sábado, 29 de maio de 2010

Salve Madureira, Salve Serrinha!

Hoje tem samba! Que beleza! Antes de ir preparar o fígado, deixo pra vocês momentos interessantes da nata do Império! Sem mais...

Molequinho do Império fala das origens da verde e branco de Madureira!



A velha guarda e o Jongo...



Ô lelê, abre a roda ô lalá... Eu quero ver Tia Eulália dançar!



Velho Aniceto...



Jorginho do Império e Mano Décio, na onda do Adoniran...



Dona Ivone...



Elizeth, convidada pro samba do Império!



Nos tempos dos bons carnavais...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Assim não, Zambi

Lindo samba de martinho da Vila cantado pela Rainha Clementina de Jesus! Coisa bonita de se puxar na roda!




Assim não, Zambi (Martinho da Vila)

Quando eu morrer vou bater lá na porta do céu
E vou falar pra São Pedro que ninguém quer essa vida cruel

Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi

(Clementina)

Ô Zambi,
Vê se manda parar com aquelas "blitz" lá no morro.
Os hôme chega chutando a porta e revirando tudo
Todo mundo fica assustado e a criançada com aqueles olhos arregalados,
O coração saindo pela boca, ai meu Deus...
A tal de lei de invasão de domicílio lá no morro não vale nada

Ah Zambi,
Vê se clareia a cabeça da minha gente lá no morro,
Para eles pararem de tanta cachaçada, maconha e briga...
Devagar, tá legal?
Mas quando os nêgo tá doido, dão tiro à tôa, à tôa...
E quando eles inventa de brincar de bandido?
é o de baixo atacando o de cima,
O da direita atacando o da esquerda...
Mas o pior, é que ninguém é da direita ou da esquerda.
É todo mundo do mesmo morro
É a miséria brigando com o miserê...

Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi

Eu não quero as crianças roubando
A veinha esmolando uma xepa na feira
Eu não quero esse medo espantado
Na cara duns nêgo sem eira nem beira

Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi

Abre as cadeias pros inocentes
Dá liberdade pros homens de opinião
Quando um nêgo tá morto de fome
Um outro não tem o que comer
Quando um nêgo tá num pau-de-arara
Tem nêgo penando num outro sofrer

Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi

CIFRA

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Fala Mangueira

Belo filme de Frederico Confalonieri e Sérgio Cabral que nos mostra a triste realidade que o "progresso" trouxe para o morro de Mangueira, as mudanças na Escola... Mas também nos atenta para o fato de que mesmo com tanto sofrimento, o povo de Mangueira não se deixa abalar, apoiando-se em seu bem maior, seu grande orgulho, o samba... O samba de Jamelão, Nélsoon Cavaquinho, Padeirinho, Xangô, Cartola e tantos outros!

Como disse Zé da Zilda em seus sábios versos:

"Quem se muda pra Mangueira é verdade,
Leva a vida cheia de felicidade
Quem se muda de Mangueira tem saudade
E voltará ou mais cedo, ou mais tarde..."


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Heitor dos Prazeres


Heitor dos Prazeres: Engraxate, jornaleiro, marceneiro, sambista e pintor!

Nascido na Cidade Nova, pertinho da Praça Onze, no ano de 1898, dez anos após a abolição da escravidão, Heitor dos Prazeres desde pequeno já se bandeava pros lados da música. Seu pai era clarinetista da banda da Guarda Nacional e costumava alegrar as reuniões familiares solando polcas, valsas e choros. Heitor, ou Lino como era chamado pela família, perdeu o pai cedo, aos 7 anos.

Foi seu tio Hilário Jovino (o Lalu de Ouro) quem presenteou Heitor com seu primeiro cavaquinho... Heitor tinha grande admiração por Lalu e nota-se uma grande influência do estilo de compor do tio em suas primeiras composições. Assim, ainda menino, já se tornava o "Heitor do Cavaquinho" frequentando as famosas reuniões nas casas das Tias, acompanhando em seu cavaquinho jongos, lundus, samba, além de desenvolver suas habilidades percussivas batucando o candomblé. E Heitor era então apresentado a grandes mestres como Pixinguinha, Donga, Paulo da Portela, Sinhô, Caninha, João da Bahiana entre outros.


