quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Grande Jamelão!!!

Que figura! Olha a moral do malandro... "Tem dim dim?"... hahaha!
Quem pode pode!



Jamelão e Chico Buarque: Piano na Mangueira (Tom jobim e Chico buarque)

Lá em Vila Rica... O samba e a história de Minas Gerais

Praça Tiradentes, Ouro Preto, MG. (Foto: Eduardo Tropia)


Outro dia, ouvindo o disco "Monarco, A Voz do Samba" (aliás, título que na minha opinião caberia ao Roberto Ribeiro - nada contra o Monarco....) me deparei com um samba que ele fez pra Escola de Samba Unidos do Jacarezinho em 1970.

O enredo do samba é "Vila Rica do Pilar: A descoberta do Ouro" e achei fantástico ( e muitos que moram aquí pras bandas de Ouro Preto também hão de achar) encontrar um samba que fale sobre lugares que posso avistar da janela da minha casa, como o Pico do Itacolomi ou o Ribeirão Tripuí...




Pico do Itacolomi, Ouro Preto, MG. (Foto: Vinicius Terror)




Ribeirão Tripuí, Ouro Preto, MG. Aquí foram encontradas as primeiras pedras de ouro, dando início à colonização das Minas Gerais. (Foto: Vinicius Terror)


E comecei a me lembrar que minha amada Ouro Preto já foi citada em alguns outros sambas, inclusive bem mais famosos que esse do Monarco.

É o caso do Chico Rei (Geraldo Babão, Djalma Sabiá e Binha), enredo do Salgueiro em 1964, que conta a história do famoso ou Rei Galanga , trazido ao Brasil como escravo e que escondendo ouro nos cabelos, comprou sua alforria, ficou rico e libertou seu povo, alforriando dezenas de escravos... O samba que cita também a Igreja de Santa Ifigênia, construída por Chico Rei e seu povo.


Outro samba que fala de Ouro Preto é o Heróis da Liberdade (Silas de Oliveira, Mano Décio e Manoel Ferreira), enredo do Império Serrano no carnaval de 1969. Esse samba é lindo! Não sei se é porque sou mineiro e vivo em Ouro Preto, terra da liberdade, berço de Minas Gerais, mas acho esse um dos sambas mais bonitos de todos os tempos... Na voz do Roberto Ribeiro então, é de arrepiar... "Lá em Vila Rica, junto ao Largo da Bica, local da opressão" - nunca descobrí onde fica esse tal Largo da Bica... acho que é só pra rimar mesmo, afinal, por aqui todo largo tem uma bica...


Gosto também da passagem em que diz "E ao longe soldados e cantores, alunos e professores, cantavam assim..." Isso me lembra muito minha história com o samba, que começou em Ouro Preto, cantando samba entre "alunos e professores" literalmente...






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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ary Barroso e o Dia Nacional do Samba

Pô galera... foi mal, sumí de novo!!! E deixei passar em branco o Dia Nacional Do Samba (2 de dezembro, que inclusive é meu aniversário tb... aí foi só juntar o útil ao agradável e comemorar com um sambão daqueles...)

Aliás, alguém sabe de onde saiu esse "dia do samba"? Não, não é por que eu nasci nesse dia...rsrsrs!!!

A idéia foi de um vereador de Salvador, Luís Monteiro da Costa, que aprovou, em 1963, a lei que determinava o dia 2 de dezembro como o dia nacional do samba. A data foi escolhida em homenagem ao compositor mineiro Ary Barroso, que compôs "Na Baixa do Sapateiro", uma das mais famosas e belas canções isnpiradas na Bahia...

Ary Barroso

Detalhe, DIZEM que o Ary compôs a música sem nunca ter ido à Bahia... e o dia 2 de dezmbro foi escolhido por ser a data em que Ary Barroso chegou à Bahia pela primeira vez.

Alguns levantam dúvidas a respeito dessa afirmação, como vocês podem ver no texto abaixo, transcrito do site "brasileirinho.mus.br"



"Nesta semana, comemoraremos, no dia 2 de dezembro, o Dia Nacional do Samba. Mas por que exatamente nesse dia? Bom, há duas versões a respeito.
A mais conhecida diz que, na primeira viagem de Ary Barroso à Bahia (...) um vereador propôs uma lei declarando aquele dia como o Dia do Samba na Bahia. A partir do ano seguinte, a data foi adotada pelo país todo.
Outra quer fazer crer que esta seria a data da gravação do primeiro samba, "Pelo Telefone", de Donga e Mauro de Almeida.

Lamento, mas devo informar que ambas as versões só podem ser consideradas como lenda.
Em relação à mais conhecida:
A primeira viagem de Ary Barroso à Bahia foi em 1929, em janeiro, não em dezembro. Em março ele já estava de volta ao Rio de Janeiro. Ele ainda não era conhecido a ponto de dar margem a uma homenagem deste porte. Outra viagem conhecida de Ary à Bahia foi em 1956, no mês de junho.
Ambas são mencionadas no livro de Sérgio Cabral, No Tempo de Ari Barroso (Ed. Lumiar, s/d): à pág. 47, o mês da viagem de 1929; à pág. 49, trecho de carta do compositor escrita do Rio de Janeiro no início de março de 1929; sobre a viagem de 1956, em que Ary recebeu homenagem, ver pág. 358.
Lógico que ele até pode ter ido outras vezes, mas ninguém consegue dizer em que ano teria se dado essa viagem que inspirou a lei. Além disso, a lenda incorre num erro crasso: vereador só pode legislar no município, de sorte que ou foi um vereador que propôs a lei para Salvador, ou foi um deputado estadual que a postulou para o Estado da Bahia.
Quanto à outra, o samba "Pelo Telefone", sucesso no carnaval de 1917, foi gravado originalmente em janeiro daquele ano, apenas como instrumental, pela Banda Odeon, e a seguir, em fevereiro, pelo cantor Bahiano e o conjunto da Odeon. O registro do samba na Biblioteca Nacional, no Departamento de Direitos Autorais, foi solicitado em 6 de novembro de 1916, com adendo do autor no dia 16. O registro foi emitido em 27 de novembro. A partitura foi impressa em 16 de dezembro.
Como vemos, nada com o dia 2 de dezembro. Além de tudo, não custa lembrar "Pelo Telefone" NÃO FOI o primeiro samba composto, nem ao menos gravado. Existem referências ao samba na imprensa de Recife desde 1837, e gravações comprovadas desde 1913, tanto no Rio quanto em Porto Alegre, pelo menos. O valor histórico de "Pelo Telefone" é de ter sido o primeiro samba a fazer sucesso no carnaval.
Enfim, não há como saber por que o dia 2 de dezembro é o Dia Nacional do Samba. Mas, enfim, que bom que alguém resolveu dedicar um dia ao samba!!!!!"

Bom seja lá qual for a origem eu gosto da história do Ary Barroso, que aliás compoôs alguns sambas maravilhosos...

Aquarela do Brasil
Esse vídeo foi feito por Walt Disney na década de 40 quando ele viajava pela América do Sul como "Embaixador da Boa Vizinhança". O desenho apresenta o Zé Carioca, personagem criado pala simbolizar os laços de amizade entre o Brasil e os EUA.
O que poucos sambe é que o Zé Carioca era realmente um sambista... José Patrocínio de Oliveira, ou Zezinho, era um grande violonista (na verdade dominava as cordas de uma maneira geral) que tocou ao lado de nomes como Canhoto e João Pernambuco e foi professor e grande responsável pela carreira do compositor e violonista Garoto.
Pra quem quiser saber mais, a biografia dele pode ser lida no Samba-Choro

Na Baixa do Sapateiro




Isso Aquí o Que é?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

É samba de preto velho!!!!


