tem razão...", pra ganhar a simpatia do pessoal lá de cima. 

O problema é que Wilson, malandro que era, ao mandar a letra para análise no DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda, criado por Getúlio Vargas para regulamentar o material veiculado nos rádios, jornais, cinemas e revistas da época - fez uma mudança na letra que deixarou Ataulfo Alves numa saia justa, como contam Rodrigo Alzuguir e Cláudia Ventura numa faixa do CD "O Samba Carioca de Wilson Batista", lançado recentemente:


O Bonde São Januário (Wilson Batista e Ataulfo Alves)


Quem trabalha é que tem razão
Eu digo e não tenho medo de errar

O Bonde São Januário
Leva mais um operário
Sou eu que vou trabalhar

Antigamente eu não tinha juízo
Mas hoje eu penso melhor
No futuro graças a Deus
Sou feliz vivo muito bem
A boemia não dá camisa
A ninguém passe bem


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