sexta-feira, 29 de julho de 2011

É Batucada entrevista Tuco

Tuco (Fernando Pellegrino)
Mais uma edição do ótimo "É Batucada", programa apresentado pelo Edinho do Terreiro de Mauá. Dessa vez o entrevistado é o Tuco, que quem frequenta o blog já conhece... Transcrevo a postagem do Edinho na integra, pelas belas palavras, mas recomendo fortemente uma visita ao blog do É Batucada pra conferir as edições anteriores!

Parabéns ao Edinho pelo programa, tá muito legal! E salve Tuco, seu batalhão e toda essa turma que vem lutando pelo samba, sempre com muito amor e respeito!


Fernando Pellegrino, conhecido nas rodas de samba como Tuco. Figura de grande importância no atual cenário do samba de São Paulo, e (por que não?) do Brasil. Compositor e "crooner". Suas composições, crônicas contemporâneas carregadas de influências dos grandes mestres da história do samba. Sua voz, marcante, faz com que relembremos dos potentes cantores (Jamelão detestava o termo "puxador") das Escolas de Samba de outrora como Ventura, João da Gente e o próprio mangueirense acima citado.

Sua história reserva passagens importantes, verdadeiras aulas de cidadania, que transcendem o mundo do samba, no Morro das Pedras e no Terreiro Grande. Com o Batalhão de Sambistas, voltou a apresentar ao público uma formação de palco, com um "crooner" ladeado pelos instrumentistas. Sob a batuta de mestres como Nelson Sargento, Monarco e Roberto Silva, o maior dos cantores, o "Príncipe do Samba", que, com 90 anos, aprovou o jovem talento.

"Talvez eu seja o valor que o amigo citou, com o mesmo sangue nas veias?" "É". A resposta foi do próprio Nelson Sargento, o valor em questão, citado por Cartola.

Tuco não está para brincadeira. De um ano pra cá, desde a gravação do disco "Peso é peso", passou a dar mais valor a suas composições, inclusive cantando-as mais nas rodas de samba. Já o repertório de brasas do samba de terreiro e da Era de Ouro do Rádio continuam na ponta da língua.

Nesta edição do Programa É Batucada, Tuco fala sobre sua trajetória, suas canções, suas lutas e seus projetos futuros. Que este "Peso é Peso", seja só o início de uma brilhante trajetória. E que esta entrevista seja a primeira de muitas de uma estrela nascente.

Parte 1


.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Alvorada na Portela

Batucada da pesada! Jamelão e sua escola interpretam essa pérola do Mestre Chico Santana em homenagem à Portela:


Portela é um batalhão de sambistas 
Alerta sempre pronto pra lutar 
Ao romper da madrugada 
Com um toque de alvorada 
Alertando a rapaziada 

As pastoras com harmonia cantam essa melodia 
Igual a uma banda de clarins cantando assim 
Laiá... laía...Laía ...laiá...laiá 

Lutamos para ganhar ou pra perder 
Se não lutarmos não poderemos vencer 
Avante portelense com alegria 
Que na Portela não existe covardia

.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O seu nome não caiu no esquecimento...

Paulo da Portela, Cidadão Samba de 1937

É indiscutível a importância de Paulo Benjamin de Oliveira não só para a Portela, mas para o samba carioca. A simpatia e determinação de Paulo da Portela fizeram dele um líder comunitário e uma referência cultuada pelos moradores de Osvaldo Cruz e redondezas. Tinha consciência de que a arte de sua gente era rica e poderia tornar-se profissional, daí a preocupação em diferenciar a imagem do sambista do malandro vadio perseguido pela polícia. Paulo era conhecido por "professor" e é assim que muitos sambistas, ainda hoje, se referem a ele.

Paulo era um diretor exigente... todos tinham que se apresentar impecavelmente de sapatos, chapéu e roupa azul. Se não vestisse o azul da Portela, não podia desfilar. E foi justamente por esse motivo que o professor Paulo da Portela rompeu relações com sua escola do coração. Alvaiade, compositor portelense que foi o braço direito de Paulo conta como aconteceu:

"No carnaval de 1940 eu estava chefiando a escola no lugar do Paulo, que estava em São Paulo, com o Cartola e o Heitor dos Prazeres. Ele chegou na hora em que a escola estava formada pra desfilar na Praça Onze e queria que os companheiros dele desfilassem também. Mas o problema é que eles estavam com uma fantasia preta e branca e o pessoal da diretoria achou que não era direito. Se o Paulo quisesse desfilar, tudo bem. Mas seus companheiros não podiam desfilar sem as cores da Portela, afinal a regra havia sido criada por ele mesmo.

Chamamos o Manoel Bam Bam Bam e ele repetiu para o Paulo a mesma coisa. Aí o Paulo disse: “Se eles não podem entrar, eu também não entro”. O Manoel Bam Bam Bam levantou a corda – naquela época as escolas desfilavam com corda - e falou: “Então você não desfila, pode sair”. O Paulo saiu e nunca mais desfilou pela Portela."

