terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cartola, no moinho do mundo


Há exatos 30 anos o mundo ficava mais triste... No dia 30 de novembro de 1980 o gênio Cartola levava sua poesia lá pro andar de cima! Fica aqui uma pequena homenagem do Receita ao grande poeta de Mangueira nas palavras de Drummond:

Cartola, no moinho do mundo

Você vai pela rua, distraído ou preocupado, não importa. Vai a determinado lugar para fazer qualquer coisa que está escrita em sua agenda. Nem é preciso que tenha agenda. Você tem um destino qualquer, e a rua é só a passagem entre sua casa e a pessoa que vai procurar. De repente estaca. Estaca e fica ouvindo.

Eu fiz o ninho
Te ensinei o bom caminho.
Mas quando a mulher não tem brio,
é malhar em ferro frio


Aí você fica parado, escutando até o fim o som que vem da loja de discos, onde alguém se lembrou de reviver o samba de Cartola; Na Floresta (música de Sílvio Caldas).

Esse Cartola! Desta vez, está desiludido e zangado, mas em geral a atitude dele é de franco romantismo, e tudo se resume num título: Sei Sentir. Cartola sabe sentir com a suavidade dos que amam pela vocação de amar, e se renovam amando. Assim, quando ele nos anuncia: “Tenho um novo amor”, é como se desse a senha pela renovação geral da vida, a germinação de outras flores no eterno jardim. O sol nascerá, com a garantia de Cartola. E com o sol, a incessante primavera.

A delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução. Como bem observou Jota Efegê, seu padrinho de casamento, trata-se de um distinto senhor emoldurado pelo Morro da Mangueira. A imagem do malandro não coincide com a sua. A dura experiência de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de carros, desconhecido e trazendo consigo o dom musical, a centelha, não o afetou, não fez dele um homem ácido e revoltado. A fama chegou até sua porta sem ser procurada. O discreto Cartola recebeu-a com cortesia. Os dois convivem civilizadamente. Ele tem a elegância moral de
Pixinguinha, outro a quem a natureza privilegiou com a sensibilidade criativa, e que também soube ser mestre de delicadeza.

Em Tempos Idos, o Divino Cartola, como o qualificou Lúcio Rangel, faz o histórico poético da evolução do samba, que se processou, aliás, com a sua participação eficiente:

Com a mesma roupagem
que saiu daqui
exibiu-se para a Duquesa de Kent
no Itamaraty.

Pode-se dizer que esta foi também a caminhada de Cartola. Nascido no Catete, sua grande experiência humana se desenvolveu no Morro da Mangueira, mas hoje ele é aceito como valor cultural brasileiro, representativo do que há de melhor e mais autêntico na música popular. Ao gravar o seu samba Quem Me Vê Sorrir (com Carlos Cachaça), o maestro Leopold Stockowski não lhe fez nenhum favor; reconheceu, apenas, o que há de inventividade musical nas camadas mais humildes da nossa população. Coisa que contagiou a ilustre Duquesa.

* * *

Mas então fiquei parado, ouvindo aa filosofia céptica do Mestre Cartola, na voz de Silvio Caldas. Já não me lembrava o compromisso que tinha que cumprir, que compromisso? Na floresta, o homem fizera um ninho de amor, e a mulher não soubera corresponder à sua dedicação. Inutilmente ele a amara e orientara, mulher sem brio não tem jeito não. Cartola devia estar muito ferido para dizer essas coisas tão amargas. Hoje não está. Forma um par feliz com Dona Zica, e às vezes a televisão vai até a casa deles, mostra o casal tranqüilo, Cartola discorrendo com modéstia e sabedoria sobre coisas da vida. 

