terça-feira, 17 de agosto de 2010

Em briga de marido e mulher não se mete a colher !!!




O malandro sai contando marra na rua, tirando uma onda com os amigos:

Mulher de malandro sabe ser,
Carinhosa de verdade
Ela vive com tanto prazer
Quanto mais apanha, a ele tem amizade,
Longe dele tem saudade

Ela briga com o malandro
Enraivecida manda ele andar
Ele se aborrece e desaparece
Ela sente saudade, vai procurar,

Há um ditado muito certo que diz:
pancada de amor não dói

Muitas vezes ela chora
Mas não despreza o amor que tem
Sempre apanhando e se lastimando
Perto do malandro se sente bem,
É meu bem, o malandro também tem seu valor
.................................(Mulher de Malandro - Heitor dos Prazeres e Francisco Alves)

Enquanto isso a mulher tá em casa, com a criança chorando, com fome esperando o vagabundo chegar em casa... Quando o malandro chega do samba ele tem que ouvir... E dessa vez a nêga tá brava, até no advogado já foi...

Você não deve me tratar assim
Porque eu não estou acostumada
E posso até achar ruim
Você sé chega em casa alta madrugada
E se por acaso não estou acordada
Você fica enfezado e quer me dá pancada

Eu já procurei, já procurei o meu advogado
E ele respondeu que o caso é encrencado
Marido da orgia não tem o direito
De bater numa mulher que se dá o respeito
Você já abusou da sua autoridade
E eu não estou disposta a tanta maldade
.................................(Marido da Orgia - Ciro de Souza)

Mas o malandro, não cai nessa conversa... Tenta de um jeitinho mais "carinhoso"...

Vem, vem
Que eu dou tudo a você
Menos vaidade
Tenho vontade
Mas é que não pode ser

Amor é o do malandro
Oh! Meu bem
Melhor do que ele ninguém
Se ele te bate é porque gosta de ti
Bater em que não se gosta
Eu nunca vi...
.................................(Amor de Malandro - Ismael Silva e Francisco Alves)

Depois de tanto "carinho", a nêga até deu uma amansada, mas no outro dia foi chorar as mágoas com a vizinha...

Eu fui tão maltratada
Foi tanta pancada que ele me deu
Que estou toda doída, estou toda ferida
Ninguém me socorreu,
Ninguém lá em casa apareceu!

Eu vou ao distrito, está mais do que visto
Isto não fica assim, vou contar tintim por tintim
Tudo nele eu aturo, menos tapas e murros
Isto não é para mim

Ele vai para a orgia, passa três, quatro dias
Sem me aparecer
Quando vem está zangado, está contrariado
E eu não sei porquê
Mas eu agora vou saber

Eu sou tão camarada, a ele não falta nada,
Ganha um terno por mês
Ainda agora pancada, pior foi amassada
Eu parei desta vez,
vou arranjar um português.
.................................(Vou contar tim tim por timtim - Cartola)


É malandro, perdeu... E ainda por cima pro portuga! kkkkk

O áudio acima foi retirado do excelente disco "O Samba é Minha Nobreza"
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Um comentário:

denilson ramos disse...

bonito samba eu era pequeno quando ouvia essas obra de arte parabens para quem restaurou essas raridaes .UM FORTE ABRÇO.