Bom, essa história muitos já conhecem, mas resolvi contar aqui pois encontrei um trecho do filme Natal da Portela (lançado em 1988) que narra exatamente esse momento em que Paulo chega com Cartola e Heitor dos Prazeres e é barrado pelo Manoel Bam Bam Bam. Mesmo depois da discussão a escola só começa o desfile após o sinal de Paulo, que em seguida vira as costas e vai pra nunca mais voltar, enquanto sua portela começa o desfile cantando "sai pra lá brocoió"...


Paulo nunca mais desfilou pela Portela, mas nunca esqueceu sua escola querida. Alvaiade conta que muitas vezes eles conversavam e Paulo sempre perguntava sobre a escola, como iam as coisas por lá... Segundo o Alvaiade, Paulo pensava em voltar para o Portela, mas quando o desentendimento parecia próximo do fim, Paulo faleceu, vítima de um ataque cardíaco em 1949. É hoje o nome mais importante da Portela, tavez um dos mais importantes para a história do nosso samba.  Em 1989 a Velha Guarda da ortela lançou um CD em homenagem a Paulo da Portela com uma seleção de algumas de suas mais famosas composições. Quem quiser ouvir é só clicar aqui

Disso tudo, nasceu um clássico do samba em que Paulo lamenta o fato ocorrido, mas ressalta que a história da Portela nunca poderia ser contada sem se falar em Paulo Benjamin de Oliveira:

O Meu Nome Já Caiu no Esquecimento
(Paulo da Portela)


O meu nome já caiu no esquecimento 
O meu nome não interessa a mais ninguém 
E o tempo foi passando 
A velhice vem chegando 
Já me olham com desdém 
Ai quanta saudade 
De um passado que se vai lá no além 

Chora cavaquinho chora 
Chora violão também 
O Paulo no esquecimento 
Não interessa a mais ninguém 
Chora Portela, minha Portela querida 
Eu que te fundei, serás minha toda a vida


Pra quem ainda não conhece o Paulo da Portela, segue o documentário "O Seu Nome Não Caiu no Esquecimento":




.  

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mestre Chico Santana...

Como muitos já leram aqui, 2011 é o centenário de Chico Santana, mestre portelense, compositor extraordinário porém pouco conhecido. Aqui ele canta "Noite que tudo esconde", pra mim um de seus mais belos sambas, lançado originalmente na voz de Paulinho da Viola e a Velha Guarda.



.

sábado, 23 de julho de 2011

O Lamento do Samba


"O segredo da força do samba é a vivência do seu fundamento"! Salve Paulo César Pinheiro.

O Lamento do Samba 
(Paulo César Pinheiro)


Eu tenho saudade dos sambas de antigamente
Quando o samba deixava
Uma vaga tristeza no peito da gente
Não era amargura, nem desventura e nem sofrimento
Era uma nostalgia, era melancolia
Era um bom sentimento.

Nos dias de hoje o samba ficou diferente
Não tem mais dolência
Mudou a cadência e o povo nem sente
Sua melodia é uma falsa alegria
Que passa com o vento
Ninguém percebeu mas o samba perdeu
Sua voz de lamento.

Quando eu canto na roda de samba
Um samba que é mais antigo
A moçada se cala, escuta, aprende, 
E ainda canta comigo

O que falta pra quem faz um samba
É a tristeza que vem de outro tempo.
Quem não sabe a ciência do samba
Vai fazer o que pede o momento.

O segredo da força do samba
É a vivência do seu fundamento.
O que faz ser eterno um bom samba
É a beleza que tem seu lamento.

.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Euforia

Lindo samba de Nélson Cavaquinho, Eduardo Gudin e Roberto Riberti. Aliás, não sabia que o Nélson e o Gudin foram parceiros. Gostei muito de descobrir isso da melhor maneira possível! Retirado do disco "Um jeito de fazer samba", de Eduardo Gudin e Notícias dum Brasil. A bela voz é da Selma Boragian:



EUFORIA
(Nélson Cavaquinho/ Eduardo Gudin/ Roberto Riberti)

Eu já sofri
Hoje estou sorrindo
De tanta euforia
Aquela alegria voltou
Quero pedir que não partas agora
Tu que foste a aurora
Luz que me clareou

Se for paixão
Fica até o amanhecer
Se tens amor
Fica até não mais querer
Se é amizade
Fica pra me proteger
Mas hoje não vás
Pr'eu não entristecer

Eu já sofri
Hoje estou sorrindo...

.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Felicidade hoje é fantasia...