Tava aquí ouvindo os Afrosambas do Baden e Vinicius, ótimo disco por sinal, e me lembrei de várias gravações, principalmente da Clementina de Jesus, que apesar de nunca terem recebido este "rótulo", se enquadram tão bem quantos os afro sambas do Baden. Eu gosto muito desse tipo de música, adoro um tambor! Resolví então compartilhar mais uma listinha de músicas dessa vez dedicada aos orixás! Chora na Macumba!!!!!

Acendam suas velas, peguem a cachaça e o charuto, que a sessão vai começar! (as músicas saíram fora da ordem no playlist, mas a numeraçao está correta!)



1 - Canto I

Pra abrir os trabalhos... Retirado do disco O Canto dos Escravos, gravado por Clementina de Jesus, Tia Doca (a da Portela mesmo) e Geraldo Filme. É um disco sensacional, de cantos, jongos e ladainhas, todos de domínio público só com tambor: atabaques, xequerês, caxixis, agogôs, ganzás, afoxés e enxadas nas mãos dos mestres Dom Bira, Papete e Djalma Corrêa (grande percussionista, nascido aqui em Ouro Preto, e que eu já tive o prazer de receber em minha casa durante um samba!) Nessa faixa eu gosto muito do vozeirão do Geraldo Filme... de arrepiar!


2 - Canto II

Mais um canto do disco O Canto dos Escravos, entoado pela rainha quelé, a Tia Clementina! Essa mulher tem uma voz fantástica! Todos os cantos gravados nesse disco fazem parto do acervo de 65 partituras registradas no livro "O Negro E O Garimpo Em Minas Gerais", de Aires da Mata Machado Filho, (Editora José Olympio, 1943).


3 - Festa de Umbanda

Martinho da Vila gravou em seu disco "Canta Canta, Minha Gente", de 1974, uma seleção de motivos foclóricos. São elas: Tranca Rua, Filho de Zambi, Sete Flechas e Vestimenta de Caboclo.


4 - Quê querê quê quê

"Corimá" de João da Baiana, Donga e Pixinguina, com tema de macumba, na voz de João da Baiana em gravação de 1968. Do disco "Gente da Antiga", com João da Baiana, Pixinguinha e Clementina de Jesus.


5 - Jongo do Irmão Café

Jongo de Nei Lopes e Wilson Moreira, gravado no disco "Negro Mesmo" de 1983. Pra quem não sabe, o Jongo é um rítmo tocado, cantado e dançado ao som de tambores que foi trazido pelos escravos africanos e tem grande influência sobre o samba em seus primórdios...


6 - Cinco Cantos Religiosos

No disco Marinheiro Só, de 1973, Clementina de Jesus gravou um pot-pourri de cantos religiosos que conta com as seguintes pérolas:

Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi)
Fui pedir às almas santas (Arr. Adpt. Clementina de Jesus)
Atraca, atraca (Arr. Adpt. Clementina de Jesus)
Incelença (Arr. Adpt. Clementina de Jesus)
Abaluaiê (Waldemar Henrique)


7 - Noites de Luanda

Wilson Moreira é um grande compositor, com um vasto repertório de canções que exaltam suas origens e as crenças de seus antepassados africanos, como "Noites de Luanda", gravado no ótimo "Entidades" de 2002.


8 - Oloan

Outra música de Wilson Moreira retirada do disco Entidades. Aquí ele pede licença aos orixás! Umas das mais belas músicas do mestre Wilson "Alicate"Moreira, que está na ativa até hoje!


9 - Cangoma me Chamou

Canto africano gravado por Clementina de Jesus no disco "Clementina de Jesus" de 1966. Essa cantava demais... Nunca ví nada parecido!


10 - Lá na Roça

Música de Candeia e Alvarenga, gravada pelo Martinho da Vila no disco "Maravilha de Cenário" de 1975. O Martinho passeou muito por eese lado africano do samba... Raízes não devem ser esquecidas...


11 - Yaô

Composição de Pixinguinha e Gastão Vianna, retirada do disco Gente da Antiga. Essa música originalmente era um Lundú, e foi transformada em samba para essa gravação, cantada pelo João da Baiana que a acompanha com seu pandeiro.


12 - Mironga de Moça Branca

Outro "Corimá" retirado do disco Gente da Antiga, cantado em nagô por Clementina de Jesus. Ao contrário do significado adotado atualmente para a palavra "Mironga", nessa letra de domínio plúblico, a expressão tem origem no dialeto Quimbundo e significa "mistério"ou "segredo".


13 - Cercar Paca

Mais um canto de domínio público gravado por Clementina de Jesus no disco "Clementina Cadê Você", de 1970.


14 - A Epopéia de Zumbí

Música composta por Nei Lopes, em rítmo de samba enredo, para homenagear os 300 anos de Zumbi dos Palmares... Uma aula e tanto! Grande Nei Lopes, sempre estudando e esninando sobre suas raízes africanas! Confiram também o ótimo blog dele aquí!


15 - Candongueiro

Mais uma de Nei Lopes, em parceria com Wilson Moreira. O Candongueiro é um dos tambores usados no jongo, rítmo de forte tradição rural, muito bem lembrado pelos compositores nessa letra. Do disco "O Partido Muito Alto de Wilson Moreira e Nei lopes" de 1980.


16 - Macumba de Iansã

17 - Macumba de Oxóssi


Do sensacional disco "Native Brazilian Music", gravado por uma gravadora americana, sob regência do maestro Leopold Stokowski em 1942. Nessas duas composições de Donga e Zé Espinguela, cantam Zé Espinguela e Grupo do Pai Alufá. Achei um texto bastante interessante ( e longo) sobre esse disco, que quiser ler é só clicar aquí!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Veja como fica bom, o meu Partido Alto batido na mão...

O velho e bom Partido... Cadenciado, com aquele cavaco comandando e a cozinha destruindo tudo, padeirão bem tocado... E a negada alí, cantando e (con)versando sem parar a batucada... o dia vira noite, que vira madrugada, que vira dia de novo e a batida de limão rolando... Esse é o famoso Partido Alto da Antiga!

Hoje tem muita gente se dizendo partideiro por aí, mas partideiro do bom mesmo, malandro que não deixa a peteca cair nem com a cabeça anestesiada de cachaça, que resolve até briga no verso... Desses daí provavelmente não veremos mais (tomara que eu esteja muito equívocado!)

Pensando nisso resolví fazer um post em homenagem aos grandes partideiros do samba, com uma lista dos partidos que mais gosto! Só nêgo bamba! Divirtam-se!


1 - Zé Ciumento (Aniceto do Império): Na voz de Aniceto, o mestre do partido alto. Gravada no disco O Partido Alto de Aniceto e Campolino, uma jóia rara do samba que você pode baixar no Prato e Faca



2 - Mocinho Cantador (Nilton Campolino): Outro ótimo samba gravado pelo Velho Aniceto, nodisco citado acima!



3 - O Pagode (Candeia): Essa é pra ver como que o "pagode"mudou de uns tempos pra cá... Gravação com o próprio Candeia, no seu primeiro disco, de 1970.



