quarta-feira, 9 de março de 2011

O dia em que Roberto Carlos esmagou Nélson Cavaquinho na avenida...

Vai lá Jamelão, fala o que todo mundo pensa e ninguém quer falar! 



     E olha que quando assistí à Mangueira desfilando com um enredo sobre o mestre Nélson Cavaquinho, na marra, sem patrocinador, a emoção no rosto dos componentes da escola entoando canções do Nélson ao som do cavaquinho e violão antes das belas palavras do Milton Gonçalves quase tive um renascer de esperanças... Mas hoje sem nada pra fazer cometi a burrada de assistir à apuração e as esperanças murcharam novamente... afinal, quando se fala em um certo cantor fanhoso - quero dizer, famoso - e apadrinhado da Globo, o brasileiro esquece de tudo e o samba novamente perde lugar....

    Não quero desmerecer a escola campeã, longe disso... Sei do envolvimento da comunidade e da importância do carnaval pra qualquer escola, grande, pequena, do grupo especial ou de acesso, São Paulo ou Rio... Mas sei também que não é o morador da comunidade, não é o ritimista, não é o verdadeiro sambista quem escolhe o enredo... Sei que o que manda é o QI e $$$ mesmo... e por isso não consigo deixar de me indignar, não com a vitória da Beija Flor, mas com a derrota do samba, que dentro da sua própria casa foi esmagado pela história de um cantor que, por mais que tenha seus méritos e popularidade (popularidade essa que nos é imposta garganta abaixo, ou ouvidos a dentro, de forma mais deslavada e repetitiva a cada ano...), não reflete nem de longe a riqueza da musica brasileira e a criatividade do nosso povo...

      Enfim, deixo aqui um dos poucos momentos que me emocionaram durante esse carnaval, o esquenta da Mangueira... Foi bonito ver o samba de Nélson Cavaquinho na avenida, um tanto quanto acelerado, mas era a musica do Mestre, entoada por centenas de pessoas... Teve até uma hora que a coisa foi fluindo com mais harmonia, devagarinho ao som de Juizo Final...Talvez o teor etílico tenha contribuido, mas as palavras do Milton Gonçalves naquela manhã de segunda feira foram uma das coisas mais bonitas que já ví no sambódromo do Rio de Janeiro...



Essa parada da bateria foi sensacional também...



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6 comentários:

Bruno Chagas disse...

É isso. Esse texto define muito do que penso a respeito e do desânimo que sinto com o carnaval...

Nikita disse...

É, meu camarada. Vamos ficar com o grande Nelson Sargento quando diz "samba, agoniza mas não morre...". As elites sempre quiseram enterrá-lo mas não conseguiram e nunca vão conseguir. Ele é o nosso sangue.

Luize disse...

Pela graça de Carlos Cachaça.
Alguém ainda pensa comigo.
Lágrimas correram nos meus olhos quando ouvi Juízo Final e a homenagem de Milton Gonçalves...
O carnaval virou um comércio, a Globo tá virando um Google, mandando em tudo.
As vezes me pergunto com um samba do próprio Nélson Cavaquinho com parceria de Guilherme de Brito: "Quando me chamar saudade, não preciso de vaidade, quero preces e nada mais".
Nos tempos de hoje acho que devemos obedecer o que eles falavam em suas músicas do que fazer um belo carnaval, como fizeram, e acontecer o que aconteceu.

Pablo disse...

Sobre o vídeo com o Mestre Jamelão : esse diretor da beija-flor é um F....da p.... , desculpa o termo , mas um cara justificar o erro de um jurado tendencioso que foi descoberto quebra de sigilo , um cara que tenta arrumar uma justificativa pra uma pessoa dessa só pode estar, como diz Zeca pagodinho , no mesmo metiê.

Saudades do Mestre Jamelão ...

Pablo disse...

Sobre o vídeo do Mestre Jamelão : esse diretor da Beija-Flor é um F...da..P.... , desculmpem-me pelo uso do termo inapropiado , mas um cara que tenta arrumar justificativa para quebra de sigilo de um jurado tendencioso , só pode ser como diz Zeca Pagodinho , do mesmo metiê.

Anaxilê.. disse...

O samba emocionante que se viu no início do desfile está na cara de cada mangueirense. E não é de hoje.

Conquista fiéis seguidores e filhos em todo o país. Além do Roberto Carlos, a globo tenta empurrar a cada ano a Beija Flor. Não me admira se o próximo enredo for a rede globo.

Mas quem realmente sabe o valor do samba, se arrepia quando ouve o enredo, não apenas da mangueira, mas de todo sambista que sai do morro e desfila na avenida. MAs como se canta:
"Ai! Como eu queria que fosse Mangueira...Que existisse outro Zé do Caroço, Pra falar de uma vez pra esse moço, Carnaval não é esse colosso, Nossa escola é raiz, é madeira.
Mas é morro do Pau da Bandeira... E que malha o preço da feira.
E na hora que a televisão brasileira Destrói toda a gente com sua novela, É que o Zé bota a boca no mundo, Ele faz um discurso profundo, Ele quer ver o bem da favela."

Minhas saudações ao povo de samba. Por que quem é, e sabe que é, não depende de um título. Sabe que é filho FIEL, IMORTALIZADO NO ANO DE SEU CENTENÁRIO.