quinta-feira, 28 de abril de 2011

Chegou a Hora de Caminhar (Academia do Samba) - Chico Santana

Samba de Chico Santana em homenagem à nossa querida Portela. Quem interpreta é o Monarco no disco Partido em 5 Vol. 4, de 1979. No disco em questão o samba é chamado "Chegou a Hora de Caminhar", mas é conhecido também como Academia do Samba, ou Hora de Caminhar...


Chegou a hora de caminhar, eu vou
Vou pra Portela que o samba já me chamou
Chegou a hora de caminhar, eu vou
Vou pra Portela que o samba já me chamou

Samba bonito na Portela é que tem
Academia do samba é lá também
Eu não vou ficar parado aqui conforme estou
Vou pra Portela que o samba já me chamou


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quarta-feira, 27 de abril de 2011

É Batucada - Mestre Delegado da Mangueira

Mais uma edição do ótimo programa feito pelo Edinho do terreiro de Mauá. Vale à pena conferir!


Entrevista com o Mestre Delegado da Mangueira from É Batucada on Vimeo.

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sábado, 23 de abril de 2011

Salve Pixinguinha, Salve o Choro Brasileiro

Hoje, 23 de abril - dia de Ogum - comemora-se o dia nacional do Choro. A data escolhida é uma homenagem ao mestre Pixinguinha, a quem o Paulo César Pinheiro se refere como o "Santo Pixinguinha", um dos maiores musicos brasileiros que a história nos dá noticia...

Nascido em 23 de abril de 1897, o menino Alfredo da Rocha Viana Junior cresceu em uma família grande, com muitos musicos. Seu pai era um grande chorão e organizava rodas de choro em casa com a presença de grandes musicos da época. Com cerca de 10 anos de idade compôs seu primeiro choro, "Lata de Leite" e com menos de quinze anos tornou-se diretor de harmonia do rancho "Paladinos Japoneses" e tocava flauta no "Trio Suburbano" ao lado de Francisco de Assis no violino e Pedro Sá, no Piano.



Por volta de 1919, recebeu o convite para que reunisse alguns musicos para que tocassem na sala de espera de um cinema. Surgiam "Os Oito Batutas", um dos mais importantes grupos musicais do início do século 20 e que da pequena sala de espera do cinema Palais, no Rio de Janeiro, alçou vôos bem maiores, apresentando-se em salões nobres da sociedade e até em Paris, onde fizeram tamanho sucesso que a temporada programada para apenas um mês acabou durando seis meses.



Pixinguinha é considerado por muitos o "pai da musica brasileira". E sem exageros, não é difícil concordar com esse título. À então incipiente música de Ernesto Nazareh , Chiquinha Gonzaga e dos primeiros chorões, Pixinguinha adicionou ritmos africanos, estilos europeus e a música negra americana, ajudando a consolidar as bases da musica brasileira e desenvolvendo um estilo genuínamente brasileiro.


Foi o primeiro maestro-arranjador contratado por uma gravadora no Brasil, assinando grande parte dos arranjos da então chamada época de ouro da música popular brasileira, orquestrando de marchas de carnaval a choros. Diplomado em teoria musical no Instituto Nacional de Musica, era um músico profissional quando boa parte dos mais importantes músicos eram amadores principalmente os antigos chorões, que eram em sua maioria funcionários públicos e faziam música nos horários de lazer. Pixinguinha foi antes de tudo um pesquisador de música, sempre inovando e inserindo novos elementos.


PS: Outro grande musico que lutou com unhas e dentes pela preservação do choro foi Jacob do Bandolim, de quem eu já falei aqui no blog! Vale a pena dar uma conferida!

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sábado, 16 de abril de 2011

Harmonia em Mangueira (Carlos Cachaça)

Carlos Cachaça
Samba gravado no disco "Carlos Cachaça" de 1976


Que harmonia lá em Mangueira
que dá prazer para se brincar
O Laudilino no seu cavaco
Fazendo coisas de admirar

E de repente com algum enredo 
Que até causa sensação
O Armandinho chega de flauta, 
Alívio sola no violão

Na nossa frente tem Angenor, 
José da Lucha, tem Batelão
E o reco-reco toca sozinho
A tropa toda bate na mão

Falta Otávio, que eu não falei
Falta Aristides, falta Marquinhos
Falta Simão na mesa de umbanda
Falta Pedrinho no tamborim
Canta no couro Carlos Cachaça
Fazendo voz pro Expedito
Pra terminar essa folia 
O Marcelino dá um apito

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Chico Santana 100 anos

Chico Santana
Em 2011 comemoramos também o centenário de outro grande bamba... Francisco Felisberto de Sant'Anna, o "Chico Santana", um dos maiores nomes da Portela, mestre na arte da palavra e da melodia, nasceu em 22 de setembro de 1911 em Campo Grande, RJ. Ainda jovem foi morar em Oswaldo Cruz, onde conheceu os bambas da Portela, escola à qual dedicaria seu samba até o fim da vida...