4 - Vai pro Lado de Lá (Euclenes e Candeia): Esse samba marca a volta do Candeia que, sentado numa cadeira de rodas, emocionou a todos cantando essa música em sua primeira apresentção depois de seu acidente. Do disco Raíz, de 1971.



5 - Seleção de Partido Alto: Samba na tendinha (Candeia) / Já clareou (Dewett Cardoso) / Não tem veneno (Candeia-Wilson Moreira) / Eskindôlelê (Candeia) / Olha hora Maria (Folclore-Adpt. Candeia)



6 - Zé Tamborzeiro (Vandinho e Candeia): Grravação com a Tia Clementina, do antológico Axé, de 1978, último disco do Candeia.



7 - Linha de Candomblé (Joãozinho da Pecadora): Gravação do disco Partido em 5 vol. 1, que reúne bambas como Candeia, Wilson Moreira, Casquinha, entre outros.



8 - Barracão é Seu (Folclore): Clementina de Jesus e João da Gente cantam um belo partido. Do disco Clementina de Jesus 1966



9 - Moro na Roça (Xangô da Mangueira e Zagaia): Mais uma na voz da Tia Quelé. Do disco Marinheiro Só de 1973.



10 - Embala Eu (Albaléria): Clementina e Clara Nunes, cantando um samba de roda batido na mão!



Bom, vamos de dez em dez! Depois eu mando um segundo round... Sugestões?



Ah, pra baixar as músicas é só clicar aquí


O 4 shared está pedindo para fazer login antes de baixar os arquivos:
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Senha: samba2012





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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Grupo Bula na Cumbuca

Sonzeira da pesada! Música do Donga, de 1926... E que levada....

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Melhor ainda!!!

Pra Descontrair...

Dois Grandes Mestres!!!! hehe...

Conjunto Nosso Samba

Conhece? Não? Você não deve estar ligando o nome à pessoa! O Nosso Samba foi o principal grupo de samba da década de 70 e acompanhou muita, mas muita gente boa... Pra vocês terem uma idéia, eles gravaram com a Clara Nunes em praticamente todos os discos de samba dela...

Eu puxei esse assunto pois o Conjunto Nosso Samba tem uma sonoridade única! Do tipo que basta ouvir alguns segundos da música e você já sabe que são eles... Isso porque, além de ser formado por músicos brilhantes, como o grande Gordinho (considerado o melhor surdo de todos os tempos), o grupo contava com uma figura ímpar: O mestre Carlinhos do Cavaco!

O Carlinhos é aquele cara que poucos sabem o nome mas todo mundo (que goste de samba) já ouviu! O melhor cavaquinista de centro em opinião unânime...

O Carlinhos tocava o cavaco com afinação de bandolim, o que dava uma sonoridade completamente distinta em suas gravações. Além disso ele desenvolveu uma técnica interessante, usando apenas acordes com três notas (tríades) e abafando a primeira ou a última corda, o que funcionava também como um complemento percussivo em sua levada inconfundível..

Não vou ficar com muitas delongas... Quem quiser ler mais sobre o Carlinhos e o Nosso Samba entrem nesse blog, que é o que tem de mais completo sobre a obra deles! Blog classe A!!!!!  O que eu quero aquí é mostrar uns vídeos pra vocês (re)conhecerem a sonzeira dos caras!

















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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Poetas do Samba

Programa exibido pela Record e que fala sobre alguns sambistas, entre eles Noel, .....
Nada de muito novo, mas vale à pena... Tem umas imagens e casos interessantes....

Parte 1: Noel Rosa



Parte 2: Imagens interessantes do Silvio Caldas cantando um daqueles sambas engraçados do Noel... E um pouco de Cartola...




Parte 3: João Nogueira, Moreira da Silva e Nélson Cavaquinho


Mais uma receita!

Samba pra ficar arrepiado! Grande interpretação do Roberto Ribeiro!



Estrela de Madureira
Acyr Pimentel / Cardoso

Brilhando
Um imenso cenário
Num turbilhão de luz, de luz
Surge a imagem daquela
Que o meu samba traduz
A estrela vai brilhando
Mil paetês salpicando
O chão de poesia
A vedete principal
Do subúrbio da central foi a pioneira

E... Um trem de luxo parte
Para exaltar a sua arte
Que encantou Madureira
Mesmo com o palco apagado
Apoteóse é o infinito
Continua estrela
Brilhando no céu


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Receita de Samba

Resto de Esperança
(Dedé da Portela e Jorge Aragão)

Samba gravado pelo grande Roberto Ribeiro no LP Fala Meu Povo, de 1980. Destaque para o sete cordas que entra com tudo na segunda parte. Lindo!


Ainda resta um pouco de esperança
Apesar das desavenças
Afinal não sou criança
Pra que deixar acontecer
E lamentar o dissabor
De sermos mais um caso de amor
Mais um caso como existem tantos por aí
Pra se machucar só pra se ferir
Dessa vez não vamos nos deixar levar
Podemos superar
Com um pouco de boa vontade
Não importa o tempo, coração não tem idade


A Nova Geração do Samba: Respeito às Raízes!

Hoje o samba está na moda! A cada dia aparecem tantos grupos e cantores que às vezes fica difícil distinguir entre um disco de samba de qualidade, feito com inspiração e, principalmente, respeito às origens e à história do nosso Samba autêntico e um disco produzido para ganhar $$$!

Hoje em dia aparece um monte de gente batendo no peito, dizendo que está resgatando o Samba e a memória de nossos grandes compositores, mas o que eu vejo é uma suruba de novos cantores que pouco ou nada conhecem sobre o samba, gravando discos enlatados pelos produtores do momento e acabando com a ginga e a malícia do samba. Quando se ouve algo novo hoje em dia tem-se a impressão de que já ouvimos aquilo antes... Fica tudo igual, letras, intrumentos, músicos e arranjos, aquele andamento corrido... As gravadoras hoje só querem o samba estilo Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e toda essa turma do Cacique de Ramos...

Já previa o Paulinho da Viola há decadas atrás: Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim!!!

Eu já destaquei aqui no blog grupos novos como o ótimo Terreiro Grande, o Samba de Fato e outros que realmente fazem um samba autêntico, com respeito às raízes, instrumentos tradicionais, enfim, um samba mais parecido com aquele que se ouvia até a década de 70, antes da febre do pagode e as mudanças no samba durante os anos 80.

Hoje destaco mais quatro discos, que merecem uma conferida atenta! Anotem as receitas:

T-Kaçula e Renato Dias: Samba Rural Urbano (2007)


T-Kaçula e Renato Dias são dois sambistas e pesquisadores que vêm resgatando a tradição e a memória cultural do samba paulista, que apesar do estigma criado por um comentário infeliz feito por Vinicius de Moraes há tempos atrás, é de uma riqueza incrível.

Samba Rural Urbano é fruto de uma extensa pesquisa sobre as origens interioranas do samba paulista, o chamado Samba Rural Paulista, que resultou em uma série de composições inéditas que nos levam a um passeio pelo que há de melhor no samba paulista! Destaque para a parceria com Toniquinho Batuqueiro.


