quarta-feira, 20 de maio de 2009

Paulo da Portela


Paulo Benjamim de Oliveira, mais conhecido como "Paulo da Portela", nascido em 17 de junho de 1901, teve um infância difícil no bairro da Saúde, no Rio de Janeiro. Ainda novo, seu pai abandona a família deixando a mãe de Paulo com três filhos para criar sozinha. Paulo deixou os estudos para ajudar a família, trabalhando como entregador de marmitas e lustrador de móveis.

Na década de 20 a família se muda para o bairro de Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio, onde os moradores já cantavam e dançavam o jongo e nessa época o samba começava a tomar seu espaço. Foi quando começou a tomar gosto pelo samba e conheceu gente como Ismael Silva, Baiaco e Brancura, sambistas do Estácio.

Paulo da Portela foi o grande organizador do samba em Oswaldo Cruz. Muito além disso, sua simpatia e determinação fizeram dele um líder comunitário e uma referência cultuada pelos moradores do bairro. Tinha consciência de que a arte de Oswaldo Cruz era rica e poderia tornar-se profissional, daí a preocupação em diferenciar a imagem do sambista do malandro vadio perseguido pela polícia. Paulo era conhecido por "professor" e é assim que muitos sambistas, ainda hoje, se referem a ele.

Em 1922 criou com seus companheiros, Antônio Rufino e Antônio Caetano o bloco Baianinhas de Oswaldo Cruz. Em 1930 o grupo se apresentou pela primeira vez como Escola de Samba, com o nome "Quem Nos Faz É O Capricho" e a partir de 1931, desfilou com o nome de "Vai Como Pode".

Foi nessa época que, Paulo resolveu adotar um nome artístico para diferenciá-lo de outro compositor de Bento Ribeiro com o mesmo nome. Passou então a ser conhecido como "Paulo da Portela", nome que faz referência à Estrada do Portela, lugar onde após várias mudanças a escola de samba do bairro estabeleceu sua sede.

Em 1935 a Vai como Pode ganha o carnaval com um samba de Paulo e como retribuição pelo samba vencedor a escola muda de nome. Nascia o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, 21 uma vezes campeã e escola com maior número de títulos do carnaval carioca. No mesmo ano Paulo ganha do jornal "A Nação" o título de maior compositor de samba do brasil.

Um fato curioso: Certo dia, lá pelo início dos anos 80, um pai de santo apareceu no terreiro da portela e pediu para ver o organizador do desfile. Ao encontrá-lo ofereceu-lhe um compo de cachaça, que o portelence se recusou a tomar. Foi rogada uma praga sobre a escola dizendo que a Portela ficaria 25 anos sem ganhar um carnaval. A Portela não conquista um título desde 1984, há exatos 25 anos!

Durante a década de 40 apresentou na Rádio Cruzeiro do Sul o programa A Voz do Morro, ao lado de Cartola e Heitor dos Prazeres.

Em 1941, após um desentendimento em pleno desfile, Paulo rope relações com sua querida Portela, logo após a escola vencer mais um carnaval com um samba de sua autoria. Paulo deixou com grande tristeza a escola que fundou, e sua mágoa ficou registrada no seu samba "O meu nome já caiu no esquecimento".


"O meu nome já caiu no esquecimento
O meu nome não interessa a mais ninguém
E o tempo foi passando, a velhice vem chegando
Já me olham com desdém

Ai quanta saudade do passado
Que se vai lá no além

Chora cavaquinho chora, chora violão também
O Paulo no esquecimento não interessa a mais ninguém
Chora Portela, minha Portela querida
Eu que te fundei, serás minha toda a vida"


Em 31 de janeiro de 1949, contrariando seus versos, o Rio de Janeiro parou. A poucas semanas do carnaval, Paulo da Portela morria com 47 anos, vítima de um ataque cardíaco.

O comércio do bairro de Madureira fechou e mais de 15 mil pessoas foram em luto se despedir do poeta, caminhando de sua casa, no subúrbio de Oswaldo Cruze cantando seus sambas até o cemitério de Irajá.

Vinicius Terror

Fontes de consulta:
André Diniz - Almanaque do Samba
www.pstu.org.br/cultura
www.samba-choro.com.br


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