Na década de 20 era respeitado nas rodas de samba, onde apresentava suas composições a bambas como Ismael Silva, Bide e Paulo da Portela. Data dessa época, a polêmica do samba "Cassino Maxixe" onde travou um duelo musical e jurídico com Sinhô, a quem revindicava a parceria no samba. Sinhô negou, dizendo que "samba é como passarinho, é de quem pegar"...

Confira a hístória com mais detalhes em um trecho de um programa especial sobre Heitor dos Prazeres, da rádio USP:


Para alertar seus companheiros que frequentavam os mesmoas ambientes de Sinhô, Heitor compôs "Olha ele, cuidado"


Sinhô respondeu com "Segura o Boi"


Heitor ainda escreveu mais um samba em resposta, denominado "Senhor dos meus sambas", o qual o Sinhô tentou a todo custo impedir sua gravação. Mas esse nunca encontrei nem a letra!


Heitor dos Prazeres foi personagem fundamental no surgimento das escolas de samba do Rio de Janeiro, ajudando a fundar e a organizar vários agrupamentos de samba no Rio Comprido, no Estácio e nas imediações, o que resultou na criação das primeiras escolas de samba: Deixa Falar, De Mim Ninguém se Lembra e Vizinha Faladeira, no bairro do estácio de Sá.

Em Oswaldo Cruz, em companhia de Paulo da Portela, João da Gente, Mané Bambambam e muitos outros, participou da criação das agremiações Prazer da Moreninha e Vai como Pode, que mais tarde se fundiram e formaram sua querida Portela, à qual ele deu as cores azul e branco.

Heitor participou também dos primeiros passos da Estação Primeira de Mangueira, onde ia contratar as pastoras para apresentações em festas e cassinos com seu amigo e parceiro Cartola.


Heitor foi parceiro de grandes nomes do samba: Noel Rosa, Paulo da portela, João da Gente, J. Cascata, Herivelto Martins, este último um dos mais constantes...

Desperta Dodô (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Cristina Buarque e Terreiro Grande

Não acabou a Praça Onze, não...
Não acabou a Praça Onze, não... 

Ajeita a pancadaria, 
Dodô mestre de harmonia 
Que eu já mandei reunir o pessoal 
Procura o pau da bandeira
Amarra na cumieira 
Se não achar o estandarte, 
Não faz mal 

Dodô, eu quero alegria 
Vai ter ensaio de noite e de dia 

Precisamos fazer um bom carnaval 
Para o povo saber 
Quem nós somos, afinal
Morre um sambista, outro virá 
Para o substituir 
Laurindo... 
Os erros vão te derrubar
A nossa escola tem um luto para guardar 
E um herói para festejar



Tristeza (Heitor dos Prazeres e João da Gente)
Intérprete: Velha Guarda da Portela


A tristeza me persegue
Ora veja que martírios meus
Muito embora na orgia 
Eu não tenha alegria, meu Deus 

Vai,que a mim não causa pena 
Se tu queres se esconder 
O remorso te condena 
Vai embora, enganadeira 
Não me venhas enganar 
Não me venhas dar o pago 
Que me deu a Dagmar 

A tristeza me persegue 
Ora veja que martírios meus 
Muito embora na orgia 
Eu não tenha alegria, meu Deus 
Vai, eu não quero mais você 
Chega de tanto penar 
Chega de tanto sofrer 
Vou-me embora, vou-me embora 
Bela mandou me chamar 
Eu mandei dizer a ela 
Tô doente,não vou lá


Pra quem quiser ouvir mais um pouco de Heitor dos Prazeres, preparei uma pequena coletânea de 20 musicas, todas gravadas em 78 rpm e disponibilizadas pelo Instituto Moreira Salles!