“O Mundo é um moinho…” 

O moleiro não é ele, Angenor, nem eu, nem qualquer um de nós, igualmente moídos no eterno girar da roda, trigo ou milho que se deixa pulverizar. Alguns, como Cartola, são trigo de qualidade especial. Servem de alimento constante. A gente fica sentindo e pensamenteando sempre o gosto dessa comida. O nobre, o simples, não direi o divino, mas humano Cartola, que se apaixonou pelo samba e fez do samba o mensageiro de sua alma delicada. 

O som calou-se, e “fui à vida”, como ele gosta de dizer, isto é, à obrigação daquele dia. Mas levava uma companhia, uma amizade de espírito, o jeito de Cartola botar lirismo a sua vida, os seus amores, o seu sentimento do mundo, esse moinho, e da poesia, essa iluminação.

Carlos Drummond de Andrade

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E o Rio de Janeiro... continua lindo?


Dois pontos de vista sobre um mesmo problema...

O dia em que o morro descer e não for carnaval 
Compositor: Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro
Intérprete: Wilson das Nevs


O dia em que o morro descer e não for carnaval
Ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
Na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
Vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil
É a guerra civil

No dia em que o morro descer e não for carnaval
Não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
E cada uma ala da escola será uma quadrilha
A evolução já vai ser de guerrilha
E a alegoria um tremendo arsenal
O tema do enredo vai ser a cidade partida
No dia em que o couro comer na avenida
Se o morro descer e não for carnaval

O povo virá de cortiço, alagado e favela
Mostrando a miséria sobre a passarela
Sem a fantasia que sai no jornal
Vai ser uma única escola, uma só bateria
Quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
Que desfile assim não vai ter nada igual

Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga
Nem autoridade que compre essa briga
Ninguém sabe a força desse pessoal
Melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria
Senão todo mundo vai sambar 

No dia em que o morro descer e não for carnaval.

Nomes de Favela 
Compositor: Paulo César Pinheiro
Intérprete: Paulo césar Pinheiro


O galo já não canta mais no Cantagalo
A água já não corre mais na Cachoeirinha
Menino não pega mais manga na Mangueira
E agora que cidade grande é a Rocinha!

Ninguém faz mais jura de amor no Juramento
Ninguém vai-se embora do Morro do Adeus
Prazer se acabou lá no Morro dos Prazeres
E a vida é um inferno na Cidade de Deus

Não sou do tempo das armas
Por isso ainda prefiro
Ouvir um verso de samba
Do que escutar som de tiro

Pela poesia dos nomes de favela
A vida por lá já foi mais bela
Já foi bem melhor de se morar
Mas hoje essa mesma poesia pede ajuda
Ou lá na favela a vida muda
Ou todos os nomes vão mudar





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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vadico e Noel: Parceiros até no centenário!

Oswaldo Gogliano, o Vadico

O ano de 2010 foi um ano de comemorações, marcado pelos centenários de grandes sambistas. Não faltaram homenagens aos grandes Adoniran Barbosa e Noel Rosa. Poetas do samba que inovaram no modo de compor, mesclando crônicas cotidianas e belas poesias com melodias únicas, dignas de dois gênios da nossa musica.

Porém, outro grande mestre completaria seu centenário esse ano e, não fosse pela lembrança de alguns poucos, quase passou despercebido... Um sacrilégio, diga-se de passagem, pois este deixou composições maravilhosas, muitas das quais figuram em rodas de samba por todos os cantos desse país. Se Noel é considerado um dos maiores compositores brasileiros, é certo que esse título foi conquistado com uma pitada do tempero deste compositor paulistano...

Fica portanto essa pequena homenagem do receita, um tanto quanto atrasada mas ainda em tempo, ao grande compositor Osvaldo Gogliano, mais conhecido pela alcunha de Vadico.

