segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vem pra roda menina, mexer com as cadeiras, vem sambar!

Fotos: Vinicius Terror

..."Que esse samba é da antiga, de gente amiga, vem sambar!

E quem foi ao Espaço 104, no centro de BH nesse último sábado, sambou... E sambou bonito, com direito a samba da antiga e muita gente amiga!

Fui chegando no lugar e já percebi tudo... Olhei ao redor, um galpão, localizado no centro da cidade, onde funcionava antigamente uma fábrica de tecidos... No centro do galpão, uma mesa e cadeiras em volta, umas quinze... Dei mais uma conferida e nada de som... Nenhuma mesa, caixas de som ou técnicos! Pronto!


O tal "show" de lançamento do CD "Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia", era na verdade uma roda, no melhor estilo Terreiro Grande... Tudo acústico, aquele clima de descontração (só faltou ser num buteco!), e haja gogó! Uma roda de samba em que o homenageado da noite com certeza se sentiria em casa! Coisa linda!

Imaginem só se essa mistura não podia ser mais feliz! Cristina Buarque, uma mulher de fundamental importância para a divulgação das obras de diversos compositores, especialmente daqueles da Portela, sua escola do coração. Terreiro Grande, uma turma que hoje, é responsável por divulgar o samba em seu melhor estado de espírito, inspirando uma grande quantidade de jovens sambistas por todos os cantos do Brasil. Felizmente proliferam-se projetos e rodas informais como O pessoal do Samba de Terreiro de Mauá, o Projeto Resgate e o Nucleo de Samba Jequitibá. Junta essa turma toda e preparem um repertório de primeira em homenagem a um dos maiores sambistas de todos os tempos! Foi daí que nasceu o ótimo "Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia"


Tive a oportunidade de bater um papo com o pessoal e os caras são gente finíssimas! Como eles mesmos disseram, o mais importante alí é que são todos amigos! É isso que faz o samba ter aquela coisa a mais, o prazer de estar alí tocando e cantando, todos juntos... Até eu acabei dando umas batucadas lá com eles! (valeu Luizinho, foi uma grande honra pra mim!). Pra vocês verem, o cara, sem me conhecer e nunca me ouvir tocar, jogou o pandeiro dele na minha mão!

Bem diferente do que se costuma ver por aí hoje em dia, onde o que impera é uma absurda briga de egos, vaidade... uma coisa muito profissionalizada, mesmo nas chamadas rodas de samba... Aí fica ruim, o samba fica sem emoção. Fica muito bonito, mas fica sem tempero. Quantas vezes cheguei numa roda de desconhecidos, comecei a tocar meu pandeiro e nego ficar me olhando com aquela cara de mau, pensando "quem é esse cara?", "o que ele tá fazendo aquí?"... Parece que têm medo de você roubar o espaço deles, sei lá... A galera geralmente é muito pouco receptiva...


O samba não é só musica. Pra uma roda funcionar não bastam bons musicos apenas. É preciso emoção... é preciso que as pessoas envolvidas se dêem bem, sejam amigos! É preciso conhecer os companheiros de roda, frequentar suas casas e botequins preferidos, não basta encontrar duas vezes por mês pra tocar samba!

E é por isso que ponho muita fé nesse pessoal! Pelo pouco que já conhecí da história do Terreiro Grande, pelo respeito à tradição e aos compositores muitas vezes esquecidos. Pela oportunidade de conhecer coisas inéditas de compositores que adoramos... e também pela oportunidade de ouvirmos sambas memoráveis de Alvaiade, Roberto Martins, Chico Santana, Alberto Lonato e companhia de um jeito que só se ouve em uma boa roda de samba!

Salve o Terreiro Grande, Salve Cristina Buarque, Salve Candeia!
























4 comentários:

Artur de Bem disse...

Bonito!

E salve o Terreiro!

Bruno Chagas disse...

Que beleza!

Essa é uma roda de Samba que eu ainda preciso assistir!

Abraço.

Mario disse...

Maravilha de texto hein?!É isso aí, samba tem que ser na intimidade (como dizia Candeia).
Abç!

Mário Resgate

Thiago do Nascimento disse...

Grande valor...exatamente, o samba não precisa de "musicos"profissionais, luzes, cameras,muito menos da mídia. O samba é isso ai, na intimidade, simples,calmo, solto e puro. Axé