01 - Primeira Linha (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Benedito Lacerda
Data: 1930
02 - Cantar pra não chorar (Heitor dos Prazeres e Paulo da Portela)
Intérprete: Carlos Galhardo
Data: 1937
03 - Vou ver se posso (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Mário Reis
Data: 1934
04 - Mulher de malandro (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Francisco Alves
Data: 1931
05 - Tristeza (Heitor dos Prazeres e João da Gente)
Intérprete: Januário de oliveira
Data: 1930
06 - Eu vou comprar (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Moreira da Silva
Data: 1933
07 - Saudosa Favela (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Arací de Almeida
Data: 1940
08 - Nossa Separação ( Heitor dos Prazeres e Herivelto Martins)
Intérprete: Linda Batista
Data: 1942
09 - Quebra morena (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Trio de Ouro
Data: 1942
10 - A tristeza (Heitor dos Prazeres e Herivelto Martins)
Intérprete: Roberto Paiva
Data: 1943
11 - Desperta Dodô (Heitor dos Prazeres e Herivelto Martins)
Intérprete: Trio de Ouro
Data: 1945
12 - Até que enfim favela (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Nélson Gonçalves
Data: 1945
13 - Você tem casa e comida (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Ciro Monteiro
Data: 1946
14 - Carioca boêmio (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Orlando Silva
Data: 1946
15 - Nada de rock rock (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Heitor dos Prazeres
Data: 1957
16 - A coisa melhorou (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Carmem Costa
Data: 1943
17 - Sou eu quem dou as ordens (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Araci de almeida
Data: 1945
18 - Olinda (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Francisco alves
Data: 1945
19 - Não sei que mal eu fiz (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Mário Reis
Data: 1934
20 - Olha ele, cuidado! (Heitor dos Prazeres)
Intérprete: Alfredo Albuquerque
Data: 1929


Heitor dos prazeres também foi um grande pintor como vocês podem observar nas imagens de seus quadros ao longo do texto!


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domingo, 23 de maio de 2010

Vamos de youtube!

Orlando Silva canta "Aos pés da santa cruz" de Zé da Zilda e Marino Pinto




"Um calo de estimação". Mais uma do Zé da Zilda... Dessa vez em parceria com José Thadeu. Na interpretação de Teresa Cristina e Pedro Miranda.




Novamento o Orlando Silva com seu vozeirão, agora interpretando "Meu consolo é você", uma parceria entre Roberto Martins e Nassara...




"Vou te abandonar", samba de Heitor dos Prazeres. A interpretação, se não me engano é de Jorge Veiga, mas não tenho certeza! As pinturas no vídeo são do próprio Heitor.

É banalidade!


Um Segundo Rio que Passou
(Walter Rosa)

Composição do portelense Walter Rosa, gravada no disco "Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela", de 1972. Quem canta é Avelino, acompanhado da Escola de Samba da Portela


Meu povo não é tão cego assim
Para não ver os pontos que a comissão negou
Foi como se fosse à vida da Portela
Um segundo rio que passou
Foi como se fosse à vida da Portela
Um segundo rio que passou

É banalidade, é banalidade
Minha Portela mostrar carnaval na cidade
Saudando o povo, ela é do povo
E no futuro nos aplaudirá de novo

sábado, 22 de maio de 2010

Salsicha à noite não faz boa digestão...


Moreira da Silva e Wilson Batista

Excelente samba de Wilson Batista e Moreira da Silva, interpretado pelo próprio Morengueira. Aliás, as parcerias entre esses dois bambas até que rende um bom assunto... quem sabe...

Essa noite eu tive um sonho
Wilson Batista e Moreira da Silva
Victor 78 rpm - 1941


Saltei em Berlim, entrei num botequim,
Pedi café, pão e manteiga pra mim,
O garçom respondeu: não pode ser não !
Fiquei furioso e fui "hablar" ao patrão,
Que me recebeu com duas pedras na mão,
E me disse quatro frases em Alemão,
Néris disso, sou doutor em samba,
Venho de outra nação !

Tive vontade de comer uns bifes,
Ich nag dich, seu Fritz,
Não se resolve assim não,
Venho do Brasil,
Trago um presente pro senhor,
Esta ganha e esta perde,
Na voltinha que eu dou,
Já tinha ganho todos os marcos para mim,
Quando ouvi o ruído de um Zeppelin,
Eu acordei, tinha caído no chão,
Salsicha à noite, não faz boa digestão.