Paulistano do Brás, filho de imigrantes italianos, Vadico nasceu em 24/06/1910. Cresceu em São Paulo, onde começou a exercitar o seu dom para a musica ao lado dos irmãos. Aos 18 anos ganhava um concurso de musica com uma marcha de sua autoria chamada "Isso mesmo é que eu quero". A partir daí, resolveu dedicar-se integralmente à musica, abandonando o emprego como datilógrafo e indo para o Rio de Janeiro em 1930. Logo na chegada, conseguiu emplacar duas canções na Odeon: "Arranjei Outra" foi gravada por Francisco Alves e "Silêncio" foi registrada nas vozes de Luiz Barbosa e Vitório Lattari. Ouças as duas gravações:

Arranjei Outra (Vadico e Dan Malio)
Intérprete: Francisco Alves
Data: 1930 Fonte: IMS

Silêncio (Vadico)
Intérprete: Luiz Barbosa e Vitório Lattari
Data: 1931 Fonte: IMS


Mas foi a partir de 1932 que Vadico entraria definitivamente para a história da musica brasileira. Ao andar pelos corredores da gravadora Odeon foi apresentado a Noel Rosa. Conversa vai, conversa vem... e Vadico cantarolou uma melodia em especial que agradou o já consagrado compositor e poeta de Vila Isabel. Noel, resolveu fazer alguns versos e logo nasceu "Feitio de Oração"... E com ela uma das mais bem sucedidas parcerias da musica brasileira. A poesia de Noel e as melodias de Vadico...

Feitio de Oração (Vadico e Noel Rosa)
Intérprete: Elizeth Cardoso e Jacob do Bandolim


O sucesso da primeira composição foi confirmado com "Feitiço da Vila". Em cima da melodia de Vadico, Noel fez essa letra alfinetando Wilson Batista em uma briga de versos histórica... Acabou virando um dos maiores clássicos do samba daquela época... Ouça abaixo a interpretação de Orlando Silva:


E seguiram-se pérolas como "conversa de botequim", "provei", "cem mil réis" e muitas outras, dentre as quais destaco "mais um samba popular", que você ouve na interpretação da cantora Ana Cristina em gravação de 1954:


Preparei uma pequena coletânea com gravações originais das parcerias de Noel e Vadico, todas disponibilizadas no acervo do IMS. Pra quem gosta de raridades vai ser um prato cheio ouvir clássicos do samba em suas primeiras gravações, algumas vezes na voz do próprio Noel Rosa, como é o caso da gravação de "Conversa de Botequim"... Bom apetite!


O 4 shared está pedindo para fazer login antes de baixar os arquivos:
Login: blogreceitadesamba@yahoo.com.br
Senha: samba2012


01 - Provei (Noel Rosa e Vadico)
Intérprete: Noel Rosa e Marília Batista
Data: 1933

02 - Feitio de Oração (Noel Rosa e Vadico)
Intérprete: Francisco Alves e Castro Barbosa
Data: 1933

03 - Cem Mil Réis (Noel Rosa e Vadico)
Intérprete: Noel Rosa e Marilia Batista
Data: 1936

04 - Mais um Samba Popular (Noel Rosa e Vadico)
Intérprete: Ana Cristina
Data: 1954

05 - Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico)
Intérprete: Severino Araújo e Orquestra Tabajara
Data: 1949

06 - Tarzan, o Filho do Alfaiate (Noel Rosa e Vadico)
Intérprete: Almirante
Data: 1936

07 - Só Pode ser Você (Noel Rosa e Vadico)
Intérprete: Araci de Almeida
Data: 1936

08 - Pra que Mentir? (Noel Rosa e Vadico)
Intérprete: Silvio Caldas
Data: 1938

09 - Conversa de Botequim (Noel Rosa e Vadico)
Intérprete: Noel Rosa
Data: 1935

10 - Quantos Beijos (Noel Rosa e Vadico)
Intérprete: Noel Rosa e Marilia Batista
Data: 1936


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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Eu agora sou feliz

Samba de Mestre Gato e Jamelão:
Eu agora sou feliz
Eu agora vivo em paz
Me abandona por favor
Porque eu tenho um novo amor
E eu não lhe quero mais
Esquece que você já me pertenceu
Que já foi você meu querido amor
Aquela velha amizade nossa já morreu
E agora quem não quer você sou eu
Eu agora sou feliz

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A majestade do samba chegou, chegou...