Chico Santana é um dos compositores mais respeitados na Portela... Pertenceu ao grupo da Velha Guarda desde sua criação em 1970 e foi autor dos Hinos da Portela e da Velha Guarda. Seu prestígio era tão grande que, mesmo tendo atingido o limite de três sambas para aquele ano, Alvaiade teve que abrir uma exceção quando Chico Santana lhe mostrou o novo samba que tinha composto. O próprio Alvaiade conta em uma entrevista já publicada aqui no blog:


"Houve uma época que combinei com os compositores que cada um só podia lançar duas músicas por ano. Todo mundo cumpriu. Mas houve um ano que o Chico Santana encontrou comigo na padaria e me trouxe um problema. Ele já tinha apresentado os seus dois sambas, mas tinha um terceiro que não queria deixar de lado. Me cantou o samba e eu gostei. Fiquei em dúvida e acabei quebrando o protocolo. Afinal, ele podia morrer, ou eu, e o samba ficaria esquecido. Hoje o samba é considerado, oficialmente, o hino oficial da Portela".

Hino Portelense (Chico Santana)
Intérprete: Escola de Samba Portela, 1957

"Portela Suas cores tem
Na bandeira do Brasil
E no céu também
Avante portelense
Para a vitória
Não vê que seu passado
É cheio de glória
Eu tenho saudade
Desperta, oh grande mocidade

As tuas cores tão lindas
Teus valores não têm fim
Portela, querida, és tudo na vida
Pra mim, pra mim"

Monarco foi um dos grandes parceiros de Chico Santana... E a dupla não era de brincadeira. Monarco fala sobre o mestre:

"Meu primeiro samba na Portela, feito em 1951, foi em homenagem a ele: chama-se Avante. Foi gravado mais tarde pelo João Nogueira, mas com o nome de Passado da Portela. O próprio Chico gostou muito do samba. E fomos nos aproximando. Dali a uns dois anos, ele cantou para mim a primeira do Lenço... Ouvi, gostei muito. Ele me propôs: "Quer acabar isso?" Estremeci, fiquei em dúvida se eu teria capacidade, mas resolvi tentar... Fui lá para uma ruazinha de Oswaldo Cruz e fiz a segunda parte. Voltei, cantei para ele. 

E ele explodiu de felicidade: "Meniiiiiino... Que coisa linda! Vem cá Alvaiade! Vem ouvir o que o rapaz fez!" E ficamos cantando o samba, primeiro na Leiteria do Seu João e depois na quadra. Chegamos na Portela cantando o Lenço. Foi meu primeiro sucesso na escola - o primeiro samba de parceria que fiz lá foi Amor de malandro, com Alcides Lopes, o "Malandro Histórico". 

O Lenço (Chico Santana e Monarco)
Intérprete: Escola de Samba Portela, 1957


Se o teu amor
Fosse um amor de verdade
Eu não queria e nem podia
Ter maior felicidade

Com os olhos rassos d´água, me chamou
Implorando o meu perdão, mas eu não dou
Pega esse lenço, vai enxugar teu pranto
Já enxuguei o meu, o nosso amor morreu

Seguirei a ordem do meu coração
Não me fale em amor,
Nem tampouco me peça perdão
Eu não vejo honestidade em teu semblante
Falsidade isso sim eu vi bastante
Pega esse lenço e não chora
Enxugue o pranto, diga adeus e vá embora

Depois do Lenço, fiz muita coisa com o Chico: em Desdita, por exemplo, ele tinha feito a primeira e o Alvaiade quis botar segunda. Ele falou: "Este samba conta a história do rapaz e é para ele que vou dar a parceria. É ele quem vai colocar a segunda parte.". E assim ficou: primeira do Chico, segunda minha..."