1- Bolo de fubá (Renato Dias e T. Kaçula)
2- Lorena (Renato Dias e T. Kaçula)
3- Lá no céu (T. KaçulaRenato Dias, Tito P.D.C.,)
4- Marra no Mourão (Toniquinho Batuqueiro)
5- Capinando história (Renato Dias e T. Kaçula)
6- Kolombolo (Toniquinho Batuqueiro, T. Kaçula, Renato Dias)
7- Sob o luar do sertão (Renato Dias e T. Kaçula)
8- Bumbo de Pirapora (T. Kaçula e Renato Dias) Part. Fabiana Cozza
9- De papo pro ar (T. Kaçula e Renato Dias)
10-Viola (T. Kaçula, Renato Dias, Marco Mattoli)
11-História de Boiadeiro (T. Kaçula e Renato Dias)
12-Tião Boiadeiro (T. Kaçula e Renato Dias)






Grupo Patuá
O Patuá é um grupo de Belo Horizonte que faz um samba com grande influências do choro. Ótimos musicos e composições inéditas mostram a perfeita ligação entre a informalidade do samba e o jeito chorado de se tocar, com belos arranjos de bandolim, flauta e sete cordas.

1 - Métodos e medidas (Luisinho Capadócio)
2 - Aprediz de chorão (Thiago Balbino)
3 - Meu guia (Fabinho do Terreiro e Luisinho Capadócio)
4 - Dias de Carnaval (Francisco Leão, Luisinho C. e Rubem Kurunga)
5 - Lembranças de Vó Lia (Thiago Balbino e Luisinho Capadócio)
6 - Ilusão (Amon Kurunga, Lucinio Ruas e Paulinho Pedra Azul)
7 - Maria (Cabral e Luiz Carlos da Vila)
8 - Chora pro nobis (Thiago Balbino)
9 - Reamar (Amon Kurunga e Roberta Horta)
10 - Zé (Amon Kurunga, Gabriel Kurunga e Luisinho C.)
11 - Minha Cidade (Amon Kurunga e Francisco Leão)
12 - Thiago no choro (Geraldinho Alvarenga)
13 - Vem pra Minas (Luizinho Capadócio e Rubem Kurunga)
14 - Ode ao samba (Amon Kurunga e Luizinho Capadócio)
15 - Contamão (Amon Kurunga e Luisinho Capadócio)

BAIXAR





Banda Glória Convida Cristina Buarque


A Banda Glória é um grupo paulista formado por 14 músicos e que nos traz nesse disco grandes composições de nomes consagrados como Candeia, Ataulfo Alves, Pedro Caetano, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, além de uma canção inédita do mestre Cartola, "um casal que chora". Os arranjos são ótimos e o resultado final, maravilhoso!

1 - Meu romance (J. Cascata)
2 - Disse me disse (Claudionor Cruz e Pedro Caetano)
3 - Não deixo saudade (Manoel Ferreira e Roberto Martins)
4 - Bemóis (inspiração) (Candeia)
5 - Um casal que chora (Cartola)
6 - Conversa fiada (Ciro de Souza e Geraldo Pereira)
7 - Ai de mim (Bide)
8 - Salve o américo (Alcyr Pires Vermelho e Pedro Caetano)
9 - Não me olhes assim (Erasmo Silva e Mário Lago)
10 - Sim, sou eu! (Ataulpho Alves)
11 - O morro está de luto (Lupicínio Rodrigues)
12 - Chinelo velho (Marino Pinto e Wilson Batista)
13 - Parabéns para você (Roberto Martins e Wilson Batista)
14 - A água rolou (Mauro Duarte e Paulo C. Pinheiro)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Cacilds...

Hoje faz 15 anos que o grande Mussum nos deixou... Um simbolo da minha infância... Adorava o jeitão de malandro dele!

O que muitos não sabem é que o Mussum era um grande sambista também... Durante a década de 70 ele fez parte do conjunto Originais do Samba, tocando reco reco... Depois lançou três discos em carreira solo. Gravou Geraldo Babão, Nei Lopes, Paulo Césa Pinheiro e mais um monte de bamba, foi parceiro do João Nogueira... Emfim o Mussim tá ali na galeria dos grandes bambas do samba....

Quem quiser conhecer seus discos é só baixar aqui.


Pra matar a saudade....










segunda-feira, 27 de julho de 2009

E o morro invade a cidade....

Esse texto foi retirado de um trabalho acadêmico desenvolvido por Iuri Barbosa Ribeiro, chamado A INFLUÊNCIA DA MÍDIA NA ASCENSÃO E NO DECLÍNIO DO SAMBA DE TERREIRO DOS ANOS 30 AOS ANOS 60. Gostei do texto, traz um resumo sobre a história do samba de terreiro, recheado de depoimentos de grandes bambas e outros autores. (baixe o artigo em PDF)

Mas gostei mesmo de ver uns textos do Jornal o Globo de 1932 ano em que uma revista chamada Mundo Esportivo promoveu o primeiro concurso oficial de escolas de samba do carnaval carioca. Pelo texto dá pra notar que em 1932, quase 15 anos depois de "pelo telefone" o samba já era artigo do morro, onde ganhou forma pelas mãos dos sambistas das escolas de samba... ás vezes dá pra perceber o samba era tratado pela sociedade carioca como algo quase folclórico, com "instrumentos bizarros" e melodias desconhecidas... algo misterioso....

Vale a pena conferir o texto na íntegra. Seguem os trechos publicados no O Globo e os comentários do autor do trabalho...


A PRAÇA ONZE SERÁ TEATRO DE UMA GRANDE COMPETIÇÃO MUSICAL

O campeonato de sambas que o Mundo Esportivo fará realizar (...) tem o seu maior elemento de sucesso rumoroso na quantidade enorme de escolas (...) Não resta dúvida de que constituirá uma nota de pitoresco inédito no carnaval deste ano. (...) os príncipes da melodia do malandro, as ‘altas patentes’ do samba (...) Terá o público oportunidade de ouvir instrumentos mal conhecidos pela maioria da cidade. É o caso, por exemplo, da ‘cuíca’, cujo som se destaca de todos, pois é único e inconfundível. (...) Além dos instrumentos conhecidos, outros aparecerão, por certo, na hora da parada sonora, criados pela febre de improvisação que sempre empolga... (CABRAL, 1974, p. 21)


Percebe-se a pouca familiaridade do jornalista (e, de seus leitores) com elementos do morro como a cuíca, que é escrita entre aspas. Hoje qualquer habitante do Rio de Janeiro sabe o que é uma cuíca, ela é um ícone do samba, reconhecida em todos os cantos do planeta. Pois como mostra a nota acima, no início dos anos 30 ela era desconhecida da “maioria da cidade” e, logicamente, da grande maioria da população brasileira.


VINTE ‘ESCOLAS’ NO CAMPEONATO DE SAMBA

Domingo, na Praça Onze, o público assistirá a um torneio que promete grande brilho, tal o encanto de sua originalidade. (...) O acontecimento é inédito (...) O público que conhece a música do ‘malandro’ pelo disco, ainda não sentiu, talvez, o sabor que tem a melodia na boca do próprio ‘malandro’ (...) Dizem que uma caixa de charuto usada por uma “alta patente” do samba vale, às vezes, uma orquestra completa. (...) Com seus instrumentos bárbaros, as escolas conseguem verdadeiros milagres (...) Nos morros da cidade, existem melodias ignoradas. Nem sempre a publicidade seduz o ‘malandro’, que não raro faz música para recreio interno ou por uma necessidade de expressão independente de qualquer idéia de fama ou de dinheiro...
(CABRAL, 1974, p. 22)

As “melodias ignoradas” dos morros do Rio já vinham conquistando algum espaço. No texto acima, há um trecho que registra que já se conhecia alguma coisa da “música do malandro”. Alguns discos, de fato, já continham gravações de um ou outro samba mais famoso. As gravações, porém, tinham arranjos com “big bands”. Semelhantes, ou quase idênticas, às que gravavam jazz. Para quem o uvia a “música do malandro” gravada por “big bands” deveria ser mesmo uma surpresa agradável ouvir o samba legítimo, harmonioso, com “seus instrumentos bárbaros”.