Centenário de Noel Rosa



Como todos já devem saber, esse ano comemora-se o centenário de Noel Rosa, o poeta da Vila... Um dos maiores gênios que a música brasileira já conheceu... E um grande sambista... Compositor de sambas como "O orvalho vem caindo", "Provei", "Conversa de Botequim" entre inumeros outros, Noel teve vida curta, não chegou a completar os 30 anos, mas deixou uma obra gigantesca, com mais de 300 composições, passeando não só pelo samba, mas pelos mais variados caminhos que a musica brasileira pode oferecer...

Bom, como noel não é assunto pra alguns poucos parágrafos, até o mês de dezembro, quando de fato se comemora o centenário do poeta, vou postando aos poucos algumas curiosidades, videos, textos e o que mais eu achar de interessante sobre a vida e obra desse grande mestre!

Pra começar, uma pequena curiosidade... Noel, já nos seus últimos anos de vida, começou a se apresentar no Programa do Casé, na Rádio Sociedade, onde vez ou outra criava novos versos para suas composições. Esse versos às vezes ficavam tão bons que acabavam sendo incorporados às letras originais por alguns intérpretes...

Um exemplo é essa gravação de Feitiço da Vila (Noel e Vadico), feita por Sílvio Caldas, em que no lugar dos versos originais, são cantados os seguintes:



A zona mais tranqüila
É a nossa Vila
O berço dos folgados
Não há um cadeado no portão

Pois lá na Vila não há ladrão.

Quem nasce pra sambar
Chora pra mamar

Em ritmo de samba
Eu fui sair de casa olhando a lua

E até hoje estou na rua.



Mais alguns exemplos, são as músicas "Feitio de Oração"...



... e "Fita Amarela"

terça-feira, 18 de maio de 2010

Um ano de receitas!



Pô galera. quase deixei passar batido, mas lembrei a tempo! Hoje, 18 de maio, o Receita de Samba completa um ano!

Espero que o blog seja pra vocês uma leitura agradável e divertida pra vocês que gostam de samba, ou para aqueles que ainda estão conhecendo esse universo maravilhoso, uma das maiores riquezas do nosso povo!

E é essa a idéia do Receita... Levar o samba ao povo, aproximando os mais jovens da nossa cultura que, apesar de tão rica, vem sendo deixada de lado, massacrada pela era da musica enlatada, do rebolation, da batida eletrônica e, acima de tudo, do mal gosto e do desprezo da mídia por tudo o que nosso paíz produziu de melhor! O samba, assim como o choro, é um patrimônio, e dele devemos cuidar como nosso bem maior!

Vida longa ao samba! Vida longa ao Receita!

Um grande abraço a todos!

O Samba em Dois Tempos

Como diz o nome do post, a idéia é pegar um samba e disponibilizar gravações feitas em épocas distintas, por intérpretes diferentes! Assim, podemos ter uma idéia de como o samba evoluiu ao longo dos tempos... Tanto em termos de qualidade das gravações, como também no jeito de tocar, os instrumentos utilizados, o timbre de voz do cantor... Enfim, só pra viajarmos um pouquinho no tempo enquanto escutamos alguns sambas que marcaram época!

O samba de hoje é "Só Pra Chatear", do compositor carioca José Luis da Costa, o "Príncipe Pretinho".

A primeira gravação é do casal "Zé da Zilda" e "Zilda do Zé", feita em 1947:


A segunda gravação foi feita pelo Roberto Ribeiro, quase trinta anos depois, em 1975:



Eu mandei fazer terno
Só pra chatear
Com a gola amarela
Só pra chatear
Mandei bordar na lapela
O nome que não era dela
Só pra chatear.

Comprei um par de sapato branco
Mais sei que ela só gosta de marrom
Só pra chatear, só pra chatear
Cada pé de sapato tem um tom

Comprei um bangalô pra chatear
lá na favela
mais vou morar na Lapa perto dela.
Só pra chatear ...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vem pra roda menina, mexer com as cadeiras, vem sambar!