Tristeza do Sambista (Geraldo Filme)

Felicidade hoje é fantasia e o povo canta mesmo sem saber
Que a favela virou poesia na boca de quem nunca soube o que é sofrer

Quando sopra o vento no mês de Fevereiro
A nega me pergunta "o que fazer?"
O Zinco tremulando é um pesadelo só rezo e peço a Deus para nos proteger

Felicidade hoje é fantasia e o povo canta mesmo sem saber
Que a favela virou poesia na boca de quem nunca soube o que é sofrer

Todos cantam todos falam mas esquecem o principal
A tristeza do sambista é não ter no carnaval
Sua própria fantasia e um barraco em condição
Para não ver a realidade no desfile da ilusão

Felicidade hoje é fantasia e o povo canta mesmo sem saber
Que a favela virou poesia na boca de quem nunca soube o que é sofrer

.

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Samba - Ensaio Fotográfico

Além do samba, a fotografia é outra arte que me encanta. E a cidade de Ouro Preto tem uma forte tradição de escolas de samba. O carnaval vai chegando e as ruas são tomadas por surdos, tamborins, ganzás... Cada escola com seu toque, suas características. E a molecada não fica de fora. Em um fim de tarde de fevereiro de 2011, ao passar pela Matriz de Nossa Senhora da Conceição, me deparei com a criançada esquentando os tamborins para o ensaio do dia. São as nossas crianças ajudando a manter acesa a chama do samba! 

Espero que gostem! Aliás, se gostarem, podem ver mais imagens no meu blog de fotografias, o Arte Que Vem da Luz.
















.



quinta-feira, 14 de julho de 2011

Noel Rosa de Oliveira

Noel Rosa de Oliveira nasceu em 1920 no morro do Salgueiro e já lhe deram nome de bamba... Não deu outra! Ainda menino começou a se interessar pelo samba e frequentar as rodas de partido alto no morro. Aos 13 anos já compôs seu primeiro samba para um bloco carnavalesco e logo passou a ser considerado o mascote da turma. Em 1948 a dupla Zé e Zilda, um dos grande sucessos do rádio naquele tempo, gravou seu samba "Falam de Mim", parceria com Éden Silva e Aníbal Silva.

Zé e Zilda cantam Falam de Mim em gravação de 1948:

Pertenceu à ala de compositores da Escola de Samba Depois Eu Digo por cinco anos e em 1939 ingressou na Unidos do Salgueiro, onde foi diretor de harmonia até a década de 1950 quando houve a fusão das duas escolas citadas com a Azul e Branco, as três principais escolas do morro do Salgueiro, originando o GRES Acadêmicos do Salgueiro. 

Elizeth Cardoso canta Água do Rio:

No Acadêmicos do Salgueiro compôs de sambas de terreiro belíssimos que caíram no gosto dos sambistas como Água do Rio (com Anescarzinho do Salgueiro), O Neguinho e a Senhorita (com Abelardo silva) e Vem Chegando a Madrugada (com Zuzuca). Foi gravado por Ciro Monteiro, Elizeth Cardoso, Noite Ilustrada e outras grandes vozes da nossa musica. Compôs sambas enredos memoráveis como "Quilombo dos Palmares" (1960) e "Chica da Silva" (1963), dois sambas que deram o carnaval ao Salgueiro.

Abaixo uma coletânea com 27 sambas de Noel Rosa de Oliveira:



O 4 shared está pedindo para fazer login antes de baixar os arquivos:
Login: blogreceitadesamba@yahoo.com.br
Senha: samba2012

01 - Direito de Viver (Noel Rosa de Oliveira e E. Menezes)
02 - O Neguinho e a Senhorita (Abelardo da Silva e Noel Rosa de Oliveira)
03 - Vem chegando a madrugada (Noel Rosa de Oliveira e Zuzuca)
04 - Minha Verdade (Hayblan e Noel Rosa de Oliveira)
05 - Briga de Foice (Noel Rosa de Oliveira e Omildo Neves)
06 - Assim não é Legal (Noel Rosa de Oliveira)
07 - Sambista na Madrugada (Noel Rosa de Oliveira e Colombo)
08 - Festival de Samba (Adil de Paula e Noel Rosa de Oliveira)
09 - Solidão (M. Santana e Noel Rosa de Oliveira)
10 - Serenata de Luar (Eduardo de Oliveira, Luiz Fernando e Noel Rosa de Oliveira) 
11 - Trocando Rosas (Haydée Hayblan e Noel Rosa de Oliveira) 
12 - Quem é da Bahia não Pode Cair (Iracy Serra e Noel Rosa de Oliveira)
13 - Vem Helena (Iracy Serra e Noel Rosa de Oliveira)
14 - Chega de Brigas (Moisés Santana e Noel Rosa de Oliveira)
15- Diz que Viajei (Miro e Noel Rosa de Oliveira)
16 - Destino Pecador (João Sobrinho e Noel Rosa de Oliveira)
17 - Falam de Mim (Anibal Silva, Éden Silva e Noel Rosa de Oliveira)
18 - Feliz é Quem Sabe Esperar (Noel Rosa de Oliveira e Jota Palmeira)
19 - Clara de Ovo (Noel Rosa de Oliveira e Duduca do Salgueiro)
20 - Água do Rio (Anescar do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira)
21 - Céu e Forro (Noel Rosa de Oliveira e Ivan Salvador)
22 - Nem Vem (Noel Rosa de Oliveira, Duduca e José Alves)
23 - Dona Beija, a Feiticeira de Araxá (Anescarzinho, Ivan Salvador e Noel Rosa de Oliveira)
24 - Homenagem do Salgueiro a Eneida (Hayblan e Noel Rosa de Oliveira)
25 - Os Mártires da Independência (Anescar do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira)
26 - Quilombo dos Palmares (Anescar do Salgueiro, Noel Rosa de Oliveira e Walter Moreira)
27 - Chica da Silva (Noel Rosa de Oliveira e Anescar do Salgueiro)

