quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tarzan, O Filho do Alfaiate (Noel Rosa e Vadico)

Quem viu Alô Alô Carnaval há de ter percebido que o cantor Francisco Alves canta o tempo inteiro com a barriga encolhida e o peito estufado, tentando insinuar um físico de halterofilista. É que, na época, a beleza masculina inspirava-se na estética de Tarzan, o que significava manifestação de saúde, uma espécie de anti-tuberculose. Contribuindo para tudo isso, a moda masculina criava os paletós com ombreiras e um corte que acentuava os peitos largos e as cinturas finas. É claro que Noel Rosa não poderia ficar indiferente a tudo isso e registrou a moda em Tarzan (o filho do alfaiate), também incluído no filme Cidade mulher, onde foi interpretado pelo comediante José Vieira. Primeira gravação lançada em setembro de 1936, por Almirante, em discos Victor:


Quem foi que disse que eu era forte?
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol...
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
E eu passo o ano inteiro sem ver um raio de sol
A minha força bruta reside
Em um clássico cabide, já cansado de sofrer
Minha armadura é de casimira dura
Que me dá musculatura, mas que pesa e faz doer
Eu poso pros fotógrafos, e destribuo autógrafos
A todas as pequenas lá da praia de manhã
Um argentino disse, me vendo em Copacabana:
'No hay fuerza sobre-humana que detenga este Tarzan'
De lutas não entendo abacate
Pois o meu grande alfaiate não faz roupa pra brigar
Sou incapaz de machucar uma formiga
Não há homem que consiga nos meus músculos pegar
Cheguei até a ser contratado
Pra subir em um tablado, pra vencer um campeão
Mas a empresa, pra evitar assassinato
Rasgou logo o meu contrato quando me viu sem roupão
Eu poso pros fotógrafos, e destribuo autógrafos
A todas as pequenas lá da praia de manhã
Um argentino disse, me vendo em Copacabana:
'No hay fuerza sobre-humana que detenga este Tarzan'
Quem foi que disse que eu era forte?
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol...
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
E eu passo o ano inteiro sem ver um raio de sol
A minha força bruta reside
Em um clássico cabide, já cansado de sofrer
Minha armadura é de casimira dura
Que me dá musculatura, mas que pesa e faz doer

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