TUDO PRONTO PARA A PARADA DO SAMBA

Depois de amanhã, a Praça Onze será teatro do grande campeonato de samba (...) O Rio verá de fato a massa encantadora dos morros descer para a Praça Onze. O espetáculo não poderia ser mais pitoresco e sugestivo. (...) São pois centenas de bocas cantando com a maior emoção as melodias mais graciosas da cidade(...) O samba dos morros (...) fica lá em cima, longe de qualquer possibilidade de ser transportado para o disco. Há “malandros” que não admitem a vitrola porque tem a impressão de que, na chapa, o samba perde a sinceridade, a graça emotiva e doce, o espírito delicioso. Assim sendo, fazem o samba para si e para o seu gozo interior (...) Escolas há que se apresentarão com dezenas de “pastoras”. O coro feminino que se destaca... (CABRAL, 1974, p. 22)


Apesar da distância entre as realidades do morro e da cidade, o jornal O Globo não se limitou a apoiar e divulgar o evento de 1932. Em dezembro daquele ano, pela primeira vez, a imprensa subiu o morro em função da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. A equipe comandada por Jofre Rodrigues tinha Carlos Pimentel, o Paraíso, e Armando Reis, que haviam se mudado para O Globo com a extinção do Mundo Sportivo. (CABRAL, ESTEVES, 1998, p. 46) Além disso, foi O Globo que organizou o desfile das escolas de samba de 1933. A importância da imprensa como aliada do samba do morro era tamanha que no desfile desse ano, o segundo painel da Estação Primeira de Mangueira, dizia: “Salve a Imprensa”. (CABRAL, ESTEVES, 1998, p. 52)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Cristina Buarque e Terreiro Grande Ao Vivo - 2007


Hoje em dia quando eu vejo um disco novo de samba eu logo penso: Será que presta??? Mas se vejo o nome da Cristina Buarque no disco não preciso nem ouvir pra saber que alí tem coisa boa...Ela tem dado uma grande contribuição para o resgate do velho e bom samba, que muitos julga estar mal das pernas, ofuscado pelo samba do Cacique de Ramos que vem dominando o gosto musical dos "sambistas"contemporâneos. Estamos em um tempo em que grandes sambistas são Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Sombrinha, Jorge Aragão... Essas são as referências que o brasileiro em geral tem de samba...

Mas graças a Deus existem pessoas como a Cristina, que junto com mais uma boa turma vem fazendo um trabalho de revitalização do samba carioca autêntico. Gravando composições de grandes sambistas que nunca tiveram atenção da mídia, sambas inéditos que ficaram esquecidos no tempo...

E o Vinicius de Moraes que um dia resolveu dizer que "São Paulo é o túmulo do samba"... O que ele diria ao saber que hoje um dos mais respeitados movimentos de resgate do samba nasceu em São Paulo e que é quase consenso que em São Paulo hoje se faz samba como no Rio de ontem... Parece que os sambistas paulista têm certa resistência ao "Vírus do Cacique"....

O Terreiro Grande surgiu do Grêmio Recreativo de Tradição e Pesquisa Morro das Pedras, que tinha como proposta defender e pesquisar o samba e suas tradições e que acabou tornando-se um projeto social que envolvia toda a comunidade de São Mateus. O pessoal do Morro das Pedras tinha o costume de fazer homenagens a grandes compositores que estavam caindo ne esquecimento como Manacéa, Paulo da Portela, Alberto Lonato, Chico Santana, Nilton Campolino, Aniceto do Império... Dessa forma surgiu um dos mais importantes movimentos de resgate do samba...

Em 2007, Cristina Buarque já era frequentadora das rodas do Morro das Pedras... Quando recebeu um convite para se apresentar no Teatro FECAP em São Paulo, não deu outra... chamou a galera do Morro. A essa altura o pessoal já tinha se separado (eram mais de 30 sambistas) e Cristina reuniu 15 deles, que voltaram a se apresentar com o nome de Terreiro Grande.

Agora imagina só, um disco gravado ao vivo com 15 sambistas cantando sambas de compositores antigos da Portela, Mangueira, Imperio Serrano como se estivessem realmente num terreiro... descontração total...Eu não ví o show mas quem viu diz que foi de arrepiar...

E claro, o melhor de tudo é que não se ouve nenhum banjo ou repique de mão... Só instrumentos do samba autêntico mesmo... olha a cozinha: 2 pandeiros, 2 cavaquinhos, violões de 6 e 7, surdo, 3 tamborins, cuíca, reco-reco, prato e faca, caixa de fósforo... isso sim é uma roda de samba... As músicas todas emendando uma na outra... São 4 blocos...


O primeiro bloco é "calminho", só pra esquentar... Reparem como a roda começa a esquentar aos poucos... Começa com a Cristina cantando "O meu nome já caiu no esquecimento" ao som de dois pandeiros. Na sequência entram violão e cavaquinho durante um samba inédito do portelense Chico Santana... Com a entrada do surdão no fim dessa música o bloco segue com a cristina cantando e o pessoal do Terreiro Grande fazendo coro... bonito demais...

O segundo bloco começa na mesma levada do primeiro. Ainda na primeira música, ao som do refrão "Já chegou quem faltava... Quem o povo esperava chegar..." de Nilson Gonçalves... entram no palco mais oito músicos completando a cozinha... Aí o pau começa a quebrar e você pode sentir o clima de uma boa roda de samba...
A roda fica assim - por ordem de entrada:

Cristina Buarque

Luizinho
(pandeiro e voz)
Renato
(pandeiro e voz)
Tuco (cavaquinho e voz)
Lelo (violão e voz)
Cardoso (violão de 7 e voz)

Roberto Didio (surdo e voz)

Careca (tamborim e voz)

Edinho (cavaquinho e voz)
Alfredo Castro (cuíca e voz)
Neco (reco-reco e voz)
Wilson Miséria (prato e faca e voz)
Pereira (tamborim e voz)
Jorge (tamborim e voz)
Eri (caixa de fósforo e voz)
Bocão (voz)

põe o volume no máximo e aproveita....

