quarta-feira, 2 de junho de 2010

O samba em dois tempos

O primeiro samba que vou postar hoje é um samba genial, composto por Moreira da Silva e Zé Trindade. Chama-se "1296 Mulheres" e mostra que o Morengueira, além de "pegador" era bom de matemática, rsrs!

A primeira versão é de 1953 em disco 78rpm. Quem interpreta é o próprio Moreira da Silva, num samba com aquela levada bem ao estilo "Era do Rádio", cheio de belos arranjos de sopro, e até um piano solando...



A segunda gravação é do disco "O samba das rodas" do cantor Gallotti, lançado em 2002. Aquí o samba já ganha uma levada mais "tradicional", com cavaquinho, baixaria do 7 cordas e o surdo do Gordinho! Reparem que ele inverte os dois primeiros versos da musica...



1296 Mulheres
(Moreira da Silva e Zé Trindade)

Três mulheres todo mês
Eu consigo conquistar
Três mulheres todo todo mês
Por ano são trinta e seis

Trinta e seis é a minha idade,
Vamos multiplicar:
Trinta e seis vezes trinta e seis
Mil duzentas e sessenta e três

Tive duzentas baianas
Trezentas pernambucanas
Noventa e cinco paulistas
Mineiras, perdi a lista

Tive umas vinte gaúchas
E uma paraibana - eu, hein?!
Carioca umas quinhentas
Só no bairro de Copacabana


Vou aproveitar o cd do Gallotti e vou postar outro samba. "O couro do Falecido" de Monsueto e Jorge de Castro é uma homenagem mais do que justa ao grande Cabrito, uma das figuras mais importantes do nosso samba!

A primeira gravação é com o Monsueto e suas pastoras, do primeiro e único disco que o compositor gravou. O disco, de 1962, chama-se "Mora na filosofia dos sambas de Monsueto" e foi relançado recentemente como uma coletânea intitulada "Raízes do Samba". Aquí, você vai ouvir uma verdadeira aulda de batucada!



A segunda versão é do mesmo disco que citei acima, "O samba das rodas".



O couro do falecido
(Monsueto e Jorge de Castro)

Um minuto de silêncio
Para o cabrito que morreu
Se hoje a gente samba
É que o couro ele nos deu

Castigue o couro do falecido
Bate o bumbo com vontade
Que a moçada quer sambar

Castigue o couro do falecido
Morre um para bem de outros
A verdade é essa, não se pode negar...

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