Desdita (Chico Santana e Monarco)
Intérprete: Monarco


Eu era muito jovem não pensava
Que a desdita me abraçava
Foi por isso que perdi meu grande amor
Ela era tão linda e tão formosa
Como um botão em rosa
Um jardim em flor

Eu tinha 20 anos de idade
No vigor da minha mocidade
E pensava que o mundo era só meu
Por um capricho do destino
Quase chego ao desatino
Quando nosso amor morreu

Morreu caiu por terra
Toda minha ilusão
Andava pelas ruas
Chorando de paixão
Um certo alguém com piedade
Um dia me chamou:
Se queres um conselho de amigo eu lhe dou

Se é para esquecer peça coragem
Juro que não é miragem
Eu pedi com tanta fé que Deus me ouviu
Agora já não sinto mais saudade
Até a felicidade novamente me sorriu


Ao longo desse ano vou postando por aqui algumas informações e principalmente os sambas do grande Chico Traidor, aquele que foi traído e não traiu jamais! Por enquanto, chegou a hora de ir caminhar...
Até! 


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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Salve a Mangueira, Salve a Portela...

Trecho de um documentário com depoimentos de Cristina Buarque, Doca, Tantinho da Mangueira e Monarco falando de sua parceria com Chico Santana e fazendo justiça à leiteria do Seu João...


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sábado, 9 de abril de 2011

Pintura sem Arte

Um dos mais belos sambas do mestre Candeia em duas versões:

Com o próprio Candeia, no antológico "Axé", de 1978, acompanhado de uma turma da pesada: Marçal, Luna, Gordinho, Wilson das Neves, Valter 7 cordas, João de Aquino, Copinha e mais uma penca de bambas...




Encontrei ainda uma gravação num disco da Alcione, de 1981. Claro que não é nenhuma obra prima do samba, como a gravação do Candeia, mas é interessante...



Me sinto igual a uma folha caída
Sou o adeus de quem parte
Pra quem a vida é pintura sem arte

A flor esperança se acabou
O amor, o vento levou
Outra flor nasceu é a saudade
Que invade tirando a liberdade
Meu peito arde igual verão
Mas se é pra chorar, choro cantando
Pra ninguém me ver sofrendo
E dizer que estou pagando

Não, não basta ter inspiração
Não basta fazer uma linda canção
Pra cantar samba se precisa muito mais
O samba é lamento, é sofrimento, é fuga dos meus ais
Por isso eu agradeço a saudade em meu peito
Que vem acalentando os meus sonhos desfeitos
Jardim do passado, flores mortas pelo chão
Pétala, semente de paixão


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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Nélson Cavaquinho 78 rpm

Dando sequência à série de postagens em comemoração ao centenário de Nélson Cavaquinho, preparei uma daquelas coletâneas com áudios do acervo do IMS. São gravações das décadas de 40 e 50 nas vozes de Ciro Monteiro, Elizeth Cardoso, Risadinha e outros grandes nomes do Rádio...

Aqui vai um "tira gosto":




01 - Amor que morreu (Nélson Cavaquinho, Gilberto Teixeira, Roldão Lima)
Elizeth Cardoso - 1953
02 - Apresenta-me aquela mulher (Augusto Garcez, G de Oliveira e Nélson Cavaquinho)
Ciro Monteiro - 1943
03 - Aquele bilhetinho (Arnô Carnegal, Augusto Garcez e Nélson Cavaquinho)
Ciro Monteiro - 1945
04 - Cheiro de Vela (Nélson Cavaquinho e José Ribeiro)
Ari Cordovil - NE
05 - Cinza (Nélson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Renato Gaetani)
Ruth Amaral - NE
06 - Garça (Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito)
Ruth Amaral - NE
07 - Minha Fama (Magno de Oliveira e Nélson Cavaquinho)
Risadinha - 1952
08 - Não brigo mais (César Brasil e Nélson Cavaquinho)
Vitor Bacelar - 1954
09 - Não te dói a consciência (Ari Monteiro, Augusto Garcez e Nélson Cavaquinho)
Ciro Monteiro - 1943
10 - Negaste um cigarro (José Batista e Nélson Cavaquinho)
Clélio Ribeiro - NE
11 - O fruto da maldade (Nélson Cavaquinho e César Brasil)
Jorge Veiga - 1951
12 - Palavras malditas (Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito)
Ari Cordovil - 1957
13 - Rugas (Nélson Cavaquinho, Ari Monteiro e Augusto Garcez)
Ciro Monteiro - 1946


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terça-feira, 5 de abril de 2011

Aracy de Almeida

Programa Mosaicos sobre a grande cantora Aracy de Almeida, com participações de Sérgio Cabral, Paulinho da Viola entre outros...