Fotos: Vinicius Terror

..."Que esse samba é da antiga, de gente amiga, vem sambar!

E quem foi ao Espaço 104, no centro de BH nesse último sábado, sambou... E sambou bonito, com direito a samba da antiga e muita gente amiga!

Fui chegando no lugar e já percebi tudo... Olhei ao redor, um galpão, localizado no centro da cidade, onde funcionava antigamente uma fábrica de tecidos... No centro do galpão, uma mesa e cadeiras em volta, umas quinze... Dei mais uma conferida e nada de som... Nenhuma mesa, caixas de som ou técnicos! Pronto!


O tal "show" de lançamento do CD "Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia", era na verdade uma roda, no melhor estilo Terreiro Grande... Tudo acústico, aquele clima de descontração (só faltou ser num buteco!), e haja gogó! Uma roda de samba em que o homenageado da noite com certeza se sentiria em casa! Coisa linda!

Imaginem só se essa mistura não podia ser mais feliz! Cristina Buarque, uma mulher de fundamental importância para a divulgação das obras de diversos compositores, especialmente daqueles da Portela, sua escola do coração. Terreiro Grande, uma turma que hoje, é responsável por divulgar o samba em seu melhor estado de espírito, inspirando uma grande quantidade de jovens sambistas por todos os cantos do Brasil. Felizmente proliferam-se projetos e rodas informais como O pessoal do Samba de Terreiro de Mauá, o Projeto Resgate e o Nucleo de Samba Jequitibá. Junta essa turma toda e preparem um repertório de primeira em homenagem a um dos maiores sambistas de todos os tempos! Foi daí que nasceu o ótimo "Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia"


Tive a oportunidade de bater um papo com o pessoal e os caras são gente finíssimas! Como eles mesmos disseram, o mais importante alí é que são todos amigos! É isso que faz o samba ter aquela coisa a mais, o prazer de estar alí tocando e cantando, todos juntos... Até eu acabei dando umas batucadas lá com eles! (valeu Luizinho, foi uma grande honra pra mim!). Pra vocês verem, o cara, sem me conhecer e nunca me ouvir tocar, jogou o pandeiro dele na minha mão!

Bem diferente do que se costuma ver por aí hoje em dia, onde o que impera é uma absurda briga de egos, vaidade... uma coisa muito profissionalizada, mesmo nas chamadas rodas de samba... Aí fica ruim, o samba fica sem emoção. Fica muito bonito, mas fica sem tempero. Quantas vezes cheguei numa roda de desconhecidos, comecei a tocar meu pandeiro e nego ficar me olhando com aquela cara de mau, pensando "quem é esse cara?", "o que ele tá fazendo aquí?"... Parece que têm medo de você roubar o espaço deles, sei lá... A galera geralmente é muito pouco receptiva...


O samba não é só musica. Pra uma roda funcionar não bastam bons musicos apenas. É preciso emoção... é preciso que as pessoas envolvidas se dêem bem, sejam amigos! É preciso conhecer os companheiros de roda, frequentar suas casas e botequins preferidos, não basta encontrar duas vezes por mês pra tocar samba!

E é por isso que ponho muita fé nesse pessoal! Pelo pouco que já conhecí da história do Terreiro Grande, pelo respeito à tradição e aos compositores muitas vezes esquecidos. Pela oportunidade de conhecer coisas inéditas de compositores que adoramos... e também pela oportunidade de ouvirmos sambas memoráveis de Alvaiade, Roberto Martins, Chico Santana, Alberto Lonato e companhia de um jeito que só se ouve em uma boa roda de samba!

Salve o Terreiro Grande, Salve Cristina Buarque, Salve Candeia!
























quarta-feira, 12 de maio de 2010

Cristina Buarque e Terreiro Grande em BH...



Nesse sábado (15/05) o grupo Terreiro Grande se apresenta ao lado da cantora Cristina Buarque no Espaço Cento e Quatro, em Belo Horizonte. O show marca o lançamento nacional do CD "Cristina Buarque e Terreiro Grande cantam Candeia", uma homenagem a um dos maiores mestres que o samba já teve...

Pra saber mais visite o Blog do Terreiro Grande.