Acompanha relação de todos os intérpretes em pdf.
.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Não faça a vontade a ela

Esse foi o primeiro samba de Nélson Cavaquinho, uma parceria com Rubens Campos e Henricão. O samba foi gravado em 1939 por Alcides Gerardi, mas não encontrei a gravação original. O áudio abaixo é do programa Ensaio com Nélson Cavaquinho, gravado em novembro de 1973 e lançado em Cd em 2000 na coleção "A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes". 

Quem quiser ouviro o programa completo é só clicar na imagem e baixar!




Não faça vontade a esta mulher
Não deixe ela fazer o que quer
Deve-se ter amizade
Mas não se deve dar liberdade
Não faça vontade a esta mulher
Não deixe ela fazer o que quer
Deve-se ter amizade
Mas não se deve dar liberdade
Vou te aconselhar porque tu és um grande amigo
Deve estar ciente do que se passou comigo
Não faça vontade a esta mulher
Dinheiro e vaidade é o que ela quer

.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Entrevista com Cristina Buarque


Entrevista muito legal com a Cristina Buarque publicada pelo site Gafieiras

"O quarto exalava aquela impessoalidade de flats e residences e coisas afins. Tão pequeno: o banheiro logo em frente à porta, o sofá, um armário, frigobar e, após dois degraus acarpetados, o quarto com duas camas de solteiro. No fim de tudo, no fim do quarto, a sacada. A menor sacada do mundo. E nela, Cristina. Só cabia ela, Cristina Buarque. A primeira mulher a ser entrevistada pelo Gafieiras abriu a porta com poucas palavras, estava acompanhada do filho Zeca e, dormindo, da filha Ana. Tentei em vão pescar algum som que me fizesse lembrar da primeira vez que a ouvi cantando - em um curto espaço de tempo conheci "Chorava no meio da rua" (Paulo Vanzolini) e "Sem fantasia" (Chico Buarque) -, mas havia passado cerca de 35 anos das gravações originais e quem disse "olá, tudo bem?!" era outra, falando era outra. 

Aquela voz doce, pequena e sentida, que entoava versos como "ai meu deus, que ingenuidade a sua!", não estava lá. Trajando shorts, aparentemente à vontade, Cristina seguiu com poucas palavras. Não parecia particularmente interessada em falar ou pensar sobre sua carreira. Reservada, talvez imaginasse que fôssemos perguntar do irmão Chico. Como a pergunta não veio, e nem viria, relaxou. Todos relaxamos. E a voz doce e pequena de tantos sambas surgiu rodopiando pelas paredes impessoais do quarto. A filha que dormia, acordou, o domingo que ia fechar, abriu, os cigarros de filtro branco queimaram e surgiram as inescapáveis cervejas ("Meio-dia já rola!"). O resto é música."


Parte 1 - A Aracy ouvia música clássica em casa e era amiga do Di Cavalcanti!

Ricardo Tacioli - Cristina, como é que foi o Boteco do Cabral em homenagem a Aracy de Almeida?

Cristina Buarque - Foi muito bom. Ela tinha um bom gosto, um repertório fantástico. Eu e a Marcia cantamos. Foi até difícil escolher as músicas para o show; existe uma exigência do SESC que diz que tem que se ter as músicas mais conhecidas. 

Tacioli - O SESC faz essa exigência? 

Cristina - É, tem isso, mas nós intercalamos as famosas com outras não tão conhecidas, que não fizeram sucesso, mas que são bonitas. A Aracy [n.e.1914-1988] era uma figura muito engraçada. O Sérgio Cabral a conheceu bem; ele contou histórias, mas muitas delas ele não podia contar em público. Contou somente as mais leves. [risos]

Tacioli - Que músicos estavam acompanhando vocês? 

Cristina - Estava o pessoal daqui, o Miltinho, o Edson Alves, o Oswaldinho da Cuíca e o Cebion. 

Tacioli - Você chegou a conhecer a Aracy? 

Cristina - Muito pouco. Eu a vi num bar naquela época, não me lembro se foi perto do Teatro Paramount, mas ela estava num bar. Assisti também a alguns shows, mas nunca conversei com ela. 

Tacioli - É uma das coisas que você lamenta? 

Cristina - Eu lamento muito. Tenho a maior pena. Eu era muito nova, mas me metia em música. Eu morava em São Paulo, mas o pessoal do Rio vinha para cá de vez em quando. Então, não calhou de eu estar com ela em algum lugar, alguma festa, uma esbórnia assim. Não aconteceu. 