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Parte 6


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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Antenor Gargalhada

Antenor Gargalhada
Apesar de pouco conhecido nos dias de hoje, Antenor Santíssimo de Araújo, ou simplesmente Antenor Gargalhada foi um dos maiores sambistas do morro do Salgueiro.

Nascido em 1909, Antenor era figura das mais carismáticas, cheio de malandragem no uso de gírias e dono de uma risada que podia ser ouvida de longe e que acabou lhe rendendo o apelido. Trabalhava como vigia em uma fábrica de cerveja e dizia que alí ficava "para impedir que alguém achasse algo que não perdeu"...

No mundo do samba, foi fundador e diretor de harmonia da escola de samba Azul e Branco, chegando a ser eleito o "Cidadão Samba" de 1938, concorrendo com o também legendário Paulo da Portela. Como o eleito tinha o direito de escolher três secretários! Antenor indicou três sambistas do Salgueiro: Casemiro Calça Larga, Artur da Silva Jordão e Claudemiro Pereira de Araújo.

Morreu tuberculoso aos 32 anos, em 1941, ano que a sua escola se calou em respeito ao genial compositor e fundador e não saiu às ruas no carnaval.


1 - Eu agora fiquei mal (Antenor Gargalhada e Noel Rosa)

Samba de 1931, sua única parceria com Noel. Cantado por Canuto e com arranjos e orquestração bem característicos da década de 30, é um samba "dor de cotovelo" no estilo engraçadinho, lembrando bastante alguns sambas do Noel...

2 - Nêga, o que queres de mim? (Antenor Gargalhada)

Antenor Gargalhada escreveu só a primeira parte desse samba. Nessa gravação, feita pelo Coral samba Livre, foram emprestados alguns versos já tradicionais nas rodas para completar a música!

3 - Amanhecer (Antenor Gargalhada)

Mais uma gravação do Coral Samba Livre. Essas gravações não são datadas no disco, de 1976.

4 - O morro é completo (Antenor Gargalhada)

Assim como a anterior, essa música faz uma espécie de crônica do morro, o que parece ser uma característica do compositor, utilizando-se muitas vezes do bom humor pra relatar situações e comportamentos característicos dos morros do Rio naquela época...

5 - Arrependimento (Antenor Gargalhada e João Melo)

Mais um caso de parceria póstuma no samba. Antenor escreveu a primeira e, mais de 40 anos depois o compositor João Melo fez uma segunda pra ser gravada...

6 - Homenagem a Antenor Gargalhada (Geraldo Babão)

Homenagem feita por Geraldo Babão, grande nome do Salgueiro, compositor de sambas enredo memoráveis. Na voz do próprio Geraldo Babão, ouvimos alusões à obra de Antenor Gargalhada, seu grande mestre nos caminhos do samba!

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Graças ao Infinito (em primeiro lugar) - Chico Santana e Armando Santos

Hoje, sem querer, encontrei uma gravação desse samba de Chico Santana e Armando Santos, que era tido como inédito de acordo com o livro do João Batista Vargens e do Carlos Monte "A Velha Guarda da Portela". Qual não foi a minha surpresa quando encontrei o samba, com o nome de "Em Primeiro Lugar", num disco do Toquinho de 2003!

A primeira edição do livro sobre a velha Guarda  é de 2001 e apresenta a letra e partitura do samba (com o nome de Em Primeiro Lugar), porém a segunda edição, de 2004, um ano após a gravação do Toquinho ainda continua apresentando a musica como inédita. Portanto, tá aí um samba do Chico Santana que pouca gente deve conhecer... A letra é igual à apresentada no livro, só não sei se a melodia bate com a partitura...

Em Primeiro Lugar (Chico Santana e Armando Santos)
Intérprete: Toquinho


Em primeiro lugar, eu quero a graça de Deus
Em segundo lugar quero saúde e que Deus me ajude
Em terceiro lugar eu quero o dinheiro
Em quarto lugar eu quero a mulher
E o resto seja o que Deus quiser

Em preces eu solicito
As graças do infinito
Desejo sim, tudo de bom pra mim
Viver e sonhar, sorrir e cantar
Sem blasfemar num sofrimento qualquer
Pois o mundo é tão bom
Com saúde, dinheiro e mulher

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