Há uns dias fiz um post comentando rapidamente o CD: Confira aqui

Aproveito pra repostar a faixa 6 do CD, pra vocês irem esquentando o gogó! rsrs



Samba na Tendinha (Candeia)
Que me dão pra beber (Candeia)
Meu dinheiro não dá (Candeia e Catoni)
Vida Apertada (Candeia e Casquinha)
Não vem (Assim não dá) (Candeia)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Partido Alto

Pra que ainda não, esse é um excelente documento sobre o samba de partido alto! Nada melhor que Candeia e Pauilnho da Viola pra nos mostrar a essência dde uma roda de partido.. Que delícia ver o Candeia, conduzindo uma perfeita demonstração sobre as técnicas e danças do partido alto... E em seguida, Manacéa, Casquinha, Argemiro e mais um punhado de bambas num partido nota 10! E a roda pegando fogo na medida em que a cachaça vai subindo...

Pra quem já viu, vale a pena rever!

Parte 1



Parte 2



Parte 3



segunda-feira, 10 de maio de 2010

Geraldo Pereira






Nascido em Juiz de Fora (MG), no dia 23 de abril de 1918, o menino Geraldo Theodoro Pereira mudou-se para o Rio de Janeio aos 12 anos de idade, para ajudar seu irmão Mané Araújo (sanfoneiro) que tinha uma vendinha no morro da Mangueira...

E foi na mangueira que Geraldo Pereira começou a conhecer o samba. Frequentando a casa de Alfredo Português, conheceu sambistas como Carlos Cachaça, Nélson Cavaquinho e Cartola... Aliás, dizem que foi o Cartola que o ensinou a tocar violão...

Foi assim que Geraldo Pereira se tornou um dos maiores sambistas brasileiros! Foi capaz de assimilar o samba dos bambas da década de 20 e 30, acrescentando algumas alterações rítmicas na melodia e criando assim o que se conhece como "samba sincopado", estilo amplamente difundido durante a década de 40 por Ciro Monteiro, que gostava de chamar esse jeito de se cantar samba de "samba de teleco teco".

Segundo Nei Lopes, "o samba sincopado é uma variante do samba-choro, de fraseado sinuoso, rico em notas. Estilo que influênciou a obra de compositores como Jota Cascata, Padeirinho, Luiz Grande e João Nogueira".

Seu primeiro samba gravado foi 'Se você sair chorando", na voz de Roberto Paiva, em 1939.



Inscrito num concurso de musicas carnavalescas, o samba não foi um sucesso estrondoso, mas chegou a preocupar o "papa" do samba na época, Wilson Batista. Preocupação essa que terminou em uma das mais famosas parcerias da dupla, "Acertei no Milhar", gravada pelo Moreira da Silva, em 1940.

A partir daí, Geraldo Pereira pôde ser ouvido nos mais diversos timbres, interpretado por grandes nomes do samba, como Ciro Monteiro, Moreira da Silva, Aracy de Almeida, Orlando Silva, entre outros. Ciro Monteiro foi um grande amigo além de seu principal intérprete. Imortalizou clássicos como Falsa Baiana e Escurinho. A primeira música de Geraldo que Ciro gravou foi "Acabou a sopa".



Geraldo Pereira era um boêmio e malandro, jogador de capoeira... Quando tomava umas já ficava com "mania de brigão"... E foi assim, por causa da mania de brigão, ironicamente mencionada em seu último samba, Geraldo Pereira morreu cedo, deixando em 15 anos de carreira uma obra de mais de 300 músicas, sendo a maioria, ainda inéditas...

Apesar de contar com um time de intépretes de peso, Geraldo também arriscava no gogó. Interpretava suas músicas e de outros sambistas, além de jingles publicitários, na Rádio Tamoio do Rio de Janeiro.

Confira "Cabritada mal sucedida", na voz do próprio Geraldo Pereira:



A noite estava tranquila na Lapa, quandode repente Geraldo Pereira e Madame Satã começam um bate boca e acabam saindo na pancada... Dizem que depois de levar um certeiro, Geraldo caiu e bateu a cabeça no meio fio... foi levado ao hospital, mas não resistiu.