Zeca Ferreira - Em festival ela não aparecia? 

Cristina - Foi numa coisa dessas assim, não sei se era a Bienal do Samba, se era um show no Teatro Paramount, não lembro o que era. Só sei que ela estava no botequim ao lado, acho que tomando refrigerante, não estava mais bebendo, não! Ela estava meio sozinha, meio quieta, alguém falou alguma coisa, mas o papo não foi adiante. E eu só olhando, nem cheguei perto. 

Tacioli - Como ela era vista pelo meio artístico nessa época, Cristina? Infelizmente depois ela ficou muito caricaturada como jurada de programa de auditório. 

Cristina - Programa do Silvio Santos, né?! E é como as pessoas lembram dela, aquela criatura enfezada. 

Daniel Almeida - É, parecia um personagem. 

Cristina - As pessoas que conviveram com ela, que a conheceram, falavam que ela morava numa casa no bairro do Encantado, no Rio, e tinha vários cachorros. Era muito boa, meiga e amorosa com as pessoas. Ficava ouvindo música clássica em casa, que era limpíssima, muito bem decorada e cuidada, com cristaleira e quadros de gente famosa! Ela foi amiga do Di Cavalcanti [n.e.1897-1976]! Ela tinha esse palavreado, que era uma coisa engraçada, com muita gíria e palavrão, mas era uma pessoa muito doce. Por isso tenho pena de não ter convivido com ela. E chegou uma hora em que não queria mais cantar, queria só ficar nesse negócio de programa de auditório, porque era seu sustento. Naquele tempo, a televisão e as gravadoras até davam mais espaço para este tipo de música. Fico pensando se ela estivesse viva hoje como é que seria. Acho que foi a dificuldade de se fazer música boa que deu esse desgosto pra ela, apesar daquela época ser melhor do que hoje. Ela deve ter se deparado com algumas dificuldades e cansou. "Não quero mais cantar!" Parece que ela era muito bem tratada pelo Silvio Santos, ganhava uma grana legal. Mas mesmo assim, mais para o final da vida, ela fez uma coisa ou outra, como o programa de televisão com o Herminio Bello de Carvalho, que está recuperando os programas da TVE. Então, temos algumas coisas dela no final de vida, cantando uma maravilha, não com a mesma voz que ela tinha quando era nova, mas com interpretação muito bonita. 

Tacioli - Você tem discos da Aracy? 

Cristina - Lá no Rio existe um negócio chamado Collector''s [n.e. Site dedicado à música brasileira das décadas de 40 e 50 - www.collectors.com.br] que tem esses 78 rotações tudo em fita. A qualidade não é boa, é fita cassete. Comprei em fita tudo o que ela gravou em 78 rotações. Depois, um pesquisador amigo meu levantou o que ela fez em LP, pegou as fitas que eu tinha, e o que ele não conseguiu encontrar com uma qualidade melhor, usou dessas fitas mesmo. Assim, fizemos a discografia completa da Aracy de Almeida. Tenho isso em CD, que já deu uma melhorada no som, mas as gravações que eram muito ruins e não se acharam melhores, ficaram assim, ruins mesmo! São 16 CDs, numa média de 24 músicas. Isso é tudo o que ela gravou. Eu tenho isso! 

Tacioli - E da Revivendo? 

Cristina - Os discos da Revivendo já têm o som melhor, vêm com explicação e com as letras das músicas. Da Collector''s só vem a fita, nome da música e do autor. Mas a Revivendo tem tudo espalhado. Compro muita coisa da Revivendo, mas tem um disco da Aracy com Cyro Monteiro, daqui a pouco tem um da Aracy com não-sei-quem, e repete algumas músicas. Mas a qualidade é melhor, sempre. Cyro Monteiro, Aracy, Pixinguinha. Mas também fui perdendo muita coisa pelo caminho. Esse negócio de emprestar, nego não devolve, isso acontece muito. Mas a minha discoteca não é grande coisa, não! Tenho muita coisa porque vou comprando em fita. Em fita tenho o completo da Aracy, do Déo, do Cyro Monteiro. E quando fiz aquele disco do Wilson Batista comprei muita coisa da Collector''''s. Tem muita coisa espalhada com o Quatro Ases e um Curinga, Anjos do Inferno, Roberto Paiva, Gilberto Alves, Odete Amaral. Tem muita coisa espalhada e não dá para comprar tudo, não. 

Tacioli - O Zeca me falou que você se preocupa bastante em preservar suas fitas, gravando tudo em CD. Como é isso? 

Cristina - …, meus filhos me presentearam com um "fazedor de CD pirata" [risos], então agora fico fazendo isso. Dei de presente para um amigo meu o que sobrou do Wilson Batista. Um CD com coisas muito boas que sobraram do disco que fiz e que não entraram no álbum. Fiz o segundo e acabei gravando seis CDs só com músicas maravilhosas do Wilson Batista, umas 150. Nessa pesquisa do Wilson não cheguei a tudo, ao repertório completo dele, não! Ele tinha umas duzentas e tantas músicas, e muita coisa eu não encontrei. 

