sábado, 8 de maio de 2010

Lamentos...

Publico aqui, na íntegra, o desabafo do possoal do "Ocê no Samba", sobre o triste encerramento das atividades da Feira do Choro em Belo Horizinte... Uma pena que uma iniciativa dessas tenha que chegar ao fim por falta de apoio... Fica aí a dica a quem estiver lendo e puder fazer algo!


BH permite mais um absurdo cultural: o fim da Feira do Choro

O título é uma lamentação não só do Ocê no Samba que preza integralmente pelo que é feito e consumido em BH quando se fala em Samba e Choro. Mas para todos que veem na arte uma forma de mudança real no mundo. Todos os eventos, artistas e casas que se propõe a receber essas artes ganham não só a simpatia do Ocê, mas de todos que apreciam cultura. Pois é. Este texto é para comunicar que a Feira Tom Jobim, ou Feira do Choro, que fica no Funcionários, pertinho do Colégio Arnaldo terá sua última edição amanhã. O motivo? O de sempre. Falta de apoio ou percepção que a sociedade é mais complexa do que pensar apenas em materialismo burro e burocrático. Há uma necessidade clara de buscarmos algo a mais.

Em entrevista por telefone, a Curadora da Feira, Beatriz Myrrha, falou ao Ocê em tom de tristeza o que levou ao término de uma das mais bacanas iniciativas de BH. “Não havia apoio. O instituto Aletria orginalmente é voltado para a leitura, contadores de história. Mas, nossa diretoria sempre foi apaixonada pelo Choro e resolvemos bancar a ideia. Sobrevivemos um ano e cinco meses tirando dos bolsos o sustento do evento. Basicamente por essa falta de recursos que amanhã será a última vez que a feira será montada para nossa tristeza com essa perda para nós e para os amantes do Choro”, explicou Beatriz com grande pesar.

A Feira Tom Jobim recebia um apoio estrutural da prefeitura de BH que mandava o palco e uma equipe para operar o som, além de ceder a autorização para usar o espaço. As barracas com bebidas, artesanatos e alimentos não davam qualquer retorno financeiro aos organizadores da Feira do Choro. “Cada banda nos custava um cachê de R$ 500 por sábado. Era um custo que só era retirado, não havia retorno para sustentar a ideia, grande objetivo do projeto”, disse Beatriz. A programação de maio até junho já estava fechada. Inclusive entramos em contato com a Aletria para conhecer mais o projeto.

A perda é tão imensa que afetará quem já se programava para uma tarde agradável entre as belas e imensas árvores da rua Bernardo Monteiro com avenida Brasil, quem tinha na feira sua forma de ganhar um dinheiro-extra ou até mesmo o sustento famliar. O Choro atraía as pessoas que se sentavam somente para degustar os chorões da cidade. Ícones do Choro de BH passaram ou começaram por lá como o Grupo 13 Cordas, Warley Henrique, Ausier Vinicius e Pedacinhos do Céu e um número sem fim de ótimos músicos que uniam arte de qualidade e compromisso com a população de levar uma alternativa saudável de lazer.

A Feira do Choro teve um suspiro financeiro nos últimos meses, porém não foi sucifiente para segurar o evento de pé. A Copasa bancou parte dos custos por um mês e A Sindicop(Sindicado das cooperatvias de crédito) junto com a Santa Casa Saúde estavam auxiliando o projeto. Também foi pouco. Se pensarmos bem, o custo mensal da feira seria irrisório se as empresas e autoridades culturais fossem menos gananciosas e enxergassem o benefício que a Feira proporcionava à população como lembrou o diretor do clube do Choro, Silvio Carlos. “Numa época em que se tem privilegiado a música de baixa qualidade através das TVs e Rádios, este projeto tem atingido o seu objetivo, que é de oferecer ao povo de Belo Horizonte o que de melhor temos em matéria de música e instrumentistas, promovendo um contato direto entre os artistas e o público, e significativamente contribuído para enriquecer a cultura do nosso povo”.

Clamamos a todos que sabem da importância da cultura para nossas vidas que nos ajude a pelo menos colocar esse absurdo em outros locais. Quem sabe, não sansibilizamos nossas autoridades de cultura para que visem menos retorno material e mais oferta de boa música e cultura em geral, que anda cada dia mais em falta nesta cidade, pois se privilegiam eventos frívolos, sem qualquer legado real para as futuras gerações. Por enquanto, convidamos todos para o último sábado de Feira do Choro, todavia, que seja apenas um até breve para a tarde com os Chorões de BH.

Um comentário:

Ocê no Samba disse...

Vinícius:

Li o recado deixado por você no Ocê no Samba. Eu (Lucas Fernandes) sou dos repórteres que faz o blog. Não há problema alhum. Afinal, você citou o blog e o linkou.

Fico contente por ver sua iniciativa aí por Ouro Preto. O "Receita de Samba" tem uma preocupação estética aliada a conteúdo informativo e dicas. Fundamental, falando em termos de comunicação, e agradável a quem lê e gosta do Samba.

Estamos terminando uma sessão de blogs e sites indicados e fazemos questão de colocar o "Receita de Samba" na lista. Quem sabe até mesmo trocar ideias. Afinal, falamos de Minas, uai!

Parabéns pelo projeto e vamos mantendo contato.

Abraço.
Lucas Fernandes
Equipe Ocê no Samba