Geraldo Pereira em seus 37 anos de vida, não pode vivenciar a consagração, a valorização de sua obra e do samba do morro, que tanto buscou durante sua vida... Hoje é tido com um dos grande mestres do samba, gravado pelos mais diversos cantores e grupos. Pouco tempo aopós sua morte, artistas ligados ao incipiente mundo da Bossa Nova, como João Gilberto, Chico Buarque e Gal Costa, fizeram boas releituras de sua obra, apresentando assim o nome de Geraldo Pereira às novas gerações...


PRA OUVIR

Segue abaixo uma coletânea com 50 sambas de Geraldo Pereira gravados a partir do final da década de 30, em discos de 78 rpm. Alguns deles já postei alí em cima pra vocês fazerem uma boquinha. Confesso que fiquei surpreso com o tanto de canções que eu ainda não conhecia. Espero que também seja uma deliciosa aventura pelos morros, pela lapa e rodas de samba do Rio dos anos 40. Salve Geraldo Pereira!

Geraldo Pereira Parte 1

Geraldo Pereira Parte 2

Nomes das Musicas

Obs: O início das músicas tá meio estranho, problema da gravação... mas é coisa de um ou dois segundos, não atrapalha muito, só incomoda um pouquinho!

sábado, 8 de maio de 2010

Livro de Receitas....

Pra quem gosta de dar uma lida em bons textos sobre samba, separei alguns livros que achei na net, mas só dá pra ler online... Mas vale dar uma conferida... salva lá nos favoritos e vau lende de vez em quando...

Feitiço Decente: Transformações do samba o Rio de Janeiro (1917-1933)
Carlos Sandroni
Link

O Mistério do Samba
Hermano Viana
Link

Partido Alto: samba de bamba
Nei Lopes
Link

Padeirinho da Mangueira: Retraro sincopado de um artista
Franco Paulino
Link

Geografia Carioca do Samba (esse tem umas fotos bem legais)
Luiz Fernando Vianna
Link

Batuque na Cozinha: Históris e receitas das Tias da Portela
Alexandre Medeiros
Link

Tem também uns artigos em pdf que upei pra vocês baixarem...

Noel Rosa e a invenção da música popular brasileira (Pdf)

Candeia e a filosofia do samba (Pdf)

Paulo da Portela: um herói civilizador (Pdf)

Análise dos acompanhamentos de Dino 7 cordas em samba e choro (Pdf)

Lamentos...

Publico aqui, na íntegra, o desabafo do possoal do "Ocê no Samba", sobre o triste encerramento das atividades da Feira do Choro em Belo Horizinte... Uma pena que uma iniciativa dessas tenha que chegar ao fim por falta de apoio... Fica aí a dica a quem estiver lendo e puder fazer algo!


BH permite mais um absurdo cultural: o fim da Feira do Choro

O título é uma lamentação não só do Ocê no Samba que preza integralmente pelo que é feito e consumido em BH quando se fala em Samba e Choro. Mas para todos que veem na arte uma forma de mudança real no mundo. Todos os eventos, artistas e casas que se propõe a receber essas artes ganham não só a simpatia do Ocê, mas de todos que apreciam cultura. Pois é. Este texto é para comunicar que a Feira Tom Jobim, ou Feira do Choro, que fica no Funcionários, pertinho do Colégio Arnaldo terá sua última edição amanhã. O motivo? O de sempre. Falta de apoio ou percepção que a sociedade é mais complexa do que pensar apenas em materialismo burro e burocrático. Há uma necessidade clara de buscarmos algo a mais.

Em entrevista por telefone, a Curadora da Feira, Beatriz Myrrha, falou ao Ocê em tom de tristeza o que levou ao término de uma das mais bacanas iniciativas de BH. “Não havia apoio. O instituto Aletria orginalmente é voltado para a leitura, contadores de história. Mas, nossa diretoria sempre foi apaixonada pelo Choro e resolvemos bancar a ideia. Sobrevivemos um ano e cinco meses tirando dos bolsos o sustento do evento. Basicamente por essa falta de recursos que amanhã será a última vez que a feira será montada para nossa tristeza com essa perda para nós e para os amantes do Choro”, explicou Beatriz com grande pesar.