Bloco 1
1. O meu nome já caiu no esquecimento
Paulo da Portela
2. Eu não sou do morro
Francisco Santana
3. Não deixo saudade
Manoel Ferreira e Roberto Martins
4. Você me abandonou
Alberto Lonato
5. Quantas lágrimas
Manacéa

Bloco 2
6. Já chegou quem faltava
Nilson Gonçalves
7. O mundo é assim
Alvaiade
8. Jura
Adolfo Macedo, Marcelino Ramos e Zé da Zilda
9. Meu primeiro amor
Bide e Marçal
10. A lei do morro
Antônio dos Santos e Silas de Oliveira
11. Quem se muda pra Mangueira
Zé da Zilda
12. Assim não é legal
Noel Rosa
13. Na água do rio
Manoel Ferreira e Silas de Oliveira
14. Esta melodia
Bubu da Portela e José Bispo
15. Ando penando
Alcides Dias Lopes
16. Perdão, meu bem
Cartola
17. Desperta Dodô
Heitor dos Prazeres e Herivelto Martins
18. Na água do rio
Manoel Ferreira e Silas de Oliveira
19. Vou navegar
Ernâni Alvarenga

Bloco 3
20. Inspiração
Candeia
21. Banco de réu
Alvaiade e Djalma Mafra
22. Você chorou
Francisco Alves e Sylvio Fernandes
23. Lenços brancos
Eliana Pittman e Picolino da Portela
24. Sentimento
Mijinha
25. Conselho da mamãe
Manacéa
26. Brocoió
Zé Cachacinha
27. Quando a maré
Antônio Caetano
28. Confraternização 1
Walter Rosa

Bloco 4
29. Portela feliz
Zé Ketti
30. Desengano
Aniceto da Portela
31. A maldade não tem fim
Armando Santos
32. Embrulho que eu carrego
Alvaiade e Djalma Mafra
33. Vida de fidalga
Alvaiade e Francisco Santana
34. Fui condenado
Mijinha e Monarco
35. Teste ao samba
Paulo da Portela
36. Tu me desprezas
Paulo da Portela
37. Cantar pra não chorar
Heitor dos Prazeres


segunda-feira, 29 de junho de 2009

1 + 1 = Samba do Bom!!!!!!

"...o samba pode ser cantado de várias maneiras: improvisado ou em coro. Houve sambistas de peito forte e os sambistas de nariz, o cantor chorando e a dupla. Esta, uma das formas mais ricas de se cantar o samba, mais malandra, mais generosa...".

Assim falou Sérgio Porto sobre esse costume que embora muito difundido nas décadas de 40 e 50, hoje encontra-se praticamente extinto... A última dupla de sucesso no samba foi formada na década de 60 por dois grandes nomes: Cyro Monteiro e Dilermando Pinheiro (este último um às do samba de breque, da altura de Kid Morengueira...):


Lado A:

• Minha palhoça (J. Cascata)
• Alô João (Cyro Monteiro-Baden Powell)
• Para me livrar do mal (Ismael Silva-Noel Rosa)
• A mulher que eu gosto (Cyro de Souza-Wilson Batista)
• Volta para casa Emília (Antônio Almeida-José Batista)
• Deus me perdoe (Humberto Teixeira-Lauro Maia)
• Pedra que rolou (Levava jurando) (Pedro Caetano)
• Lulú de madame (Paulo Gesta-Augusto Rocha)
• Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues-Felisberto Martins)

Lado B:

• Escurinho (Geraldo Pereira)
• Madalena (Ary Macedo-Airton Amorim)
• Amei tanto (Baden Powell-Vinicius de Moraes)
• Eu queria (Roberto Martins-Mário Rossi)
• Ai! Que saudades da Amélia (Ataulfo Alves-Mário Lago)
• Emília (Haroldo Lobo-Wilson Batista)
• Dora (Dorival Caymmi)
• Marina (Dorival Caymmi)
• Maria Rosa (Nássara)
• Florisbela (Nássara-Frazão)
• Conceição (Dunga-Jair Amorim)
• Clélia (Catullo da Paixão Cearense-Luiz Souza)
• Aurora (Roberto Roberti-Mário Lago)
• Eva querida (Benedito Lacerda-Luiz Vassal)
• Isabel (Arlindo Marques Júnior-Roberto Roberti)
• Julieta! Julieta! (Manezinho Araújo)
• Odete (Herivelto Martins-Dunga)
• Isaura (Herivelto Martins-Roberto Roberti)
• Rosa Morena (Dorival Caymmi)
• Menina fricote (Henrique Batista-Marília Batista)
• Nos braços de Isabel (Silvio Caldas-José Judice)
• Formosa (Baden Powell-Vinicius de Moraes)
• Até amanhã (Noel Rosa)
Ficha técnica

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Quase meio século depois surgem no Rio dois ótimos cantores, estudiosos do samba e que decidem reviver esse costume. O disco "Dois Bicudos" traz Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta acompanhados por músicos excepcionais como Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Wilson das Neves, Jorginho e Celsinho Silva.... Enfim, com uma turma dessa só podia dar em samba mesmo....

Ainda mais com o time de compositores, escolhidos a dedo pra completar o "cast"... Os contemporâneos Maurício Carrilho, Paulo César Pinheiro e Pedro Amorim dividem as letras com gente da antiga como Nélson Cavaquinho, Geraldo Pereira e Cartola.... Mas não vá pensando que vai ouvir "A Flor e o Espinho" ou "Sem Compromisso".... As músicas são muito pouco conhecidas, incluindo algumas faixas inéditas como a que dá nome ao disco. "Dois Bicudos" é uma composição de Cartola nunca gravada antes e mostra um lado curioso do mestre: é uma das unicas músicas em tom de piada que Cartola escreveu, fugindo completamente de seu estilo tradicional....


1- Baile no Bola (Mauricio Carrilho e Paulo César Pinheiro)
2 - Foi uma pedra que rolou (Pedro Caetano)
3 - Dois Bicudos (Cartola)
4 - Requebra morena (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)
5 - Conselho de amigo (Geraldo Pereira e Aluisio Dias)
6 - Jurací (Geraldo Pereira e Paulo Gesta)
7 - Jurema - Matilde (Pedro Amorim)
8 - Entre a cruz e a espada (Nélson Cvaquinho)
9 - Falso Rebolado (Jorge Costa e Venâncio)
10 - Tudo o que você diz (Noel Rosa)
11 - Receita médica (Francisco Malfitano e Frazão)
12 - Geraldina (Maurício carrilho e P. C. Pinheiro)
13 - Já sei (Leonel Paiva e Wilson Batista)
14 - Força total (Aluízio Dias)
Ficha Técnica


Bom apetite!

domingo, 28 de junho de 2009

O Rei Roberto...


Calma galera... o blog ainda é sobre samba! Eu estou falando é do grande Demerval Miranda Maciel, mais conhecido como Roberto Ribeiro, um dos maiores intérpretes que o samba já conheceu.

Apaixonado por futebol, Roberto foi jogador profissional em sua cidade natal, Campos, no estado do Rio. Conhecido como Pneu, foi goleiro do Goytacaz Futebol Clube. Em 1965, à procura de um lugar em algum grande time carioca, mudou-se para o Rio. Chegou a treinar no Fluminense, mas a paixão pelo samba foi tomando lugar e pouco tempo depois trocou o futebol pela música.

Sua estréia no samba foi em 1972, quando gravou com Elza Soares 3 compactos. Os bons resultados das gravações levaram ao lançamento do disco Elza Soares e Roberto Ribeiro. Em seguida gravou os sambas "Estrela de Madureira", "Acreditar" e "Tempo Ê" que estouraram nas rádios e firmaram o nome de Roberto entre os grandes intérpretes do samba.

Dono de uma voz suave porém imponente, de timbre inconfundível, Roberto Ribeiro foi um grande divulgador do samba e suas vertentes, gravando inclusive muitos ritmos primitivos e de origem africana, como Jongos, Afoxés, Maracatus e Sambas de Roda... Muitos o consideram a "Enciclopédia do Samba".

Frequentador assíduo das rodas de samba de Madureira, foi durante quase uma década puxador dos sambas do Império Serrano, escola de samba do bairro. Sua voz enfeitou os carnavais entre os anos de 1975 e 1983, puxando o samba campeão de 1982 "Bumbumpaticumbum prugurundum"

Durante a década de 90, Roberto ficou bastante doente. Foi acometido por uma doença no olhos causada por um fungo e agravada pela diabetes, chegando a perder um dos olhos. Roberto morreu em Janeiro de 1996, atropelado em uma rua do bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.