Belo samba de Chico Santana, Casquinha e Monarco, interpretado pela Velha Guarda da Portela:

Corri Pra Ver


Ouvi cantando assim 
A majestade do samba
Chegou chegou
Corri pra ver
Pra ver quem era
Chegando lá
Era a Portela
Era a Portela do seu natal
Ganhando mais um carnaval
Era a Portela do Claudionor
Portela é meu grande amor
Era rainha de Oswaldo Cruz
Portela muito nos seduz
Foi mestre Paulo seu fundador
Nosso poeta e professor

domingo, 14 de novembro de 2010

Cachaça com Arnica no concurso de bandas "Vem pro Novo"


O pessoal do grupo "Cachaça com Arnica", de Itabirito, MG (veja a postagem abaixo), está participando do concurso de bandas "Vem pro Novo", promovido pela Caixa e foram um dos 25 selecionados entre as 850 bandas inscritas para participarem da votação final!

Para participar da nova etapa, o grupo itabiritense gravou um vídeo executando a música “Joga a chave”, de Adoniran Barbosa. Os vídeos com os covers foram disponibilizados hoje (13/11) no site do concurso para que o público vote nos melhores. O período para votação se encerra no dia 19 de novembro e acontece pela internet. Apenas cinco bandas passam para a quarta e última fase.

Acesse o site do concurso e votem! Afinal, essa turma é a única representante do bom e velho samba na final e ainda leva o nome do mestre Adoniran Barbosa no ano de seu centenário!

Vote aquí

Ah, você pode votar várias vezes, basta atualizar a página (apertando F5)

O vídeo é esse:

sábado, 13 de novembro de 2010

Dos tempos da tendinha / Cachaça com Arnica

Assistam a esse vídeo sobre a "Mercearia Paraopeba", na cidade Itabirito, MG. O lugar é fantástico... Daqueles em que você entra pra tomar uma cachacinha e acaba ficando o dia todo, batendo papo e bebericando no meio daquela mistureba... Qualquer dia apareço por lá pra conhecer, afinal, fica aquí pertinho de Ouro Preto:



E o melhor é que toda essa história deu samba:


Mercearia Paraopeba
Compositor: Pirulito da Vila
Intérprete: Grupo Cachaça com Arnica 



Esse pessoal que tá tocando é o grupo Cachaça com Arnica, de Itabirito, MG. O grupo toca junto desde 1998, mais de dez anos de estrada, o que explica tanto entrosamento. O grupo faz um samba de primeiríssima qualidade, autêntico, com muito respeito às raízes. Coisa rara de se ver pra esses lados...

Além de interpretações de grandes clássicos do samba o grupo se destaca pelas composições próprias que retratam acontecimentos bem humorados vividos pelos compositores, envolvendo personagens reais que integram o universo dos artistas, como histórias e casos de moradores da cidade, com seus apelidos e situações do cotidiano, por exemplo, os personagens Tia Lilia, Péia, Ronaldo Capa Égua, Lulu de Mariinha, as meninas de Neusa, entre outros.

Confira algumas gravações dessa turma:

O tombo de tia Lilia


Pensava que não ia mais sofrer


Pra machucar meu coração (Ary Barroso)


Mais informações no Myspace da Banda...
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O que vai ficar pelo salão - Gabriel Cavalcante


Ansioso pra ouvir, mas vindo de quem vem e pela prévia que eles disponibilizaram no Myspace, só pode ser coisa boa. Deixo meus parabéns ao Gabriel Cavalcante, Renato Martins e Cia, pela iniciativa e produção desse que parece ser um belo trabalho, feito com amor à musica e muita garra, afinal, não é tão fácil produzir um disco independente... Tem que ter talento pra coisa dar certo! Quando a gente pensa que a criatividade de nossos sambistas está em baixa, surge uma turma de bambas pra nos mostrar que nem tudo está perdido!