Zeca Ferreira - E sem contar as que não estão no nome dele. 

Cristina - Tem isso! Mas na Collector''''s compro esses cantores mais conhecidos. Daí pintam cantores que gravaram dois 78 rotações, sabe assim?! Não vou achar isso. Quer dizer, se eu procurar muito até acho, sempre tem um pesquisador que tem. Mas do Wilson Batista deu muita música boa, cerca de 150. E não botei o que não gostei. 


Parte 2 - Plano para se fazer disco tenho um monte. O problema é gravadora.

Tacioli - Tem planos para se fazer um outro disco? 

Cristina - Plano para se fazer disco tenho um monte. O problema é gravadora. Isso aí é que é mais difícil. 

Dafne Sampaio - O seu mais recente é o segundo do Noel Rosa, que saiu pela Kuarup, como o primeiro, não?! 

Cristina - …, o primeiro tinha saído por uma gravadora francesa, depois venceu o contrato, e fizemos o relançamento pela Kuarup. E para esse segundo já fizemos direto. Mas é um disco barato de se fazer, somente voz e violão. O Henrique Cazes toca violão e conta as histórias. 

Zeca - E foi gravado ao vivo. 

Cristina - O primeiro show nós fizemos há 10 anos. Ficamos um tempo fazendo o primeiro e depois mudamos o repertório, bolando o segundo. E foi esse que a gente gravou. 

Sampaio - Então, uma produção voz e violão poderia ser uma saída para outros discos, aumenta as possibilidades? 

Cristina - O que pega mesmo são as editoras das músicas. Como gravo muito samba antigo que foi editado, as editoras tomam contam da música e cobram uma fortuna. Se eu quiser gravar um disco independente, não vou conseguir porque a editora pede muito dinheiro por um samba desses. Agora, se é uma gravadora, tem aquele lance de se pagar depois. A gravadora já tem uma coisa direta com as editoras. Por isso que não dá para fazer um disco independente. Hoje em dia gravar um disco é muito fácil. Tem gente que tem estúdio em casa, dá para gravar legal, gravar digital. … fácil, mas para o cara que tem as músicas ou que grava um disco de inéditas que não foram editadas. Aí, com uma autorização direta do compositor, ou se ele mesmo é compositor, não tem problema. Isso dá para fazer tranq¸ilo. Mas você gravar um disco de velharia como eu gosto [risos], já fica difícil. Aí tem que ter uma gravadora. 

Zeca - Mas há pouco tempo você se empolgou com um projeto, não?! Como o show estava bom, você pensou em gravar um disco e, quando foi ver, percebeu que era inviável. 

Cristina - Eles pedem 500 reais por música, uma coisa assim! 

Tacioli - Isso foi com o Eles por elas? 

Cristina - Foi. Um show com um monte de mulher cantando músicas feitas por homens para ser cantadas por mulher, e que foram gravadas pela Aracy, Carmen Miranda, Odete Amaral, Dircinha, Linda, Isaurinha Garcia. Tinha muita música engraçada. Mas são músicas que para se gravar tem que ter uma gravadora para liberá-las junto às editoras. 

Tacioli - Esse show não passou por São Paulo? 

Cristina - Não, não! Fizemos em dois teatros no Rio e em São José do Rio Preto. E era muita gente, aí o negócio fica difícil. Ganhávamos 10 reais por show. [risos] A base do "ganha-se pouco, mas é divertido". [risos] E todo mundo tem outros trabalhos... Você vai parar para ensaiar e depois ficar no prejuízo? Não dá certo, não!




.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Puxando Conversa com Xangô da Mangueira


O programa "Harmonia do Samba", gravado em 1999, é o décimo quarto produzido pelo projeto Puxando Conversa e homenageia o mestre Olivério Ferreira, mais conhecido pela alcunha de Xangô da Mangueira. Xangô era o samba em pessoa. Ainda menino passou pela Portela e pela Lira do Amor, mas acabou fincando suas raizes na Mangueira, escola onde ingressou aos 16 anos e não saiu mais... Sob sua direção, a Mangueira conquistou sete carnavais. Foi diretor de harmonia, auxiliando o companheiro Cartola, interpretou sambas na avenida até 1951, quando passou a responsabilidade para o mestre Jamelão, que por sinal exerceu com maestria a função...

Famoso pela grande habilidade nos versos de improviso, ficou conhecido como "O Rei do Partido Alto", o que pode ser comprovado ao se ouvir os versos de clássicos de sua autoria como "Quando eu vim de Minas", "Moro na roça" ou "Isso não são horas". Com vocês, mestre Xangô da Mangueira, o samba em pessoa!


