terça-feira, 19 de maio de 2009

Ismael Silva - "O Grande Ismael"



Nascido em Niterói, RJ em 14 de setembro de 1905, Ismael Silva é um dos mais importantes nomes do samba. Ele reformulou o gênero, criando uma verdadeira revolução na sua estrutura rítmica.


Aos três anos de idade mudou-se para o bairro do Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, onde aos 17 anos já frequentava as rodas de samba, compondo sambas que tornaram seu nome bastante comentado entre a boemia carioca.



Certa vez foi procurado por Alcebíades Barcelos - o Bide, com uma proposta do grande cantor Francisco Alves, que queria comprar um de seus sambas, transação bastante comum na época. Ismael aceitou a proposta e os sambas "Amor de Malandro" e "Me faz Carinhos" foram lançados em disco, trazendo o nome de Francisco Alves como intérprete e autor.



Algum tempo depois tornou-se compositor exclusivo de Francisco Alves, dividindo a autoria dos sambas com seu parceiro Nilton Bastos. Durante esse período a dupla Francisco Alves e Mário Reis gravou alguns de seus sambas mais famosos como "Não Há", "Nem é Bom Falar" e "Se Você Jurar" , consagrando Ismael Silva como compositor.



Em 1931 com a morte de Nilton Bastos, Ismael deixa o Estácio e vai morar no centro da cidade do Rio de Janeiro e começa uma parceria com Noel Rosa que rendeu uma série de 18 sambas memoráveis como "Para me Livrar do Mal", "Uma Jura Que Eu Fiz", "A Razão Dá-se a Quem Tem", entre outros.



Ismael foi o fundador da primeira Escola de Samba. A "Deixa Falar" era na verdade um bloco carnavalesco criado em 1928 por alguns sambistas do bairro do Estácio, entre eles: Iamael Silva, Bide, Armando Marçal, Heitor dos Prazeres, Nilton Bastos e Mano Edgar. Como havia no Largo do Estácio uma Escola Normal, passaram a chamar o bloco de "Escola de Samba" pois alí se formariam os professores no assunto!



O tipo de samba feito no Estácio era diferente, novo... Era um samba batucado, sem a influência orquestral do Maxixe e com a temática da malandragem. Definia-se naquele momento um novo tipo de samba, nitidamente diferente do Maxixe e da cadência do Lundu.



Assim, em 1930 saía de cena o samba "amaxixado" de Pelo Telefone para dar lugar ao samba pra frente, marcado pelo surdo da turma do Estácio de Sá. Uma nova maneira de se fazer samba que influenciou gerações de compositores, de Noel Rosa a Chico Buarque.



Após a morte de Noel Rosa em 1937, Ismael se envolve em problemas e desaparece da cena carioca, retornando apenas na década de 50, lançando seu samba "Antonico". Logo depois gravou os dois primeiros LPs como interprete de suas músicas: O samba na voz do sambista, e Ismael canta Ismael, ambos em 1956.



Durante a década de 60 frequentou o Zicartola, famosa casa de samba de propriedade de Cartola e D. Zica e estreiou em espetáculos como "O Samba Pede Passagem" e "Se Você Jurar", este último já em 1973.



Ismael morreu em Agosto de 1978 no Rio de Janeiro, sem dinheiro e sem o devido reconhecimento de sua importância para a cultura brasileira.



Depoimento de Ismael Silva - 1977



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Um comentário:

Marcelo Burmann disse...

Olá, Vinicius, obrigado pela postagem do disco e do texto também.
É engraçado como o reconhecimento de célebres personalidades que fizeram parte da cultura do país ainda não existe. Espero com otimismo que a internet possa mudar esse quadro.

Um grande abraço!