Pra Ouvir!

Fiz uma coletânea com 34 músicas, pescadas em seus quase 20 discos gravados. Procurei mostrar em linhas gerais os caminhos por onde ele passeava dentro do samba, pra quem não conhece ir digerindo aos poucos a receita! Espero que gostem!

1 - Acreditar (Ivone Lara - Délcio Carvalho)
2 - Ao povo em forma de arte (Wilson Moreira - Nei Lopes)
3 - Artifício (Paulo César Pinheiro - Mauro Duarte)
4 - Até Amanhã (Riachão)
5 - Aurora de um sambista (Toco)
6 - Cabide de molambo (João da Baiana)
7 - Coité, Cuia (Wilson Moreira - Nei Lopes)
8 - Correntes (Roque Ferreira)
9 - Estrela de Madureira (Cardoso - Acyr Pimentel)
10 - Filosofia (Noel Rosa)
O orvalho vem caindo (Noel Rosa-Kid Pepe)
11 - Filosofia do samba (Candeia)
Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola)
12 - Glórias e graças da Bahia (Joacyr Santana - Silas de Oliveira)
13 - Heróis da liberdade (Mano Decio - M. Ferreira - Silas de Oliveira)
14 - Império bamba (Joel Menezes - Roberto Ribeiro)
15 - Isso não são horas (Chiquinho - Catoni - Xangô da Mangueira)
16 - Jura (Nelson Rufino)
17 - Molejo (Hermínio Bello de Carvalho - João de Aquino)
18 - Nego benguela (Roque Ferreira)
19 - O ganzá do seu Leitão (Cleber Augusto - Nei Lopes)
20 - O quitandeiro (Monarco - Paulo da Portela)
21 - Olha o partido (Xangô da Mangueira-Rubem Gerardi)
22 - Os cinco bailes da história do Rio (Ivone Lara - Bacalhau - Silas de Oliveira)
23 - Pá-nela (Gonzaguinha)
24 - Planta imortal (Serafim Adriano)
25 - Podes rir (Daniel de Santana - Comprido)
26 - Prece a Xangô (Zé Luiz - Nelson Rufino)
27 - Recordações de um batuqueiro (Xangô - J. Gomes)
28 - Resto de esperança (Dedé da Portela - Jorge Aragão)
29 - Samba da minha terra (Dorival Caymmi)
Yá Yá do Cais Dourado (Martinho da Vila-Rodolfo)
30 - Samba do Irajá (Nei Lopes)
31 - Samba do sofá (Geraldo Babão - Dicró)
32 - Só chora quem ama (Wilson Moreira - Nei Lopes)
33 - Tia Eulália na xiba (Cláudio Jorge - Nei Lopes)
34 - Um dia de rei (Daniel Santos - Noca da Portela)


Baixar Coletânea Roberto Ribeiro

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Ai, Cachaça!!!!

Grande musa inspiradora do samba e muitas outras artes populares a velha e boa cachaça é um simbolo nacional!!! Nesse disco - resultado de um trabalho de pesquisa feito por Alfredo del-Penho, Henrique Cazes, Luís Filipe de Lima, Cristina Buarque e Paulo César Andrade - encontramos uma série de músicas (sambas, em sua maioria) inspiradas pela "marvada"! De Noel Rosa a Aniceto do Império, passando por Candeia, Wilson moreira e claro, Zeca Pagodinho, todos já provaram do néctar!!!!

Quem dá o tom são dois cariocas que vêm fazendo um belo trabalho de resgate do samba cantado em duplas, muito comum nas décadas de 40 e 50 e que hoje anda um pouco esquecido...

Sirvam-se à vontade, mas não se esqueçam: "Quem não sabe beber pinga bebe água camarada"....

Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta - Cachaça dá Samba


1 - Ai, cachaça! (Manezinho Araújo - Fernando Lobo)
Bebida, mulher e orgia (Aniz Murad - Luiz Pimentel - Manoel Rabaça)
2 - Quem não sabe beber (Elino Julião - Severino Ramos)
3 - A verdade é pura (Moacyr Luz)
4 - O pingo e a pinga (Antônio Almeida - Pedro Caetano)
5 - Malvada Pinga (Moda da Pinga) (Laureano)
6 - Delírio alcoólico (E. Briu)
7 - Por esta vez passa (Noel Rosa)
8 - Maria Fumaça (Noel Rosa)
9 - Prá Esquecer (Noel Rosa)
10 - É Bom Parar (Noel Rosa - Rubens Soares)
Quem mandou você beber (Bide)
Não deixarei de beber (Sebastião Gomes - Jorge Gonçalves - Irineu Silva)
11 - Moenda Velha (Zeca Pagodinho - Wilson Moreira)
12 - Baranga das Dez, broto das Duas (Jota Canalha)
13 - O que me dão pra beber (Candeia)
Beberrão (Aniceto do Império - Molequinho)
14 - Deixa-me beber (J.G. De Carvalho)
Cachaça (Héber Lobato - Lúcio Girão - Marinósio Filho - Mirabeau Pinheiro)

BAIXAR

quarta-feira, 17 de junho de 2009

TV Cultura...

Televisão como se fazia antigamente...

Paulinho da Viola:




Jamelão:




Adoniran Barbosa:




Demônios da Garoa:




Baden Powell:




Elza Soares:




Luiz Gonzaga:




Novos Baianos:

Cassilds!!!

Grande mussum... Programa Ensaio Tv Cultura com os Oringinais do Samba...


sábado, 13 de junho de 2009

Os tambores das Minas Gerais - O Candombe do Açude.

Uma das manifestações musicais mais primitivas de Minas Gerais sobrevive na comunidade do Açude, em meio às montanhas da Serra do Cipó.
Em novembro de 2004, o presidente Lula premiou com a medalha da Ordem do Mérito Cultural um grupo de moradores de um remanescente de quilombo localizado na Serra do Cipó, região distante 130 quilômetros de Belo Horizonte. Descendentes de escravos, a comunidade do Povo do Açude, como é conhecida essa gente, preserva até hoje um ritual sagrado de seus ancestrais: o candombe, uma tradição marcada pelo ritmo dos tambus, tambores moldados na madeira pelos escravos.


Assim, o secular candombe sobrevive ao tempo na serra do Cipó. E ganhou o respeito de todos. “Meus avós me pediram para nunca deixar morrer a tradição”, diz a simpática Maria das Mercês Santos, 66 anos de idade, neta de escravos. Com a ajuda das irmãs Maria Geralda, 68 anos, e Vilma Zeferino, 69 anos, dona Mercês não permite que os tambus se calem. Os ancestrais das três matriarcas vieram do Congo, mais de 200 anos atrás. Na bagagem trouxeram a cultura africana. Os escravos chegaram à região para trabalhar nas lavouras da fazenda Cipó Velho, localizada a dois quilômetros de onde hoje está a comunidade do Açude.

O candombe não tem data certa para ser celebrado na comunidade do Açude. “Só não tem quando chove, porque os tambus precisam ser afinados na fogueira”, diz dona Mercês. Eles ficam à beira do fogo desde o início da noite da festa, para que o couro estique a ponto de ganhar o timbre certo. Manifestação folclórica mais primitiva de Minas Gerais, o candombe tem origem no congado e é considerado a principal das oito guardas dessa manifestação vinda da África para reverenciar, com danças e batuques, Nossa Senhora do Rosário.