A Feira Tom Jobim recebia um apoio estrutural da prefeitura de BH que mandava o palco e uma equipe para operar o som, além de ceder a autorização para usar o espaço. As barracas com bebidas, artesanatos e alimentos não davam qualquer retorno financeiro aos organizadores da Feira do Choro. “Cada banda nos custava um cachê de R$ 500 por sábado. Era um custo que só era retirado, não havia retorno para sustentar a ideia, grande objetivo do projeto”, disse Beatriz. A programação de maio até junho já estava fechada. Inclusive entramos em contato com a Aletria para conhecer mais o projeto.

A perda é tão imensa que afetará quem já se programava para uma tarde agradável entre as belas e imensas árvores da rua Bernardo Monteiro com avenida Brasil, quem tinha na feira sua forma de ganhar um dinheiro-extra ou até mesmo o sustento famliar. O Choro atraía as pessoas que se sentavam somente para degustar os chorões da cidade. Ícones do Choro de BH passaram ou começaram por lá como o Grupo 13 Cordas, Warley Henrique, Ausier Vinicius e Pedacinhos do Céu e um número sem fim de ótimos músicos que uniam arte de qualidade e compromisso com a população de levar uma alternativa saudável de lazer.

A Feira do Choro teve um suspiro financeiro nos últimos meses, porém não foi sucifiente para segurar o evento de pé. A Copasa bancou parte dos custos por um mês e A Sindicop(Sindicado das cooperatvias de crédito) junto com a Santa Casa Saúde estavam auxiliando o projeto. Também foi pouco. Se pensarmos bem, o custo mensal da feira seria irrisório se as empresas e autoridades culturais fossem menos gananciosas e enxergassem o benefício que a Feira proporcionava à população como lembrou o diretor do clube do Choro, Silvio Carlos. “Numa época em que se tem privilegiado a música de baixa qualidade através das TVs e Rádios, este projeto tem atingido o seu objetivo, que é de oferecer ao povo de Belo Horizonte o que de melhor temos em matéria de música e instrumentistas, promovendo um contato direto entre os artistas e o público, e significativamente contribuído para enriquecer a cultura do nosso povo”.

Clamamos a todos que sabem da importância da cultura para nossas vidas que nos ajude a pelo menos colocar esse absurdo em outros locais. Quem sabe, não sansibilizamos nossas autoridades de cultura para que visem menos retorno material e mais oferta de boa música e cultura em geral, que anda cada dia mais em falta nesta cidade, pois se privilegiam eventos frívolos, sem qualquer legado real para as futuras gerações. Por enquanto, convidamos todos para o último sábado de Feira do Choro, todavia, que seja apenas um até breve para a tarde com os Chorões de BH.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Terreiro Grande e Cristina Buarque Cantam Candeia...





Enfim, consegui ouvir o disco novo do Terreiro Grande, em homeagem ao Candeia. Já tava na expectativa há um tempo... Ia no show deles em BH, mas foi cancelado do nada...

O disco é excelente! Mesmo estilo do anterior, com aquela cozinha tenebrosa! Tem uns taborins que são demais... O coro potente emoldura a voz dos solistas e em cada musica tem-se a sensação de estar em uma bela e harmoniosa roda...

O repertório nem se fala! Disposto em blocos, dessa vez menores, com duas ou três músicas cada faz uma releitura de alguns clássicos como Dia de Graça, Brinde ao Cansaço, Viver... Mas, felizmente o pessoal é da pesada e selecionou um monte de pérolas do mestre que são um poco menos conhecidas...

Pra dar um gostinho na boca, vou deixar aquí uma das faixas, no melhor "estilo Candeia"... Uma bela seleção de partidos, com direito a versos e tudo o mais...


Samba na Tendinha (Candeia)
Que me dão pra beber (Candeia)
Meu dinheiro não dá (Candeia e Catoni)
Vida Apertada (Candeia e Casquinha)
Não vem (Assim não dá) (Candeia)