Musicas

Formiguinha Pequenina (Xangô da Mangueira e Catoni)
Moro na Roça - Adaptação de tema popular (Xangô da Mangueira e Jorge Zagaia)
Festa de Santo Antonio (Dona Ivone Lara)
Não há quem cante mais que eu (Xangô da Mangueira e Padeirinho)
Recordações de um batuqueiro (Xangô da Mangueira e J. Gomes)
Se o pagode é partido (Xangô da Mangueira e Geraldo Babão)
O namoro de Maria (Xangô da Mangueira e Aniceto do Império)
Você não é a tal mulher (Alcides Malandro Histórico)
Divergência (Xangô da Mangueira e Jorge Zagaia)
Diretor de Harmonia (Xangô da Mangueira e Jorge Zagaia)
Isso não são horas (Xangô da Mangueira, Catoni, Zagaia e Chiquinho)
Quando vim de Minas (Xangô da Mangueira)

Musicos

Marcelo Menezes – violão
Lenildo Gomes - cavaco
Chico Abreu – percussão
Zé Luiz – percussão

Direção: Valter Filé
Produção: Noale Toja
Realização: CEPAVI


A seguir, o vídeo da roda de lançamento do programa "Harmonia do Samba" com a participação do mestre Xangô. Gravado no Museu da República, RJ, em Julho de 1999:



.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Confraternizações de Walter Rosa

Walter Rosa
Em 1955 o compositor portelense Walter Rosa resolveu homenagear seus companheiros de sambe a quem tinha grande apreço e respeito compondo o samba "Confraternização". O samba foi um sucesso nos melhores terreiros do Rio e foi muito cantado nas mais diversas rodas de samba. 

Empolgado com o sucesso do samba, compôs em 1957 uma nova homenagem, o samba "Confraternização nº2", que pouco tempo mais tarde ganhou uma nova versão citando o samba-enredo do Salgueiro de 1963, "Chica da Silva" e o samba de Hélio Cabral gravado por Clementina de Jesus em 1965, "Semente do Samba". 

Alguns compositores acabaram se aborrecendo por não terem sido citados nos sambas do portelense. Reza a lenda que o compositor Mazinho, também da Portela, chegou a fazer um samba em resposta a Walter e a letra  foi publicada em um jornal da cidade. Walter resolveu então fazer mais um samba, pra acabar de vez com aquele clima. "Confraternização nº 3" foi composto em 1959 e assim como o samba anterior, ganhou mais tarde uma nova versão onde o compositor incluiu referências ao samba "Sei lá, Mangueira" e a Martinho da Vila.        


As gravações abaixo foram retiradas do disco História das Escolas de Samba Vol. 3.


Confraternzação 
(Walter Rosa)


Envio aqui musicalmente cartões de boas festas
A todos os poetas e compositores
Espero que estes os encontrem contentes e gozando saúde
E felizes em seus amores
Zinco, lá dos Filhos do Deserto
Prefere sempre estar perto das florestas, ouvindo os passáros cantando
Cartola se afasta do morro mas não vai embora, a saudade lhe devora 
De Carlos Moreira, Zagaia e Padeirinho
Com este último com quem conversei bastante
Sobre um assunto interessante com Nonô do Jacarézinho
Ariosto Ventura de tanto dizer vem morar comigo
Se andares direito te darei amor, se errares te darei só castigo
Ilco, lá do Engenho da Rainha, uma vez numa tendinha me chamou em particular
Walter Rosa, por Deus quero compor com você uma prosa que não relacione o amor
Silas, viga-mestre do Império Serrano, lá do alto quando abre-se o pano aparece a cantar
És a luz da minha vida para ela, a Serrinha em peso abre a janela para ouvir o seu cantor
Candeia, Waldir, Picolino, Manacéa, Alvaiade, Avelino, Monarco e Chatim
Padrões de talento da Portela, os seus valores não tem fim


Confraternização 2
(Walter Rosa)


Renovarei votos de estima aos poetas e compositores já citados
Chegou a vez daqueles que ainda não foram lembrados
Que vivem escondidos por aí com lindas melodias que o povo quer ouvir
Noel e Anescarzinho do Salgueiro quando lançaram no terreiro
O samba que o brasileiro vibrou, Chica da Silva do cativeiro zombou
Cícero e Hélio Cabral da Estação Primeira
Diz que a semente do samba quem possui é só Mangueira
Ramon Russo ao passar pelo Império foi um caso sério
Com aquele tal de Timbó
Foi notória a presença de Osório, diz o que quis no samba tango
Escreveu como ele só, aAssim redigiu dançando me viu
E fingiu que não viu, com aquele cavalheiro ela saiu
Valter Coringa só escreve o fino e bacana, assim como o grande Cabana
Aidno, Catoni e Evancoé,  este que fez sua transferência pra Portela tal qual o Jair da Capela
Hoje com Jorge Bubu e Casquinha defendem Oswaldo Cruz, onde a música seduz



Confraternização 3
(Walter Rosa)