A principal história relacionada ao candombe na serra do Cipó conta que os batuques dos escravos aconteciam sempre no início da noite, depois do trabalho na lavoura. Os negros da fazenda Cipó Velho reuniam-se para dançar ao som dos tambus, mesmo sabendo que não era do agrado do senhor branco.

Certo dia, irritado com a algazarra vinda da senzala, o senhor ordenou ao capataz que acabasse com a festa, queimando os tambus. Mas a fumaça exalada pelos tambores penetrou casa-grande adentro, perseguindo o dono da fazenda durante horas. Quase sufocado, ele imaginou tratar-se de uma maldição encomendada pelos negros. Assustado, mandou que os escravos construíssem novos tambores, por acreditar que só dessa maneira o feitiço seria anulado. Assim foi feito e a mandinga se desvaneceu.

O episódio teria acontecido já ao final do século XIX, poucos anos antes do fim da escravidão no Brasil. Os três centenários tambus talhados em tronco de saboeira, árvore do cerrado mineiro, ainda estão lá, ditando o ritmo do candombe do Povo do Açude. Além de uma caixa batuqueira incorporada mais tarde pelos descendentes dos escravos, em lugar da puíta, os três tambus de tamanhos e tonalidades sonoras distintas são os únicos instrumentos permitidos na celebração.

Ao contrário das outras sete guardas do congado – moçambique, congo, catopés, marujos, cavaleiros de São Jorge, vilão e caboclinhos –, os participantes do candombe não fazem uso de qualquer vestimenta apropriada. “O uniforme do candombe é o respeito”, diz dona Mercês. Ela faz questão de manter assim a celebração, como faziam seus parentes escravos: “Não vamos mudar nada, não vamos usar uniforme, não vai ter rainha nem rei, como tem nas outras guardas. Nosso rei é o candombe e nossa rainha é Nossa Senhora do Rosário”, decreta.

Mesmo primitiva, a manifestação tem uma força que contagia pela espontaneidade. Logo depois da reza em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, segue-se uma pequena procissão até o terreiro onde estão repousados os tambus ao lado da fogueira. De repente, alguém atravessa o terreiro fantasiado de boi, perseguindo e assustando as pessoas com sua correria.

Meia hora mais tarde, já afinados, os tambus são empunhados por três homens da comunidade, e o candombe tem início para varar a madrugada. Um círculo humano se forma ao redor dos batuqueiros, e um candombeiro se apresenta ao centro da roda para cantar. Os versos são curtos, disparados em tom de desafio. Os temas variam da louvação religiosa a amores e ocorrências do dia-a-dia. Muitas vezes, o candombeiro improvisa seu canto e a roda de participantes responde, em coro, com versos tradicionais do tempo dos escravos.

Dançando e girando o corpo freneticamente, como que a estar em transe, o candombeiro cede a vez para outro participante entrar na roda. Qualquer pessoa, de qualquer idade, é sempre bem-vinda a participar. A festa segue até a madrugada, e são servidos bolo de fubá e broas de milho para os convidados. Mas o combustível dos candombeiros é mesmo a cachaça, acompanhada de biscoito de polvilho. “Serve para relaxar, mas não é obrigatório”, diz dona Mercês.

Houve época em que se podia ouvir os cantos em latim e em dialetos africanos. “Freqüentei candombes cantados na língua banto, aqui na serra do Cipó, mas essa tradição se perdeu com a história oral, ao longo dos anos”, revela Oswaldo Machado, pai da cantora Marina Machado e um estudioso da manifestação originária da África.

Oswaldo Machado sempre acompanhara e incentivara a preservação do candombe na região. “A intenção é revitalizar uma tradição que estava desaparecendo. Até mesmo os tambus não tinham guardiões, um deles quase se perdeu”, diz Machado.

Hoje os três tambores, símbolos do candombe, ficam sob a proteção e responsabilidade de dona Mercês e sua família.

Também a batida e o ritmo originais da manifestação têm sido motivo de preocupação. “Há um cuidado muito grande em preservar a forma como os escravos tocavam os tambus, para que ela não se perca no tempo, nem se deixe influenciar pelos modismos”, diz o advogado. Para Machado, a manutenção das características do candombe só tem sido possível graças à união do povo do Açude. “É uma comunidade quase tribal de pessoas simples que ainda se sustentam com o trabalho na roça. Apesar da precariedade em que vivem, todos ali são solidários, receptivos e felizes.”

A nova geração do Açude sabe da importância dessa tradição. Florisbela Aparecida dos Santos, de 23 anos, é uma das mais empenhadas em preservar e difundir o camdombe. Filha de dona Mercês, Flor, como é conhecida, luta bravamente para divulgar o legado deixado por seus ancestrais. “Tempos atrás, os turistas que visitavam o parque nacional vinham ver o candombe e nos desrespeitavam dentro de nossa própria casa, caçoando e gritando frases maldosas, carregadas de preconceito”, diz Flor.

Hoje, em dias de candombe, centenas de pessoas de várias regiões de Minas Gerais – em especial jovens estudantes de Belo Horizonte – invadem a comunidade do Povo do Açude para participar ativamente da festa, a começar pelos preparativos. “O resgate de nossa cultura é o principal instrumento para fazer com que todos nos respeitem”, diz.


A RAINHA DOS TAMBORES

Rainha do Sincretismo Religioso, Nossa Senhora do Rosário preferiu o batuque africano à missa portuguesa.

Desde sua origem, o congado está relacionado ao culto a santos católicos como Nossa Senhora do Rosário, Santa Ifigênia e São Benedito. Em Minas Gerais, por exemplo, há registros de celebrações a Nossa Senhora do Rosário de 1705.

Esses santos eram cultuados na mesma ocasião em que os escravos nomeavam “juízes” e “reis do Congo” entre eles próprios, que servissem de interlocutores com os senhores de engenho, e nos mesmos dias em que os brancos comemoravam as cerimônias católicas. Era uma maneira dissimulada de louvar seus orixás: fazendo uma associação com os santos dos portugueses.
No Brasil, Nossa Senhora do Rosário pode ser considerada a rainha desse sincretismo religioso e também do candombe, o pai de todas as guardas do congado.

Uma lenda africana diz que a imagem da santa apareceu pela primeira vez no mar, perto de uma praia. Colonizadores portugueses tentaram retirá-la da água, sem sucesso.

Grandes embarcações foram usadas para o resgate, missas foram rezadas, mas a santa não saía da água. Então, do tronco de árvores os escravos escavaram três tambores que foram colocados em um oratório feito de sapê, na beira da praia. Cantaram, dançaram, rezaram com muita fé, atraindo a santa.

Nesse momento, os portugueses a tomaram dos negros e a glorificaram no altar de uma capela feita toda em ouro, onde celebraram missas. No dia seguinte a santa havia voltado para o mar. Os negros novamente montaram seu humilde oratório e voltaram a soar seus tambores. E mais uma vez a santa voltou à terra, agora para ficar. Desde então, os três tambores de madeira e couro – os tambus do candombe – são considerados sagrados para os negros devotos de Nossa Senhora do Rosário.


Reportagem extraida da Revista Raiz. Texto de Afonso Capelas Jr.


Candombe do Açude: Arte cultura e Fé

Documentário dirigido por André Braga e Cardes Amâncio.


Parte 1: A história do Povo do Açude e o mito de Nossa Senhora do Rosário.


Parte 2: A cultura do Candombe


Parte 3: Preservando as tradições