E já que o Gabriel disponibilizou alguns áudios no Myspace dele, tomei a liberdade de colocar um aqui pra vocês ouvirem um pouco do que essa turma tem a nos apresentar, enquanto vocês lêem a resenha:

Velho Batuqueiro (Renato Martins e Roberto Didio)

Como ainda não ouví o disco todo, peguei o texto de divulgação no blog do Samba da Ouvidor, escrito por Ricardo Brigante.:

"Chega o primeiro disco de Gabriel Cavalcante: O que vai ficar pelo salão(independente), trabalho coletivo, reunindo o violonista Patrick Ângelo e os compositores Roberto Didio e Renato Martins. São responsáveis pelo impecável acompanhamento e concepção: Marcus Thadeu, Magno Souza e Ana Rabello.

Cantor de voz potente e timbre grave, Gabriel é uma das vozes principais de dois populares movimentos musicais no Rio de Janeiro: Samba do Trabalhador e Samba da Ouvidor. Com apenas 24 anos de idade, já acompanhou e dividiu o palco com importantes nomes da música brasileira, atua como profissional desde os 15.

Para os que discutem com sincera preocupação sobre a ausência de novas gerações compondo, tocando e cantando com personalidade, O que vai ficar pelo salão surpreende do começo ao fim. Além das interpretações e duetos, Gabriel apresenta uma vertente ainda desconhecida por muitos, a de compositor. Como “Elmo de São Jorge”, melodia que surge fascinante no entoar maiúsculo e arrebatador de Gabriel, onde talento é lugar-comum.

O trabalho é coletivo de fato. E isso fica claro nos arranjos e batuques sacados em conjunto do baú de pautas preciosas. É possível ver o brilho individual de todos os envolvidos.

Afinal de contas, quem é capaz de desvendar os segredos melódicos de Renato Martins? Ao ouvir as entrelinhas dos acordes de “O Que é de Louça”, os mais desatentos não perceberão que se trata de uma linda homenagem a Paulinho da Viola. Ou então em “Mar Maior”, samba que aprisiona subitamente, interpretado por Cristina Buarque.

E as letras de Roberto Didio? Tão fortes e vivas, que são capazes de derrubar as lágrimas dos mais insensíveis dos homens. Como na delicada ”Choro de Mulher”, interpretada por Anabela ou ainda na visceral “Muralhas”, onde Áurea Martins empresta todo seu lamento à canção.

Patrick Angelo no violão e Ana Rabello no cavaquinho nos levam de volta a caminhos há muito não visitados. Com o fascínio inicial vem a comoção. As águas turvas do presente clareiam a cada nota. Ao fundo, Marcus Thadeu e Magno Souza dão o ritmo, formando uma ponte de esperança com o que ficou lá para trás. É quase real o som do sorriso dos tamborins e pandeiros. Felizes novamente.

Três declarações de amor ao samba figuram no repertório: “Quando o samba veio me buscar” (Moacyr Luz e Roberto Didio), “Na Cantoria” (Renato Martins e Roberto Didio) e “Seu Camafeu” (Gabriel Cavalcante e Roberto Didio) – que faz referência ao disco Berimbaus da Bahia (1968), do lendário Camafeu de Oxossi.

O “Velho Batuqueiro” é lembrado na faixa de mesmo nome, onde a linha de frente dos Arengueiros é honrada com a marcação no peso de Xangô. O velho cantava mesmo bonito.

Por fim, o trabalho de amigos é cantado na faixa que dá nome ao disco. Uma celebração à amizade, seja em guerras perdidas, seja na saudade do balcão".

Participações especiais: Moacyr Luz, Amelia Rabello, Cristina Buarque, Áurea Martins e Anabela.

Lançamento do CD: dia 09 de dezembro, no Teatro Rival.
Ricardo Brigante.