Parabenizaram-me, muitos ficaram aborrecidos
Foi aquele zum zum zum dentre os que não foram incluídos
Levaram a cópia do original da Confraternização nº1
Ao conhecimento de um jornal
Garanto que não foi nenhum dos valores escondidos que existem por aí
Por exemplo: Everaldo que eu conheci na residência de Antônio Candeia
Para mim foi um dia feliz, assim como vivem felizes Carlinhos Sideral, Velha, Matias e Bidi
Enquanto possuirem o samba na veia defenderão a sua Imperatriz
Quem não conhece o talento de Tolito, Geraldo Babão, Zuzuca e Darci, que só faz samba bonito
Mantive um papo sadio com Aurinho da Ilha sobre Paulinho da Viola e o seu sucesso "Sei lá não sei"
Chegou Jorginho dizendo: gravei um LP que é só maravilha, os autores são Pelado,Preto Rico e Leléo
Mostrou-se muito empolgado com Martinho de Vila Isabel, que está com a bola branca
E promete ocupar o trono de Noel


.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Tuco e Batalhão de Sambistas no Teatro Rival


Quem estiver no Rio de Janeiro nessa quarta feira não pode perder. O Batalhão promete botar o Teatro Rival abaixo sob o comando do Tuco, Monarco e Nélson Sargento... Há um tempo atrás postei aqui no Receita uma entrevista com o Tuco, que nào viu, vale a pena dar uma conferida... E pra quem não conhece o som dessa turma da pesada, segue um aperitivo:

Meu Batalhão (Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves)


Vou apresentar o meu batalhão
Uma bateria que não lhe dá sopa não

Favela, Estácio, Osvaldo e Salgueiro
Todas de respeito quando pegam seu pandeiro

Umas crioulinhas, com os português
Tudo na pontinha, quero ver de uma vez

O meu batalhão, que a ninguém faz mal
Ele se reúne quando chega o carnaval

.

domingo, 3 de julho de 2011

Wilson Baptista

Hoje é o aniversário de nascimento do grande compositor Wilson Baptista, sambista de renome que se estivesse vivo completaria seus 98 anos. Wilson foi um dos principais compositores ligados ao samba nas décadas de 30 e 40, com mais de uma centena de gravações nas vozes dos principais cantores da época: Aracy de Almeida, Orlando Silva, Nélson Gonçalves, Linda Baptista, Carlos Galhardo, Jorge Veiga, Ciro Monteiro, Francisco Alves, entre outros... 

Quem quiser conhecer a fundo a obra desse grande sambista é só clicar nesse link e baixar a imensa coletânea em 78 rpm feita pelo blog Coisa da Antiga. Coisa fina... 

Como aperitivo, deixo alguns sambas do Wilson em interpretações mais recentes, mostrando que sua obra resiste ao tempo e tem até hoje uma enorme importância pra quem quer fazer ou simplesmente ouvir samba de qualidade! 

Não Era Assim (Wilson Baptista e Haroldo Lobo) – Samba retirado do ótimo “Ganha-se Pouco Mas é Divertido – Cristina Buarque canta Wilson Baptista” mostrando que a preocupação com os rumos que o samba tomava já existia há tempos... Ainda tem uma participação mais que especial do João da Baiana no finalzinho...


Não era assim que a bateria falava, não era assim
As cabrochas não sambavam assim
Você vai lá em São Carlos, Mangueira, 
Salgueiro, Matriz, todo morro enfim
Pode perguntar se era assim

Não havia bateria, era tudo diferente
A cabrocha não sambava esse ritmo tão quente
Pergunte ao João da Baiana, que vai responder por mim
Seo samba, se o samba era assim...


Já Sei (Wilson Baptista e Leonel Paiva) – Samba interpretado pela dupla Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta, do disco “Dois Bicudos”. Mesmo com dificuldade para escrever o próprio nome, Wilson Baptista fazia versos no mais culto português com grande facilidade... 

Já sei que tu queres me falar
Pra que tanto medo, por que queres ocultar?
Se existe um segredo, fale em particular
Eu não fico satisfeito, podes bem desabafar

Não, não, não, não, não,
Não digas a ninguém
Logo eu quero saber
Se é pra mal ou se é pra bem

Sei, sei, sei, bem sei
Que são queixas de amor
Poderei dar um conselho aliviando tua dor


Tá Maluca (Wilson Baptista e Germano Augusto) – Tema recorrente na obra de Wilson, as desanvenças com a “patroa” são retratadas aqui na interpretação de Pedro Miranda no show “O Samba é Minha Nobreza”

Já observei minha mulher,
Tá maluca, tá maluca
Já brigou com toda a vizinhança
Tem prazer em me ver em sinuca
Quando o galo canta
E o sol vai me espantar
Ela se levanta, lava o rosto e vem brigar

Toda vez que eu chego em casa
Do portão eu ouço um grito
Vem ferir os meus ouvidos
E por isso eu vivo aflito
Todos os dias o Jornaleiro me chama atenção
João ninguém, maria fumaça em primeira edição