Pra quem não conhece, tá aí a fera comandando o Samba da Ouvidor:




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78 RPM - O samba do Estácio de Sá


Especial exibido pela Rádio Cultura Brasil em junho de 2010 contando a história da turma do Estácio, falando sobre seus compositores e da importância desse pessoal pro samba.

Parte 1

Parte 2

Download: Parte 1 / Parte 2



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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Bêbadosamba...



Um mestre do verso, de olhar destemido, disse uma vez, com certa ironia :
“Se lágrima fosse de pedra eu choraria”
Mas eu, como semrpe perdido, bêbado de sambas e tantos sonhos
Choro a lágrima comum, que todos choram
Embora não tenha nessas horas, saudade do passado, remorso uu mágoas menores...

Meu choro, dolente, por questão de estilo, é chula quase raiada
Solo espontâneo e rude de um samba nunca terminado
Um rio de murmúrios da memória de meus olhos, e quando aflora
Serve, antes de tudo, para aliviar o peso das palavras
Que ninguém é de pedra

Boca negra e rosa, debochada e torta
Riso de cabrocha, generosaBeijo de paixão

Coração partido, verso de improviso
Beba do martírio desta vida
Pelo coraçãoBebadachama

Chama, que o samba semeia a luz de sua chama
A paixão vertendo ondas, velhos mantras de aruanda

Chama por Cartola, chama por Candeia
Chama Paulo da Portela, chama...
Ventura, João da Gente e Claudionor
Chama por mano Heitor, chama...Ismael, Noel e Sinhô

Chama Pixinguinha, chama...
Donga e João da Baiana
Chama por Nonô, chama Cyro Monteiro
Wilson e Geraldo Pereira
Monsueto, Zé com fome e Padeirinho
Chama Nelson Cavaquinho, chama Ataulfo
Chama por Bide e Marçal

Chama, chama, chama...Buci, Raul e Arnô Cabegal
Chama por mestre MarçalSilas, Osório e Aniceto
Chama Mano Décio...Chama meu compadre Mauro Duarte,
Jorge Mexeu e Geraldo Babão

Chama Alvaiade, Manacéa e Chico Santana
E outros irmãos de samba
Chama, chama, chama...



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Alberto Lonato

Hoje, se estivesse vivo, o grande compositor portelense faria 101 anos. Praticamente nascido no samba, aos oito anos de idade já frequentava a casa de Madalena Xangô de Ouro, onde veio a conhecer, entre outros bambas, Pixinguinha, Brancura e Marcelino, com quem aprendeu a batucar o samba...

Lonato, depois de passagens rápidas pela Mangueira e Unidos de Rocha Miranda, acabou fincando suas raízes na Portela, onde chegou no início dos anos 30. Sempre elegante, com seu chapéu, calça vincada e paletó engomado, Alberto Lonato foi um grande pandeirista, formando com Argemiro uma dupla que ainda mantinha aquela levada tradicional da Portela.

Participou da gravação do antológico "Portela Passado de Glória", produzido pelo Paulinho da Viola em 1970, um dos mais representativos discos de samba já lançados até hoje.

Seguem algumas gravações de belos sambas de Alberto Lonato:



Sofrimento de quem ama (Alberto Lonato)
Intérprete: Alberto Lonato e Velha Guarda da Portela

Peixe com côco (Alberto Lonato, Maceió e Josias)
Intérprete: Monarco e Velha Guarda da Portela

Adeus (Alberto Lonato e Mano Décio da Viola)
Intérprete: Mano Décio da Viola

Não pode ser verdade (Alberto Lonato)
Intérprete: Alberto Lonato e Escola de Samba Portela

Você me abandonou (Alberto Lonato)
Intérprete: Cristina Buarque e Terreiro Grande

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Bolinha de Papel - De Julieta a José Serra

Fizeram até samba pro Serra! Meio atrasado por causa do feriado, mas não podia deixar de postar!